A qualidade da Água Requisitos básicos para um bom aquário marinho



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A Qualidade da Água
Requisitos básicos para um bom aquário marinho


Você já deve ter lido ou ouvido que qualidade de água é realmente do que se trata em matéria de manutenção de peixes. Em minha opinião, no entanto, qualidade de água não é o detalhe mais crítico de um aquário de sucesso.

Outras propriedades físicas do meio do aquário - a escolha dos habitantes do tanque e o alimento fornecido - podem produzir "sintomas" comumente atribuídos a qualidade da água. Isso não significa que qualidade de água não é importante. Ela certamente é. Meu ponto é que aquaristas sempre se concentram em fatores quantitativos (números), e esquecem que a causa básica de um problema pode ser qualitativa - não tendo nada a ver com as coisas que se testam.

Por exemplo, um organismo que precisa de luz para produzir alimento via fotossíntese vai lentamente definhar se colocado em um aquário que possui iluminação inadequada, mesmo que a qualidade da água testada seja perfeita. Dessa mesma maneira, um peixe ou coral que é bicado ou ferido constantemente por seus companheiros de aquário pode não "vingar" , independentemente de ótima qualidade da água. Além do mais, aquaristas que não quarentenam seus peixes antes de colocá-los no aquário estão mais sujeitos a perderem peixes por doenças, não importando quão boa seja sua água.

A despeito desses assuntos críticos, quando um aquarista imagina porquê ele ou ela não consegue manter um organismo em particular, a primeira assunção é tipicamente pobre qualidade de água. Após fazer uma bateria de testes que não detectam problemas de qualidade de água, outras possibilidades, como o espécime ser de baixa qualidade (mal manuseado, coletado com cianeto, etc) ou que uma misteriosa "toxina" esteja agindo, são consideradas. Apenas após várias outras tentativas e falhas, o desafortunado aquarista decide que sua atividade de lazer não serve para ele ou ela, e outro aquário completo aparece nos anúncios de classificados.

Você deve estar imaginando porquê eu estou saindo tanto do assunto logo no início do artigo, que deveria tratar de qualidade de água. A razão é simplesmente eu querer que o leitor entenda que aquários não são máquinas para serem reguladas da mesma maneira com que julgamos, vamos dizer, quando o tanque de gasolina do automóvel está cheio ou vazio, precisando de mais combustível..

Esses sistemas marinhos aquáticos fechados são ambientes complexos, compostos de coisas vivas que morrem a despeito de água perfeita, ou "vingam" quando ela está longe de perfeita. De qualquer maneira, é importante manter os parâmetros do ambiente dentro de certos limites, e com isso dito eu posso começar a falar a respeito de qualidade de água.

 

Quanto sal ?



Aquaristas marinhos determinam a salinidade de seus aquários usando um hidrômetro, um aparelho bastante simples, que mede a gravidade específica. Enquanto esses aparelhos de nível de hobby são geralmente não absolutamente precisos a respeito do valor medido, eles normalmente permanecem constantes (eles proporcionam a mesma medição para amostras iguais de água mesmo que o valor medido não esteja absolutamente correto). Portanto, medindo-se a água com o mesmo hidrômetro todo o tempo, as medições obtidas serão consistentes.

Para aquaristas, o hidrômetro do tipo de caixa, com uma agulha oscilante, é o mais conveniente de se usar. Hoje em dia já estão disponíveis com uma escala de medição mais ampla, e possuem uma calibragem mais precisa.

Na medida em que a água evapora do sistema, deixa para trás sais dissolvidos. A água do aquário se torna mais salgada, a não ser que a água perdida por evaporação seja reposta com água doce.

Algum sal também se perde por causa de espirros que geram "crostas de sal" nas tampas e superfícies expostas às explosões de bolhas ou sprays de sal. Sais também se perdem com o tempo, por intermédio da espuma coletada por fracionadores de proteínas.

O efeito líquido dessa perda de sal é que o aquário de torna gradualmente menos salgado - tanto pela perda de sal quanto pela reposição com água doce. Trocas de água podem ajudar a corrigir esse desvio de gravidade específica. Pode-se também adicionar um pouquinho de água salgada periodicamente, a fim de manter o equilíbrio.

A gravidade específica da água salgada é de aproximadamente 1.025 a 25 graus Centígrados. Água de costeiras é quase sempre menos densa, em torno de 1.022, como resultado de água doce proveniente da terra.

Os limites aceitáveis de gravidade específica para aquários estão entre 1.010 e 1.030. Por causa de cada tipo de vida marinha ser propensa a se acostumar a um nível de gravidade específica em algum ponto dentro desses limites, manter o aquário nos extremos dos mesmos quer dizer que novas adições devem ser aclimatadas lentamente. A maioria dos aquaristas mantém seus aquários a uma gravidade específica abaixo da medida padrão. Isso é perfeitamente aceitável, mesmo para animais marinhos do Mar Vermelho, onde a gravidade específica pode se aproximar de 1.030.

Flutuações constantes de gravidade específica são estressantes a invertebrados, plantas e microorganismos, incluídas as bactérias. Estabilidade é a chave para fazê-los vingar, e isso é atingido facilmente tanto por se usar uma tampa que reduza a evaporação, quanto por sistemas automáticos de reposição de água que usem sensores de nível e/ou bombas de dosagem.

 

Água de torneira



A composição da água usada para fazer água salgada artificial afeta significativamente sua qualidade. Água de torneira e de poço variam em seus atributos químicos, e podem comprometer a qualidade da água artificial se estiver contaminada por metais pesados, nitrato, fosfato, compostos orgânicos ou toxinas.

A fonte de água pode implementar a qualidade da água, quando contiver elementos traço ou cálcio, mas mais comumente a impureza da água doce não é vantajosa. Para evitar a adição de coisas desconhecidas junto da água, é melhor purificá-la. Sistemas de osmose reversa fazem com que a água se torne segura para usar. Sistemas caseiros de amaciamento de água, por outro lado, são geralmente inaplicáveis para a filtragem da água a ser usada em aquários marinhos, mas podem ser usados como um primeiro estágio do processo de filtragem quando um segundo estágio de osmose reversa está em uso.

 

Trocas de gases



Enquanto as trocas de gases por si só não são parâmetro de qualidade de água, seus efeitos se relacionam a vários de seus aspectos. Mesmo que contenha uma comunidade inteira de vida, um aquário pode ser visto como um organismo único, que necessita respirar. Tanques mais largos possibilitam melhor troca de gases do que tanques altos, porque têm mais superfície de água em contato com a atmosfera. Vários desenhos comercializados não provêem área de superfície suficiente para seu volume, portanto compre cuidadosamente um tanque com uma dimensão da frente ao fundo que seja igual ou maior do que a altura. É claro, pode-se também encher um aquário alto apenas parcialmente, reduzindo assim o volume relativamente a uma dada área de superfície de água.

Os gases mais importantes para os aquaristas considerarem são oxigênio, nitrogênio e dióxido de carbono. Oxigênio, como eu discutirei por um momento, é um gás pelo qual muitos aquaristas testam. Nitrogênio é uma preocupação, primeiramente sob condições de supersaturação, que advêm usualmente do resultado da cavitação (formação de cavidades) de uma bomba d’água ou outras situações em que quedas extremas de pressão ocorram numa linha d’água. Essa condição de supersaturação pode causar bolhas mortais de gás, que podem se desenvolver nos peixes. Finalmente, dióxido de carbono, enquanto não geralmente testado para aquários marinhos, pode ser monitorado por intermédio da variação do nível de pH no decorrer do dia. CO2 é essencial para a fotossíntese, e também um ingrediente importante no sistema tamponador da água do mar.

 

pH

O tópico pH se relaciona às trocas de gases, porque o sistema de tamponamento da água do mar depende de compostos gerados por dióxido de carbono dissolvido na água. O pH da água faz referência a quanto a água é ácida ou alcalina.



Muitas vezes, ouço falar que aquários marinhos são tão difíceis de manter porque deve-se constantemente ajustar o pH para mantê-lo em ordem. Eu acredito que a origem dessa afirmação tem a ver com a ênfase exagerada de se realizar testes de pH.

De fato, o pH flutua naturalmente do dia para a noite, como resultado da respiração (à noite) - quando o pH cai - e fotossíntese pelas plantas durante o dia - quando o pH sobe. Mesmo assim, uma variação no período do dia é normal, e um simples teste pode não significar muito. O pH aceitável para peixes marinhos tropicais está entre 7.6 e 8.5. Melhor seria entre 7.9 e 8.4. Invertebrados preferem ficar entre esses últimos parâmetros.

Quando o pH tende a ser baixo, isso indica que o tanque mantêm muito CO2, ou que o sistema de tamponamento está gasto - normalmente por liberação ácida de nitrificação. Se a aeração da água eleva o pH, o problema é excesso de CO2. Melhor circulação de água para liberar esse excesso de CO2 na superfície da água é a solução ideal, mas também é possível que o ar na sala onde se encontra o aquário tenha alta concentração de CO2.

Um declínio crônico de pH é tipicamente resultado de nitrificação (conversão de NH3- para NO2-, liberando portanto íons H+ ácidos) e/ou o acúmulo de ácidos orgânicos. Isso se resolve com a adição de um tamponador ou com trocas de água.

A escala de pH vai de 0 a 14, com o pH de 7.0 sendo neutro. Abaixo de 7.0 é ácido, e acima é básico. Água natural do mar tem pH de 8.3, que é ligeiramente alcalino.

pH é medido com reagentes e uma tintura sensível a pH em testes de nível hobbista, ou com um medidor de eletrodo. O medidor de pH mede a voltagem produzida pelos íons hidrogênio difusos através de um vidro permeável na ponta de um eletrodo imerso na água do aquário. o sensor de pH deve ser calibrado com soluções calibradoras de tempo em tempo, para assegurar a perfeição de sua leitura. Como o pH muda em escala logarítmica e não linear, as soluções de calibragem usadas devem estar em cada ponta da média de pH para o aquário. Para aquários de água salgada com um ideal de 8.3, as soluções calibradoras usadas devem ser 7 e 9 ou 7 e 10.

 

Reserva Alcalina



Reserva Alcalina se refere à capacidade de tamponamento da água contra quedas de pH. Quanto mais alta a reserva alcalina de uma solução, maior sua capacidade de prevenir-se contra rápidas oscilações de pH. No aquário, a reserva alcalina é formada por vários compostos iônicos negativamente carregados chamados ânions, como carbonatos, boratos, bicarbonatos e hidróxidos.

Dureza carbonática sempre é usada para definir reserva alcalina, mas esse termos confuso se refere apenas à porção referente aos carbonatos e bicarbonatos da reserva alcalina, e não de todos os outros compostos envolvidos. De qualquer forma, a reserva alcalina geralmente é levemente mais alta do que a dureza de carbonatos.

Duas unidades diferentes de medida são empregadas por aquaristas, quando medem reserva alcalina: miliequivalentes por litro (mEq/L) e graus de dureza carbonática, também conhecidos por dKH do termo alemão. Para converter mEq/L para dKH, multiplique por 2.8.

Água natural do mar tem reserva alcalina de 2.1 a 2.5 (6 a t dKH). No aquário, a reserva alcalina deve ser mantida entre 2.5 e 3.5 mEq/L (de 7 a 10 dKH). Alguns aquaristas reportam bons resultados em aquários de rochas em níveis até superiores, como 12 a 15 dKH, mas isso pode requerer adições freqüentes de tamponadores.

A reserva alcalina é tipicamente mantida pela adição de tamponadores. Também é reposta com água que naturalmente contém carbonatos e bicarbonatos, e isso pode ser mantido durante um certo tempo usando-se o fundo do aquário coberto com carbonatos de cálcio.

Quando CO2 é abundante no aquário, a reserva alcalina pode ser mantida por intermédio de adição lenta de kalkwasser (uma solução saturada de hidróxido de cálcio) como água de reposição. A combinação de íons cálcio e CO2 livres na água do aquário elevam o nível de carbonato e bicarbonato de cálcio, enquanto o hidróxido fornecido neutraliza ácidos orgânicos que desgastariam a reserva alcalina. Quando CO2 está em baixo fornecimento, o kalkwasser não eleva a reserva alcalina. Reatores de cálcio que usam CO2 para dissolver um meio calcáreo também podem ser usados para repôr reserva alcalina e cálcio.

 

Temperatura



A temperatura de um aquário de sucesso deveria ser mantida estável durante o curso de um dia. Uma variação diária de mais ou menos um grau ou dois é perfeitamente aceitável, mas grandes flutuações podem ser estressantes o suficiente para os peixes sofrerem uma baixa de resistência contra as doenças mais comuns, como o íctio e veludo (Cryptocaryon irritans e Amyloodinium).

Essa fraqueza induzida pela temperatura em peixes marinhos tem sido explicada na literatura como sendo um artefato da relativamente estável temperatura encontrada nos recifes de corais, de onde vêm os peixes marinhos tropicais, comparada à grande variação de temperatura que ocorre em lagos e pântanos onde os peixes de água doce vêm. Eu não acredito nessa explicação, porque eu mesmo tive experiências de dramáticas mudanças de temperatura em recifes de corais em águas rasas com as mudanças de maré, e em água profundas com as termoclinas ("camadas" de água com diferentes temperaturas). Eu não posso explicar porquê temperaturas instáveis são um fator tão estressante nos sistemas fechados dos aquários comparados ao ambiente natural, mas eu sei que é assim.

Um aquecedor ou resfriador ajudam muito a manter a temperatura correta. Pode ser suficiente, no entanto, simplesmente aquecer ou condicionar o ar do ambiente do aquário.

Enquanto flutuações de temperatura são estressantes aos peixes, invertebrados e plantas são bem mais tolerantes a essas mudanças. De qualquer forma, deve-se mantê-los dentro de uma variação de temperatura suportável. Um aquário tropical marinho deve ser mantido não abaixo de 24 graus Centígrados nem acima dos 27. A temperatura ideal é em torno dos 25 graus.

No ambiente natural, o quebrar das ondas, fluxo de marés e fotossíntese de algas contribuem para a manutenção de um nível de oxigênio dissolvido perto ou acima do ponto de saturação - durante o dia e à noite. No aquário, o nível de oxigênio dissolvido pode subir acima da saturação durante o dia, por causa da fotossíntese, mas sempre cai dramaticamente à noite, como resultado da respiração na ausência de fotossíntese, e por causa da troca de gases mais lenta no aquário comparada à do ambiente natural, que tem a vantagem de sofrer a ação do vento e das ondas. Esse é o porquê dos organismos poderem vingar em temperaturas muito mais altas em seus ambientes naturais do que são capazes em aquários de mesma temperatura.

 

Oxigênio



Enquanto estamos no assunto de concentração de oxigênio, este é um dos aspectos de qualidade de água que nós temos a habilidade de testar e controlar. O nível de oxigênio em um aquário deveria ser mantido próximo à saturação, ou até um pouco acima. A saturação de oxigênio na água depende da temperatura, mas também da gravidade específica, e ainda da concentração de oxigênio no ar acima da superfície da água. Aquários mantidos a altitudes maiores terão níveis de oxigênio ligeiramente mais baixos.

Para a maioria dos aquários dentro dos níveis aceitáveis de gravidade específica e temperatura, o nível de oxigênio em saturação é de algo em torno de 7 mg/l. Ligeira supersaturação de oxigênio é benéfica, mas supersaturação em excesso pode ser prejudicial. De qualquer forma, níveis prejudiciais não são usualmente encontrados em aquários, a não ser que oxigênio puro seja administrado sob pressão em uma câmara de contato.

 

Fotossíntese durante o dia eleva o nível de oxigênio acima da saturação. À noite, a respiração tende a diminuir os níveis de oxigênio, para níveis abaixo da saturação. A circulação de água ajuda a manter o nível perto da saturação à noite. O uso de filtros de algas iluminados à noite também mantém um nível de saturação de oxigênio à noite.



Fracionadores de proteínas e extração de água de superfície ajudam a manter o nível de oxigênio em saturação. Extração de água de superfície remove o filme surfactante que evita troca de gases através da superfície da água, e expõe a fina camada de água fracionada ao ar, assim como passam pelo dreno para o reservatório embaixo do aquário. Fracionamento de proteínas remove compostos que consomem oxigênio conforme se decompõem (demanda química e biológica de oxigênio BOD e COD - serão discutidos mais tarde).

Uma vez que se estabelece uma tendência no aquário, por intermédio de medições de concentração de oxigênio, medições subsequentes não são tão necessárias para se monitorar de forma geral a qualidade de água quanto a esse parâmetro, porque o nível das tendências tendem a permanecer dentro dos mesmos limites diários. Como notado, a concentração de oxigênio é mais baixa à noite, quando as algas não estão fotossintetizando, e mais altas durante o dia, quando estão, assim como no ambiente natural do recife de coral. Quebras de ondas, assim como o volume de água, tendem a manter o nível de oxigênio alto, tanto na natureza quanto no aquário.

Em aquários, o nível de oxigênio também pode mudar apreciavelmente no evento de putrefação de um organismo morto, ou o decaimento do substrato. Um substrato espesso no fundo, usado com a intenção de se montar um sistema natural de redução de nitratos (como descrito por Jaubert - 1989) realmente baixa o nível de oxigênio dissolvido, particularmente quando não há circulação de água suficiente.

 

Amônia, nitrito e nitrato



Amônia é liberada na água como um produto de restos dos peixes e invertebrados. Também é produzida pela decomposição de matéria orgânica que contém nitrogênio, como proteínas, pelas bactérias e outros microorganismos.

Plantas e algas simbióticas em invertebrados fotossintetizantes extraem amônia da água e criam aminoácidos, que são os "tijolos" de construção das proteínas. Amônia na água ocorre em duas formas, dependendo do pH. Em pHs mais baixos, ocorre na forma ionizada NH4+. Elevando-se o pH, uma parte da amônia não dissolvida se torna não ionizada na forma NH3. A forma não ionizada é mais tóxica, porquê pode mais facilmente invadir tecidos corporais. (Moe 1992).

Bactérias, incluindo Nitrosomonas spp., oxidam amônia para nitrito, NO2-. Esse processo libera íons hidrogênio (H+) que acidificam a água, como eu notei sob o tópico de pH. Outras linhagens de bactérias, incluindo Nitrobacter, oxidam nitrito para nitrato NO3-.

Normalmente, amônia e nitrito num aquário estabilizado são zero. Nitrato pode também ser zero, mas sempre tende a se acumular no sistema fechado do aquário. O acúmulo de nitrato é prevenido quando há suficiente substrato no tanque ou sistema de filtragem para possibilitar a ocorrência de denitrificação.

Na denitrificação, o nitrato é finalmente convertido para gás nitrogênio e óxido nítrico. Amônia e nitrito podem ser produzidos no microambiente profundo do substrato, pobre em oxigênio, (areia, cascalho, rochas), como resultado de denitrificação incompleta, mas isso não causa medições significativas de valores na coluna de água altamente oxigenada de aquários bem estabelecidos.

 

Para aquários de peixes, o acúmulo de nitratos é geralmente considerado inofensivo, e o aquarista usualmente tenta reduzir esse acúmulo indiretamente via fracionamento de proteínas, ou diretamente via trocas de água, filtragem por tufos de algas ou denitrificação. (Aquários de peixes podem ter níveis de nitrato acima de 200ppm sem qualquer aparente prejuízo para os peixes).



Aquários para crescimento de corais são supostamente mantidos em níveis de nitratos de menos do que 10ppm, e o ideal seria menos de 1 ppm. De qualquer forma, eu já vi aquários de recife saudáveis contendo corais moles e duros com níveis de nitratos de até 20 ppm.

Aquários com filtragem biológica que convertem rapidamente amônia para nitrato sempre têm esse acúmulo excessivo de nitratos - usualmente associado a um declínio de pH, por causa da acidificação da água resultante da conversão de amônia para nitrito. Quando essa acidificação é prevenida com tamponadores, a adição de hidróxido de cálcio ou via denitrificação - que pode repor a reserva alcalina perdida - o potencial prejuízo do nitrato parece ser eliminado.

O uso de substrato vivo (areia viva, rocha viva), que funciona como um filtro biológico dentro do aquário sem a necessidade de um filtro biológico externo, possibilita um ciclo de nitrogênio natural no aquário. O uso de areia calcárea viva efetivamente previne o acúmulode nitrato, e ajuda a repor a alcalinidade (Jaubert 1989).

 

 



Fosfato

Fosfato é essencial à vida. As ligações celulares de compostos de fosfato são altamente energéticas e nos dão a força para manter nossas funções metabólicas. Fosfato tem sido rotulado como um mal no aquário, e também é conhecido como um fertilizante que pode promover crescimento alto de algas indesejáveis. Em aquários de rochas, níveis elevados de fosfato também podem interferir no processo de calcificação de corais e algas coralíneas. Fosfato pode causar problemas em aquários marinhos (especialmente reefs), se deixado crescer a níveis acima de 0,1 ppm na forma de ortofosfato.

Nem todas das várias formas de fosfato presentes em aquários são facilmente mensuráveis. Os testes comuns de fosfatos usados por aquaristas medem fosfato inorgânico (ortofosfato), mas não detectam as formas inorgânicas, que levam à conclusão errônea de que não há presença mensurável de fosfato na água, enquanto o aquário tem uma explosão de crescimento de microalgas, por exemplo. Fosfato orgânico é facilmente convertido para formas inorgânicas rapidamente aproveitáveis por enzimas secretadas pelas algas.

 

Para manter níveis baixos de fosfato, devemos minimizar sua introdução e maximizar sua remoção. Água usada para completar salinidade pode ser uma fonte significativa de fosfato numa variedade de formas, tanto orgânicas quanto inorgânicas.



Use água filtrada por osmose reversa e/ou deionização para eliminar essa fonte potencial. Evite adicionar quantidades excessivas de alimento. Superalimentação dos peixes pode levar a acúmulo de fosfato em aquários, mas isso não deve desencorajar o aquarista de alimentá-los !

Cheque seu carvão ativado com um teste de fosfato deixando alguns grãos no tubo de teste com água purificada e o reagente. A quantidade de fosfato vazada por alguns tipos de carvão ativado não é grande, mas ela pode, junto de outras fontes de fosfato, contribuir para um problema crônico de algas.

A remoção de fosfato é melhor atingida com o fracionamento de proteínas, adição de kalkwasser e o uso periódico de filtragem mecânica para a remoção de detrito acumulado, que contém fosfato orgânico. Movimento de água, descrito mais tarde, também ajuda a reduzir níveis de fosfato. Também existem vários tipos de meios absorventes de fosfatos disponíveis nos revendedores. Funcionam bem e podem ser de grande ajuda, mas para aquários de recifes de corais prefiro usar fracionador de proteínas e adicionar kalkwasser para controlar fosfato.

 

Medições de íons específicos: Cálcio e magnésio



A loucura pelo aquário de recife promoveu grande interesse em detalhes da qualidade da água que sempre foram raramente considerados pelos aquaristas marinhos até recentemente. Hoje é lugar-comum medir níveis de cálcio. Mais recentemente tem havido alguma atenção focada em concentrações de magnésio e estrôncio. Esses elementos são de preocupação de aquaristas de recife porque estão envolvidos nos processos de calcificação.

Cálcio


Carbonato de cálcio é o bloco de construção do esqueleto de corais, conchas e algas calcáreas, e muitos outros organismos em nossos aquários dependem da disponibilidade de cálcio de forma a poderem crescer e florescer. Níveis de cálcio são medidos em miligramas por litro (=ppm) com testes que usam uma simples titulação.

Os níveis de cálcio na água natural do mar vão de 380 a 480 mg/L, dependendo do lugar. Na média, é de 400 ppm. O nível de cálcio num sistema fechado de aquário deveria ser mantido entre 350 e 500 mg/L para assegurar o crescimento apropriado de plantas e animais que o usam.

Existem várias opções hoje para manter o nível correto de cálcio, incluindo trocas de água, cloreto de cálcio e tamponadores, solução de hidróxido de cálcio (kalkwasser), gluconato de cálcio e suplementos de cálcio que fornecem um equilíbrio de íons. Também há a opção de dissolver cascalho calcáreo com CO2 em um reator de cálcio.

Redox


Redox é uma abreviação para potencial de redução/oxidação, uma medida de reações químicas que ocorrem na água. Essas reações envolvem transferência de elétrons e transferência de átomos. Compostos redutores são doadores de elétrons, e oxidantes são receptores.

Oxidação envolve doar elétrons a compostos oxidantes, enquanto redução envolve o ganho de elétrons de compostos redutores. Átomos de oxigênio podem também ser transferidos em reações de redox.

Potencial Redox é medido como um indicador da pureza da água. A medida do valor é o potencial resultante da soma das reações redox ocorrendo na água. Redox alto significa reações oxidantes excedendo grandemente as redutoras. Redox baixo quer dizer que há um maior número de reduções ocorrendo. Redução ocorre em substratos profundos onde Redox podem ser até menores do que zero. Valores negativos de redox significam que há uma prevalescência de reações de redução. Potencial redox em água de superfície no oceano é tipicamente entre 350 e 400 mv (Moe 1989), e esses valores correspondem ao nível de redox recomendado para aquários.

Aquaristas não devem se esquecer que a aparência dos animais é a mais importante qualidade a se observar. Existe uma tendência comum de aquaristas que possuem medidores de redox se interessarem mais nos números do display digital do que nos animais do aquário. Não faz sentido se preocupar a respeito dos números de redox se o aquário está bem. Mas, se o redox começa a declinar rapidamente, isso é sinal de que alguma coisa está apodrecendo no aquário e deve-se investigar a causa.

Controle de redox se atinge usando fracionador de proteínas e processos biológicos governados pelas algas e bactérias. Manipulação artificial de redox é atingida por uso de ozônio e um medidor de redox. Na minha opinião, controladores de redox e ozônio, enquanto certamente úteis em certas aplicações, são de valor limitado para a maioria dos aquaristas. Boas técnicas de manutenção, fracionamento de proteínas e observação são ferramentas mais úteis para a manutenção do aquário.

 

"Orgânicos", BOD, DOC, COD e claridade visual



A presença de vida no aquário leva a acúmulo de compostos orgânicos complexos na água, geralmente referidos como "orgânicos". Descritas variadamente como substâncias húmicas, vazadas de compostos orgânicos nitrogenados, são tidos como culpados por todos os tipos de doenças, desde explosões de algas até doenças de peixes. de fato, a maior parte das substâncias orgânicas acumuladas e dissolvidas na água não fazem mal diretamente, mas podem ter numerosos efeitos indiretos.

Alguns compostos orgânicos na água causam uma queda no nível de oxigênio quando são decompostos por microorganismos ou oxidados para outros compostos. Eles contribuem para o que é chamado de demanda química de oxigênio (COD). A demanda bioquímica de oxigênio (BOD), também chamada de capacidade de carga, é afetada pelas substâncias orgânicas na água que podem estimular explosões de algas, bactérias ou microorganismos, todos consumidores de oxigênio. Existem muitos testes em desenvolvimento que podem ser usados para medir a demanda de oxigênio resultante de compostos orgânicos dissolvidos (DOCs).

Alguns compostos orgânicos causam uma coloração amarela na água que é esteticamente desagradável à maioria dos observadores. Essa tintura amarela reduz a intensidade de luz e altera seu espectro, tendo um efeito indireto em corais e anêmonas com algas simbióticas. A claridade visual da água, de qualquer forma, é uma real e mensurável medida da qualidade de água que pode ter importantes efeitos em invertebrados fotossintetizantes em particular.

O uso de carvão ativado, ozônio ou trocas de água podem positivamente eliminar ou reduzir esses compostos. De qualquer maneira, se um aquário tem sido mantido sem trocas de água ou filtragem química por um longo período, e então a água é tratada ou trocada, os invertebrados podem sofrer como resultado. O súbito aumento de intensidade de luz e mudança de espectro, particularmente nos raios de comprimento ultravioleta (UV) que são bloqueados pela tintura amarela, podem ferir as criaturas fotossintetizantes que se adaptaram à luz alterada anteriormente. É importante, portanto, fazer essas mudanças lentamente. Veja Bingman 1995 para uma explicação completa dos efeitos de filtragem por carvão ativado na transmissão de luz.

 

Metais pesados, pesticidas e outras toxinas



O uso de carvão ativado também ajuda a remover substâncias potencialmente tóxicas da água. Pesticidas, metais pesados e outras toxinas podem entrar no aquário de uma variedade de fontes, particularmente água de reposição.

Geralmente, problemas que surgem por causa de toxinas são raros, enquanto culpá-las pela morte dos peixes é comum. É conveniente escolher uma causa misteriosa quando falta-nos uma compreensão completa de como se manter um aquário. Se os peixes morrem dentro da primeira hora após a visita de uma firma de dedetização, provavelmente foi o pesticida. Se morrem após alguns dias da compra de um powder blue tang, a causa provável é Amyloodinum, não toxinas.

Mesmo sendo um importante elemento traço, cobre pode ser um problema para aquários de recife porquê é tóxico a invertebrados em níveis elevados. Encanamentos de cobre também podem causar o acúmulo crônico de cobre em aquário quando a água de reposição não é filtrada. Existem testes que medem o cobre na água, e devem haver ainda testes disponíveis em breve para outros metais pesados.

 

Adição de elementos



As criaturas que vivem num sistema fechado de aquário alteram a composição da água, extraindo dela elementos para a formação de seus tecidos e esqueletos, e para seus processos biológicos. Em adição, alguns elementos maiores, menores e traço são perdidos para as diferentes formas de filtragem usadas, como fracionadores de proteínas, carvão ativado, outros meios filtrantes e filtros de tufos de algas.

Menos reconhecida, mas não menos importante, a diminuição de elementos também ocorre por adsorção por partículas de matéria flutuando na água. (Segedi 1976), assim como adsorção dos materiais com que a água entra em contato, inclusive todo tipo de substrato e até as paredes do aquário (Segedi 1976) !

Reposição de elementos perdidos é importante, especialmente para invertebrados, que os obtêm da água. Peixes podem ser beneficiados também, mas eles obtêm sua nutrição desses elementos primariamente por intermédio de alimentação. Trocas de água e adição de elementos traço, menores e maiores, beneficiam peixes por manter o equilíbrio dos maiores íons e ajudar a manter a alcalinidade e o pH.

Elementos traço, como molibdênio, promovem o desenvolvimento de populações de bactérias heterotrópicas e microorganismos no substrato que tendem a estabilizar o ambiente. Quantidades traço de zinco e iodo ajudam peixes a reparar seus tecidos no evento de ferimentos.

Negociantes de aquários vendem suplementos que fornecem esses importantes elementos.

Às vezes aquários têm uma significante reposição de elementos maiores, menores e traço, que ocorrem sem que haja qualquer esforço específico pelo aquarista. Por exemplo, alguns elementos podem entrar no sistema pelo ar. Mais tipicamente, o uso de água doce não filtrada para reposição de água evaporada pode repor em quantidade suficiente alguns elementos e até criar excesso de certos outros (por exemplo: cobre de tubulação de cobre).

 

Vitaminas



Vitaminas são co-enzimas. Elas ajudam as enzimas em sua função de quebrar alimento não aproveitado e transformá-lo em nutrientes aproveitáveis para um organismo em particular, o que significa que elas assistem aquele organismo a ganhar a melhor nutrição possível do alimento que ingere. A presença de vitaminas na água é de limitado valor para os peixes, mas adicionadas ao alimento podem ser de grande valor.

Para invertebrados filtrantes, a adição de vitaminas na água podem ter alguns benefícios, no entanto observações nesse sentido são anedotais ao invés de serem obtidas experimentalmente (Wilkens 1990). Para aqueles invertebrados que comem ítens alimentícios grandes, as vitaminas podem ser adicionadas ao alimento com resultados benéficos.

 

Movimento de água



O movimento de água afeta a qualidade da água em inúmeras maneiras. Ele assiste na troca de gases na superfície da água e através dos tecidos de plantas e invertebrados sésseis. Movimento de água que flui sobre a decoração do aquário evita o acúmulo ou sedimentação de detritos orgânicos que podem causar o declínio da qualidade da água.

Movimento de água carrega oxigênio a todos os substratos, promovendo o processo de nitrificação. A falta de movimentação na água em substratos profundos promove o processo de denitrificação. Ainda assim, uma discussão de qualidade de água não está completa sem mencionar este importante fator.

Se estudarmos todos os tópicos que eu cobri neste artigo sobre qualidade de água, fica aparente que ela está presa a muitos aspectos do aquarismo, inclusive parâmetros físicos e químicos. Uma compreensão de qualidade de água se relaciona a nutrição, doenças, filtragem, iluminação e equipamentos acessórios.

Nesse senso, talvez, alguém pode pensar que "tudo se relaciona à qualidade da água", pois o assunto é uma matéria central nos aquários marinhos. E isso é um ponto de início para compreender-se as várias formas de funcionamento de um aquário como um sistema biológico.



Tradução do texto em inglês de Julian Sprung na Revista Aquarium Fish Magazine

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho








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