A partir dos anos 90 tem-se marcado, em um ritmo promissor, uma crescente consciência de que a empresa pode e deve assumir den



Baixar 39,49 Kb.
Encontro06.07.2017
Tamanho39,49 Kb.

Responsabilidade Social e Filantropia nos 2° e 3° Setores da Sociedade


Introdução

A responsabilidade social empresarial tem-se tornado um dos temas debatidos e propagados para a gestão empresarial, tornando-se uma variável importante na estratégia competitiva das empresas e na avaliação do seu desempenho. As empresas estão competindo num ambiente de negócios cada vez mais complexo, onde não é mais suficiente oferecer qualidade e preço competitivo, nem é mais suficiente obedecer às leis e pagar impostos. As companhias de sucesso serão cada vez mais pressionadas para olhar intensamente o impacto das suas operações dentro e fora de suas paredes institucionais e, cuidadosamente, verificar os impactos de suas políticas e ações nos seus empregados, clientes, comunidades e na sociedade como um todo.


Qual é o propósito dos negócios na sociedade? Qual é o papel das empresas na sociedade? Qual é a responsabilidade das empresas diante dos problemas sociais e ambientais que a sociedade enfrenta?
Segundo Borger, “o debate sobre Responsabilidade Social Empresarial pode ser considerado quase tão antigo quanto as próprias noções de empresa e negócios e tem assumido aspectos diferentes, na mesma medida em que o papel e a influência das empresas na sociedade vem se transformando no decorrer das últimas décadas”.
Em seus primórdios a própria instalação de uma grande empresa numa determinada localidade já era considerada uma ação que trazia em seu bojo o cumprimento de uma responsabilidade social. Afinal, geravam-se numerosos negócios paralelos, resultantes das necessidades da empresa, e garantiam-se condições mínimas de sobrevivência a uma parcela significativa da população. Com o decorrer do tempo, porém, tais aspectos passaram a ser vistos como obrigações mínimas necessárias, e não como manifestações de uma consciência social por parte da administração da empresa. Os movimentos sindicais e trabalhistas no século XX ganharam vulto e passaram praticamente a definir as condições de trabalho; o mínimo que se passou a esperar de uma empresa é que ela gere lucros aos seus acionistas e faça girar a economia à sua volta. Com o desenvolvimento tecnológico, a ampliação gigantesca dos recursos de produção e a evolução das máquinas e ferramentas, outros aspectos da influência da atividade industrial passaram a ser questionados: o cuidado com o meio ambiente em que a indústria se encontra, os benefícios trabalhistas que a empresa se dispõe a conceder espontaneamente, de modo a melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, eventuais apoios que a empresa se disponha a dar a projetos locais de modo a contribuir com educação e saúde.
A atuação das empresas orientada para a Responsabilidade Social Empresarial não implica que a gestão empresarial abandone os seus objetivos econômicos e deixe de atender aos interesses de seus proprietários e acionistas; pelo contrário, uma empresa é socialmente responsável se desempenha seu papel econômico na sociedade, produzindo bens e serviços, gerando empregos e retorno para os seus acionistas, dentro das normas legais e éticas da sociedade.
A discussão se concentra hoje em vários aspectos: a análise e identificação das partes envolvidas direta e indiretamente com as atividades da empresa, bem como o peso e o poder de cada parte na elaboração de uma política de responsabilidade social, a responsabilidade efetiva dentro da empresa sobre uma política de responsabilidade social, a vinculação dos novos conceitos e métodos de administração e liderança com a noção de responsabilidade social e a capacidade da empresa de se antecipar, enxergando áreas críticas e tomando medidas preventivas em vez de corretivas.
A Sociedade Civil Brasileira e o Terceiro Setor

Um Terceiro Setor - não-lucrativo e não-governamental - existe hoje, no interior de cada sociedade, com o setor público estatal e com o setor privado empresarial. Na atual terminologia, o Primeiro Setor é o governo, representando o uso de bens públicos para fins públicos. E o Segundo Setor refere-se ao mercado, o setor ocupado pelas empresas privadas com fins lucrativos e o Terceiro Setor que são iniciativas privadas que não visam ao lucro, iniciativas na esfera pública, que não são feitas pelo Estado. Nem empresa nem governo, mas cidadãos participando, de modo espontâneo e voluntário, em um sem-número de ações que visam ao interesse comum: ONGs, organizações comunitárias, entidades beneficentes, braços sociais de empresas, como fundações e institutos, e outras organizações que nascem na Sociedade Civil.

A expressão Sociedade Civil saiu dos livros de história européia e começou, efetivamente, a penetrar o vocabulário dos ativistas sociais latino-americanos apenas ao final dos anos 70. Até esta época os fichários das principais bibliotecas não incluíam palavras como filantropia, não-governamental, sem fins lucrativos, fundações ou voluntário. Entretanto, uma longa lista de títulos poderia ser encontrada sob a categoria caridade e serviço social, este último quase sempre ligado a programas governamentais. Rigorosamente não se fez, ainda, uma história sobre o assunto.

A filantropia, marca em termos de Brasil uma antecedência lógica e histórica, não sendo um fenômeno recente. Remonta à colonização portuguesa; ao domínio da Igreja Católica até o século XIX; ao Estado Novo de Vargas; e mantém-se vigorosa ao longo do regime militar. Fortalece-se e expande, vinculada a ações de defesa da cidadania, nos movimentos sociais da década de 70 e nos anos 80 - já agora inserida no segmento mais amplo do Terceiro Setor.

De acordo com Rothgiesser, “a partir dos anos 90, ações filantrópicas remetem a uma nova ordem com o despertar das empresas para o seu papel social e de formação de parcerias, com o governo e a Sociedade Civil, promovendo o fortalecimento das políticas sociais.”

Torna-se fundamental, portanto, determo-nos nessas etapas históricas para uma melhor compreensão do desenvolvimento da Sociedade Civil e do surgimento do conceito de Terceiro Setor no Brasil. Classificamos em seis etapas esse processo, conforme apresentamos a seguir:



1ª fase - Império até a 1ª República: Data de 1543, a primeira entidade do país criada para atender desamparados, a Irmandade da Misericórdia, instalada na Capitania de São Vicente. O Brasil era constitucionalmente vinculado à Igreja Católica e a utilização dos recursos, principalmente os privados, passavam por seu crivo. Era a época das Ordens Terceiras, das Santas Casas e das Benemerências, atuando, principalmente, nas áreas de saúde e previdência. A rigor, o que o Estado não provia, os líderes das principais comunidades portuguesas e espanholas de imigrantes proviam. Com esmolas se constituíam pequenos dotes para órfãos e se compravam caixões para os pobres. Beneditinos, franciscanos e carmelitas, assim como a Santa Casa, foram exemplos expressivos da ação social das ordens religiosas predominantes. Vinculam-se às ações sociais desenvolvidas, à época, expressões tais como mutualismo, benemerência e outras ainda hoje utilizadas, tais como, assistencialismo, caridade etc.

2ª fase - Revolução de 1930 até 1960: O país entrou na urbanização e na industrialização que passaram a moldar a nova atuação da elite econômica. O Estado ficou mais poderoso, único portador do interesse público. No Estado Novo, com o presidente Getúlio Vargas, editou-se, em 1935, a primeira lei brasileira que regulamentava as regras para a declaração de Utilidade Pública Federal: dizia seu artigo-primeiro que as sociedades civis, as associações e as fundações constituídas no país, deveriam ter o fim exclusivo de servir desinteressadamente à coletividade. Paralelamente à atuação do Estado, surgiram ações filantrópicas a partir de senhoras de famílias economicamente privilegiadas; e os grandes mecenas, oriundos das principais cidades e líderes de indústrias, como os Matarazzo, Chateaubriand, entre outros. Os termos filantropia e mecenato cunham-se nesta fase, marcadamente.



3ª fase - A partir de 1960 até a década de 70: No momento em que o regime militar não admitia a participação popular na esfera pública, microiniciativas na base da sociedade foram inventando novos espaços de liberdade e reivindicação. Inscrevem-se, neste momento, os movimentos comunitários de apoio e ajuda mútua, voltados à defesa de direitos e à luta pela democracia. Marca-se, neste contexto, o encontro da solidariedade com a cidadania, representadas em ações de organizações não-governamentais (ONGs).

4ª fase - a partir dos anos 70: Multiplicam-se as ONGs com o fortalecimento da sociedade civil - embrião do Terceiro Setor. O Brasil dava início à transição de um regime militar para um regime democrático. Com o avanço da redemocratização e as eleições diretas para todos o níveis de governo, as organizações de cidadãos assumem um relacionamento mais complexo com o Estado. Reivindicação e conflito passam a coexistir com diálogo e colaboração.

5ª fase - os anos 90: Surge um novo padrão de relacionamento entre os três setores da sociedade. O Estado começa a reconhecer que as ONGs acumularam um capital de recursos, experiências e conhecimentos, sob formas inovadoras de enfrentamento das questões sociais, que as qualificam como parceiros e interlocutores das políticas governamentais.

O mercado, antes distanciado, passa a ver nas organizações sem fins lucrativos como canais para concretizar o investimento do setor privado nas áreas social, ambiental e cultural. O termo cidadania já presentifica-se no discurso do empresariado brasileiro, no início desta década. Paralelamente, o sentimento vigente era que o Estado, sozinho, não conseguiria dar conta de todas as suas obrigações na área social. Em 1998, na cidade de São Paulo, 11 empresas se associam e surge o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Expressão que até então não existia - responsabilidade social - sugere o início de uma intervenção social empresarial alicerçada em um Código de Ética definidor de parâmetros de conduta das empresas com seus públicos (stakeholders). Busca-se diferenciar, marcadamente, ações "de negócio" de uma agenda voltada a investimentos sociais privados, de cunho ético e em benefício da sociedade.

Marcam-se, portanto, nesse período, as palavras parceria, cidadania corporativa, responsabilidade social, investimento social privado. Formas de expressão deste novo movimento de encontro dos 3 setores da economia brasileira.

Amplia-se, fortemente, o conceito de Terceiro Setor: para além do círculo das ONGs, valorizam-se outros atores sociais como as fundações e institutos (os braços sociais das empresas), as associações beneficentes e recreativas, também as iniciativas assistenciais das igrejas e o trabalho voluntário de maneira geral.

Cria-se, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Programa Comunidade Solidária com o propósito de articular trabalhos sociais em vários ministérios. E, em 1998, é regulamentada a Lei do Voluntariado.
6ª fase - século XXI: A ONU - Organização das Nações Unidas decreta 2001 como o "Ano Internacional do Voluntário". Acontecem, no Brasil, o I° e II° Fórum Social Mundial, implementadores de idéias alternativas de ação econômica e social. Promove-se o desenvolvimento social a partir do incentivo a projetos auto-sustentáveis - em oposição às tradicionais práticas de caráter assistencialista geradoras de dependência - e em propostas de superação de padrões injustos de desigualdade social e econômica.
Questionam-se, na sociedade civil, formatos pré-conceituosos baseados em padrões de comportamento e pensamento julgados "adequados" aos sujeitos-cidadãos. Abrem-se novas perspectivas à aceitação da diversidade de comportamentos humanos, de respeito à singularidade cultural e à autodeterminação econômica dos povos. Implementam-se políticas de proteção aos bens da humanidade, incluídas todas as formas de vida e sua preservação.

Diferenciando Responsabilidade Social de Filantropia Empresarial

Responsabilidade Social é uma forma de conduzir os negócios da empresa de tal maneira que a torna parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) e conseguir incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários.

A principal diferença entre Responsabilidade Social e Filantropia é que esta última trata basicamente de ação social externa da empresa, tendo como beneficiário principal a comunidade em suas diversas formas e organização. Já a Responsabilidade Social foca a cadeia de negócios da empresa e engloba preocupações com um público maior (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente), cujas demandas e necessidades a empresa deve buscar entender e incorporar em seus negócios.

Conforme Temponi “a base da Responsabilidade Social é a ética e se expressa através dos princípios e valores adotados pela organização. Não há Responsabilidade Social sem ética nos negócios. Uma organização se contradiz quando não paga bem a seus funcionários, corrompe a área de compras de seus clientes, paga propinas a fiscais do governo e, por outro, desenvolve programas junto a entidades sociais da comunidade. Essa postura não é de uma empresa que quer trilhar um caminho de Responsabilidade Social. É importante seguir uma linha de coerência entre ação e discurso.”


Mesmo a empresa possuindo problemas em alguma área, pode ser socialmente responsável, visto que a Responsabilidade Social é um processo que nunca se esgota. Não é coerente dizer que uma empresa chegou ao limite de sua Responsabilidade Social, pois sempre há algo a se fazer. Dessa forma, uma auto-avaliação pode ser o primeiro passo de uma empresa deve fazer para mostrar onde é necessário melhorar suas políticas e práticas e, a partir daí, estabelecer um cronograma de ações que devem ser realizadas.


Um programa de Responsabilidade Social só traz resultados positivos para a sociedade e para a empresa se for realizado de forma autêntica. A empresa precisa ter a cultura da responsabilidade social incorporada ao seu pensamento. Desenvolver programas sociais apenas para divulgar a empresa, ou como forma compensatória, não traz resultados positivos sustentáveis ao longo do tempo. Porém, para aquelas empresas que incorporarem os princípios e os aplicarem corretamente, alguns resultados podem ser sentidos, como a valorização da imagem institucional e da marca, maior lealdade do consumidor, maior capacidade de recrutar e manter talentos, flexibilidade e capacidade de adaptação e longevidade.

Agir responsavelmente significa estar comprometido com uma missão, uma causa ou idéia. Responsabilidade Social pode ser entendido como o comprometimento de todos os agentes sociais (governos, empresas privadas, sociedade civil e terceiro setor) com respeito a todos aqueles que com eles interagem (fornecedores, comunidade, clientes etc.). No âmbito comunitário, esta responsabilidade se traduz no patrocínio de ações concretas que tragam benefícios à sociedade, e devolvam, criem ou recriem as condições necessárias para o desenvolvimento crescente da cidadania.

Em função da riqueza que acumularam e que têm o potencial de concentrar, as organizações empresariais trazem consigo uma grande força de mudanças e melhoras no ambiente social. Este poder de transformação tem encontrado na literatura um conjunto de terminologias que surgem na tentativa de identificá-lo e caracterizá-lo, a saber: cidadania empresarial, filantropia empresarial, filantropia estratégica, solidariedade corporativa, responsabilidade social empresarial, organização-cidadã etc.


A cidadania empresarial diz respeito a uma atitude pró-ativa que as entidades privadas devem ter diante dos diversos problemas que a comunidade na qual se inserem apresenta, agindo de forma transformadora e assumindo-se como entes dotados de responsabilidade cívica.


Toda organização-cidadã incorpora em seus valores e em suas atividades a ética empresarial como norteadores e pré-requisito fundamental, que diz respeito a um conjunto de princípios, ações e atitudes, voltadas para a valorização da qualidade, para o respeito ao consumidor e ao meio ambiente, abarcando também o respeito para com todos os agentes que se relacionam com a empresa: funcionários, fornecedores, governo, clientes, comunidade, sócios ou acionistas etc.


os termos filantropia empresarial e solidariedade corporativa parecem remeter à mesma idéia. Tanto o termo filantropia - de origem religiosa - quanto à expressão solidariedade, entende-se numa mesma coisa: a idéia de que a qualidade de vida da sociedade depende do grau com o qual cada um de seus integrantes genuinamente se preocupa com o bem-estar de seu próximo. No entanto, a filantropia seria a ação ou a atitude, daqueles que são solidários, expressando-se sob a forma de doação ou caridade. O termo solidariedade, mais do que caridade ou doação, possui em seu seio a idéia de reciprocidade de uns para com os outros, em direitos e obrigações.


Por outro lado, quando se fala em filantropia estratégica reportamo-nos a uma forma de filantropia especificamente praticada pelas organizações empresariais, cujo termo é o atingimento de objetivos de natureza estratégica, como, por exemplo, aumento do volume de vendas, da lucratividade e produtividade; inserção em novos nichos etc.




Filantropia empresarial

Rothgiesser define filantropia empresarial como “investimento de uma empresa em ações pontuais periódicas, como campanhas de arrecadação de bens e alimentos, assim como as doações de ordem material e/ou financeira.” Comumente não obedecem a um processo sistematizado de atuação social e sim reativo, em momentos de maior demanda da sociedade. Empresas filantrópicas atuam em caráter assistencial, não incorporando mudanças de ação multiplicadora e sustentável.


Premiar projetos sociais com resultados práticos qualifica o investimento. No Brasil, onde a economia é muito sensível aos problemas políticos/econômicos internacionais, as companhias encontram dificuldade para justificar despesas relacionadas com caridade que não contribuem para o lucro. Mas enquanto os escândalos recentes continuam a macular as impressões do público sobre o comportamento das empresas, a filantropia em alguma forma é mais importante do que nunca. Sendo assim, o que pode ser feito?

A chave é usar o espírito competitivo da cultura empresarial para fazer o bem, a custo reduzido. Para ilustrar, vamos criar uma situação virtual:


Suponha que as principais companhias no setor de serviços financeiros contribuam cada uma com vários milhões de dólares para um fundo de incentivo, que pagaria enormes somas de dinheiro àqueles que têm sucesso em serviço comunitário. Não o tipo de serviço que envolve doar para a Rua Y ou enviar um cheque para um novo parque infantil, mas o tipo de compromisso que de fato envolve tempo.


Para ganhar esse dinheiro, funcionários com características semelhantes em um banco de investimento contribuiriam com um determinado número de horas todos os meses para um projeto da comunidade - uma iniciativa escolar, um abrigo no bairro, a renovação de uma quadra da cidade ou um programa de treinamento profissional.


Seriam escolhidos projetos que tenham resultados mensuráveis - para avaliar até que ponto esses funcionários executaram suas tarefas. Essas medidas poderiam ser a melhoria em notas de leitura em uma escola pública, o número de adolescentes de 18 anos em um programa de treinamento profissional que de fato encontrou trabalho, estabelecimento e uso de um programa pós-horário escolar, criação de programas de assistência médica a domicílio para idosos negligenciados, um abrigo para mulheres vítimas de violência, ou novos serviços assistenciais para imigrantes.


Os empregados poderiam identificar e criar esses empreendimentos, talvez em conjunto com colegas, e depois acompanhá-los, com visitas regulares ao local e até mesmo com participação direta nos programas.




Resultados possíveis

Um estudo de Shell relata que “no final de cada ano, os funcionários apresentariam relatórios, resumindo os resultados de seu trabalho, para administradores de fundos de incentivo de milhões de dólares que forneceriam prêmios em dinheiro aos mais bem sucedidos na tarefa.”


Se um número suficiente de empresas contribuísse para esse fundo, os prêmios individuais em dinheiro seriam enormes e seriam bem divulgados.


Assim sendo, muitos grupos comunitários poderiam se beneficiar enormemente do conhecimento financeiro de executivos de empresas e assim aproveitando o potencial de marketing das corporações.


Conclusão
Há de haver uma linha divisória entre os conceitos de social e comercial que não devem se confundir na ação estratégica da empresa. Essa distinção é particularmente importante se levarmos em conta o estágio de desenvolvimento social do Brasil.

O maior desafio do Brasil é sua concentração de renda. A nossa economia cresce, mas também aumenta a má distribuição de seus recursos. Apesar de ser a 10ª economia mundial, com um PIB de US$ 742,8 bilhões, segundo o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (World Development Report, 2000/2001), o Brasil é o 69º país em concentração de riqueza, atrás de 11 outros países da América Latina.


De acordo com o Banco Mundial (Bird) continua sendo grande o desequilíbrio na distribuição de renda no Brasil: os 20% mais ricos da população retêm 64,1% da renda, enquanto os 20% mais pobres têm o equivalente a 2,2% - diz o informe "Indicadores do Desenvolvimento Mundial 2002". O documento registra, ainda, uma acentuada queda no salário mínimo nos últimos 20 anos. A comparação foi feita entre duas épocas: entre 1980 e 1984, os brasileiros receberam o equivalente a US$ 1.690,00 por ano; e entre 1995 e 1999 (dado mais recente), o salário anual foi de US$ 1.308,00. O índice de pobreza também subiu. A parcela da população que sobrevive com o equivalente a US$ 2,00 por dia passou de 17,4% em 1990 para 26,5% em 1998.


Com dados significativos como estes, é primordial garantir que a prática do investimento social privado contribua para a distribuição de renda e não para agravar sua desigualdade, efeito possível se a mobilização do mercado empresarial tornar-se apenas uma simples "ferramenta de negócios".




Referências Bibliográficas:
. Borger, Fernanda Gabriela. Responsabilidade Social – Efeitos da Atuação Social na Dinâmica Empresarial. Tese de doutorado. USP. 2001.
. Rothgiesser, Tanya Linda. Conceituação e Prática em Ações de Responsabilidade Social. Artigo. Conselho Regional de Administração.
. Rothgiesser, Tanya Linda. Terceiro Setor – A Sociedade Civil Brasileira e o Terceiro Setor. Artigo. Site www.terceirosetor.adm.br/ts_asociedadecivil.htm . Acesso em 11/06/2004.
. Shell, Rubbi. Filantropia Empresaria também exige eficiência. Dow Jones Newswires.Site. Dezembro de 2002. www.aberje.com.br/jornal/view.asp?id=262. Acesso em 23/06/2004.
. Temponi, Pedro Augusto Nemer. Responsabilidade Social e Filantropia Empresarial. Fevereiro de 2004. www.unincor.br/relpub/visual.asp?id=80. Acesso em 23/06/2004.



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal