A nação judaica é freqüentemente chamada de o povo Escolhido



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CURSO DO IDENTIDADE JUDAICA

Clase 1

Judeu (do hebraico יהודי = Yehudi, originado no termo Yehudá) é o nome étnico-religioso-cultural dado aos seguidores dos preceitos do judaísmo ou mais amplamente aos membros de uma comunidade judaica e seus descendentes.

Judeus e judaísmo

A tradição judaica defende que a origem deles dá-se com a libertação dos filhos de Israel da terra do Egito pelas mãos de Moisés. Com a fundamentação e solidificação da doutrina mosaica, uma facção dos antigos hebreus passou a ser conhecida como "Filhos de Israel" (Bnei Israel). É deste evento que surge a noção de nação, fundamentada nos preceitos tribais e na crença monoteísta.

No entanto, a história demonstra que os antigos israelitas valorizavam a sua linhagem tribal e a nação, que só viria a ser construída com o início das monarquias de Saul e Davi, que, todavia, oculta mesmo assim um choque entre as tribos que compunham o antigo reino de Israel. Com a morte do filho de Davi, Salomão, ocorre a crise que leva à separação das tribos de Israel em dois reinos distintos: dez tribos formam o reino de Israel, enquanto a tribo de Judá, Benjamim e Levi constituem o reino de Judá que continua a ser governada pelos descendentes de Davi. Aqui, pela primeira vez, os israelitas do sul são chamados de judeus devido à sua conexão com o reino de Judá e posteriormente por todos aqueles que aderissem à doutrina religiosa deste reino, que passou a ser conhecida como judaísmo.

Com a extinção do reino de Israel, o reino de Judá permanece, e mesmo com a sua destruição, o termo "judeu" passa a designar todos aqueles que descendessem dos antigos israelitas, não importando a sua tribo. A ênfase do judaísmo da separação entre judeus e não judeus, deu à comunidade judaica um sentido de povo separado e religioso.

Quem são os judeus?

A pergunta "quem são os judeus?" gera um debate político, social e religioso entre os diversos grupos judaicos sobre quem pode ser considerado como tal.

O povo judeu não pode atualmente ser reduzido a sendo somente religião, raça ou cultura, porque ultrapassa seus limites conceituais aceites. Reduzi-lo a qualquer um desses pontos seria mero reducionismo, pois ele é na verdade uma miscelânea das três, dando espaço a várias interpretações do que é ser judeu e, especialmente, quem é judeu. Interpretações essas que dependem muitíssimo de qual a sua tradição religiosa (ortodoxa, conservadora, reformista, caraíta) e do espaço geográfico onde se encontram (sefaraditas, asquenazitas, persas, norte-africanos, indianos etc).

Na história recente ocidental, e consequentemente na história judaica, uma revolução conceitual levou o judaísmo e o povo judeu a um tempo de grandes mudanças estruturais. A essa revolução, a história deu o nome de iluminismo (Hebraico: השכלה; Haskalá). Nesse período histórico, os antigos grupos religiosos detentores de tradições milenares observaram o nascimento de uma geração que via na criação de grupos com novas formas de pensar a possibilidade de saída de seus guetos milenares, não somente no plano físico, mas também mental e filosófico. Por vezes esses novos grupos distanciaram-se da velha ligação do judeu com a religião judaica-mãe, porém sem nunca perder a sua chama interna de identidade, sentimento esse que é o ponto de aproximação de todos os judeus e a mais importante linha para complexa continuação da nação que é, hoje, esse povo.

Assim, com a inserção de novas filosofias no seio do judaísmo, dispares concepções surgiram sobre as questões básicas da tradição judaica. E obviamente cada grupo desenvolveu suas discussões de como pode-se definir uma resposta sensata à pergunta constante: "Quem é judeu?". Essa definição de resposta se deu, em sua maioria, sob duas linhas gerais: Pessoa que tenha passado por um processo de conversão ao judaísmo ou pessoa que seja descendente de um membro da comunidade judaica.

Contudo, esses dois assuntos são repletos de divergências. Quanto às conversões, existe divergências principalmente sobre a formação dos tribunais judaicos responsáveis pelos atos. Isso faz com que pessoas conversas através de um tribunal judaico reformista ou conservador não sejam aceitas nos círculos ortodoxos e seus rabinos que exigem um tribunal formado somente por rabinos ortodoxos, pois entendem serem outros rabinos incapazes de fazer o converso entender a grandeza da lei que está tomando sobre si. Por outro lado, o judaísmo reformista e conservador, acusa os ortodoxos de fazerem exigências absurdas, não mais se preocupando com a essência do ser judeu e sim, com regras e rigidez desnecessária.

Já quanto a descendência judaica, a divergência aparece na definição de quem viria a linha judaica, se matrilinearmente, patrilinearmente ou ambas as hipóteses. A primeira é a majoritária, sendo apoiada pelo judaísmo rabínico ortodoxo e conservador. Essa tese têm força e raio de ação maiores por ser adotada pelo Estado de Israel, além de grande parte das comunidades ao redor do mundo. Porém, a patrilinealidade é defendida pelo judaísmo caraíta e os judeus Kaifeng da China, grupos separados dos grandes centros judaicos e que desenvolveram sob tradições diferentes com base em costumes que remontam a vários séculos passados. Por último, existe a tese que ambos os pais podem dar ao filho a condição de judeu que é defendida pelo judeus reformistas que em março de 1983 por três votos a um reconheceu a validade da descendência paterna mesmo que a mãe não seja judia desde que a criança seja criada como judeu e se identifique com a fé judaica.

Questões, como se os atos podem abalar a identidade judaica, também entram na discussão, como por exemplo um judeu que faz tatuagens ou até mesmo nega seu próprio judaísmo, pode continuar sendo considerado como tal? Apesar de um judeu necessariamente não ter que seguir o judaísmo, as autoridades religiosas geralmente enfatizam o risco da assimilação do povo judeu ao se abandonar os mandamentos e tradições do judaísmo. Porém defende-se que não importa a geração ou ações futuras de pai ou mãe, o judaísmo e o consequente "ser judeu" é um direito natural da criança.

Atualmente, estima-se que exista, ao redor do mundo, uma população judaica de aproximadamente 13 milhões de pessoas, concentradas principalmente nos Estados Unidos e em Israel.

A nação judaica é freqüentemente chamada de "O Povo Escolhido."

Muitas pessoas (inclusive os judeus) se sentem desconfortáveis com esta idéia. Eles entendem o conceito de um "Povo Escolhido" como racista e conectado ao conceito nazista de uma suprema nação ariana. O que parece contradizer o ideal Ocidental aceito por todas as pessoas de que todos são iguais perante Deus.



Será o conceito judaico de “escolhidos” racista?
Quando a Torá se refere ao povo judeu como "escolhido," não está de forma alguma afirmando que os judeus são racialmente superiores. Americanos, asiáticos, russos, europeus, escandinavos e etíopes e, além disso, caucasianos, negros e orientais - são todos parte do povo judeu. É impossível definir escolhido como qualquer coisa relacionada à raça, desde de que os judeus são diversos racialmente.

Enquanto o termo "Povo Escolhido" ( Am Nivchar – Deuteronômio 7:6) não significa racialmente superiores, escolhido implica uma singularidade especial.



O que é esta singularidade?
Historicamente voltemos para Abraão. Abraão viveu em um mundo de idolatria, que ele concluiu ser contraditório pela realidade da natureza.

Abraão investiu anos de dedicação e esforço para ser representante de D’us.

Então, Abrãao começou a acreditar num só D´us , e colocou sobre si a responsabilidade de ensinar para os outros este ideal monoteísta. Abraão estava até disposto a sofrer perseguições por suas crenças. Depois de anos de esforço enorme, dedicação e a disposição para se tornar representante de D´us em seu mundo, D´us mesmo escolheu ele e seus descendentes para serem os professores que iam passar este ideal, esta mensagem monoteísta. Em outras palavras, não é que D´us escolheu os judeus e sim os judeus escolheram a D´us (através de Abrãao).

Sermos escolhidos não era parte do "plano original" de D’us. Inicialmente toda a humanidade tinha o papel de ser mensageira de D’us, mas depois do pecado de Adão a humanidade perdeu este privilégio e só Abraão escolheu tomar esta responsabilidade. Se outros quisessem, e foi oferecida a eles a escolha, teriam se juntado a este pacto especial que foi selado com a entrega da Torá no Monte Sinai.

Se um privilégio é oferecido para alguém que está disposto a pagar o preço necessário, ninguém pode protestar que aquele que estava disposto a fazer o esforço extra estava sendo favorecido. Por exemplo: é razoável que um empregado que concorde em trabalhar horas extras, em freqüentar seminários de treinamento e administrar projetos especiais, deveria ter um bônus pela sua performance -- particularmente se cada empregado recebesse a mesma oportunidade e não a utilizasse.

A essência de ser escolhido significa responsabilidade. É uma responsabilidade de mudar o mundo -- não convertendo todo mundo para Judaísmo, mas vivendo como uma comunidade modelo apoiada por ética, moralidade e convicções de um único D’us. Deste modo nós podemos influenciar o resto da humanidade. Sendo então uma "luz entre as nações" (Isaias 42:6).



O Judaísmo é Universal
Ademais, o Judaísmo não é exclusivo. Um ser humano não precisa ser judeu para alcançar um nível espiritual mais alto. Enoch "caminhou com D’us," e Noé teve um nível bastante alto de relação com D’us. Porém, nenhum deles era judeus. Nossa tradição é a de que todas as 70 nações devam funcionar juntas e desempenhar seu papel integral nesta existência chamada de: humanidade.

De acordo com o Judaísmo (Talmud - Sanhedrin 58b), qualquer pessoa pode alcançar um lugar no Mundo Vindouro observando fielmente as sete leis fundamentais de humanidade.


Estas sete leis são chamadas as "Leis de Noé ", partindo de que todos os seres humanos são descendente de Noé:
1) Não assassine.
2) Não roube.
3) Não adore deuses falsos.
4) Não seja sexualmente imoral.
5) Não coma o membro de um animal vivo.
6) Não amaldiçoe D´us.
7) Instale tribunais e traga ofensores para a justiça.

O Templo era o centro universal de espiritualidade, onde todas as pessoas eram bem vindas para que trouxessem oferendas.

A Torá é para toda humanidade. O rei Salomão construiu o Templo em Jerusalém, e pediu a D’us para dar atenção à oração de não judeus que vinham para o lá (Reis 8:41-43). O Templo era o centro universal de espiritualidade, que o profeta Isaias chamava de “uma Casa de oração para todas as nações." Os não judeus eram bem recebidos quando traziam oferendas para o Templo. O serviço no Templo, durante a semana de Sucot, apresentou um total de 70 oferendas de touro, que correspondia a cada uma das 70 nações do mundo. De fato, o Talmud diz que se os romanos tivessem percebido o quanto eles estavam se beneficiando do Templo, eles nunca o teriam destruído!

A maioria das outras religiões diz que os descrentes são condenados à maldição eterna. Até os sistemas do calendário do Cristianismo e do Islã refletem uma filosofia de exclusão; cada uma delas começa com o nascimento de sua respectiva religião.

O calendário judaico, por outro lado, começa com a criação de Adão, o primeiro homem, nos ensinando, assim, o intrínseco valor de todo ser humano, mesmo antes da religião judaica nascer.

Por essa razão judeus não estão à procura de convertidos, pois segundo o Judaísmo todos merecem um lugar no céu sem ser necessária nenhuma conversão.



Conversão
Um componente importante da abordagem de não-exclusão do Judaísmo é o de que qualquer pessoa -- não importando de onde venha ou a que religião pertença -- pode escolher aceitar a Torá e se tornar parte da nação judaica. Realmente, alguns dos maiores nomes da história judaica - Ruth, antepassada de Rei David, e Onkelos, o Sábio do Talmud -- eram convertidos. Os requisitos para conversão se assemelham à experiência judaica no Monte Sinai. De acordo com o Código de Lei Judaico (o "Shulchan Aruch"), existem três requisitos para uma conversão válida (se assemelhando à experiência do Povo Judeu no Monte Sinai):

1) Mitzvot - O convertido deve crer em D’us e na divindade da Torá, assim como também aceitar observar todas as 613 mitzvot (comandos) da Torá. Estes incluem a observância do Shabat, Kashrut, etc, como detalhado no Código de Leis Judaica, que é a fonte autorizada para observância Judaica.

2) Milá - Convertidos devem fazer uma circuncisão com um "Mohel" qualificado.

3) Mikveh - Todos os convertidos devem submergir no Mikveh, um banho ritual ligado a um reservatório de água de chuva.

Todo os requisitos acima devem ser feitos perante um tribunal rabínico haláchico válido e perante três homens judeus que crêem em D´us, aceitem a divindade da Torá e observem as mitzvot.

Quatro concepções erradas sobre Judaísmo

Explorar o Judaísmo significa aprender idéias novas e esquecer as erradas.


Apresentamos quatro concepções erradas comuns que muitos judeus têm sobre o Judaísmo.

1) "Judaísmo é “ou tudo ou nada"
Todos estes mandamentos para cumprir? Você deve estar brincando.
Muitas pessoas pensam que se não podem cumprir todos os mandamentos, não há razão para começar.
Mas, será que isto é verdade? O Judaísmo tradicional é “ou tudo ou nada”?
Imagine se você tropeçar numa mina de ouro. Você deixaria o ouro porque não sabe se encontrará TODAS as minas de ouro do mundo? Aquela única mina o tornará rico para o resto da vida!
Toda mitzvá é como uma mina de ouro. Mesmo que façamos somente parte de uma mitzvá, nossas vidas são enriquecidas para sempre.
O Judaísmo é um processo, uma jornada, onde todos os passos contam.
Não é “ou tudo ou nada”.
Tudo o que for possível fazer agora já conta, e é ótimo!
Faça.
Um passo de cada vez

2) "Alguns judeus são melhores do que outros"
Já encontrou algum judeu que olha diferente para todos que são menos religiosos do que ele? Ele pode ser condescendente, sensato ou quer excluir os outros do Judaísmo.
Mas, de acordo com a Torá, será que sabemos quem é um "bom judeu"?
Se um terrorista ordena ao maior rabino da Terra que mate um ladrão ou então ele morrerá, o rabino está proibido de matar, mesmo que seja para salvar sua vida. Por que? A vida do rabino não é mais importante aos olhos de D’us do que a vida de um criminoso?
O Talmud diz: "Ninguém sabe qual sangue é mais vermelho."Ninguém pode julgar o valor de outra pessoa, pois ninguém conhece onde esta pessoa está situada na escada de vida, onde começou e quantos degraus já subiu. Talvez o ladrão, dadas as circunstâncias de sua vida, fez escolhas maiores e mais difíceis na vida do que o destacado rabino.
A melhor política para todos nós é parar de julgar um ao outro e ao invés disso respeitar o próximo.

3) "A religião tira toda a diversão da vida"
O Judaísmo se refere a D’us como nosso Pai no Céu.
Assim como nossos pais querem que tenhamos tudo de bom, o Topo-poderoso quer o mesmo para todos nós, que tenhamos todo o prazer que pudermos ter!
A palavra "Torá" quer dizer "instrução", pois contém instruções para toda a vida. Os computadores vêm com grandes manuais de instrução e sem eles estaríamos perdidos. A vida é muito mais complicada e se quisermos aproveitar o máximo dela, as instruções com certeza fazem a diferença.
D’us não nos pede para rezar porque precisa reforçar Seu ego. Por quase três mil anos a Torá tem nos ensinado como construir uma vida significativa e prazerosa ao máximo.
Não se contente somente com os pedaços, pois você pode conseguir o conjunto completo, uma realização completa.
É o quê o Judaísmo está aqui para ensinar.

4) "Ser religioso é uma fuga"
"É um suporte."
"Uma vez que se é religioso você pára de pensar."
"Ser religioso exige que acreditemos em algo que não é fácil de acreditar."
Longe de ser uma fuga, o Judaísmo ensina que somos responsáveis pelo mundo inteiro. O Talmud diz que cada pessoa deve sentir que "o mundo foi criado para ela e é sua responsabilidade tomar conta dele."
Nossos heróis são os virtuosos e os sábios, pois, por milhões de anos, os judeus têm um caso amoroso com o saber sobre a vida e o esforço para crescer. A Torá é um guia e o padrão para a conduta ética, mas aí vem a parte mais difícil: aplicar estes princípios morais e corresponder a estas expectativas na sociedade e no dia-a-dia.
E o fato de acreditarmos em algo difícil de acreditar? Não é judaico. O primeiro dos Dez Mandamentos é saber que existe um D’us ao invés da aceitação cega. Ser um intelectual honrado, não um produto da sociedade. Ouça os indícios e comece a construir uma fundação racional para suas crenças, sejam elas quais forem.
Esclarecer estas concepções erradas é um bom começo para descobrir o quê é realmente o Judaísmo.

Tipos do Judaismos

Na verdade, o que fora recebido no Sinai foi uma única Torá. Em nossos dias, porém, as divisões e subdivisões no meio religioso judaico tende a levar a pessoa que vê de fora como algo natural, pois "todas as religiões tem suas facções! Isto é comum no cristianismo,é comum no islamismo, e demais religiões e credos. Por que não o seria no judaísmo?" - contudo, o judeu, por menos praticante que seja, sempre perguntará: "Que aconteceu conosco?" - na verdade, todos sabemos: é fruto da diáspora, longa, dura e sofrida. Ela nos fez querer ser como as nações, e eles têm suas distintas facções em todos seus "ismos".

Primeiro, devemos esclarecer que a palavra "religião"é estranha à língua hebraica, e que a expressão "fé" - do latim "fides" - nada tem em comum com a palavra hebraica "emuná", comumente traduzida por fé. "Religião" deriva do verbo latino "religare", (religar) e exprime certa idéia proveniente do antigo paganismo greco-romano segundo a qual cria-se estar o homem desligado (por seus pecados - outra palavra estranha às línguas semíticas em geral) de seu deus, devendo a ele religar-se por algum feitio, conforme determinado pelos sacerdotes de cada credo. Essa forma de pensar não é originária da fé cristã, na qual o uso é comum, senão sua origem está nos credos dos quais recebera influências exteriores à recebida dos primeiros apóstolos, que eram judeus, as religiões pagânicas citadas acima.

No hebraico atual, tratando-se de um idioma antigo - tido por dois milênios como língua morta - sendo neste século ressucitado, há uma necessidade de traduzir termos "internacionais" ao idioma hebraico, e "religião" faz parte da longa lista. A palavra "dat" significa "lei" em sentido constitucional, e se em sentido teocrático ou não, isto nada tem a ver com o termo latino citado.

A Torá foi tida pelos hebreus na antiguidade, bem como pela ortodoxia hoje em dia como constituição divina outorgada por Deus, a qual dirige toda a nação israelita como um todo, bem como o indivíduo judeu particular. As demais diferenças entre os diversos grupos ortodoxos - que deveria ser apenas um e indivisível - merecem uma atenção especial, e carecem de um esclarecimento individual e esquadrinhador de vários aspectos da história judaica que originara tal situação. Isso é importante sobretudo para quem tem como meta servir a Deus, disposto a desfazer-se de suas próprias ideologias para tanto. O grande filósofo Abert Camus disse certa vez que os religiosos de nossa época servem-se a si mesmos e não a seu deus. Com certeza, muitos se fixam em sua pessoa em aprticular, por desvios psicológicos, mas indo mais além sempre há os que se apoiam na "religião" para defender suas teses e ideologias.

Outrossim, todos fugimos à realidade. Todos buscamos pertencer a um grupo, ao qual nos afeiçoamos, seja por seus elementos atraentes interiores ou exteriores.

Neste ponto, pensam um que querem ser "ĥassidim" - algo cuja propaganda está repleta de beleza, de misticismo sonhador, de milagres e encantos! Isto se adapta muito bem à mentalidade do brasileiro, comumente sonhador, afetivo e amante da natureza.

Outros, modernizadores e impetuosos pelo progresso - preferem uma linha mais aberta, mais "normal para nossa época", menos ligada aos velhos que passavam quase todas suas vinte e quatro horas mergulhados no Talmud, quase sempre ranzinzas - por ver os netos e bisnetos "mal-vestidos", ou seja, segundo o ponto de vista da Torá - indecentemente.

Outros, misoneístas declarados, são contrários até mesmo ao uso de artefatos e invenções modernas que em muito poderiam ajudar em questões importantes, como a difusão de conhecimento em prol dos seres humanos que lhe são próximos ou distantes, por igual.

Não somos contra um, nem contra o outro. nada temos contra as pessoas ou contra as ideologias. Nossa ideologia é apenas uma: cumprir com o que nos foi ordenado no Sinai, admitindo ser a Torá transcendental, sem tentar mudar em nada - e não por misoneísmo, ou por modernismo, senão por que ela não está submetida ao tempo, nem pode envelhecer ou modificar-se.

Caso um venha a dizer-nos: " - A Torá não foi dada para nossa época!", ou: " - Os tempos mudaram!" - diremos a esta pessoa que sua primeira afirmação está errada, e segunda, correta, mas não por ela vivemos. Pois o ser humano é dinâmico - e seus "tempos" mudam.

As pessoas têm a tendência de pensar que a roupagem ortodoxa feminina é algo "da antiga", que devemos vestir-nos "modernamente", segundo a moda; nada de roupas que lembrem minha bisavó!

Acaso são mais modernos que os antigos gregos? A indescéncia, então, para os que viveram na idade média, era coisa do passado!! Era coisa da antiga Grécia, anterior ao período cristão! Onde pode-se imaginar (ainda em nossos dias!) - corridas olímpicas de jovens nus?? - isto - porquê não dizem ser coisa do passado??

Vestir-se com prudência é mais do que mandamento religioso: é virtuosidade. É recato, é auto valorização, especialmente no mundo atual no qual prolifera a pornografia, e as mulheres e suas fotos são propagandeadas como objetos de prazer sensual. Mas, quantos vêem isto assim? Quantos, no ocidente, entendem que as mulheres hebréias e islâmicas, que vestem-se de maneira diferente das do ocidente, se auto-valorizam, não por imposição masculina ou algo pelo estilo, senão por pura auto-estima? Quantas mulheres se dão conta de que a maior beleza feminina acha-se em seu recato, em sua auto-estima como mulher, como ser humano, não como objeto para os olhos masculinos?



Não podemos dizer que somos "ortodoxos" como se entende hoje o termo, pois atualmente, muitos preceitos - caso perguntemos a algum ortodoxo acerca de seu cumprimento - dirá seguramente que "em épocas remotas, quando as pessoas eram mais capacitadas..." - nem reformistas, pois cremos ser a Torá imutável e eterna, e que os preceitos podem e devem ser cumpridos em todas as gerações, incluindo a nossa e a vindoura. Tampouco damos importância a certos indumentos, nem pensamos que o portar-se indumentário, ou seja, sendo dependente do que veste para sentir-se mais forte em seu auto-controle, seja algo que nos fortaleça individual ou grupalmente. Outrossim, não vemos permissão alguma para que se desfaça o hebreu amante de seu Criador e temente, o vestir-se de indumentos extravagantes, indecentes ou impróprios. Cor - não é importante, nem um "terno europeu" e "chapéu dos anos trinta" consta na Torá, muito menos vestir-se de negro por "luto pelo Templo", sem que seja a forma de luto judaico, sem que os Sábios no Talmud - nossos juízes do Sanedrin - hajam decretado tal.

Simplesmente - esta miscelânea de pensamentos influenciados pelo exílio nos afastou do que realmente somos, e do que Deus realmente requer de nós como hebreus, filhos de Israel: o cumprimento da Torá e sus preceitos.



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