A morte de Carlos Gardel



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Encontro24.07.2018
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OBRA DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES «A MORTE DE CARLOS GARDEL» CHEGA AO CINEMA
O filme “A Morte de Carlos Gardel”, realizado pela sueca Solveig Nordlund, foi adaptado do livro homónimo de António Lobo Antunes, que vê a sua obra no grande ecrã pela primeira vez. Com estreia marcada nos cinemas a 22 de Setembro 2011, o filme abrirá a 3ª edição do Festival Douro Film Harvest a 5 de Setembro e terá uma pré-apresentação ao público a 17 Setembro, no ciclo dedicado a António Lobo Antunes, no Teatro S. Luiz.

“A Morte de Carlos Gardel” é a história de Nuno, um jovem toxicodependente em coma, a morrer num hospital. Durante os dois dias em que se encontra entre a vida e a morte, cada um dos familiares evoca junto a ele uma teia de recordações do passado, através das quais percebemos o presente de Nuno. Álvaro e Cláudia, os pais divorciados e as suas novas relações disfuncionais, Graça, a tia médica que nunca terá filhos porque vive com Cristiana, todos eles se sentem culpados pelo estado de Nuno, pelos desalentos da vida, mas também pelos sonhos que criaram. O pai, Álvaro, apaixonado por tango, recusa-se a aceitar a morte de Nuno, deixando-se levar numa espiral de delírio e confundindo um imitador com o seu cantor de tango argentino favorito, já desaparecido: Carlos Gardel.

Com este novo trabalho, Solveig Nordlund cumpriu mais uma prodigiosa aventura pela adaptação cinematográfica de uma obra literária. “Gosto de ler e gosto de me identificar com um escritor. Nunca tive ambições literárias, mas gosto de participar na escrita dos meus guiões”. Tem sido nesta perspectiva criativa, que algumas das mais importantes obras de curta e longa-metragem de Solveig Nordlund se centram em narrativas literárias tão significantes, como contos de ficção científica de J. G. Ballard ou H. P. Lovecraft e ficções de J. Marmelo e Silva, Richard Zimler e António Lobo Antunes.

Nascida em Estocolmo, Solveig Nordlund alimentou a sua paixão pelo cinema ainda nos bancos da universidade enquanto frequentava o curso de História de Arte. Radicada em Portugal desde há quarenta anos, Solveig Nordlund iniciou a sua carreira como assistente de realização e montadora, tendo trabalhado em vários filmes portugueses de realizadores como Manoel de Oliveira e João César Monteiro.

Desde a sua primeira longa-metragem de ficção – o filme “Dina e Django”, realizado em 1983 – a vasta filmografia de Solveig Nordlund tem-se repartido entre Portugal e a Suécia, desempenhando um papel nuclear no panorama do cinema português. Profundamente inspirada pela obra do marcante realizador francês Jean Rouch, de quem foi aluna em França em 1972, Solveig Noderlund diz que «gosta de fazer filmes que nos surpreendam intelectual e formalmente», revelando uma notável preocupação em tocar a essência do espectador, quer pela qualidade do fluxo narrativo, quer pela linguagem formal da realização.

“A Morte de Carlos Gardel” recebeu apoio à produção do Instituto do Cinema e Audiovisual/Ministério da Cultura, contando igualmente com a participação financeira da RTP – Rádio e Televisão de Portugal.



ENTREVISTA A SOLVEIG NORDLUND

Onde começa esta relação com a obra de António Lobo Antunes que a levou agora a escolher esta obra em particular?

Em 1997, fui convidada pela SVT - a televisão sueca - para fazer uma introdução à obra de Lobo Antunes, que nessa altura era uma dos candidatos mais falados  para o Prémio Nobel. E comecei a ler António Lobo Antunes. Li todos os seus livros e tornei-me fã da sua forma impressionista de escrever. Gostei sobretudo de "Os Cús de Júdas", "Fado Alexandrino" e "A Morte de Carlos Gardel". Com os anos fui ampliando e completando o documentário até acabá-lo em 2010 com o título "Escrever, Escrever, Viver". Entretanto tinha falado com António sobre a possibilidade de adaptar " A Morte de Carlos Gardel" para o cinema e ele deu-me carta-branca para escrever o guião.



Já trabalhou no cinema muitas obras literárias, o que a cativa neste processo de compor imagens em cima das palavras?

Já fiz várias adaptações de obras literárias para o cinema – “Até Amanhã, Mário” (de Grete Roulund), “Comédia Infantil” (de Henning Mankell), “Aparelho Voador a Baixa Altitude” (de J.G. Ballard), “O Espelho Lento” (de Richard Zimler) e agora “A Morte de Carlos Gardel” de António Lobo Antunes. Não sei porque prefiro adaptar uma obra já existente em vez de escrever uma história de raiz, que também fiz várias vezes – “Dina & Django”, “A Filha”. Penso que me considero mais protegida quando houve outra pessoa antes de mim a pensar na história e nas suas implicações. E é também um desafio traduzir uma obra de que se gosta muito para uma outra linguagem.




Onde acaba a obra de António Lobo Antunes e começa a de Solveig Nordlund?

"A morte de Carlos Gardel" é um exemplo disto. Gostei muito do livro e da emoção que transmitia. O desafio a adaptá-lo ao cinema foi tornar a história compreensível sem perder a respiração e a emoção do livro. O livro estende-se no tempo e no espaço, tive que reduzir as personagens e centrar a história ao essencial - a morte do filho toxicodependente e como esta morte transforma as pessoas à sua volta.


Qual o aspecto que a atraiu mais nesta história?

O que me atrai nesta história é a grande culpa que as personagens sentem. Não sabem agir  perante os acontecimentos e procuram desesperadamente algo que dê sentido e que lhes possa fazer·perdoar.  O pai procura um falso Carlos Gardel para dar sentido à sua vida depois da morte do filho.



FILMOGRAFIA

2011: A MORTE DE CARLOS GARDEL, baseado na obra António Lobo Antunes

IN TRANSIT, documentário sobre o artista José Pedro Croft

2010: CONVERSAS NO CABELEIREIRO, 3 documentários para a RTP2 sobre mulheres artistas

2009: O ESPELHO LENTO, curta-metragem

ESCREVER, ESCREVER, VIVER, documentário sobre o escritor António Lobo Antunes

2008: ANOTHER MEMORY, curta-metragem

2007: NÓS POR ELES, 5 documentários sobre escritores estrangeiros em Portugal

2005: O BEIJO, curta-metragem

2004: AUNT LINNEA AND THE WORLD, curta-metragem

TOMORROW, curta-metragem, RTP

2003: A FILHA

2002: LOW-FLYING AIRCRAFT, baseado no romance de J. G. Ballard

1999: THE TICKET INSPECTOR, curta-metragem

1998: A VOICE IN THE NIGHT, curta-metragem

1997: COMÉDIA INFANTIL, baseado no romance de Henning Mankell

1996: SPELLBOUND AND THE WAY BACK, documentário

1995: MEETING MAI, curta-metragem com Mai Zetterling

ANTÓNIO LOBO ANTUNES, documentário para a SVT sobre o escritor português

SPELLBOUND, curta-metragem

1993: MARGUERITE DURAS, documentário

1992: SEE YOU TOMORROW, MARIO, baseado na obra de Grete Roulund

1990: AN IMMORTAL STORY, documentário

1989: FINEBOYS, documentário para a SVT sobre modelos masculinos

1988: GLIMPSES OF LIGHT, documentário para a SVT sobre músicos idosos

1987: STIG CLAESSON and J. G. BALLARD, série de de documentaries para a SVT sobre escritores

1986: JOURNEY TO ORION, baseado na obra J.G.Ballard

1985: BARNUM, ópera

HOT LINE, episódio de um filme

1984: WITH OTHER EYES, crónicas sobre realizadores

1983: DISCOVERING PORTUGAL, documentário

1982: HOME, curta-metragem

MEMORIES FROM A VILLAGE, curta-metragem

1980: DINA AND DJANGO

1979: CAN’T IT BE EXTERMINATED?, série para a RTP sobre Karl Valentin

1978: Três peças de F. X. Kroetz para a RTP

1977: NEITHER FISH NOR FOWL, curta-metragem

1976: PEOPLE’S FIGHT, documentário sobre a Reforma Agrícola em Portugal

1975: DISAPPEARED, série documental sobre os jovens

FICHA TÉCNICA

A Morte de Carlos Gardel

De: Solveig Nordlund

Produção: Fado Filmes

Com: Rui Morisson, Teresa Gafeira, Carlos Malvarez, Celia Williams, Miguel Mestre, Joana de Verona e Albano Jerónimo.

Participação especial: Ruy de Carvalho

E ainda: Elmano Sancho, Ida Holten Worsøe, Maria João Pinho, Carla Maciel, Diogo Dória, Teresa Faria, Cecília Henriques, Maria Arriaga

Fotografia: Acácio Almeida

Produtor: Luís Galvão Teles

Produtor Executivo: João Fonseca

Género: Drama

Classificação: M/12

Outros dados: POR, 2011, Cores, 87 min.

Link: http://carlosgardelfilme.blogspot.com/
Sinopse: Nuno (Carlos Malvarez) é um jovem toxicodependente em coma, a morrer num hospital. Durante os dois dias em que se encontra entre a vida e a morte, cada um dos seus familiares evoca na primeira pessoa uma teia de recordações. Delirante, o pai, Álvaro (Rui Morisson), apaixonado por tango, recusa-se a aceitar a morte de Nuno, chegando a confundir um imitador com o seu cantor de tango argentino favorito, já desaparecido: Carlos Gardel (Ruy de Carvalho). Um emaranhado de discursos cruzados e de memórias, em que a culpa está sempre latente, conduz-nos por uma rede de memórias até ao estado actual Nuno. É a vida toda, com a morte dentro.

Filme de abertura da 3ª edição do Festival Douro Film Harvest a 5 de Setembro 2011, com pré-apresentação ao público no ciclo sobre António Lobo Antunes, no Teatro S. Luiz, a 17 Setembro 2011.

Estreia nos cinemas de Lisboa, Coimbra e Porto a 22 de Setembro 2011.

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Margarida Rocha de Oliveira

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