A liturgia da Palavra



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Palavras da PAIXÃO
(Textos de Carlos Alberto Rodrigues Alves)

Celebração da Paixão, 1º. de abril de 2009




A criação:


No princípio era a beleza das videiras e dos parreirais
que se entrelaçavam e se espalhavam pelo paraíso

Em consagradas liturgias o Criador chamava suas criaturas


para celebrar a dádiva da vida
em ceias-sempre-santas-tantas-quantas

E viu Deus que era bom...



Louvor:
[Salmo 19; L: Sarah Poulton Kalley (925-1907); M: Brüdergemeine, (1740) – HE: 138 – 1ª. estrofe]

Altamente os céus proclamam / Seu divino Criador;
Anuncia o firmamento / Tuas obras, ó Senhor!
Incessantes, noite e dia, / Dão sinais do teu poder,
Sem palavras proclamando / Deus excelso no saber

A queda:

Mas, em algum momento de tormento
desinventaram a arte de amar

Os cains tornaram bélico o que antes era belo


Para uns muitos “a ordem” para uns poucos “o progresso”
As torres de Babel em inferno transformaram o céu
Mudaram em pães amargos o que antes era doce ao paladar
A terra produziu espinhos e cardos.

Diz-se que jamais o mundo foi o mesmo.


Houve trevas sobre a face do abismo...

Kyrie Eleison:
[Iona Community]

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison.

A profecia:

Acontece que poetas, profetas e cantadores em prece
gritaram na vez dos sem-voz,
salmodiaram sonhos-em-sorrisos,
perscrutaram-promessas-de-um-porvir-promissor:

As crianças brincarão com os velhos na praça


Aqueles com sua inocência, estes com sua experiência!
Todos celebrindando a paz dos parreirais...”


Venham todos, venham todas:
[Letra: Charles Wesley, 1747; Tradução: Simei Monteiro, 2007;
Mús.: Eliseu Peroni e Liséte Espíndola, 2008]

Venham todos, venham todos, para a festa do Evangelho;
que ninguém fique de fora pois Jesus é o hospedeiro.
O convite é extensivo para toda a humanidade.
Deus convida pecadores, isso é mais do que verdade.

É o Senhor quem nos envia a dizer a toda a gente


e a vocês que estão ouvindo, seu chamado é insistente:
Venha o mundo, todo o mundo, quem, por mal foi humilhado.
Em Jesus tudo está feito, tudo nele é consumado.

Venha quem é oprimido, por maldade ou pecado;


quem, cansado, sem alento, vive aflito e desolado.
Pois o pobre, o desprezado, cego, manco e até mal visto,
são bem-vindos, acolhidos e têm paz em Jesus Cristo.

A mensagem é divina, pois de Deus foi recebida,


sempre nova e restaurada: quem a Cristo vem, tem vida.
Se o amor de Jesus Cristo nos comove e nos constrange,
valeu tudo, até a morte de quem deu seu próprio sangue!

Venham, venham, sem demora; sem espera e sem tardança.


Este é o dia aceitável, este é um tempo de esperança.
E agora, em resposta a chamado tão profundo,
viveremos para aquele que morreu por todo mundo.

A encarnação:


E, de fato,
Mais tarde quando a história, então grávida, deu à luz,
O Amor se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e bondade.
Grandes coisas se viu, boas novas se ouviu!!!

É chegado o novo tempo, é chegado o novo dia!


bem-vindos todos à farta mesa da Eucaristia”.

O pão se multiplicou em sinais de solidariedade,


o vinho se transubstanciou em alegria...

A ceia do Senhor:
[Jaci Maraschin]


Partilhar o pão, / distribuir o vinho, / estender a mão / a qualquer vizinho.
Alargar o chão, / retirar o espinho, / abraçar o irmão, / não ficar sozinho.

O pão da eucaristia / é mais que pura massa,


é feito de alegria, / é dado a nós de graça.

O vinho consagrado / é mais do que bebida:


é sangue derramado / que dá sustento à vida.

Jesus, em qualquer parte, / és mais que forma e rito:


és pão que se reparte / no mundo injusto, aflito.

Permite que este trigo / na terra amadureça,


e a fome do mendigo, / enfim, desapareça.

Que o vinho nos anime / a celebrar a vida,


e a todos aproxime / na terra agradecida.

O apocalipse:

Depois destas coisas eu vi um novo céu e uma nova terra.
Não havia mais as garras da guerra
nem as feias-faces-da-fome,
mas, na comunhão da Paz-com-Páscoa,
havia pão em cada mão e vinho em cada copo.
Enquanto os anjos cantavam [...] ao vencedor da cruz
apressei-me na prece, e, em memória dele, relembramos as... sete palavras da Paixão.

1ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Lc 23.33-34]

PERDÃO

E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.



Amor que vence:
[L: Rev. George Matheson (1842-1906); Trad.: Henry Maxwell Wright; M: St Margaret, Albert Lister Peace (1844-1912); – HE 38, 1a., 2a. e 3 a. estrs.]

Amor, que por amor desceste! / Amor, que por amor morreste!
Ah! Quanta dor não padeceste! /Minha alma vieste resgatar
E meu amor ganhar!

Amor, que com amor seguias / A mim, que sem amor tu vias!


Oh! Quanto amor por mim sentias, / Eterno Deus, Senhor Jesus,
Sofrendo sobre a cruz!

Amor, que tudo me perdoas, / Amor, que exaltas e abençoas


Um réu a quem tu te afeiçoas! / Vencido, ó Salvador, por ti,
Teu grande amor senti!

Oração:

Pai nosso do perdão
estás nos céu de nossa paz
Santificado sejam teus braços
que em abraços nos acolhe como Pai de amor
Venha a nós o teu reino de bondade
Seja feita a tua vontade de ternura e generosidade
E não nos deixes cair na tentação
de pensar ou vivenciar alguma crueldade
mas livra-nos de praticar qualquer forma de maldade
Pois teu é o reino da alegria, teu é o poder da beleza,
e tua é a glória de nos ensinar que ser feliz é perdoar sempre.


Teu é o reino:
[Pablo Sosa]

Teu é o reino, teu é o poder, tua é a glória e sempre há de ser...
Teu é o reino e o poder e a glória e sempre há de ser. Amém!

2ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Lc 23.41-43]


PROMESSA DO PARAÍSO

Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: nós, com justiça, recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.



Jesus Cristo,
esperança para o mundo:

[Silvio Meincke / Edmundo Reinhart / João Carlos Gottinari


(1ª., 2ª. e 3ª. estrofes)]

Um pouco além do presente / Alegre o futuro anuncia
A fuga das sombras da noite / A luz de um bem novo dia

Venha teu reino, Senhor / A festa da vida recria
A nossa espera e a dor / Transforma em plena alegria.

Botão de esperança se abre / Prenúncio da flor que se faz


Promessa de tua presença / Que vida abundante nos traz.

Saudade da terra sem males / Do Éden de plumas e flores


Da paz e justiça irmanadas / Num mundo sem ódio e sem dores.

O Paraíso:


Um dia, a paz e a justiça
coroarão nossos belos mundos sonhados


Mulheres: Um dia, a paz e a justiça
se beijarão como eternos namorados

Homens: Um dia, a paz e a justiça
sepultarão os mais temidos arsenais

Um dia, a paz e a justiça
serão as ternas verdades finais


Mulheres: Um dia, a paz e a justiça
tirarão de nossos lábios a palavra guerra

Homens: Um dia, a paz e a justiça
brindarão este nosso céu chamado terra

Um dia, a paz e a justiça
exterminarão as feias faces da fome


Mulheres: Um dia, a paz e a justiça
serão de todas as nações, o novo nome

Homens: Um dia, a paz e a justiça
irão celebrar, alegremente, nossa utopia

Um dia, a paz e a justiça
farão nascer da noite escura, o sol do novo dia.


3ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Jo 19.26-27]


FAMÍLIA

E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cléopas, e Maria Madalena. Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.



Amor fraternal:
[L: Sarah Poulton Kalley (1825-1907); M: Rutherford, Chrétien Urhan (1790-1845); Arr: Edward Francis Rimbault (1816-1876) – HE 393, 2ª. e 3ª. estrofes]

Família unida somos família de Jesus,
Iluminados todos da mesma santa luz.
A mesma fé nos prende, num só divino amor,
E com o mesmo gozo, servimos ao Senhor.

Na mesma senda estreita é Deus quem nos conduz,


Só temos esperança no Salvador Jesus.
A mesma horrível morte a todos vida traz,
E pela mesma angústia nos vem celeste paz.

Lar feliz:

A esta hora, exatamente,
em que acordos de paz são incapazes de paz
existe, em algum canto de um casebre distante,
uma pintura pobre, mas rica, que diz: Lar Feliz!

4ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Mt 27.45-46]


ABANDONO

E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona. Cerca da hora nona, bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lama sabactani: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?



Silêncio...




Confissão de fé:

Há quem, descrente, ache que Deus é criação dos homens
Nós, porém, ousamos crer no Senhor de todos os povos e todas as raças

Há quem, resignado, afirme que a fome e a guerra são inevitáveis


Nós, porém, ousamos crer no Pão da Vida e no Senhor da Paz

Há quem, arrogante, acredite na lei do mais forte


Nós, porém, ousamos crer no Deus que é amor

Há quem, pretensioso, queira prender o Espírito em suas certezas


Nós, porém, ousamos crer que o Espírito sopra onde quer

Há quem, pobre, confie na inabalável segurança de Mamom


Nós, porém, ousamos crer no Senhor da Providência

Há quem, angustiado, pense que a coroa da vida é a morte


Nós, porém, ousamos crer que o Senhor faz novas todas as coisas

5ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Jo 19.28]


FINITUDE

Depois, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam consumadas, para que se cumprisse a Escritura, disse: Tenho sede.



Ó Deus, tu és meu tudo:
[L: John Wesley;
Trad.: Luiz Carlos Ramos;
Mús., arr. e harm.: Liséte Espíndola, 2008]

Ó, Deus, meu Deus, tu és meu tudo.
Antes d’alva que desperta
tua soberana luz ilumina o meu coração
e me inunda o teu poder que a tudo vivifica.

Por ti suspira e clama minh’alma sedenta,
porquanto deva morar nesta terra deserta.
Faminto como estou, só teu amor, alento pode dar!

Em terra seca me contemplas.


Todo anelo, meu desejo,
deposito só em ti, mais e mais em tua graça.
Me regozijo só em ti, tesouro maior deste mundo!

Mais preciosa é a vida


e teu amor há de ocupar meu tempo e meu coração;
e meus lábios hão de te adorar!
Em proclamar o teu louvor
hei de empenhar a minha paz,
//: minha glória e minha alegria. ://

6ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Jo 19:30]

MISSÃO CUMPRIDA

Então Jesus disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.



Rude cruz:
[Autoria não identificada (1ª. e 3ª. estrofes e coro)]


Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu,
Como emblema de vergonha e dor;
Mas contemplo essa cruz, porque nela Jesus
Deu a vida por mim pecador.

Sim eu amo a mensagem da cruz!
’Té morrer eu a vou proclamar!
Levarei eu também minha cruz
’Té por uma coroa trocar!

Nessa cruz padeceu e por mim já morreu,


Meu Jesus para dar-me perdão!
E eu me alegro na cruz, dela vem graça e luz
para minha santificação.

Prece:

A esta hora, exatamente,
em que sobe da terra o sangue das mulheres silenciadas,
existe, em algum quintal,
uma senhora de idade cumprindo uma missão de paz:
Ela planta em seu novo jardim
uma, duas, três rosas com amor...

A esta hora, exatamente,


quando paira no ar um presságio de pavor,
apontando o descompromisso dos tiranos com o amor,
existe, em uma capela qualquer,
alguém compromissado que canta,
se apressa na prece e pede:

— Venha o teu Reino, Senhor!



Venha teu reino, Senhor / A festa da vida recria
A nossa espera e a dor / Transforma em plena alegria.

7ª. PALAVRA DA PAIXÃO:
[Lc 23.46]


ENTREGA

E, clamando Jesus com grande voz, disse:


Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.

Segurança em Cristo:
[L: Isac Watts (1674-1748); Trad.: Rev. John J. Ransom (1853-1934); M: Alas! And did my Saviour bleed, Asa Hull (18..-?) – HE 413 – 1ª. e 2ª. estrofes]

Por meus delitos expirou / Jesus, a Vida e Luz:
Do meu pecado me livrou / Na ensangüentada cruz.

Hei de ser forte em confessar / Jesus, meu Redentor;
E sempre firme em confiar / no seu infindo amor.

Terei acaso débil voz, / Que trema ao confessar


A quem por morte vil e atroz, / Minha alma quis salvar?

A morte do medo:

Bom Pai! No abraço de teus braços
morre o meu medo de morrer,
vai-se embora toda agonia,
pois que o Pai me faz novo ser.
Se nossa vida vem de Deus
em Deus revive os sonhos meus!


Paz com Páscoa:


Se as ofensas que nos fizerem forem gravadas no ar
E as coisas belas que nos dedicarem forem guardadas no coração:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Se, passando em infernos da vida,


Pudermos levar teu paraíso:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Se, em lares desagregados de amor,


Deixarmos as marcas da união:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Se, à sombra da solidão da noite,


Reencontramos a luz da manhã:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Se, sedentos de todo tipo de sede,


Brindarmos a água da vida:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Se, na missão de paz que nos é dada,


Colocarmos toda paixão é fé:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Se, na paixão e morte de cada dia,


Reencontrarmos a vida eterna:
Paz com páscoa, ... VEM, SENHOR JESUS!

Senhor, que os teus pequenos sinais de vida
enfraqueçam as grandes pretensões da morte


E que possamos cantar sob mil bandeiras brancas
A paz que traz o bem que um dia vem... VEM, SENHOR JESUS!




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Liturgia preparada a partir da Cantata “Palavras de Paz com Páscoa”, do Rev. Carlos Alberto Rodrigues Alves e do Maestro Cornelis Kool;
Adap. pela Equipe de Liturgia & Arte da FaTeo, sob a coordenação do Rev. Luiz Carlos Ramos; Pianista: Liséte Espíndola




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