A influência da igreja católica sobre as práticas educativas da escola estadual “JOÃo dos santos”: uma análise a partir da história oral



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A INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA SOBRE AS PRÁTICAS EDUCATIVAS DA ESCOLA ESTADUAL “JOÃO DOS SANTOS”: UMA ANÁLISE A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL
Adélia Carolina Bassi

Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ

carol.bassi16@gmail.com

Palavras-chave: Práticas educativas; religião e educação; História Oral.


A escola se relaciona diretamente com a memória, pois é, genuinamente, lugar de construção de conhecimento. Nela são deixadas impressões, experiências e subjetividades. Analisar os fragmentos de memórias, diferentes tipos de relatos e versões pode ser possível com o auxílio da História Oral. O presente estudo apresenta resultados parciais de minha dissertação de mestrado. Esta comunicação se insere no eixo temático “História das Instituições e Práticas Educativas” e tem como objetivo compreender a relação entre uma instituição de ensino e a religiosidade em São João del-Rei, mais especificamente a Escola Estadual “João dos Santos”. Diante desta forte presença, pergunta-se: quais práticas educativas da referida escola estiveram a serviço da religiosidade? Tais práticas teriam o intuito de manutenção ou propagação da fé Católica? Como se davam as atividades nas quais os preceitos religiosos eram empregados?

O período tomado como recorte cronológico, que vai de 1937 a 1946, foi estipulado a partir de marcos legislativos e pela disposição de fontes documentais escritas e orais. Tais anos são marcados pela entrada em vigor de Constituições que traziam idéias diferenciadas quanto ao ensino religioso. Em 1937, a Carta Magna, em seu art. 133 estabelecia: “o Ensino Religioso poderá ser contemplado como matéria do curso ordinário das escolas primárias, normais e secundárias. Não poderá, porém, constituir objeto de obrigação dos mestres ou professores, nem de freqüência compulsória por parte dos alunos” (BRASIL, 1937). Ou seja, embora mantido na lei, a oferta do ensino religioso não mais se assegurava como obrigatória nos currículos escolares. Em 1946, ao contrário, o ensino religioso passou a se constituir “disciplina dos horários das escolas oficiais, é de matrícula facultativa e será ministrado de acordo com a confissão religiosa do aluno” (BRASIL, 1946). Nos dizeres de CURY, “vê-se claramente que se passa da licitude a uma constituição formal da grade curricular” (2010, p. 31). Deste modo, interessa, aqui, perceber como se configurava o ensino religioso no Grupo Escolar “João dos Santos” durante esse período, momento caracterizado pela não obrigatoriedade de seu ensino.

A referida escola, fundada em 26 de julho de 1908, teve suas origens ligadas diretamente à Reforma João Pinheiro, datada de 1906. Tal reforma se constituiu como uma ampla tentativa de remodelação do sistema escolar que passou pela construção de prédios, remanejamento dos recursos humanos e organização dos tempos e espaços escolares. Este movimento se encontrava inserido no contexto de instauração da República no Brasil, em 1889, período no qual a nação se viu diante de uma reformulação da escola pública. Após a instalação da escola, foi escolhido o nome de “João dos Santos”. João Batista dos Santos, Visconde de Ibituruna, tinha o desejo de que o nome de seu pai fosse lembrado em uma casa de instrução. Até a década de 1960, a Escola Estadual “João dos Santos” ministrava apenas as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, antigo curso primário. No início da década de 1970, a escola foi contemplada com a extensão de séries, passando a oferecer à população, as quatro séries finais do Ensino Fundamental. Em 2005 foram implantadas as primeiras turmas do Ensino Médio.

Com o intuito de identificar as práticas educativas que estavam a serviço do ideário Católico e compreender como se propagavam os preceitos religiosos na instituição, a presente pesquisa toma como fontes as “Atas de Exames e Promoções”, única documentação escrita existente na escola, os cadernos escolares produzidos pelos estudantes, os jornais produzidos na cidade de São João del-Rei e pela instituição no período em estudo e entrevistas realizadas com uma ex-aluna da escola.

A pertinência da investigação reside na análise dos acontecimentos e relações estabelecidas entre professores e alunos em classe, que permitem revelar parte da história do cotidiano escolar, percebendo o modo como a religiosidade se apresentada em tais relações.  Portanto, as instituições escolares são importantes ambientes históricos e, através da investigação das pistas nelas deixadas, é possível analisar as complexas relações entre educação e sociedade.

É relevante, também, a análise dos acontecimentos e relações estabelecidas entre professores e alunos em classe, que revelam as práticas educacionais passadas, e ainda, pela efervescência do período, perceber como o contexto de debates educacionais se apresentou na instituição.

Nas primeiras décadas do século XX, não só a política passava por um processo de reordenamento, mas a educação se tornou alvo de interesse público e motivo de debates acalorados. O presidente Getúlio Vargas, que chegou ao poder em 1930, “proclama a educação como ‘problema nacional’, indicando-a como elemento imprescindível para a melhoria das condições de vida” (SOUZA, 2008, p. 147).

A “Revolução de 1930” tem sido tomada pela historiografia como uma referência cronológica para indicar uma espécie de “ponto de arranque” da educação em direção ao desenvolvimento (FREITAS & BICCAS, 2009, p. 62). No Estado Novo, a política educacional se configurava de forma autoritária com objetivo uniformizador. As escolas primárias foram conclamadas a servir à pátria e eram tidas como as grandes responsáveis pelo futuro do país. Com a finalidade de propagar um sentimento patriótico, as práticas escolares sofreram alterações no sentido de disseminar a valorização da nacionalidade. Nos currículos vigoraram o ensino da moral (com abertura para o Catolicismo), do civismo, da Educação Física, da História e Geografia do Brasil e das festividades que celebravam as ações do Estado Novo (FREITAS & BICCAS, 2009, p. 114-115). Nessas celebrações, a escola contribuía para a preservação da memória nacional. Por isso, ao longo do século XX, mais especificamente no governo do presidente Getúlio Vargas, foi intensificado, no magistério primário, o ideal que responsabilizava a escola pelo processo civilizador da nação.

Mesmo sendo a República, marcada pela introdução dos dispositivos legais que incorporaram os princípios liberais de educação, estabelecendo seu caráter laico, durante quinze anos no poder, Vargas apoiou-se em forças conservadoras e, dentre elas, estava a Igreja Católica. (SOUZA, 2008). De acordo com CURY, “a Revolução de 30 significou o momento de volta da Igreja Católica ao proscênio político em larga escala” (CURY, 2010, p.24). O ensino religioso não era obrigatório nas escolas oficiais, mas uma prática lícita, regulado pelas constituições de 1934 e 1937.

No período pesquisado (1937 a 1946), a presença da religiosidade na instituição em tela era incontestável. A pertinência desta investigação reside na tentativa de preencher a lacuna existente, uma vez que há uma escassez de pesquisas sobre a educação em São João del-Rei, que tome como recorte cronológico o período que busco analisar. Mesmo em se tratando de uma escola centenária, a história de suas práticas educativa não fora, ainda, apreciada1. Pouco se produz sobre a educação em São João del-Rei, neste período2. Em uma pesquisa preliminar, nos Anais do Congresso Brasileiro de História da Educação (2000-2008) e do Congresso de Pesquisa e Ensino em História da Educação em Minas Gerais (2001-2009), e na Revista Brasileira de Educação (1995-2005) é possível perceber como a temática vem sendo tratada no interior do campo de História da Educação. Dos 2466 resumos aceitos nas cinco edições do Congresso Brasileiro de História da Educação, 30 (1,21%) tratam do ensino religioso e/ou Igreja Católica e suas implicações na educação brasileira; 17 (0,68%) da gênese, constituição e história dos grupos escolares; 25 (1,01%) dizem respeito à educação nos primeiros anos do século XX; 21 (0,85%) trazem estudos sobre a História Oral ou a utilizam como subsídio e fonte de informações.

Nas cinco edições do Congresso de Pesquisa e Ensino em História da Educação em Minas Gerais (ocorridas entre 2001 e 2009), dos 778 resumos publicados nos anais dos congressos, há 16 (2,05%) que se relacionam com o ensino religioso e/ou Igreja Católica; 24 (3,08%) com os Grupos Escolares; 11 (1,41%) com os primeiros anos do século XX; 8 (1,02%) se amparam na História Oral.

Já na Revista Brasileira de Educação (1995-2009), dos 412 artigos publicados, 4 (0,9%) tratam da religiosidade; 3 (0,72%) das primeiras décadas do século XX e não foram encontrados artigos que tratam diretamente dos grupos escolares e da História Oral, mesmo porquê esta não se trata de uma revista que publica exclusivamente trabalhos de História da Educação.

Tal levantamento indica que, mesmo em se tratando de temas amplamente difundidos e que possuem produções consistentes, sob o ponto de vista quantitativo, os trabalhos do campo de História da Educação não têm contemplado de modo significativo os temas abordados em meu trabalho de pesquisa para dissertação de mestrado.

Em um breve levantamento sobre as pesquisas já publicadas relacionadas aos grupos escolares e a constituição educacional nas décadas de 1930 e 1940 que empregam a História Oral, destacam-se estudos como os de GHANTOURS & CARVALHO (2001), AMORIM (2001), GAETA (2002), PALHARES SÁ (2002), CUNHA (2005), FILHO & RAMOS (2005). Ressalte-se o fato que, ao contrário de pesquisas como as de GAETA (2002), GHANTOURS & CARVALHO (2001), aqui não se pretende apenas recuperar história de uma instituição, através da memória e oralidade, mas sim problematizar as memórias dos entrevistados na sociedade vivida e inseri-las em um contexto maior, ou seja, os debates vigentes à época, além de perceber como os indivíduos se relacionavam com as práticas educativas e lançar mão de toda a riqueza e singularidade da História Oral na reflexão do papel da religiosidade no âmbito da educação.

Considerando a produção do campo de História da Educação, a presente pesquisa se torna relevante, pois pretende compreender como se davam os discursos religiosos na escola e como as práticas educativas foram apropriadas pelos sujeitos. Como bem lembra Souza, “as representações nostálgicas erigidas em torno de uma escola asséptica, ordeira, freqüentada por alunos disciplinados, estudiosos e afáveis, tendem a desvanecer os conflitos cotidianos” (2008, p. 194). Portanto, somente o estudo minucioso, através do cruzamento de fontes diversificadas, entre as quais as memórias dos sujeitos que vivenciaram o cotidiano da escola, é que podemos reconhecer as características das práticas educativas que estiveram presentes no Grupo Escolar “João dos Santos”.

Neste sentido, para a compreensão da relação entre as práticas educativas e os sujeitos que permeavam este processo, recorro à contribuição teórica de Roger CHARTIER e suas pesquisas em História Cultural. Tal escolha se justifica na medida em que a educação, em especial a educação ocorrida no interior da instituição escolar, se constitui em uma área temática em que estes estudos têm tido importante destaque. Assim, a história cultural “tem como objeto principal identificar a forma como em diferentes lugares e momentos uma realidade social é construída, pensada, dada a ler” (CHARTIER, 1990, p. 16-17). CHARTIER utiliza em seus estudos sobre cultura os conceitos de representação e apropriação, definindo a noção de cultura enquanto prática. Segundo o historiador,


as percepções do social não são de forma alguma discursos neutros: produzem estratégias e práticas (sociais, escolares, políticas) que tendem a impor uma autoridade a custa de outros, (...) ou a justificar, para os próprios indivíduos, as suas escolhas e condutas. Por isso (...) [a] investigação sobre as representações supõe-nas como estando sempre colocadas num campo de concorrências e de competições cujos desafios se enunciam em termos de poder e de dominação. As lutas de representações têm tanta importância como as lutas econômicas para compreender os mecanismos pelos quais um grupo impõe, ou tenta impor, a sua concepção do mundo social, os valores que são os seus, e o seu domínio (CHARTIER, 1990, p. 17).
Desta forma, ao se pesquisar as variadas formas de práticas, representações e de apropriações da cultura, o autor defende a idéia de que as diferenças mais importantes não podem ser explicadas somente pelas questões socioeconômicas. Tudo isso porque estes não seriam critérios que possibilitariam a leitura completa das diferenças. Para ele, deve-se “mesclar, cruzar diversos critérios que nos permitem dar conta das diferenças que se observam (...)” (2001, p. 66-67).

Nesse contexto, devemos nos ater ao conceito de representação, no sentido proposto por CHARTIER, pensada quer como algo que permite “ver uma coisa ausente”, quer como “exibição de uma presença” (VAINFAS, 1997, p. 154). Dessa maneira, as representações referem-se “às estratégias que determinam posições e relações e que atribuem a cada classe, grupo ou meio um ser apreendido constitutivo da sua identidade” (CHARTIER, 1990, p. 23). Assim, representação aqui é entendida como prática cultural que enfatiza a existência de uma rede de relações entre sujeitos, cujas representações de quaisquer objetos podem ser das mais variadas possíveis.

Outro conceito relevante para este estudo é a noção de apropriação criada por CHARTIER, que nos auxilia no sentido de que ela
tem por objeto uma história social das interpretações, remetidas para as suas determinações fundamentais (que são sociais, institucionais, culturais) e inscritas na práticas específicas que as produzem. Conceber deste modo atenção às condições e aos processos que muito concretamente, determinam as operações de construção do sentido (...) que as categorias aparentemente mais invariáveis devem ser construídas nas descontinuidades das trajectórias históricas (idem, ibidem, p. 26).
As apropriações não são alheias, uma vez que possuem raízes sociais, institucionais e culturais, sendo as práticas de apropriação entendidas como formas diferenciadas de interpretação. Tal idéia nos permite refletir como são processadas as apropriações e o quê os sujeitos fazem com elas, levando em consideração a pluralidade de usos e as múltiplas formas de interpretação e compreensão de determinadas situações. CHARTIER atribui às apropriações um uso inventivo e criador, e pontua:
Existe a apropriação no sentido da hermenêutica, que consiste no que os indivíduos fazem com que receberam, e que é uma forma de invenção, de criação e de produção desde o momento em que apoderam dos textos ou dos objetos recebidos. Desta maneira, o conceito de apropriação pode misturar o controle e a invenção, pode articular a imposição de um sentido a de uma produção de novos sentidos (2001, p. 67).
Segundo este historiador, há sempre uma vontade de monopólio ou controle da apropriação, sendo esta o resultado de uma tensão, entre as vontades de controle e monopólio (o autor de um livro, por exemplo) e as vontades de conquista (seu leitor). Isso porque sempre existe certa tentativa de fixar sentido, de um lado, e a apropriação, que dificilmente poderá ser controlada, de outro. A apropriação se dá, portanto, neste conflito.

Do mesmo modo, se pensarmos nas instituições educacionais, poderíamos colocar essa discussão no âmbito das práticas pedagógicas, “restritas pelos textos que tentam defini-las, e nem sempre delimitadas, ou melhor, que jamais o são” (CHARTIER, 2001, p. 74). Isso nos permite pensar a interessante relação, ou melhor, a distância existente entre a prática pedagógica e todos os textos que tentam selecionar, limitar ou definir tais normas. Por este meio, poderíamos nos aproximar das práticas educativas e refletir sobre os variados modos de apropriação no âmbito da escola pesquisada.

Sendo assim, para que se efetive tal análise, a pesquisa toma as entrevistas realizadas com a ex-aluna, os jornais em publicados na cidade e pela instituição escolar, o caderno de caligrafia utilizado pela aluna, e ainda, o arquivo que a instituição abriga sob o nome de “Atas de Exames e Promoções”, como fontes privilegiadas que permitem questionar sobre as práticas educativas da escola e, principalmente sua relação com a religiosidade, tema central desta investigação. Tema este que foi descoberto ao longo das várias pesquisas realizadas no decorrer do curso de Pedagogia. As lembranças de infância, principalmente aquelas que remetiam à escola, de uma senhora – que posteriormente se tornara uma de nossas fontes orais – chamavam a atenção pela clareza e pertinência. Esta senhora, ex-aluna do então Grupo Escolar “João dos Santos” foi a grande instigadora e, por conseguinte, fonte que nos auxiliou na árdua tarefa de encontrar outros ex-alunos.

O jornal O Correio, ao se referir à instrução primária pública estadual em São João del-Rei, nas primeiras décadas do século XX, afirma sobre a existência de três grupos escolares, nove escolas urbanas e rurais e quatro escolas anexas em pleno funcionamento, sendo atendidos 2.728 alunos, no “districto da cidade” (18/jun/29, p. 2)3. O jornal A voz da escola, periódico do grupo escolar “João dos Santos”, afirma que em 1937 a instituição possuía 1.065 alunos matriculados em três turnos. Em realidade, no período estudado, que compreende de 1937 a 1946, o arquivo da escola aponta a passagem de 7.232 alunos 4. Recorrendo-se, ora à memória da ex-aluna, ora ao arquivo da escola, especificamente às Atas de Exames e Promoções, chegamos à atual entrevistada5, que se dispôs a colaborar com a pesquisa e possuí grande capacidade de relembrar e contar acontecimentos passados. Nascida em São João del-Rei, em janeiro de 1932, a ex-aluna é filha de pai comerciante e mãe professora. Ingressou no Grupo Escolar “João dos Santos” no ano de 1939, aos 7 anos, permanecendo até o ano de 1942, quando concluiu o curso primário. Em 1943 ingressou no Colégio “Nossa Senhora das Dores”, na mesma cidade, para cursar o Ginásio e o Magistério, tendo lá permanecido até 1949. Em 1953 concluiu o curso Técnico em Contabilidade, na “Escola Técnica de Comércio Tiradentes”. Na mesma década, ingressou como professora substituta no “João dos Santos”, permanecendo até o ano de 1977 como professora primária. Hoje, a produtora do caderno – que também é fonte para esta pesquisa – possui 79 anos. Percebe-se, curiosamente, a ligação da ex-professora com a memória. Tem grande prazer em relatar o passado. Contribui com entrevistas, materiais ligados à escola e levantamento de dados necessários à investigação.

Diante disso, recorremos à História Oral. Entretanto, ao debruçar-nos sobre o assunto, notamos o contraste existente entre o crescimento do tema e a utilização deste nas pesquisas que tomam a história da educação em São João del-Rei. Quanto à definição de História Oral, não há consenso entre todos os autores lidos. Existe uma diversidade de tendências e concepções. Optamos por assumir a postura sugerida por BOM MEIHY, de acordo com o qual
é desprezível discutir se a história oral se compraz ou não em ser uma técnica, um método ou uma disciplina. Dado seu perfil multidisciplinar, sem constituir um objeto específico de pesquisa, mais vale pensar a história oral como a ela se referiu Louis Starr, um de seus fundadores: “mais do que uma ferramenta, e menos que uma disciplina”, também mais apta a motivar reflexões do que esgotar em debates inócuos sobre seu sentido epistemológico (1996, p. 14).
Portanto, a História Oral permite que o historiador faça pesquisas e se encarregue de assuntos específicos e não apenas levante dados a fim de relatar simplesmente o que ocorreu em determinada época. Sendo assim, como subsídio e fonte de informações da História Oral, tem-se a memória dos entrevistados, constituindo o principal material de pesquisa. Sobre a memória, pode-se salientar que esta é sempre subjetiva, é “no sentido básico do termo, presença do passado” (ROUSSO, 2005, p. 94). Além disso, é uma narrativa que nunca é isolada, como afirma o mesmo autor:

a memória (...) é uma reconstrução psíquica e intelectual que acarreta de fato uma representação seletiva do passado, uma passado que nunca é aquele do indivíduo somente, mas de um indivíduo inserido num contexto familiar, social, nacional. Portanto toda memória é, por definição, “coletiva”, como sugeriu Maurice Halbwachs (idem, ibidem, p. 95).


Maurice HALBWACHS (2006) defende a importância do estudo da memória coletiva pautando-se na importância do detalhe, já que este, somado a outro detalhe, resultará num conjunto que se ligará a outros, compondo um quadro maior.

As práticas educativas têm sido, na investigação, reconstituídas através de entrevistas, pois estas permitem tratar de temas complexos. Segundo THOMPSON, a entrevista permite ao historiador colher informações relevantes à investigação, pois para ele “toda história derivada da percepção humana é subjacente, mas apenas a fonte oral permite-nos desafiar essa subjetividade: descolar das camadas de memória, cavar fundo em suas sombras, na expectativa de atingir a verdade oculta” (1992, p. 197).

Por isso, a utilização da memória pode contribuir para o entendimento da cultura escolar de épocas passadas, mas não somente. Indispensável, também, se faz a análise de fontes escritas, como os jornais que circulavam tanto na cidade, quanto na própria instituição escolar. Tais fontes possibilitam uma espécie de retorno ao passado, auxiliando na compreensão da cultura de outros tempos.

A imprensa, ligada à educação, constitui-se em um “corpus documental” de inúmeras dimensões, pois consolida-se como testemunho de métodos e concepções pedagógicos de um determinado período. Como também da própria ideologia moral, política e social, possibilitando aos historiadores da educação análises mais ricas a respeito dos discursos educacionais, revelando-nos, ainda, em que medida eles eram recebidos e debatidos na esfera pública, ou seja, qual era a sua ressonância no contexto social (ARAÚJO e CARVALHO, 2002, p. 72).


Segundo CAVALCANTE, “tais veículos de informação acabam por espelhar múltiplas ideologias em confronto porque estão sempre a trazer conflitos existentes naquele meio social específico onde eles são produzidos” (2002, p. 4). Por isso, os periódicos constituem importantes fontes para a História e, ao serem pesquisadas, as notícias veiculadas se tornam cada vez mais relevantes para entender o pensamento de determinada época.

Deste modo, até o presente momento, como resultados preliminares do estudo, encontram-se a recorrência dos discursos religiosos vinculados na imprensa local e no próprio jornal produzido na escola. Em circulação na cidade, o periódico semanal O Correio, narra6 como característica local as tradições religiosas: “Cidade antiga, cidade sossegada e de brilhantes tradições é, em Minas, a cidade de S. João Del-Rey. (...) É ornamentada com lindos jardins publicos, amplas praças, boa edificação, confortaveis hoteis, formosos templos catholicos” (Jul., 1937, p. 1). E mais, ao referir-se à inédita transmissão por rádio das celebrações da semana santa, o periódico afirma a aproximação entre o poder público e Igreja:


Iniciativa das mais auspiciosas essas da mesa administrativa do Santissimo Sacramento, amparada pelo dynamico e dedicado Prefeito, de promover a irradiação das tocantes solenidades da Semana Santa. Assim, approuve a S. João del-Rei, através das ondas sonoras da PRI-3, levar ao mundo exterior um pouco da nossa arte e cultura, enviar até bem longe algo do espirito religioso, contagiante da nossa gente. (...) Mostremos ao mundo que circunda, ao mundo ouvinte (...) uma cidade antiga com habitos de moça, (...) cidade cheia de arte e de trabalho (Abr.,1937, p.1)
Tais discursos ainda podem ser observados nas práticas em sala de aula através das entrevistas e, principalmente, do caderno de caligrafia produzido pela ex-estudante7. Ao longo de suas 47 páginas, foram contabilizados 55 exercícios que obedeciam a conteúdos diferentes e apresentavam temáticas diversificadas. Foram observadas 11 recorrências no que se referem à religiosidade (o que equivale a 20% dos exercícios). Ou seja, independentemente das disciplinas que eram ministrados na escola, de uma forma ou de outra, em pouco mais de uma dezena foram apresentadas temáticas ligadas à religião, sob forma de cópias, ditados e produção de pequenos textos. Um dos exercícios que chama atenção está ligado à cópia de frases. Na imensidão de sentenças que poderiam ser dadas, foram selecionadas, curiosamente, passagens diretamente vinculadas à religião. Nas páginas 25 e 26 do caderno, encontram-se, repedidas vezes: “Deus pôs no céu uma porção de anjinhos.” (6 vezes); “Jesus está na hóstia consagrada – S. João del-Rei” (3 vezes) e “Gósto do Menino Jesus que gósta tanto de mim” (7 vezes). O motivo dessa repetição, segundo a ex-aluna, poderia ser o emprego das cópias como forma de punição: um castigo para melhorar a letra ou mesmo por alguma indisciplina, ou apenas o treino caligráfico.

Situação parecida ocorre ao analisarmos o jornal de circulação na escola. Intitulado A voz da escola8, o periódico possui exemplares publicados entre os anos de 1931 a 1932 e 1935 a 1941. São 18 exemplares que tratam das mais variadas notícias sobre o grupo escolar e apresentam um total de 302 artigos. Dentre os 14 exemplares que circularam nos anos que abrangem o recorte cronológico da pesquisa aqui apresentada, foram divulgados 231 artigos. Em meio às as mais variadas notícias apresentadas, como auditórios, produções de texto, quadros informativos e outros mais, foram encontradas 40 recorrências sobre manifestações religiosas (o que equivale a 17,3% do total de textos publicados). São anúncios sobre festas do calendário católico, relatos sobre excursões (muitas vezes às igrejas da cidade), festas religiosas realizadas dentro da escola, publicação de orações e, até mesmo, uma edição do mês de maio totalmente dedicada à Maria. Aniversários dos membros da comunidade escolar também eram acompanhados de festividades ligadas à religião, como aponta esta passagem do jornal relatando as comemorações da diretora do grupo: “Houve missa em ação de graça, na Igreja Matriz, (...) com o comparecimento do professorado, grande parte dos alunos de nosso grupo, tendo muitos comungado” (Set/Out/1939, p. 1).

Além disso, ao relembrar o cotidiano da classe, a ex-aluna corrobora todas estas práticas citadas acima. Quando se recorda das aulas de religião afirma:

Porque na... na sala... na escola... havia aula de catecismo, n/é?..., que era a religião. E... ela lia... era sempre... era a bíblia mesmo para crianças. Lia o texto, comentava... algumas vezes, minha professora (...) fazia uma dramatização da... daquele texto, das parábolas principalmente... as parábolas do novo testamento, n/é? É... (...) Ela fazia... não era aquele catecismo decorado, que tinha nas igrejas... () ela não fazia isso não. Ela lia o texto da bíblia que era a “História de Jesus para pequeninos” e a gente comentava... muitas vezes ela trazia... é... na igreja pra preparar pra Páscoa. Todo ano tinha a Páscoa...


Essas práticas, recordadas pela ex-aluna, não se separam do cotidiano da classe, mas sim faziam parte da educação e das condutas desejáveis na época. Quando os tempos de escola são rememorados por ela, intrinsecamente as aulas de catecismo se fazem presentes, assim como todas as outras atividades em que se propagavam a religião. Eram tempos em que ser bom aluno também passava por ser um bom cristão e a escola e os educadores sentiam-se responsáveis por essa formação.

Diante disso, os temas aqui apresentados evidenciam quais os aspectos eram trabalhados a fim de se desenvolverem comportamentos apreciáveis dentro do Grupo Escolar “João dos Santos”, tipicamente em uma época em que a educação era tida como grande responsável pela formação dessas condutas. É evidente a presença dos preceitos Católicos, mesmo não sendo obrigatório o ensino religioso nas escolas. O caderno, de certa forma, evidencia como as mudanças legislativas efetuadas no período não interferiram de imediato no cotidiano da classe. Por isso, este estudo sugere outros, que poderiam questionar como se deu, ao longo de todo o período que foi mantido como facultativo, o ensino religioso nas escolas. Justamente assim, mais apto a motivar reflexões que certezas, o estudo deste caderno pode ser visto como revelador de parte do passado.



Assim, reconstruir as práticas educativas que marcaram uma época é de suma importância para a reflexão dos caminhos trilhados pela educação. Trabalhar com a História Oral é entender os múltiplos olhares sobre determinados acontecimentos e a singularidade que o processo histórico envolve. O cotidiano, nem sempre encarado como histórico é, nesse sentido, visto como fundamental artefato do fazer histórico.


1

Para estas observações foram consultadas as publicações nos Anais dos seguintes congressos: I ao V Congresso Brasileiro de História da Educação (realizados em 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008) e I ao V Congresso de Pesquisa e Ensino em História da Educação em Minas Gerais (ocorridos nos anos de 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009). Além dos 42 números da Revista Brasileira de Educação, publicados entre 1995 e 2005.


2 Sobre a história da educação em São João del-Rei ver MORAIS (2001), ARRUDA & MORAIS (2005), CALSAVARA (2005), RESENDE, CHAVES & PEREIRA (2005), ABREU JR & GUIMARÃES (2008), ARRUDA (2009) E VERGARA & SANT’ANA (2009).


3 A ortografia original foi respeitada nas citações.


4 Dados obtidos a partir das Atas de Exames e Promoções que trazem, ora a contagem dos alunos presentes em um dado dia do início do período letivo, ora o número de matriculados. O número, portanto, pode ter sido maior, já que, não revela precisamente o total de alunos inscritos da instituição.


5 A pesquisa contava com dois ex-alunos da instituição. Impossibilitado, por condições físicas, uma das fontes orais não pôde continuar a colaborar com este trabalho e hoje o estudo conta com uma única informante.


6 A ortografia original foi respeitada nas citações a seguir.


7 As dimensões do caderno se assemelham aos cadernos de caligrafia encontrados até hoje no mercado: 24 x16 cm. Revestido por capa dura, possui 47 páginas em linhas próprias para o treino caligráfico. O caderno foi preservado juntamente com dois boletins da mesma época, pela mãe da produtora do caderno.


8 O periódico possui formato de 20 x 30 cm, foi produzido pela comunidade escolar e impresso na Tipografia Assis (então tipografia da cidade). Ao longo de seus exemplares, observa-se regularidade em seu conteúdo, trazendo sempre as colunas: Quadro de Honra do Grupo Escolar “João dos Santos”, Aniversarios, Avisos, Sociais; Historia inventada à vista de uma gravura, além de textos diversos produzidos pelos alunos.


FONTES DOCUMENTAIS
A Voz da Escola. São João del-Rei: 1931 a 194, Anos V, VI, VII, VII, IX, X e XI. 1931-1941.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 10 de novembro de 1937. Disponível em:

< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao37.htm>. Acesso em: 03. jan. 2011

______. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 18 de setembro de 1946. Disponível em:



. Acesso em: 03. jan. 2011

Caderno de Caligrafia. São João del-Rei, 1939-1940.

Escola Estadual “João dos Santos”, Atas de Exames e Promoções, 1932-1942.


Grupo Escolar “João dos Santos”. Boletim anual: Notas mensais, 1940.
O correio. São João del-Rei: 28 de junho de 1929, Ano III, n° 143.

BIBLIOGRAFIA
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