A história de Chad



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A história de Chad

Dia 24 de Maio de 2010 o meu namorado Chad Goodall foi preso em Olhos de Água, Albufeira. Dois dias depois tomaram a decisão de o manterem em prisão preventiva e foi para o Estabelecimento Prisional Regional de Silves, Algarve.

Chad foi metido numa cela com 3 outros prisioneiros, embora a lei diga que cada prisioneiro deve estar numa cela sozinho. Chad sofre de fortes ataques de asma e durante um mês depois de entrar na cadeia não recebeu nenhuma medicação ou outros cuidados de saúde apropriados à sua condição. Indiferentes aos diversos pedidos de atendimento médico, só depois de numerosos ataques de asma foi finalmente visto pelo médico. Com a prescrição passou a ter acesso a medicação.

Um telemóvel foi encontrado na sua cela, cerca de 3 meses depois de estar preso sempre em Silves. O telemóvel estava numa cadeira e um outro recluso reconheceu que o telemóvel era dele. Três semanas mais tarde Chad recebeu uma notificação escrita em Português sobre a punição que lhe tinha sido aplicada por posse de telemóvel e foi transferida na manhã seguinte para Estabelecimento Prisional de Olhão para cumprir 21 dias de isolamento. Não lhe foi permitido nenhum tempo para recurso e ele apenas se deu conta de que estava a ser punido porque um recluso que falava inglês o informou disso mesmo, pela tradução que fez da notificação. Os outros 3 reclusos da mesma cela de Chad não sofreram nenhum castigo. A transferência para Olhão ficou a dever-se ao facto da cadeia de Silves não ter área de isolamento.

Embora o director de Silves lhe tivesse dito que depois do cumprimento do castigo voltaria a Silves, na verdade após cerca de um mês em Olhão Chad foi transferido para o Estabelecimento Prisional de Lisboa, mais conhecido por EPL.

Chad esteve numa cela usada para castigos durante 3 dias antes de ser transferido para a Ala E. Nenhuma explicação foi dada. Nenhuma justificação para o uso da cela de castigo sem razão e notificação prévia.

Ao princípio tudo correu bem. Encontrou vários reclusos ingleses e fez amizade com eles. Estava tranquilo com ele mesmo e o estado de saúde melhorou. Os ataques de asma diminuíram. Usava o ginásio diariamente e isso ocupava a sua cabeça e o tempo.

 No fim de Fevereiro de 2011 Chad teve um confronto com outros dois presos. Chad foi pontapeado contra uma parede e bateram-lhe várias vezes na cabeça. Quando Chad se queixou de dores de cabeça, má disposição, perturbações na visão, de tonturas e pediu assistência médica foi ignorado pelos guardas. Isto ocorreu mais do que uma vez. 10 dias depois voltou a ser transferido para Olhão para ser ouvido no tribunal de Albufeira.

 Só em Olhão, depois de se voltar a queixar dos mesmos problemas que persistiam é que teve atendimento médico. Disseram-lhe que deveria fazer exames complementares de diagnóstico à cabeça mas nunca o levaram ao hospital para o efeito. Voltou a ser transferido para o EPL sem saber se estava com sequelas físicas da pancadaria. No EPL mais uma vez foi-lhe recusada qualquer atenção às suas necessidades de atendimento médico.

Desta vez foi para a ala F como medida de protecção, depois de em Abril de 2011 tyer sido atacado com uma navalha, tendo ficado com um corte profundo no fundo das costas. Foi para o hospital onde foi tratado. Na volta foi para a Ala F, onde ficou numa cela individual com duche. Quando a embaixada australiana pediu explicações sobre o que ocorrera foi informado que tinha sido apenas uns arranhões e que estava tudo bem. Nunca lhe foi administrado anti-biótico para prevenir infecções nas feridas. A ferida tem quase 18 pulgadas de comprimento e foram precisos 30 pontos em borboleta porque os pontos normais não se adaptavam à localização do corte.

Os mesmos presos que o atacaram começaram a ameaça-lo de que haveriam de arranjar maneira de o voltar a apanhar para nova pancadaria. Depois da intervenção do advogado e da embaixada, Chad foi posto na área de protecção, na cave da Ala F. É uma área onde estão presos acusados de pedofilia e de violação separados do resto da população prisional para sua própria protecção.

Por um período curto, Chad ficou na Ala C, ala dos miúdos. Está prevista ser ocupado por jovens até aos 21 anos. Chad tinha então 31 anos. Não é incomum serem instalados prisioneiros mais velhos, apesar da lei da segregação entre prisioneiros de idades menores e maiores de 21 anos.

Voltou então para a Ala F. Parecia ter voltado tudo a uma situação mais tranquila. Jogava futebol todos os dias e fez amigos entre os prisioneiros que falavam inglês.

Tanto em Silves como no EPL Chad teve de enfrentar constantes problemas de comunicação com os funcionários prisionais. Em ambos os estabelecimentos, durante as primeiras semanas de estadia, os guardas dirigiam-se a ele em inglês, mas com o tempo pareciam perder a capacidade de articular nessa língua. Mais das vezes os guardas recusavam-se a falar com Chad, por sua vez incapaz de entender ou falar Português. Chad teve de pedir a outros presos que o ajudassem na tradução. Em Olhão isso não foi um problema tão agudo porque os guardas dispunham-se facilmente a falar em inglês com o Chad, embora nenhum deles fosse fluente na língua – longe disso. Porém nunca deixavam de se esforçar por comunicar o melhor possível.

Em Setembro de 2011, um Sábado às 8:00 da noite, uns guardas entraram na cela de Chad e disseram-lhe para arrumar os seus haveres porque ia ser transferido. Chad foi para o Estabelecimento Prisional de Coimbra. Foi metido numa cela com outros 3 prisioneiros na zona de protecção da prisão, pois não havia espaço em nenhuma das alas. Quase duas semanas depois foi para uma das alas para uma cela com outro preso. Quase de imediato começou a haver problemas. Um amigo de Chad que também está na prisão há algum tempo devia dinheiro a traficantes de prisão por droga que a sua namorada tinha tentado levar para dentro da prisão, mas não o fez por ter sido apanhada à entrada, como visita. Os traficantes pediram o pagamento na mesma. Como Chad era visto como um bom amigo do devedor, os traficantes resolveram usá-lo para pressionarem o pagamento. Mas o seu amigo não tinha dinheiro. Chad, nessas circunstâncias, atentou contra a sua vida duas vezes. A primeira vez falhou e na segunda vez foi o companheiro de cela que o foi salvar. Os guardas foram informados pelo preso que o salvou do que acontecera.

Chad é um alvo fácil, porque é australiano e não fala português, o que faz dele um pária. Frequentemente tem comportamentos erráticos, da mais profunda depressão à raiva severa passando pela hiperactividade. Isto ocorre porque ele sobre da doença bipolar. Isso não é compreendido nas prisões por onde passou em Portugal.

Chad teve várias conversas com a sua educadora Ângela Ribeiro e em Dezembro de 2011 fez um requerimento a pedir transferência à DGSP por sentir que a sua vida estava em risco. Ângela Ribeiro reforçou o pedido afirmando pensar ser melhor efectuar a transferência já que ele estava pouco seguro ali, em Coimbra. A assinatura dele foi no processo.

Chad tentou suicídio outra vez a 10 de Dezembro de 2011. Avisou os guardas de que o ia fazer, pois tinham-no posto em isolamento no seguimento de uma luta entre o seu companheiro de cela e um outro preso. Houve guardas que assistiram a tudo e disseram a Chad que sabiam que ele não fizera nada de errado mas que ainda assim tinham de o colocar em isolamento imediatamente, mesmo se a lei diz que antes todo o preso deve ser observado por um médico para que este dê a sua aprovação prévia. Fez um nó com os lençóis e prendeu-os nas barras da janela. Pôs-se em pé numa cadeira e ficou pronto para se enforcar. O alarme foi disparado por um preso anglófono que também estava em isolamento e que ouvira a conversa do Chad com os guardas, apercebendo-se de que algo estava errado. Não havia guardas presentes e todos os presos tiveram que gritar e bater nas portas das celas para lhes chamar a atenção.

Os guardas encontraram Chad pendurado e o coração parara. Foi ressuscitado por um médico. Que usou um desfibrador. As suas mazelas foram fotografadas. Foi levado para o hospital durante 2 ou 3 horas e depois transferido para uma cela comum. Jamais nos últimos 21 meses que o Chad leva de prisão foi alguma vez colocado em situação de observação especial por risco de suicídio, apesar das 3 tentativas de o cometer.

Chad continuamente avisa a sua educadora Ângela Ribeiro que não se sente a salvo e sente a sua vida em risco. Em várias ocasiões pediu para ser colocado em situação de protecção. Chad tem sido atendido regularmente pela sua psicóloga Dulce Peres que recentemente informou a prisão e os subdirectores que Chad está mal mentalmente e que deve ser transferido urgentemente, já que a sua situação é doentia. Dr, Jorge também fez um relatório dirigido à Drª Cláudia, a sub-directora, recomendando que a situação de segregação sem estímulos mentais e sem interacção humana estava a ter efeitos perversos no estado mental de Chad.

A 4 de Janeiro de 2012 Chad foi novamente atacado com o golpe no lado esquerdo da parte de baixo das suas costas e foi hospitalizado. Recebeu 22 pontos e um penso. Estes cortes não foram fotografados nessa ocasião.

Chad ainda não foi transferido da ala e posto sob protecção, apesar dos pedidos dos guardas e da educadora Ângela Ribeiro. Dois depois deste último incidente, Chad arrumou as suas coisas e insistiu para ser transferido. Foi levado para uma sala usada para visitas especiais e visitas de advogados.

A 15 de Fevereiro fará 6 semanas que vive nessa sala. Tem uma cama, uma sanita e uma televisão. Tem acesso a banho duas vezes por semana quando tem sorte. Pois já aconteceu ter apenas um banho numa semana. Está autorizado a fazer duas chamadas nos últimos 19 dias. Não foi autorizado a fazer exercício ou ar livre uma só vez nas últimas seis semanas. Teve direito duas vezes a lençóis e toalhas nas últimas seis semana. Tem de lembrar aos guardas para lhe trazer a comida e a medicação. Há sete semanas que não corta o cabelo. Foi-lhe recusado o pedido de ser observado pelo seu psiquiatra e de ser observado por um dentista para tratar de um abcesso.

Fizeram 22 pontos nas costas do Chad mas as prescrições de antibióticos foram lhe dadas irregularmente e por vezes não lhe foram dadas. Não lhe foi permitido lavar uma ferida grande no chuveiro, como forma de evitar infecções. Pediam-lhe que dormisse em lençóis que não foram lavados nas 3 últimas semanas e que tinham manchas de sangue. Novamente a negligência na prevenção das infecções e dos cuidados médicos de seguimento das feridas.

“Embora sejam normalmente apresentadas como medida de protecção dos presos, essas medidas podem também ser vistas como formas de tortura durante as quais a privação sensorial pode ocorrer. Foi descoberto que nenhuma forma de tortura é pior pois dela resultam muita degradação psicológica como delírios, depressão, pânico e ansiedade, insatisfação com a vida e nalguns casos psicose. Para prisioneiros com problemas mentais e emocionais anteriores, a viver fora de uma regular e normal interacção social, com actividade e estímulos físicos e mentais, isso pode agravar os sintomas a níveis equivalentes à tortura.” Esta citação foi tirada de um relatório sobre os efeitos da segregação e isolamento de prisioneiros tanto com como sem doenças mentais anteriores aos encarceramento.

Mais recentemente Chad viveu incidentes graves com o guarda Vitor Vicente. Esse guarda trabalha na ala e não é chamado perto da cela de Chad. O guarda Vivente esgueirou-se cela adentro enquanto Chad estava na cama vestido apenas com um roupão a comer atum. O guarda saltou para cima do chad com ele na cama e procedeu a uma revista corporal. Isto não é permitido. Pelo menos dois guardas têm de estar presentes para fazer uma revista. E quanto a saltar para cima de um preso semi-nu na cama, tenho as maiores dúvidas que possa ser um procedimento regular.

Noutra ocasião o mesmo guarda entrou na cela do Chad, outra vez sozinho, às 8:00 da manhã quando o Chad dormia. O guarda começou a gritar “Bom dia Canguro” e quando viu que Chad tinha acordado e incomodado por isso, o guarda Vicente fugiu e fechou a porta atrás de si. Racismo, discriminação racial, chame-lhe o que quiser, isto é inaceitável a nunca deveria ser tolerado em nenhuma circunstância.

Tivesse Chad sido informado de a quem se queixar em inglês à entrada para a prisão, estaria hoje em condições de apresentar queixas. Mas não foi informado disso. Jamais recebeu nenhum documento em inglês em nenhuma das cadeias onde esteve nos últimos 21 meses.

No seguimento do incidente dos 22 pontos, had teve reunido com Celeste Rodrigues, jurista em Coimbra, dia 10 de Janeiro 2012. A senhora não fala nem entende inglês e nunca esteve presente um tradutor. Chad foi informado de que deveria assinar papeis em português. Como pode o pessoal do EP de Coimbra dizer que está a investigar o caso quando lhes é impossível colectar detalhes e informação a esse respeito por não entender a língua da vítima? Há um elemento do departamento jurídico em Coimbra que fala inglês. Porém o Chad nunca falou com ele.

A lei impõe que para qualquer não nacional toda a correspondência deve ser feita na sua língua nativa e, se as pessoas não souberem ler, deve haver explicações orais.

Chad sogfre da doença bipolar. É uma doença genética que atinge também dois parentes seus. Há 21 meses que Chad está sem medicação para a sua doença. Durante todo este tempo ele tem-se esforçado por controlar os seus estados de espírito sem assistência. Tanto os guardas quanto o pessoal das prisões olha o Chad como um problema, por causa do seu comportamento estranho. Essas pessoas não têm informação sobre a doença. A educadora Ângela Ribeiro acha que o Chad sofre de esquisofrenia. Embora ela não tenha nenhuma formação psiquiátrica, entendeu oferecer o seu “diagnóstico”.

A doença bipolar é um diagnóstico psiquiátrico que descreve uma categoria de problemas de disposições definida pela presença de um ou mais episódios de um anormalmente elevado nível de energia, cognição e estado de espírito, com ou sem episódios depressivos. Os estados de espírito elevados são clinicamente mencionados como manias ou, em casos mais suaves, hipomanias. Os indivíduos que vivem episódicos maníacos também vivem frequentemente episódios depressivos ou sintomas, ou estados mistos em que tanto sinais de manias e de depressão estão presentes ao mesmo tempo. Estes episódios são intervalados por períodos de estados de espírito normais mas, nalguns indivíduos, depressão e mania podem alternar rapidamente, o que é conhecido como ciclo rápido.

Lamotrigine e carbonato de lítio são as drogas mais comummente usadas para tratar a doença bipolar, bem como valproato de sódio, é usado para conter as convulsões.

A doença bipolar pode causar suicídio idealizado que leva às tentativas de suicídio. Um em cada três doentes relata tentativas de suicídio com ou sem sucesso. 10 a 20 vezes mais alto que a população em geral.

Os estigmas sociais são muito vulgares, tal como a estereotipagem e o preconceito contra pessoas com esta doença.

Chad tem sofrido de negligência, tem sido vítima de racismo, ataques violentos e preconceito. As suas necessidades de saúde têm sido negligenciadas inúmeras vezes: várias vezes expressou a sua necessidade de ajuda médica e quase sempre lhe foi recusada. Tem sido segregado e tratado como se fosse insignificante e pudesse ficar esquecido. Está na situação em que se encontra hoje em dia porque os responsáveis pelas prisões se recusaram a levá-lo a sério e ignoraram os seus apelos de ajuda. As suas necessidades de acompanhamento de saúde foram limpas para baixo do tapete e esquecidas.

Qualquer pessoa, independentemente da sua nacionalidade, deficiência, aspecto, acção, etc. deveria contar.

Igualdade é um direito de toda a pessoa neste mundo. Nenhuma pessoa deve ser tratada nem melhor nem pior que outra pessoa. Não há nenhuma justificação para tal. Nenhuma vida humana significa mais do que outra.

Os profissionais da prisão de Coimbra falharam em cumprir os respectivos papeis. Tem um dever de cuidar dos prisioneiros. Quem tratou do Chad? Se alguém tivesse feito a segurança ele não teria recebido os 22 pontos do lado esquerdo das costas, não seria segregado como se tivesse lepra e o seu estado mental não se teria deteriorado devido a isso.

Chad nunca pediu ou esperou um tratamento especial por ser estrangeiro. O que pede é para tratamento igual e que lhe sejam proporcionadas as coisas a que ele e todos os prisioneiros em Portugal têm direito.

Se os direitos estão implementados nas prisões portuguesas, Chad está ainda para ver alguma prova disso mesmo.

Emily Toni Spowage.

2012-02-14

Chads story.

 

 

On the 24th of May 2010 my boyfriend My Chad Goodall was arrested in Olhos de Agua, Albufeira. On the 26th of May 2010 the decision was made that he was to be remanded in custody and was sent to Estabelecimento Prisional Regional de Silves, Algarve.



 

Chad was put into a cell with 3 other inmates despite the law stating that every prisoner is entitled to their own cell. Chad suffers from severe Asthma and for almost a month after he first entered the prison he received no medication or medical attention at all to help his condition. He suffered several Asthma attacks and it was only following these incidents that he was finally able to see a doctor despite numerous requests. He was then prescribed medication.

 

After nearly 3 months of being in Silves there was an incident where a mobile telephone was found in the cell. It was found on a chair and one inmate admitted that the phone belonged to him.  3 weeks after this Chad received written notification in Portuguese that he was to be punished for possession of a mobile telephone and was transferred the following morning to Estabelecimento Prisional de Olhao to serve 21 days in isolation. There was no time allowed to appeal the decision and he was only aware that he was being punished for possession of a mobile phone because an English speaking inmate translated the notification for him. The 3 other prisoners that shared the cell Chad received no punishment at all. Chad was transferred to Olhao because Silves did not have an area for isolation.



 

Chad was informed by the director of Silves prison that after he had completed the 21 days in Olhao that he would be transferred back to Silves. This was not to be. Chad remained in Olhao for around 1 month and was then transferred to Estabelecimento Prisional de Lisboa more commonly known as (EPL).

Chad was placed into a cell used for punishment for 3 days before being moved to ALA E. There was no reason given for this and there are no justifications for using a punishment cell without good reason or prior written notification.

 

 Initially Chad settled into EPL well. He met several English inmates and developed friendships with these people. He was happy in himself and his health improved and his asthma attacks became less common. Chad used the gym daily and this occupied his mind and his time.



 

Chad had a confrontation with 2 other inmates in late February 2011. This resulted in Chads head being kicked into a wall and he was beaten several times in the head. When Chad complained of headaches, sickness, blurred vision and dizziness and requested medical attention he was ignored by guards. This happened on more than one occasion. 10 days later Chad was transferred to Olhao as he was to appear in court in Albufeira.

 

It was only when Chad got to Olhao and complained of headache, sickness, blurred vision  and dizziness that he was given medical assistance and prescribed medication. He was also told that he would have to go for a scan on his head but he was never taken to a hospital to receive further treatment or to ensure that no internal damage was done as he was transferred back to EPL in the following days. When Chad arrived back at EPL he was once again refused medical attention.



 

Chad was moved to ALA F as a measure of protection in April 2011 after he was attacked with a knife and received a large cut down his back. Chad was taken to hospital and received treatment for his injuries. He was then moved to ALA F, a smaller wing where he was given a single cell with a shower. When the Australian Embassy contacted the prison with regards to the injuries that Chad had sustained they were informed that it was just a scratch and that he was fine. Chad was never given any antibiotics to prevent infection to his wound. The injury is almost 18 inches long and required over 30 butterfly stitches as normal stitches could not be used due to the location of the cut.

 

The people that attacked Chad began to make threats that they would get access to him and that he would receive further injuries. Following conversations with his lawyer and the embassy Chad was moved to the 'protection' area. This was in the basement of ALA F. This area was mostly used to keep pedophiles and rapists separated from the rest of the prison population for their safety.



 

Chad was moved to ALA C, the 'kid’s wing' for a short time. This was supposed to be used solely for prisoners under the age of 21. Chad was 31 at the time. It was not uncommon for adult prisoners to be put on this ALA despite the law stating that all prisoners under 21 should be kept separated from adult prisoners until they come of age when they will then be transferred to the appropriate ALA.

 

He was then transferred back to the basement of ALA F. Chad once again seemed to settle in well. He played football with the other inmates everyday and became friends with some of the English speaking prisoners.



In both Silves and EPL Chad has faced constant problems with communicating with prison staff. In both establishments, during the first few weeks of Chad being there guards have addressed him in English but as time has gone on they seemed to lose their ability to speak this language. More often than not the guards plainly refuse to speak with Chad as he is unable to speak or understand Portuguese. Chad has had to ask other inmates to translate his conversations for him where possible. Olhao was less of a problem, guards in this prison were more than happy to try to speak with Chad in English and even though most of them were far from fluent they never failed to make their best efforts to communicate with him.

 

In September 2011, on a Saturday evening at 8pm guards entered Chads cell and told him to pack all of his belongings as he was being transferred. Chad was moved to Estabelecimento Prisional de Coimbra. He was put into a cell with 3 other inmates in the protection area of the prison as there were no spaces for him on any of the ALA's. After almost 2 weeks Chad was moved to a cell on one of the ALAs which he shared with one other inmate. Almost immediately Chad encountered problems. A friend of Chads had been in the prison for some time and owed money to a black firm within the prison for drugs that his girlfriend had bought in as a favour for them but had been caught with when searched on entering the prison for a visit. They then demanded that he paid the money for the drugs.  As Chad was seen by the firm as a good friend of this man they targeted him for payment as the other man did not have any money. Chad made 2 attempts at taking his own life. On the first occasion the sheet snapped and on the second, his cell mate woke up and talked him out of it. This cell mate made a statement to the guards informing them of Chads actions.



 

Chad is an easy target, he is Australian and does not speak Portuguese, straight away this makes him an outcast. He often displays erratic behavior, from deep depression to severe rage to hyperactivity. This is due to him suffering from Bi-Polar disorder. This is not well understood and it has never been treated with medication throughout his time in prison in Portugal.

 

Chad had several conversations with his educator Angela Ribeiro and in December 2011 put in a request for transfer to the DGSP as he felt his life was in danger. Angela Ribeiro attached a note stating that she felt it was best for Chad to be transferred as he was unsafe. She sighed this and it was sent.



 

Chad attempted suicide again on December the 10th 2011. He warned guards that he was going to attempt to take his on life as he was placed in isolation following a fight that his cell mate and another man had. Guards witnessed this and told Chad that they knew he had done nothing wrong but that they had to place him in the isolation cell anyway despite the law stating that a medical professional should be consulted and give their approval prior to the prisoner entering the isolation cells. He made a noose out of a bed sheet and tied this around the bars on the window. He stood on a chair and when he was ready he kicked it away and he hanged. It was only when one other English speaking inmate in the isolation cells tried calling to Chad after hearing his earlier conversations with the guards that they realized that something was wrong. There were no guards present in the area and all of the inmates had to shout and bang on cell doors to get their attention.

Guards found Chad hanging and his heart had stopped. He was resuscitated by a doctor who used a defibrillator to restart his heart. His injuries were photographed. He was then taken to hospital for 2 or 3 hours and then moved to a dormitory cell.  At no point in the last 21 months of Chad being in prison has he ever been put on suicide watch despite 3 attempts at suicide.

 

Chad continued to advise his educator Angela Ribeiro that he did not feel safe and felt that his life was in danger and on several occasions requested that he be placed into protective custody. Chad has had regular meetings with his psychologist Dulce Peres who has in recent times informed prison officials and sub-directors that Chad is mentally unwell and should be moved as a matter of urgency as his living conditions are sub standard. Dr Jorge has also made a report to Dr Claudia, the sub-director, advising that being in segregation and having no mental stimulation or human interaction was having detrimental effects on Chads mental state.



 On the 4th of January 2012 Chad was attacked and received a cut down the left side of his back, he was hospitalized and received 22 stitches and a dressing. His injuries were not photographed on this occasion.

Chad was still not removed from the ALA and placed in protection despite pleading with guards and his educator Angela Ribeiro so 2 days after the incident he packed his belongings insisted that he was moved. He was taken into a room used for special visits and legal visits.

 

On the 15th of February he will have been in this room for 6 weeks.



 

He has a bed, a toilet and a television. He has access to the shower twice a week if he is lucky, if he is not then it is just once. He has been allowed to make 2 Phone calls in the last 19 days. He has not been allowed outside for exercise or fresh air once in the last 6 weeks. He has had 2 sets of clean sheets and towels in the last 6 weeks. He has had to remind guards to bring his food and his medication. He has not had a haircut for 7 weeks. He has been refused when he has requested to see his psychiatrist and he has been refused when he has requested to see the dentist about an abscess in his mouth.

 

Chad received 22 stitches to his back and was prescribed antibiotics yet these were given to him at irregular times and on occasions missed all together. He had a large wound and was not given access to a shower to keep it clean and to prevent infection. He was expected to sleep on sheets that had not been cleaned for 3 weeks and that were stained with blood. Again, how was he expected to prevent infection and the requirement for further medical attention.



 

"Although it is usually stated as a measure of societal protection for the inmate it is also seen as a form of torture in which sensory deprivation can occur. It has been discovered that no form of torture is worse because this results in many adverse psychological effects such as delusions, depression, panic and anxiety, dissatisfaction with life and in some instances psychosis. For prisoners with pre existing mental or emotional disorders, living without normal human interaction, physical and mental activity and stimulation can aggravate their symptoms to levels equivalent to torture." This is taken from a report on the effects of segregation and isolation on prisoners both with and without mental health issues prior to imprisonment.

 

Chad has had several incidents recently with a guard by the name of Vitor Vincent. This guard works on the ala and has no business in or around Chads cell. Mr. Vincent crept into Chads cell whilst he was on his bed wearing just a dressing gown and eating a tin of tuna. The guard jumped on top of Chad whilst he was on his bed and proceeded to conduct a body search. This is not permitted as at least 2 guards are required to be present in order to conduct a search, and as for jumping on a prisoner whilst he is semi-naked in bed, I highly doubt that this is standard practice either.



 

On another occasion the same guard Vitor Vincent entered Chads cell, again alone, at 8am. Chad was sleeping. The guard started shouting "Good Morning Kangaroo" and when he saw that Chad was awake and aggravated by this, Mr. Vincent ran off and locked the door behind him. Racism, racial discrimination, call it what you like, it is unacceptable and should never ever be tolerated under any circumstances.

 

Had Chad been given the directions on the complaints procedure in English on entering the prison, he would now be aware of how to make a complaint, but he wasn't. He has never received any paperwork in English in any prison he has been to in the last 21 months.



 

Chad had a meeting with Celeste Rodrigues in the internal judicial department at Coimbra prison on the 10th of January 2012 following the incident where he sustained 22 stitches. Ms Rodrigues does not speak or understand English and at no time was there ever a translator present. Chad was informed that he had to sign papers, these were in Portuguese. How can the staff in Coimbra prison claim to be investigating the issue when it was impossible for them to collect details and information regarding the incident due to the language barrier. Another member of staff that works within the prisons internal judicial department does speak English, Chad never spoke with this man despite him being the only person able to speak and understand English. 

 

The law states that any non national must be given all correspondence in his/her native language and if they are unable to read then it will be explained to them orally.



 

Chad suffers from Bi-Polar disorder, it is a genetic disease which 2 of his relatives also suffer from. Chad has gone without medication for this disorder for 21 months. Throughout this time he has tried his best to control his mood swings without assistance. Guards and Prison officials alike see Chad as a problem due to his behavior. These people are uninformed about the disease that Chad suffers from. Chads educator Angela Ribeiro made a claim that Chad suffered from schizophrenia, she has no psychiatric training or qualifications but still felt that it was necessary to give her 'diagnosis'.

 

Bi-Polar disorder is a psychiatric diagnosis that describes a category of mood disorders defined by the presence of one or more episodes of abnormally elevated energy levels, cognition, and mood with or without one or more depressive episodes. The elevated moods are clinically referred to as mania or, if milder, hypomania. Individuals who experience manic episodes also commonly experience depressive episodes, or symptoms, or a mixed state in which features of both mania and depression are present at the same time. These events are usually separated by periods of 'normal' mood but, in some individuals depression and mania may rapidly alternate, which is known as rapid cycling.



 

Lamotrigine and lithium carbonate are the most common drugs used to treat bi-polar disorder, as well as sodium valproate which is used as an anticonvulsant.

 

Bi-polar disorder can cause suicidal ideation that leads to suicide attempts. One out of three people with bi-polar disorder report past attempts at suicide or complete it, 10 to 20 times higher than that of the general population.



 

There are widespread problems with social stigma, stereotypes and prejudice against individuals that suffer from bi-polar disorder.

 

Chad has been neglected; he has been the victim to racism, violent attacks and to prejudice. His medical needs have been neglected on countless occasions, he has expressed his need for help and he has been refused on numerous occasions. He is now being segregated and treated as though he is insignificant and has been forgotten. He is in the position that he is in today because prison officials refused to take him seriously and ignored his requests for help. His medical and psychiatric needs have been brushed under the carpet and forgotten about.



Every person, regardless of their nationality, disabilities, looks, actions, etc, every person should matter.

 

Equality is a right of every person in this world. No one person should be treated any better or any worse than any other person, there is absolutely no justification for it. No one person’s life means any more than another’s.



 

The prison officials within Coimbra prison have failed in their roles. They have a duty of care towards the prisoners, who cared about Chad? If someone had, he would not have received 22 stitches to the left side of back, he would not be in segregation being treated like a leper and his mental state would not be deteriorating because of this.

 

Chad has never asked or expected to be given any form of special treatment because he is a foreign prisoner. What he has asked for is to be treated equally and to be given the things that he and every other prisoner in Portugal are entitled to.



 

If basic human rights are implemented within Portuguese prisons, Chad is yet to see any evidence of this.



 

 

Emily Toni Spowage.



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