A história das cidades, em geral, remete a períodos longínquos da Antiguidade, sendo que as primeiras cidades teriam surgido entre quinze a cinco mil anos atrás



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A FORMAÇÃO DA CIDADE ANTIGA

A história das cidades, em geral, remete a períodos longínquos da Antiguidade, sendo que as primeiras cidades teriam surgido entre quinze a cinco mil anos atrás, dependendo das diversas interpretações sobre o que delimita exatamente um antigo assentamento permanente e uma cidade. As primeiras verdadeiras cidades são por vezes consideradas grandes assentamentos permanentes nos quais os seus habitantes não são mais simplesmente fazendeiros da área que cerca o assentamento, mas passaram a trabalhar em ocupações mais especializadas na cidade, onde o comércio, o estoque da produção agrícola e o poder foram centralizados. Sociedades que vivem em cidades são frequentemente chamadas de civilizações. O ramo da história direcionada ao estudo da natureza histórica das cidades e do processo de urbanização é a história urbana.

O cultivo da terra permitiu que as sociedades produzissem mais alimentos. Com isso, a população humana cresceu mais rapidamente. Tornou-se assim ampliar as áreas cultivadas e desenvolver técnicas para melhorar a produtividade do solo.


As pequenas comunidades e aldeias começaram a se unir para construir sistemas de irrigação e aproveitar melhor as margens férteis dos rios. A união das aldeias, provocou a formação das cidades. As primeiras cidades formaram-se nas proximidades de grandes rios, pois a água era essencial à agricultura. O surgimento das cidades indicava o nascimento das primeiras civilizações. Por se localizarem às margens de rios, ficaram conhecidas como civilizações fluviais.

  • no Vale do Rio Nilo, as cidades egípcias;

  • entre os rios Tigre e Eufrates, as cidades dos diferentes povos mesopotâmicos;

  • nos vales dos rios Hoang-Ho (Amarelo) e Yang Tse-Kiang (Azul), as cidades chinesas; e

  • no Vale do Rio Indo, as cidades indianas.

Nas terras hoje pertencentes à Turquia ergueu-se, cerca de 9 mil anos atrás, a cidade de Catal Huyuk, uma das mais antigas do mundo. O núcleo urbano de Catal Hüyük surgiu graças ao desenvolvimento da agricultura e pecuária na região.

Ao contrário dos agrupamentos humanos anteriores, as cidades tinham duas características básicas: maior divisão do trabalho e centralização política.

Tendo em vista o momento de reinvenção de sentido pelo qual passamos desde a transição da Idade Moderna para a Contemporânea, a investigação volta-se no segundo capítulo à crise que antecede nossa realidade. Adotando como ponto de partida os resultados da Revolução Industrial que transformaram bruscamente o modo de vida urbano e, especialmente, aqueles obtidos pela Inglaterra onde se manifestaram com maior intensidade, buscou-se compreender o “universo” em que se deu a formação do pensamento sobre a cidade contemporânea em meio ao que foi o “mais importante acontecimento da história do mundo desde a invenção da agricultura e das cidades”

Buscou-se assim, mostrar que a velocidade das transformações culturais e territoriais em curso naquele momento, se por um lado levara a uma crise sem precedentes ao aumentar subitamente a capacidade humana de transformação da natureza (FRAMPTON, 2003:3) e multiplicar as funções da cidade fazendo-a “implodir” sobre si mesma e “explodir” para além de qualquer limite até então atingido (LEFÈBVRE, 2004), por outro, conduzira a humanidade às mais significativas experiências de toda a História. Constatou-se que surgira um novo homem e conseqüentemente, um novo modo de vida e uma nova cidade que, ao contrário do que defendem Mumford (2004) e Lefèbvre (2004), resultara das próprias transformações dos propósitos humanos diante das experiências da modernidade. Reconheceu-se então, num primeiro momento, que a implantação do novo modo de vida capitalista-industrial levara a uma ruptura entre o passado e o futuro ao tornar a realidade de tal modo convulsa a ponto de parecer “opaca à luz do pensamento” (ARENDT, 2005:28-33). Entretanto, de modo semelhante a todos os momentos históricos precedentes, revelou-se que tal realidade se constituiu como o reflexo de um modo de vida emergente e não como uma manifestação da perda dos propósitos humanos na produção do espaço urbano conforme defendem os autores supracitados. Verificou-se, sobretudo, que a tomada de Londres como o modelo absoluto e negativo do que seria a cidade industrial, foi um dos principais fatores determinantes de uma visão distorcida da realidade sobre a natureza do espaço urbano.

A formação da cidade moderna (considerando Paris como esse modelo paradigmático), seu crescimento vertiginoso e o desenvolvimento da técnica evidenciam não só uma mudança social, econômica e urbanística, mas também da própria percepção dos moradores e transeuntes da cidade. A experiência urbana moderna, com seus aspectos mais rápidos, caóticos e fragmentários, acabou por provocar novos registros da experiência subjetiva através de choques físicos e sensitivos do ambiente. Em meio ao tráfego, barulho, grandes prédios e multidões, o indivíduo se defrontava com o aumento da estimulação sensorial, com o bombardeio de impressões. O ritmo da vida se configurava mais frenético e acelerado pelas formas de transporte rápido, pelos horários prementes do capitalismo moderno e pela velocidade apressada da linha de montagem. Esse tempo é rapidamente internalizado (que passa a ser encarado como algo natural), modificando as relações concretas das pessoas e sua relação com o espaço.

Se por um lado a multidão e a experiência na cidade parecem fazer com que a noção de identidade seja dissipada, por outro, temos a formação de uma nova identidade desses homens na multidão. Esse novo habitante da cidade vai se constituir a partir da própria fragmentação, do anonimato e da despersonalização. A cidade moderna instaura a contradição: a mesma alienação que priva os homens de sua individualidade, provocando um senso de não pertencimento, também permite a formação de novas maneiras de socialização. Ou seja, a mesma cidade moderna que aliena é justamente a que instaura possibilidades de emancipação. É com a cidade moderna que podemos perceber claramente esse desenraizamento, a perda de uma “constituição originária”.

  É importante notar como as atuais e influentes noções de política e de espaço público ainda são marcadas por um forte traço idealizador do passado. Devemos tentar quebrar essas ideias que firmam o modelo grego (ou até mesmo anterior e primitivo) como um ideal normativo.

Não há situação ou estado mais “natural”, “livre” e “verdadeiro” para onde possamos voltar (momentos quase sempre colocados em um ponto imemorial do passado). Não se trata de esquecer o passado, mas de evitar sua imagem mítica e arcaica, tendo sempre em vista que um dos traços da modernidade e do capitalismo é o apagamento do passado recente, colocando a novidade como o mais importante e nos fazendo crer no passado remoto como eternamente presente e permanente. O que podemos fazer é recolocar tais noções em jogo, atualizando radicalmente essas lutas do passado sem avaliá-las por referencia a um modelo, mostrando que nem sempre o mundo foi assim e fugindo de um tempo pseudo-cíclico que nos afasta do presente.

O atual senso comum afirma que uma cidade define-se como uma área urbanizada com população, densidade populacional, estatuto definidos e avaliados sobre critérios técnicos específicos.  Essa noção facilmente disseminada por especialistas e burocratas acaba por perder a dimensão subjetiva e simbólica, assim como um conjunto de relações políticas que também constituem a cidade com seus encontros, confrontos, conhecimentos e reconhecimentos. É importante lembrar que ainda que a cidade possua relações cotidianas potencialmente emancipatórias, carregadas do particular e do vivido, elas transmitem, ao mesmo tempo, as mensagens hegemônicas do poder e da dominação, representações das relações sociais de produção.



A cidade contemporânea é aquela administrada e controlada sob critérios supostamente democráticos, em que a condição de “indivíduo” não possui nenhuma dimensão política – restando o confinamento no espaço privado e domesticador do mundo urbano. O “público” nada mais é do que a manutenção da ordem pública em favor da ordem privada, uma relação de subordinação dos bens comuns e do uso das coisas. Ainda que atos legais públicos possam trazer mudanças e sejam reconhecidos pelo Estado como legítimos por exporem as falhas do sistema, dificilmente tais ações deixam de ser cooptadas, geram pressões por mudanças, mas não colocam em xeque o próprio ordenamento legal existentes.



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