A existência de Deus… a verdade fundamental e comprovável



Baixar 58,92 Kb.
Encontro27.05.2017
Tamanho58,92 Kb.


A existência de Deus…
A verdade fundamental e comprovável

A existência de Deus, é a verdade fundamental da religião, o ponto de partida. Não teria sequer sentido falar da Fé, da religião, ou do dogma, sem antes deixar clarificada esta verdade. A razão humana, apenas com a sua força, sem a ajuda do sobrenatural, pode chegar à demonstração da existência de Deus e deduzir muitas das suas perfeições.

Certamente não podemos compreender a Deus, pois sendo Infinito, o nosso conhecimento limitado não O pode abarcar, mas podemos conhece-Lo.

O que antes se disse, é uma verdade de fé. O Concílio Vat. I, afirma que “a mesma Santa Madre Igreja, sustenta e ensina que Deus, principio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido concerteza, pela luz natural da razão humana, partindo das coisas criadas” (Constituição Dogm. Dei Filius, c2, Dez.1785).


1.1.1 Necessidade de querer conhecer Deus

O querer conhecer Deus é necessário para chegar a conhecê-Lo. Não basta aplicar a inteligência, mas também se requer, que para além disso, se tenham rectas disposições morais (bom comportamento para com Deus), pois de contrário é impossível conhecer Deus.

Embora a existência de Deus seja uma verdade que pode ser conhecida por todos os homens, no entanto no seu conhecimento “o entendimento humano encontra dificuldades, não só por causa dos sentidos ou imaginação, mas também pelos desejos resultantes do pecado original – a concupiscência – E assim, acontece que nestas coisas, os homens facilmente se persuadem de que é falso ou duvidoso o que eles não querem que seja verdadeiro”(Pio XII Enc. Humani Generis, 12-VII-1950, Dz 2305)
1.1.2 Conhecimento natural de Deus a partir das criaturas

Por ser Deus infinito em toda a Sua Perfeição, não O podemos conhecer directamente, mas inferir da Sua existência, através do mundo criado e das criaturas que nos levam ao conhecimento do Criador.

Assim diz São Paulo: “Com efeito o que é invisível N’Ele – o seu eterno poder e divindade tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras”(Rom 1,20).

A fé confirma a existência de Deus e para além disso, no-LO propõe, como o Autor da ordem sobrenatural.


1.2 Demonstração racional da existência de Deus

A existência de Deus não é uma evidência imediata em cada um de nós, mas é fruto de um processo discursivo do raciocínio.

A maioria das provas tendentes a demonstrar a existência de Deus, utilizam no seu processo demonstrativo, o princípio da causalidade.

São Tomás de Aquino, demonstra a existência de Deus por cinco caminhos ou vias que são:



1) Pela existência do movimento.

2) Pela causalidade eficiente.

3) Pelos seres contingentes.

4) Pelos diferentes graus de perfeição, e

5) Pela ordem do Universo.
Assinalaremos apenas algumas destas provas, que afinal se resumem a uma das vias de São Tomás.
1.2.1 Pela existência do mundo

Enunciando: - O mundo exige uma causa para a sua existência, a que chamamos Deus.

Provamo-lo pelo princípio da causalidade que se anuncia assim: “Não há efeito, sem causa”; ou melhor: “todo o ser que começa a existir tem uma causa em si”.

Este princípio não se pode provar, porque é evidente que se verifica continuamente na vida quotidiana. Bastará um exemplo: não podemos admitir que um edifício ou um vestido se tenha feito a si mesmos; rir-nos-íamos de quem nos dissesse que apareceram assim…do nada, sem a intervenção de um arquitecto ou um alfaiate.

Pois bem, o mundo é um efeito incomparavelmente mais complicado que um vestido ou um edifício. Logo, não podemos admitir que tenha aparecido, sem que um Ser lhe desse existência. E este Ser, chama-Se Deus.
1.2.2 Pelos seres contingentes

Enunciando: existem seres contingentes, que exigem a existência de um ser necessário, a que chamamos Deus.

Primeiro explicaremos o que é um ser contingente e um ser necessário. Logo concluiremos que os seres que há no mundo são contingentes. E finalmente por meio de três suposições, comprovaremos que os seres contingentes, comprovam a existência do ser necessário.

1º- Ser contingente é aquele que é indiferente em si mesmo para existir, ou não. Por exemplo, uma rosa que é hoje e amanhã desaparece, ou que poderia não ter sido, é um ser contingente.

2º- Ser necessário é o que não pode não existir, porque tem dentro de si a razão da sua existência. Ser necessário não há senão um…: Deus.
Os seres que há no mundo são contingentes. A experiencia ensina-nos que aparecem durante algum tempo, maior ou menor e logo desaparecem.
Os seres contingentes aparecem de três maneiras:


  1. – um ser de alguma forma igual a outro, por exemplo, uma árvore dá lugar a outra árvore, um animal a outro animal.

  2. – a reunião dos elementos que os compõem, a água que se forma pela combinação do hidrogénio com o oxigénio; a pedra que aparece pela agregação das partículas que a integram.

  3. – pela criação, como a nossa alma


3º- Para explicar a existência ou aparição dos seres contingentes, podem existir três hipóteses:

a)- Ou procedem do nada.

b)- Ou procedem uns dos outros em série infinita.

c)- Ou procedem de um primeiro Ser necessário, que lhes deu a existência.


Examinemos estas três hipóteses, ou suposições:
a)- A primeira hipótese: os seres procedem do nada, é absurda, porque é impossível que o nada produza um ser. Assim é impossível sacar do bolso um lenço que não tenho.

Esta verdade, elevada à categoria de postulado científico todos a aceitam, inclusive os cientistas ateus, que no passado pretenderam utilizá-lo como argumento para dar uma explicação da realidade. Vejam-se a esse respeito, as palavras eloquentes do biólogo Virchow, citadas nos exercícios deste capítulo.

b)- A segunda hipótese: os seres procedem de outros em série infinita, tão pouco é admissível, porque a série infinita não explica nada.

Com efeito, a série infinita tem no seu começo um ser primeiro e já não é infinita; ou não tem no seu começo um ser primeiro e então…de onde procedem os demais seres da série?

Assim por exemplo: uma cadeia de elos infinitos é impossível, porque se tem um primeiro elo, já não é infinita e se não tem um primeiro elo…onde ligar os outros…?

Outro exemplo: às vezes perguntam alguns: o que apareceu primeiro? – O ovo ou a galinha? – Pode ter sido umas das duas coisas. O que importa é admitir a existência do primeiro ovo ou da primeira galinha, porque senão…nem havia hoje nem ovos nem galinhas. Repugna em absoluto à nossa mente, uma sucessão infinita de ovos e galinhas, sem que primeiro tivesse existido um primeiro ovo ou uma primeira galinha, que dessem origem ao nascimento das demais.

c)- Então resta-nos aceitar a terceira hipótese: isto é, que os seres provém de um Ser necessário, que lhes deu a existência.

Porque se este primeiro ser fosse contingente, havia recebido a existência de outro, e este de outro… e assim voltaríamos à serie infinita, que já vimos não poder existir.


- Conclusão: A série dos seres contingentes não se explica racionalmente, senão mediante a existência de um ser necessário, que não recebeu o ser, porque o tinha em Si mesmo e o comunicou aos demais…a este Ser, chamamos Deus.

Este argumento da necessidade de um Ser necessário, é o mais claro e conveniente, para provar a existência de Deus. A sua força só pode ser desconhecida por quem nunca tivesse meditado nele, ou por quem se deixa arrastar por paixões e preconceitos que cegam a inteligência.


1.2.3 Pela ordem do universo

Enunciando: A ordem admirável que há no mundo, exige a existência de uma inteligência ordenadora, à qual chamamos Deus.

Não é difícil provar que no mundo há uma ordem admirável, logo, essa ordem exige uma inteligência ordenadora.
1º- Há no mundo uma ordem admirabilíssima em todos os seres:

a)- No espaço infinito, milhões de estrelas de massas gigantescas através desse espaço a velocidades fantásticas, as suas órbitras entrecruzam-se numa multidão de pontos, mas os seus movimentos estão regidos por uma ordem e disposição admiráveis.

b)- Nos espaços mais pequenos: até a planta mais humilde tem órgãos complicados e diferentes para cada função: nutrição, respiração, circulação, reprodução, etc. Todos eles têm um fim preciso e determinado: a conservação do individuo e da espécie.

Werhner vom Braun, o mais importante físico do espaço, afirmava que: “os materialistas dos século XIX e os seus herdeiros, os marxistas do século XX, dizem-nos que o crescente conhecimento científico da criação permite rebaixar a fé num Criador. Mas toda a nova resposta suscita novas perguntas. Quanto mais compreendermos a complexidade da estrutura atómica, a natureza da vida, ou o caminho das galáxias, tanto mais encontramos novas razões para nos assombrarmos com os esplendores da Criação divina ”(cit. Im LOBo, G., Ideologia e fé Cristã, pag. 163).


2ª- Esta ordem supõe uma inteligência ordenadora. Com efeito:

a)- Só uma Inteligência superior pode dispor convenientemente os meios apropriados para a obtenção de um fim. No qual precisamente consiste a Ordem.

b)- É um absurdo atribuir ao azar ou à casualidade, a ordem maravilhosa do mundo, porque assim como o que caracteriza a inteligência é a ordem, o que caracteriza o azar é a desordem.

Contar com o azar para dar uma resposta, é como actuar cegamente sem o conhecimentos dos meios, ou sem a sua acertada disposição, para alcançar o fim a que se propõe.

Pretender que a ordem prodigiosa do mundo é obra cega e caprichosa do azar, é um absurdo.

Seria ridículo pretender que ao atirar ao ar as doze letras da palavra inteligência, todas elas caíssem em linha recta e na ordem devida para a formação da palavra. Maior absurdo, pretender que isto sucedesse cada vez que se tentasse repetir o arremeço. Mas o absurdo chegaria ao seu cúmulo, se se pretendesse explicar dessa maneira a ordem das letras que compões este escrito, sem que nisso tivesse intervindo uma mão ou uma inteligência ordenadora.

Pois bem, mais absurdo é admitir que o mundo é obra do acaso, porque a ordem que há nele é imensamente mais complicada que um escrito, e é uma ordem mantida em milhões de séculos.

Conclusão: A ordem admirabilíssima que há no mundo, prova a existência de uma inteligência ordenadora, a Quem chamamos Deus.


1.2.4 Pela lei moral

Enunciando: a lei moral exige um legislador superior ao homem. Este legislador é Deus.



1º- Chama-se lei moral ao conjunto de preceitos que o homem descobre na sua consciência, que o faz distinguir o bem do mal, e o impulsiona a fazer o bem e evitar o mal.

A lei moral tem três condições:

a)- Obriga a todos os homens: - a lei moral obriga a todos os homens, sem excepção alguma; prescreve-lhes por exemplo – o respeito pela vida, pela propriedade alheia, proíbe-lhes o assassinato ou o roubo.

b)-É superior ao homem: que não pode desconhece-la, nem mudá-la. Assim ninguém poderá dizer que o assassinato seja bom.

c)-Obriga a consciência: quando a observamos sentimo-nos satisfeitos, quando a violentamos, mesmo que ocultamente, sentimos remorso.

2º- A lei moral prova a existência de Deus, porque como não pode haver lei sem legislador que a dê, é necessário que a lei moral haja sido imposta por um legislador que tenha essas três mesmas condições, a saber: que seja superior aos homens, os obrigue a todos e possa ler na sua consciência. Este legislador não pode ser senão Deus.
1.3 Possibilidade de negar a Deus

1.3.1 Os ateus. Suas classes
Chamam-se ateus, os que ignoram ou negam a existência de Deus

Ateu vem da palavra grega: a, sem; Teos,Deus.

É importante perceber que na raiz de muitas atitudes actuais, que encontramos em todas as coisas: teatro, cinema, novelas, artigos dos jornais, músicas, canções, ensaios, conhecimentos universitários, etc. nos encontramos com abundantes fontes do pensamento, que foram elaboradas por ateus do século XIX tais como Nietzsche, Feuerbach, Marx, Freud, etc., herdeiros do racionalismo de Descartes e de Hegel, no desejo de submeter todas as coisas à sua razão, que incapazes de aceitar a realidade de Deus, colocaram o homem como soberano do mundo e da história.

Dividem-se em: negativos, positivos e práticos.


a) Negativos, são aqueles que não tiveram a ideia de Deus.

b) Positivos, os que tendo a ideia de Deus, negam a sua existência;

c) Práticos, os que admitindo a existência de Deus, a negam com suas obras, porque vivem como se Deus não existisse.
Podem existir estas três classes de ateus?



  1. Podem haver ateus negativos, isto é, homens que ignoram a existência de Deus; mas não por muito tempo, porque o universo e a consciência despertam rapidamente na sua mente, a ideia de um Ser Supremo.

Quando um homem está na posse das suas faculdades, e pensa sobre si mesmo e sobre aquilo que o rodeia, o espectáculo grandioso do universo, desperta nele a ideia de um Criador, e a voz da sua consciência sugere-lhe a ideia de um ser que manda nele, e que o pode premiar ou castigar.

b) Com respeito aos ateus positivos, pudemos fazer uma subdistinção:

b.1 - Pode haver ateus positivos que por convicção sectária neguem a Deus, ao menos temporariamente, como fruto de uma educação encaminhada a fomentar a crença de que Deus não existe. Isto passa-se quando se ensina a um jovem, em nome de uma falsa ciência, que Deus é uma mentira, e se trata de o convencer com base em argumentos falsos, que ele não pode refutar, pela mesma ignorância em que se encontra.

Nunca esquecerei a impressão que me produziu um soldado russo em 1945. Acabava de terminar a guerra. À porta do seminário de Cracóvia bateu um soldado. Quando lhe perguntei o que queria, respondeu-me que desejava entrar no seminário. Mantivemos uma longa conversa. Ainda que nunca tenha entrado para o seminário (tinha para além disso, as ideias muito confusas, sobre a realidade do seminário em si mesmo), mas eu pessoalmente retirei do nosso encontro uma grande verdade: como Deus realiza de forma maravilhosa a maneira de penetrar na mente humana, mesmo nas condições mais desfavoráveis da sua negação sistemática. Durante a sua vida adulta, o meu interlocutor não havia entrado alguma vez numa igreja. Na escola e logo a seguir no trabalho, havia ouvido afirmar continuamente: Deus não existe. E apesar de todas essas negações ele repetia: mas eu sempre soube que Deus existe…e agora queria aprender algo sobre Ele”(Karol Wojtyla, Sinal de Contradição).

b.2- Porém não pode haver ateus por convicção cientifica. Por outras palavras, não se pode comprovar cientificamente que Deus não exista.

Para isso, seria necessário deitar por terra argumentos indestrutíveis e admitir como certas, coisas tão absurdas como estas: a série infinita dos seres, a vida como um surto natural da matéria (geração espontânea), e a ordem maravilhosa do universo, como efeito do acaso.

Seria também preciso destruir a lei moral, tão intimamente gravada na nossa consciência e aceitar que pode haver efeito sem causa. Tudo isto repugna a nossa mente.



  1. Os ateus práticos infelizmente, são muitos até entre católicos. São muitos os que vivem tão esquecidos de Deus, que actuam a cada passo, como se Deus não existisse.

É um dos maiores males da nossa sociedade, e a causa porque ela se mostra tão indiferente e pagã.

O documento de Puebla (1979), chama a atenção para o ateísmo prático do liberalismo capitalista e o sistemático domínio do marxismo (cf. nn 535-561). Também alerta para os perigos do “secularismo, onde Deus seja supérfluo e até um obstáculo”(nº 435), daí a necessidade de conhecer as suas causas e motivos (1113). Deve ter-se em conta também que não “raras vezes os não crentes se distinguem pelo exercício de valores humanos que estão na linha do Evangelho”, mas “o tempo não é estranho, às formas de ateísmo militante e ao humanismo que obstruem um desenvolvimento integral da pessoa.”(n. 1113).


1.4 A Natureza da religião

1.4.1 Sentido e origem da palavra religião

A palavra religião engloba dois sentidos principais:



  1. Como uma ciência que aperfeiçoa o nosso entendimento; e assim dizemos que a Religião é a mais necessária das ciências. Recebe também o nome de Teologia (de Teos, Deus; logos, tratado).

b) Como uma virtude que, porém aperfeiçoa a nossa vontade e, nesse sentido dizemos que uma pessoa é muito religiosa. São Tomás la define como a virtude que inclina a render a Deus a honra, o respeito e a adoração devidas (cft. S. Th. II-II, q. 81, a. 5).

Aqui trataremos tão somente da religião como ciência, enquanto que a virtude se estuda na Moral.

Convém para além disso advertir, que o conhecimento da religião nasce da virtude da religião, porque não podemos amar, honrar e servir a Deus sem antes O conhecer.

A palavra religião vem do verbo latino religare, que significa ligar, atar, pois a religião é o laço que une o homem com Deus, mediante o seu amor e serviço.


1.4.2 Definição de Religião

A religião é a ciência que nos ensina o conhecimento de Deus, os deveres que nos são impostos e os meios que nos levam a Ele.



1º - Diz-se que é a ciência do conhecimento de Deus, porque a primeira coisa que nos ensina, são as verdades sobre o próprio Deus. Ensina também um certo número de verdades que indirectamente se referem Deus, e que tomam o nome de verdades religiosas, por exemplo: a existência da alma humana e da vida depois da morte, etc.

2º- A religião é a ciência dos deveres que Deus nos impõe, porque sendo Deus o Ser Supremo e também o nosso Criador e ultimo fim, nos impôs certos deveres que temos obrigação de cumprir e que a religião nos ensina.


Destes deveres uns apontam directamente a Deus, outros ao próximo e outros a nós mesmos, por exemplo:
a) Para com Deus, temos o dever de O adorar e servir.

b) Para com o próximo, o de respeitar a sua vida e os seus bens.

c) Para nós mesmos, o dever de procurar a nossa salvação.

3º- Acrescenta-se que a religião é a ciência dos caminhos que levam a Deus, porque Deus mesmo, Se dignou manifestá-los muito a propósito, para nos conduzirem até Ele. Por exemplo: a oração e os sacramentos.

Deus na sua bondade, ordenou estes meios, que ao mesmo tempo que honram a Deus, santificam a nossa alma, por isso, recebem o nome de meios de santificação.


1.4.3 Elementos que encerram

Resulta do exposto, que integram a Religião enquanto ciência os três elementos: o Dogma, a Moral e o Culto.



O Dogma – ou Teologia dogmática- compreende as verdades em que devemos acreditar. A Teologia Moral, ou simplesmente Moral, ensina as obras que devemos praticar. E o Culto, os meios de santificação com os quais honramos a Deus e procuramos a nossa salvação. Estes meios estudam-se na ciência chamada Teologia Sacramental.

Os elementos da religião resumem-se principalmente: no Dogma, no Credo, na Moral dos Mandamentos, no Culto, na Oração e nos Sacramentos. Pertencem também ao Culto, as diversas cerimónias da Igreja, a que se dá o nome de Liturgia.

O Dogma é o elemento que constitui o ponto de partida da Religião. Na verdade, sem conhecer a Deus, a Religião revelada por Ele e a Igreja por Ele fundada, não podemos obedecer aos seus Mandamentos, nem aproveitar os meios de santificação que coloca ao nosso alcance.
1.4.4 O fim da Religião

Na Religião podemos distinguir uma dupla finalidade:



a) O seu fim próximo, que é conhecer, amar e servir a Deus nesta vida.

b) E o seu fim remoto, vivermos eternamente com Deus no Céu.
1.5 Religião natural e Religião Revelada

1.5.1 Noção

Conhecemos a Deus de dois modos: pela razão e pela Revelação.



  1. A razão é a luz natural que Deus deu ao nosso entendimento para conhecermos as coisas.

Com a força da razão natural – quer dizer, sem a intervenção especial de Deus, podemos conhecer várias verdades religiosas, por exemplo: que há um só Deus, que temos alma, que existe outra vida depois da morte, etc. (cfr. Dz. 1785, 1806, 21451, etc.).

b) A Revelação é a manifestação feita por Deus aos homens de algumas verdades de ordem religiosa; por exemplo: que Jesus Cristo é Fiho de Deus feito Homem e que morreu para nos salvar; ou que em Deus há Três Pessoas distintas, etc.

Ao conjunto de verdades religiosas que o hoem pode conhecer pela simples luz da razão, chama-se Religião natural.

Ao conjunto de verdades que Deus manifestou ao homem e que conduziu à Revelação, chama-se Religião Revelada. Como veremos, a Religião Revelada é a Religião Católica.
1.5.2 Não basta a Religião natural

Não é suficiente para a salvação a Religião natural, ou seja, não é suficiente aceitar as verdades religiosas que nos possam ensinar à luz da razão; é necessário que aceitemos a Religião Revelada.

Deus pela sua Bondade infinita, quis abrir-nos um outro caminho, que nos leve directamente a Ele com maior facilidade, o da Religião sobrenatural:”Ele quis na sua sabedoria e bondade revelar-Se a Si mesmo ao género humano, e revelar os decretos eternos da sua vontade por outro caminho, e este sobrenatural” (Conc. Vat. I., Const. Dogm. Dei Filius, c.2; DZ 1785). A razão é que não podemos conhecer, nem amar, nem servir a Deus como Ele quer e manda, senão aceitando as verdades, preceitos e meios de santificação que Ele se dignou manifestar-nos.

Outra maneira de actuar significaria desprezo pelo que Deus disse, considerando-o inútil e indiferente. Estão pois em grave erro, aqueles que dizem: “Eu sou honrado: não roubo nem mato, não preciso de mais para me salvar”. Isto bastar-lhes-á para evitarem serem presos pela justiça humana. Porém não poderão salvar-se se não cumprirem as condições que Deus lhes impôs para isso.

Nós pertencemos-Lhe, Ele criou-nos para o Seu serviço. Por consequência, estamos obrigados a honrá-Lo e servi-Lo, na maneira que Ele se digne determiná-lo.

Se Deus não tivesse feito nenhuma Revelação, bastar-nos-ia a Religião natural para nos salvarmos. Desde o momento em que Deus Se Revela, não cabe pensar que dá no mesmo uma Religião ou outra - indiferentismo religioso – mas sim devemos aceitar essa Revelação Divina, que constitui a Única Religião Verdadeira.


1.5.3 Deveres que nos impõe a Religião revelada

A Religião Revelada. Impõe-nos em especial três deveres:

O primeiro é aceitar as verdades que Deus nos manifestou.

O segundo é cumprir os mandamentos que nos impôs.

O terceiro é acorrer aos meios de santificação com que Ele mesmo quis ajudar a nossa debilidade.

Deus, com efeito, não quis deixar o homem abandonado ao erro, ao vício. Mas…


a) Para nos livrar do erro, Ele mesmo nos revelou as verdades que devemos conhecer e acreditar.

b) Para nos livrar do vício, Ele mesmo determinou as obras que devemos praticar, e as que devemos evitar.

c) Para nos ajudar na nossa debilidade, oferece-nos a sua graça, através dos Sacramentos, da oração, etc., ordenando que recorramos a estes meios.

Como conclusão, devemos dizer que não podemos conhecer, amar e servir a Deus, nem salvar a nossa alma, se não aceitarmos e praticarmos a Religião Revelada integralmente.


Assim Cristo não disse apenas: “aquele que não crê será condenado”(), mas disse também: “se queres ter vida, observa ao mandamentos”(Moral) e “Se alguém não nascer da água e do Espírito Santo, não pode ver o Reino de Deus” e “Se não comerdes a Minha carne não tereis a vida em vós” (Sacramentos) (Cf. Mc 16. 16; Mt 19,17; Jo 3,5; Jo 6,54).

Com frequência, o homem actual não sabe o que está no fundo da sua alma, no seu coração. Muitas vezes sente-se inseguro sobre o sentido da sua vida neste mundo. Sente-se invadido pela dúvida, que se transforma em desespero. Permitam-me pois – peço, imploro com humildade e com confiança – permiti que Cristo fale ao homem. Só ele tem palavras de vida, de vida eterna (João Paulo II, na inauguração do seu pontificado, 22-XI-1978).



Encuentra/Pbro. Dr. PabloArce Gargollo
Sección: Resumen doctrina


Tradução Livre de MAM





©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal