A educação Bate à Porta das Empresas



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Encontro26.07.2018
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A educação bate à porta das empresas
O ensino baseado na Web quebra barreiras e chega ao público corporativo. Cursos online, MBAs e treinamentos virtuais ajudam a capacitar e reciclar funcionários com um baixo custo.
Sem giz, quadro-negro, professores em tempo integral ou horários rígidos, o ensino a distância começa a ganhar terreno nas empresas. O avanço da Internet, das Intranets e dos sistemas de videoconferências serve de senha para capacitar, reciclar e treinar equipes inteiras, sem que elas precisem se deslocar e com menos custos. Segundo pesquisa do Masie Center, entidade especializada no tema, 41% das grandes organizações nos Estados Unidos tinham em andamento pelo menos um curso online em dezembro do ano passado. O estudo levantou ainda que 92% dos consultados implementariam algum tipo de treinamento via Internet ou Intranet este ano. O emprego da solução entra aos poucos na cartilha de grandes empresas do país como Petrobrás, Embratel e Xerox.
O mercado para a montagem de cursos online baseados na plataforma Web, chamada de WBT, está aquecido. Os fornecedores, atentos ao que acontece nas empresas, investem no desenvolvimento de softwares para gerenciamento das aulas virtuais. Pesquisa do International Data Corporation (IDC) projeta que, até o ano 2002. Os negócios com ensino a distância vão atingir a marca de US$ 8 bilhões, contra os US$ 6 bilhões previstos para as atividades tradicionais em sala de aula. O crescimento de 1997 até o período delimitado pelo estudo está estimado em 39%.
Levantar números sobre a atividade no Brasil ainda é uma tarefa difícil, mas já é possível encontrar no mercado produtos como o AulaNet, da PUC do Rio de Janeiro; o TeleCampus, da Impsat; o Campus Online, da Pontoedu; e o LearningSpace, da Lotus; e o Universite, da MHW. Usar chats, fóruns, listas de discussão, newsgroups e e-mail para reciclar ou adquirir novos conhecimentos vira rotina em algumas grandes empresas. Considerada pioneira no país, a Petrobras evoluiu do ensino a distância com módulos impressos para o ensino e treinamento via Intranet, passando pelo uso de teleconferências e videoconferências.
De um simples mural eletrônico há três anos, a rede corporativa ganhou peso no processo de treinamento ao incorporar serviços, formulários de inscrições e material de apoio. A idéia de montar um campus online tomou forma no fim do ano passado, com salas de professores e de alunos, envio de trabalhos e referências bibliográficas. Foram criados os Edusites, páginas dedicadas a estruturar o intercâmbio de conhecimento entre comunidades de interesses dentro da empresa. "Os grupos já existiam informalmente, mas, naquele momento, eles ganharam uma Intranet repleta de informações, ferramentas de comunicação e software’, conta André Luiz Alves Pinto, gerente de tecnologia Educacional da Petrobras.
Cursos via Intranet
"O grande problema é que o Brasil não tem mercado de fornecedores e nem de clientes. Quantas empresas têm porte para investir maciçamente em recursos humanos? Do outro lado, estão as software houses, que preferem se concentrar em cursos de idiomas, tutoriais de aplicativos e outros programas populares de luxo". Com Knowhow recém-adquirido em WBT, a Petrobras cogita desenvolver projetos por conta própria. "A videoconferência foi um caso parecido, porque tivemos que aprender a desenvolver a metodologia dentro de casa. Simplesmente não havia consultorias especializadas", lamenta Alves.
Com mais de 8 mil empregados, a Embratel sempre buscou alternativas ao treinamento convencional em função de sua presença distribuída pelo país. Vídeo para complementar cursos técnicos, com ou sem a intervenção dos instrutores; TV Executiva, que interliga 56 pontos através de circuito fechado, são exemplos de iniciativas da ex-estatal, agora controlada pela MCI. A maior experiência recente no campo do treinamento não-presencial na Embratel foi possibilitada pelo uso da Intranet.
Conhecimento Compartilhado
A Xerox do Brasil, empresa que tem seis mil empregados, encontrou na Intranet o espaço ideal para construir um centro de treinamento nacional. Com sete cursos em andamento - alguns deles tutoriais de programas e "tour" pela empresa sem mediação de instrutores - a rede corporativa também serve para fornecer informações e certificação a parceiros comerciais. "Não trabalhamos apenas com ensino online, mas com o conceito de compartilhamento do conhecimento", diz Marcos Gomes, coordenador de Tecnologia Educacional.
Os principais ambientes do site educacional são Sala de Estudo, Olimpíada Pessoal e o Laboratório de Conhecimentos. No primeiro, o empregado encontra informações de todas as áreas da empresa e pode fazer matrículas, cursos e interagir por e-mail ou chats com outros alunos. A Olimpíada Pessoal é uma ferramenta de gerenciamento de carreira, onde estão disponíveis avaliações de desempenho e de perfil e dicas para adquirir novas competências na Xerox.
Já o Laboratório de Conhecimentos abre espaço para cada um estruturar e compartilhar informações de sua bagagem pessoal com outros empregados e até mesmo montar um treinamento. "Também pretendemos criar uma rádio na Intranet, com palestras e perguntas por e-mail. Ainda é cedo para falarmos de streaming de vídeo por questões de banda, mas isso é uma causa de tempo", conclui Gomes.
Um ítem que vai pesar no avanço do ensino a distância no país é a busca por novos conhecimentos que hoje domina as empresas. "O ciclo de validade dos conhecimentos está cada vez mais curto. O processo de treinamento via Internet coloca a informação disponível para todos os profissionais independente de hora e lugar", observa Paulo Puterman, da empresa Pontoedu, que tem uma solução voltada para o desenvolvimento de universidades corporativas online. O Campus Online é um sistema, segundo ele, que permite a criação e o gerenciamento de universidades virtuais. A solução é customizada de acordo com o projeto do cliente.
Banda e Conteúdo
O tamanho da banda não é a única coisa a preocupar os desenvolvedores de solução para ensino a distância. Talvez se beneficiando dos erros e acertos de empresas, universidades e desenvolvedores americanos, muitos brasileiros atuantes no setor consideram secundária a questão de largura de banda. Que isso é um obstáculo ninguém nega, mas está claro que a origem de muitas dificuldades é a falta de profissionais capazes de articular aspectos didáticos e técnicos em um projeto de WBT.
As atenções se voltam para outro aspecto do ensino online: o conteúdo. De acordo com Masie Center, é aí que está a maior demanda do mercado, especialmente fora do âmbito de treinamento em Tecnologia da Informação. Nesse ponto, ocorre uma importante convergência entre Brasil e Estados Unidos. Apesar do atraso em termos de einfra-estrutura e cultura digital, o mercado brasileiro enxerga a prioridade do conteúdo - desde seu preparo até a adequação à nova mídia - no desenvolvimento do WBT.
Na opinião de Carlos Lucena, coordenador do Laboratório de Engenharia de software da PUC-Rio e criador do programam de ensino online AulaNet, a elaboração de um curso virtual é cinco vezes mais trabalhosa para o professor em relação ao método convencional. "Quem ficar esperando pelo aumento na largura de banda vai perder muito tempo. É preciso começar a investir agora, preparando o conteúdo. É nessa etapa que está o verdadeiro problema", analisa.
Em uma corrida para formar conteudistas especializados, a Lotus oferece às universidades um programa de incentivo que inclui servidores e aplicativos gratuitos - como o Notes, utilizado para acessar os cursos do Learning Space - com toda a orientação técnica possível. Por que tantas vantagens? Como explica Nelson Gorini, diretor de Planejamento de Negócios da Lotus, o importante nesta etapa não é vender o pacote de desenvolvimento de cursos, mas sim criar conteúdo de qualidade para impulsionar a área deWBT.
Falta de Profissionais
De certa forma, essa foi a estratégia da Netscape quando distribuiu gratuitamente as primeiras versões do browser Navigator, em uma época em que as pessoas mal sabiam o que era um browser. O AulaNet, da PUC-Rio, trilha um caminho semelhante ao permitir o download e a utilização gratuitos do software, além de hospedar as páginas dos cursos virtuais. Está claro que, pelo menos por enquanto, esses e outros programas não têm muito valor longe das mãos de especialistas. Só que, infelizmente, um anúncio de emprego para pedagogos com formação em ensino remoto dificilmente formaria hoje uma fila de candidatos.
Como se não bastasse a carência nesse mercado de trabalho, muitas empresas encaram o ensino a distância apenas como uma forma de cortar custos de treinamento, desprezando aspectos pedagógicos. Isso aconteceu quando o ClassCafé foi consultado por uma grande organização que promovia diversos cursos internos. "Eles queriam simplesmente digitalizar o material para fazer cursos a distância sem mediação e dispensar a equipe de treinamento.
A incompreensão em torno da WBT não é exclusividade do meio corporativo. Carlos Aldan, superintendente da WTCU (World Trade Center University), observa que a maioria das instiuições de ensino não está preparada para lidar com a mídia online. "Muitas temem que o WBT canibalize os cursos convencionais. A resistência das universidades é muito maior do que a dos alunos", diz. Criada em maio de 1998, a WTCU já oferece cursos a distância de comércio exterior com tecnologia da .EDU e conteúdo da Fundação Getúlio Vargas, da Faculdade Carioca e da Pace University.
O curso "Desenvolvimento Gerencial", da FGV, foi ministrado via Web para uma turma de 15 alunos, um número bem abaixo da média em aulas presenciais - mas nada mau para uma iniciativa inovadora no país. "Estou mais feliz com os 15 alunos no curso online do que com os 40 ou 50 que assistiam às palestras pessoalmente", comemora.
Fonte

AISENBERG, Daniel. A educação bate à porta das empresas. Internet Business, [S.l.], 21 out. 1999.







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