A cura de Schopenhauer



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A cura de Schopenhauer











Arthur Schopenhauer (1788-1860), lecionou filosofia em Berlim e foi contemporâneo de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. A principal obra de Schopenhauer, Die Welt als Wille und Vorstellung (Mundo como vontade e representação), foi escrita em Dresden em 1818, e editada em Leipzig, pela Editora Brockaus. O livro caiu no esquecimento por mais de trinta anos. Graças a uma extensa matéria sobre os conceitos filosóficos de Schopenhauer, publicada no jornal inglês Westminster and Foreign Quarterly Review, o filósofo passou a ser conhecido e respeitado em seu país.

Todos os que leram o livro de Schopenhauer ficaram impressionados com os novos conceitos filosóficos, nitidamente anti-hegelianos. Seus mais ardorosos e famosos admiradores foram o compositor Richard Wagner, o filósofo Friedrich Nietzsche e o escritor Thomas Mann.

Georg Herwegh, um dos mais ativos e progressistas amigos de Richard Wagner, presenteou o músico com um exemplar da segunda edição, publicada em 1853. Wagner leu Mundo como vontade e representação por mais de quatro vezes e ficou fascinado pelas teorias de Schopenhauer. Ele as converteu na base espiritual de sua própria filosofia da arte.

É essencial conhecer a filosofia de Schopenhauer para entender o conteúdo filosófico da obra de Richard Wagner. A ópera Tristão e Isolda pode ser vista como uma exegese musical da filosofia de Schopenhauer. O elo que uniu Friedrich Nietzche a Wagner foi a paixão comum que ambos nutriam pelo filósofo. No capítulo reservado à Estética, Schopenhauer afirmava que as artes permitem ao homem viver momentos de liberdade, quando está livre do jugo da vontade. Schopenhauer classificou as artes, segundo seu poder, colocando a música como a mais libertadora de todas.

Durante a juventude o escritor Thomas Mann iria se encantar com a música de Wagner. Esta admiração o fez procurar a obra de Nietzsche, que havia se transformado de amigo íntimo em um dos maiores antagonistas do músico. O estudo de Wagner e Nietzsche levou Thomas Mann a conhecer o pensamento de Schopenhauer.

Aos vinte e três anos, deitado em um sofá, o escritor passava dias inteiros lendo O mundo como vontade e representação e datam dessa época as seguintes recordações: Juventude solitária e irregular, ávida de mundo e de morte. Eu sorvia o filtro mágico desta metafísica, cuja essência mais profunda era o erotismo. Aos 21 anos Mann começou a escrever seu primeiro romance, Os Budenbrook, obra imensamente impregnada pela filosofia de Schopenhauer.

Além de novelista, Thomas Mann foi um brilhante ensaísta. No livro Schopenhauer, Nietzsche, Freud, vamos encontrar ensaios independentes nos quais o autor dá um relevo especial ao núcleo da filosofia de Schopenhauer e Nietzsche. Quanto a Freud, a quem Thomas Mann conheceu pessoalmente e com ele manteve um vínculo de amizade, são dedicados dois ensaios: O papel de Freud na história do espírito moderno e Freud e o Futuro.

Após estas considerações iniciais a respeito de Schopenhauer e da influência que ele exerceu em personalidades tão marcantes como Wagner, Nietzsche e Thomas Mann, passamos a destacar o oportuno lançamento do livro que dá título a esta coluna.



A cura de Schopenhauer (Ediouro), é de Irvin D. Yalon, o mesmo autor do festejado livro Quando Nietzsche chorou.

Segundo Schopenhauer, a salvação para o sofrimento humano, causado pela existência, é renunciar ao mundo, tornando-se assim verdadeiramente livre. Para o psiquiatra Julius Hertzfeld, um dos personagens do livro e ferrenho defensor da terapia em grupo, a salvação só é atingida quando se constrói relacionamentos sólidos, baseados no amor e na compreensão das diferenças e dos limites de cada um.

Entrelaçando realidade e ficção, A cura de Schopenhauer oferece um recorte fiel dos meandros da terapia em grupo, tendo como pano de fundo a vida e a obra de Arthur Schopenhauer, e revela o doloroso processo de autoconhecimento.

Cada capítulo é aberto com um aforismo do filósofo que reflete de maneira inequívoca os seus princípios. Registramos dois deles para reflexão de nossos leitores:

Talento é quando um atirador atinge um alvo que os outros não conseguem. Gênio é quando um atirador atinge um alvo que os outros não vêem.

A alegria e despreocupação da nossa juventude deve-se, em parte, ao fato de estarmos subindo a montanha da vida e não vermos a morte que nos aguarda do outro lado.

Fonte: Arthur Torelly Franco - torelly@polors.com.br






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