A atenção é um complexo domínio neurocomportamental que se constitui como base fundamental de todas as funções cognitivas supe



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Redes Neuroanatómicas do controlo da Atenção


Celso Moreira Oliveira

(celso.oliveira@netvisao.pt)



Índice



Introdução 2

O que é a Atenção 2

A Neuroanatomia da Atenção 3



Organização neuroanatómica do sistema visual 4

Modelos anatómicos da atenção visual 8

As redes neuronais da atenção 9

A Atenção como um “sistema orgânico” – estudos de Posner e colaboradores 13

Rede de Orientação (Orienting) 16

Rede de Alerta (Alerting) 24

Rede de Controlo Executivo da Atenção (Conflict) 26


Introdução


Como afirma Parasuraman (1988), “ de toda a miríade de tarefas que o cérebro humano realiza, talvez nenhuma seja tão crucial para o desempenho das outras tarefas como é a atenção” (p.3).

De facto, quando o cérebro atende ele também percebe e, ao perceber o que atende, o cérebro aprende. Por outro lado, embora o que é aprendido possa ser por vezes espontaneamente recordado sem a necessidade da presença da atenção, a verdade é que a recolha ou a recuperação voluntária da informação aprendida exige um “cérebro atento” (Parasuraman, 1998). Na verdade, muitos dos problemas relacionados com a memória poderão ser a manifestação maior de problemas atencionais.

A Atenção é pois importante para muitas actividades psíquicas, que vão desde a percepção, a memória e a aprendizagem ao controlo e coordenação da execução pelo cérebro de várias tarefas concorrentes e à produção da consciência.

O que é a Atenção


O estudo da atenção e da sua importância no comportamento humano remonta aos primórdios da psicologia experimental, não sendo possível reduzir esta realidade psicobiológica complexa a uma simples definição nem tão-pouco relacioná-la com uma única região do cérebro.

A atenção é um processo complexo que carece de divisão em múltiplas operações. Ela é parte integrante e fundamental da actividade sensorial (Caldas, 2000; Mesulam, 1998), é indispensável à linguagem (Fischler, 1998), à aprendizagem (Trabasso e Bower, 1975) e à memória (Awh, Anllo-Vento e Hillyard, 2000; Cermak e Wong, 1999; Corbetta, Kincade e Shulman, 2002; Norman, 1968) e ainda participa como um distribuidor da actividade sensorial pelos vários níveis de consciência que em simultâneo processam a informação (Fernandez-Duque, Baird e Posner, 2000; Posner, 1994; Posner e Rothbart, 1998).

Como diz Uttal (2000), num texto em que apresenta uma lista de 25 questões que, na sua opinião, dirigem a actual investigação nesta matéria, “há ainda muito para ser aprendido acerca da atenção” apesar dos extensos estudos já realizados e das múltiplas abordagens que dela foram formuladas. Na verdade, continuamos ainda a saber muito pouco acerca da forma como a atenção funciona enquanto sistema do cérebro humano e esta incerteza e perplexidade parecem estar bem patentes no vasto conjunto de metáforas que os psicólogos e investigadores deste fenómeno psicobiológico criaram para o tentarem explicar. Assim, enquanto uns a caracterizam como sendo “um filtro” (Broadbent, 1958), outros referem-se à atenção como um “foco projector” (LaBerge, 1983; Posner, Snyder e Davidson, 1980), uma “lente zoom” (C. W. Eriksen e St James, 1986), uma “porta de passagem” (Reeves e Sperling, 1986) ou até uma “conjunção de características do objecto” (Treisman e Gelade, 1980), podendo encontrar-se para cada uma destas metáforas várias evidências, confirmações e suportes experimentais na vasta literatura existente sobre o tema.

A atenção é um complexo domínio neurocomportamental que se constitui como base fundamental de todas as funções cognitivas superiores.

A sua enorme importância no amplo espectro de funções mentais reflecte-se, na verdade, na grande quantidade de áreas cerebrais que a ela estão devotadas (Filley, 2002), sendo por isso crucial conhecer a sua neuroanatomia no sentido de melhor se compreenderem e tratarem importantes síndromes comportamentais.



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