A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja



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Encontro13.07.2018
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Homilia no Dia Diocesano da Família




1.“A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja”(AL 1), começa assim a recente Exortação Apostólica do Papa Francisco, que resultou da reflexão dos dois sínodos sobre a Família, e que tem este belo nome: A Alegria do Amor.

Neste quinto domingo de Páscoa, vivido na Igreja do Porto como Dia Diocesano da Família, vemos reunidas, à volta do altar da eucaristia, tantas famílias felizes que vêm celebrar, com acrescida alegria e redobrada gratidão, neste Ano Santo da Misericórdia, o jubileu de 10, 25, 50 ou 60 anos de matrimónio. São 1320 casais, provenientes de toda a Diocese, a celebrar a alegria e o amor, que por esta eucaristia se faz júbilo e gratidão de toda a Igreja do Porto. Sede bem vindos, caríssimos casais!

Trazeis convosco a “alegria do amor” acolhido, celebrado e vivido como dom de Deus. Acompanham-vos os vossos filhos e netos, frutos abençoados do vosso amor. Vós transformais, assim, este emblemático Palácio de Cristal da nossa Cidade em santuário de oração a Deus, para que, a partir daqui, cada uma das vossas casas seja cada vez mais santuário da família.

Celebramos este dia, por abençoada coincidência, na presença da Imagem Peregrina da Senhora de Fátima, Mulher de alegria e Mãe de misericórdia, em visita à nossa Diocese. Quantas vezes, ao longo do vosso caminho aqui celebrado em júbilo, a Mãe de Jesus velou por vós com o mesmo olhar e igual solicitude das Bodas de Caná, intercedendo junto de Jesus, seu Filho, para que nunca faltasse o “vinho” da alegria e da felicidade à mesa do vosso lar!

A alegria do amor que hoje viveis em família e diariamente testemunhais nas vossas comunidades é, também, o júbilo da Igreja do Porto. Este é, graças a vós, um dia de bênção para as famílias da nossa Diocese e um dia exemplar para a acção da pastoral familiar da Igreja. Deve-se este júbilo e o dinamismo pastoral, que aqui sentimos, à dedicação dos sacerdotes e ao trabalho persistente e mobilizador do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, a quem testemunho a minha gratidão e a gratidão da Igreja do Porto.

Unimo-nos ao Papa Francisco e queremos agradecer-lhe publicamente a belíssima e tão esperada Exortação Apostólica que, com data de 19 de março, na solenidade de S. José, dirigiu aos “bispos, presbíteros e diáconos, às pessoas consagradas, aos esposos cristãos e a todos os fiéis leigos sobre o amor na família”.

O Papa Francisco, em nome de Cristo, quer, assim, ajudar cada homem e cada mulher que se amam e cada família nascida desse amor a descobrir a fonte da alegria que é a bênção e a graça de Deus recebida no sacramento do Matrimónio.

2. No cartaz que anunciava este dia, dizia-se: “Matrimónio – uma história de misericórdia”. O Papa Francisco diz: “Cada matrimónio é uma «história de salvação», o que supõe partir de uma fragilidade que, graças ao dom de Deus e a uma resposta criativa e generosa, pouco a pouco vai dando lugar a uma realidade cada vez mais sólida e preciosa.” (AL  221).

Sim, “o Matrimónio é um sinal precioso, porque, quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio, Deus, por assim dizer, ‘espelha-se’ neles, imprime neles as suas características e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone – a imagem – do amor de Deus por nós” (AL 121).

Para isso, para que cada família seja essa imagem de Deus, o amor não pode ser de qualquer maneira, nem em medida reduzida, tem de ter a medida de Cristo: “Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”(Jo 13, 34), dizia Jesus aos discípulos, como nos lembrou o evangelho, agora proclamado.

Reparai bem, caríssimos casais, aqui reunidas em tão grande número: “O que é próprio dos cristãos é amar COMO Jesus – não QUANTO Jesus – porque amar tanto quanto Ele nunca seremos capazes” (Ermes Ronchi).

O que pode tornar-nos a nós que somos frágeis, limitados, pecadores, capazes de um amor assim COMO o de Jesus? Só o próprio amor de Deus em nós, no nosso coração aberto, cada dia, como o de Maria, nos pode ensinar este segredo de amar COMO Jesus.

3. Permiti-me trazer-vos, irmãos e irmãs que constituístes família e que hoje quereis renovar o vosso amor, desejais cantar as maravilhas que Deus realizou em vós e estais aqui reunidos para agradecer esse amor fiel três sugestões bem concretas do Papa Francisco na recente Exortação Apostólica:

“A família é chamada a compartilhar a oração diária, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão eucarística, para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito” (AL 29.

“Nada disto é possível, se não se clama todos os dias pedindo a sua graça, se não se procura a sua força sobrenatural, se não lhe fazemos presente o desejo de que derrame o seu fogo sobre o nosso amor para o fortalecer, orientar e transformar em cada nova situação”. (AL 164)

Cumpre-nos, lembra ainda o Papa Francisco, “propor o ideal pleno do matrimónio, o projecto de Deus em toda a sua grandeza: «encorajar os jovens baptizados para não hesitarem perante a riqueza que o sacramento do matrimónio oferece aos seus projectos de amor, com a força do apoio que recebem da graça de Cristo e da possibilidade de participar plenamente na vida da Igreja». Nunca se esconda a  luz do ideal mais pleno nem se proponha menos do que quanto Jesus oferece ao ser humano” (cf AL 307).

4. O Papa Francisco não esquece e também não esqueceremos nunca as famílias que vivem momentos de provação, trilham caminhos de rutura ou atravessam horas dolorosas provocadas pela pobreza, pela doença, pela violência doméstica ou pela guerra, que lhes retirou a terra, a liberdade e a paz.

A todas estas famílias que insistentemente procuram Deus nessas horas e batem à porta da Igreja, muitas vezes por caminhos imprevisíveis, depois de percursos marcados pelo sofrimento, se destinam a misericórdia divina e a solicitude pastoral da Igreja. É nesses momentos, nesses lugares e nessas situações que a Igreja deve, também, estar presente e ser Mãe.

Tem todo o sentido reconhecermos que “a vida de família é um pastoreio misericordioso” (AL 322) e tem igual sentido compreendermos que só de olhar fixo em Jesus e a essa luz de misericórdia e de ternura, que de Jesus nos vem, saberemos “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade numa lógica de misericórdia pastoral (AL 307 e ss).

Finalmente, quero lembrar-vos que o matrimónio não se pode entender nunca como algo acabado. Os esposos tornam-se protagonistas da sua própria história e criadores de um projecto que deve ser levado para a frente conjuntamente, de olhar, cheio de esperança, voltado para o futuro. O futuro edifica-se no dia-a-dia com a graça de Deus e com paciência, compreensão, tolerância, generosidade e perdão, que é a forma maias sublime do amor.(cf AL 218).

Para ajudar os casais a compreender esta dimensão do amor em família, o Papa Francisco usa as imagens da água e da dança e pede aos casais que não sejam como a água  estagnada que perdeu a inquietude sadia que a faz avançar ao longo do rio da vida e recomenda-lhes que façam do seu amor dança de olhos iluminados pela esperança (cf AL 219).

A vossa fidelidade e a vossa alegria, caríssimos casais, é verdadeira escola de santidade na família e testemunho de compromisso pastoral nas comunidades cristãs a que pertenceis. Transmiti, assim, aos vossos filhos este impressionante e inesquecível exemplo de famílias felizes! Este é um dos melhores tesouros que lhes ofereceis como herança!

5. Que ‘Maria, Mãe e educadora de Jesus’, esteja sempre presente no vosso coração e no vosso lar e vos ajude a viver ‘A alegria do amor’, dom de Deus derramado no coração de cada uma das vossas famílias e no coração da Igreja e do Mundo.

Porto, Palácio de Cristal, 24 de abril de 2016



António, Bispo do Porto




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