A abordagem dos meios inovadores no rio grande do sul: uma análise empírica do programa redes de cooperaçÃO



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A ABORDAGEM DOS MEIOS INOVADORES NO RIO GRANDE DO SUL: UMA ANÁLISE EMPÍRICA DO PROGRAMA

REDES DE COOPERAÇÃO
Letícia Braga de Andrade
Resumo

O processo de globalização exige cada vez maior flexibilidade das estruturas das organizações, principalmente no que tange as suas dimensões operacionais. No Rio Grande do Sul, o Programa Redes de Cooperação tem a finalidade de fomentar o desenvolvimento regional a partir da atuação conjunta entre governo, universidades e redes de empresas. Dessa forma, reúnem-se diferentes capacidades de inovação, colaborando para a disseminação do conhecimento, promovendo a eficiência produtiva e estimulando o desenvolvimento sustentável. Neste contexto, o presente ensaio apresenta os mecanismos necessários para o desenvolvimento regional apontados pela abordagem dos Meios inovadores, e confere sua aplicabilidade na lógica do Programa Redes de Cooperação. Por meio de entrevistas, representantes do governo, das universidades e das redes de cooperação indicam como o Programa incentiva o processo de desenvolvimento à medida que novos "savoir-faire" (paradigma tecnológico) são facilitados por meio da cooperação (paradigma organizacional) entre os agentes localizados na mesma região (paradigma territorial). Os resultados mostram o Programa Redes de Cooperação bastante alinhado à nova abordagem. Entretanto, também apontam a necessidade de adequar e aperfeiçoar os mecanismos necessários para seu funcionamento.




Palavras-chave: Meios inovadores. Interação universidade - governo - empresas. Programa Redes de Cooperação do Rio Grande do Sul.

INTRODUÇÃO

As constantes mudanças ocorridas no processo de desenvolvimento econômico nas últimas décadas caracterizam-se pela instabilidade, aumento da competitividade dos mercados e crescimento desigual entre as regiões. Para enfrentar essas adversidades e viabilizar o desenvolvimento econômico, os diferentes agentes têm se unido de diversas formas (cadeias produtivas, arranjos locais, alianças estratégicas, redes, etc.). O objetivo dessas uniões, entendidas como arranjos produtivos, é atingir níveis de competitividade melhores que individualmente não teriam condições de alcançar. Surgem, assim, novas formas de organização da produção, as quais passam a ser percebidas como instrumentos de política industrial e regional.

Se por um lado, na raiz do desenvolvimento regional, encontram-se várias formas de organização da produção, por outro, existem diferentes teorias que buscam explicar cientificamente a dinâmica econômica de uma região. A teoria keynesiana, por exemplo, descreve os circuitos econômicos em âmbito nacional num contexto de curto prazo. Já a abordagem neoclássica baseia sua análise em mecanismos ajustados instantaneamente em função de variações de mercado. A abordagem mais recente dos Meios inovadores talvez seja a que mais tenha avançado, uma vez que aprofunda seu estudo em questões como capacidade de inovação e território.

Em comum, as teorias apontam que o processo de desenvolvimento é cumulativo e histórico. Logo, variáveis como cultura, cooperação, objetivos estratégicos e território influenciam diretamente na evolução de uma região. Contudo, autores como Rolim (2000) e Crevoisier (2003) defendem que o problema da ciência econômica não é hoje o de construir mais teorias, mas o de não se ter trabalhado suficientemente a relação entre os mecanismos fundamentais da economia e sua inserção no tempo e no espaço.

Nesse contexto, o governo do Rio Grande do Sul buscou inspiração nas teorias de desenvolvimento regional para elaborar o Programa Redes de Cooperação. A finalidade do Programa é fomentar o desenvolvimento regional a partir da interação entre governo, universidades e redes de empresas.

Assim, o presente trabalho tem por objetivo geral verificar a aplicação dos mecanismos necessários para o desenvolvimento regional de acordo com a abordagem dos Meios inovadores na percepção dos atores do Programa Redes de Cooperação, quais sejam, governo, universidade e redes de cooperação. Entre os objetivos específicos, busca-se (i) revisar a abordagem dos Meios inovadores; (ii) caracterizar a estrutura e o funcionamento do Programa Redes de Cooperação; e (iii) comparar as diferentes percepções dos atores nele envolvidos.

O trabalho está dividido em quatro sessões além desta introdução. Na primeira sessão apresenta-se a abordagem realizada por Philippe Aydalot sobre os Meios inovadores. Em seguida, caracteriza-se o Programa Redes de Cooperação, desenvolvido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (SEDAI). A terceira sessão destina-se à compilação das informações coletadas em entrevistas de representantes do governo, das universidades e empresários associados em redes de cooperação. Por fim, apresentam-se as conclusões do trabalho desenvolvido, bem como suas limitações e sugestões para a realização de novos estudos.

1 Desenvolvimento regional

Logo após a Primeira Guerra Mundial, os países da Europa iniciaram seu processo de reconstrução utilizando fundamentalmente recursos próprios. Mas foi em seguida à Segunda Guerra Mundial, quando tomaram força os projetos de autodeterminação dos povos, que a proposta estratégica de desenvolvimento orientada pela industrialização "desde dentro" se transformou num fenômeno universal (SIEDENBERG, PARNOFF E NEUMANN, 2005). Essas novas condições mundiais pesaram decisivamente na formação e consolidação da hegemonia desenvolvimentista.

Contudo, tão diversos quanto as teorias que buscam explicar os padrões de desenvolvimento regional, são os mecanismos responsáveis pela dinâmica local e regional. Nesse sentido, esta sessão tem por objetivo analisar os principais mecanismos responsáveis pelos encadeamentos do desenvolvimento econômico conforme a abordagem dos Meios inovadores desenvolvida por Philippe Aydalot.
1.1 os meios inovadores de Philippe Aydalot

O conceito de meio inovador tem sido discutido principalmente pelo Groupe de Recherche Européen sur les Milieux Innovateur – Association Philippe Aydalot (GREMI). Desde a década de 1980, as idéias de Philippe Aydalot têm inspirado o grupo europeu à desenvolver estudos teóricos e empíricos sob “meios locais” de desenvolvimento associados à criação tecnológica e à construção territorial. A hipótese é de que existe algo localizado em nível regional que justifica porque certas regiões são mais dinâmicas do que outras. Entre os principais pesquisadores desta abordagem, destacam-se os franceses Muriel Tabariès, Andrée Matteaccioli e Véronique Peyrache-Gadeau, os suíços Denis Maillat e Olivier Crevoisier e o italiano Roberto Camagni.

De acordo com Crevoisier (2003), as pesquisas do GREMI retomam conceitos desenvolvidos anteriormente, porém, identificam a primazia da realidade em detrimento dos esquemas científicos. Em sua primeira versão, o GREMI 1 (1985) observou como as condições do meio e dos fatores locais de inovação geram externalidades para as empresas. Para tal, estudou 12 regiões européias (3 regiões metropolitanas, 4 com tradição industrial, 2 industriais e 3 regiões com indústria incipiente). O objetivo era construir uma tipologia de trajetórias de inovação. O GREMI 2 (1992), destacou a importância dos recursos internos e externos à empresa e ao meio que contribuem na decisão de inovar. O GREMI 3 (1993), avançou ao discutir os novos paradigmas organizacionais mapeando as relações entre o meio e a inovação. O GREMI 4 (1997) analisou as dinâmicas de desenvolvimento de longo prazo (20 a 30 anos) que emergem de uma inovação tanto em termos de planejamento estrutural e organizacional quanto com relação às regras de atuação dos atores do processo. O GREMI 5 (1998) abordou uma nova dimensão ao analisar as relações entre o processo de territorialização do desenvolvimento econômico e as dinâmicas urbanas: a proximidade, a capacidade de interação com o ambiente externo ao meio e o sistema de governança. O GREMI 6 (1999-2004), apontou para uma nova direção ao pesquisar a importância dos recursos naturais e culturais, enquanto bens coletivos, no processo de desenvolvimento. A hipótese deste grupo é a de que o desenvolvimento é possível a partir da valorização ou criação de recursos naturais e culturais (recursos agrícolas, históricos, culturais, entre outros).
1.1.1 Meios inovadores

A principal diferença da abordagem do GREMI com relação às outras teorias baseadas no desenvolvimento “desde dentro” se refere à atenção dispensada aos processos inovadores locais, entre eles, processo de imitação e de criação tecnológica, capacidade de reação e realocação de recursos utilizando o mesmo know-how, capacidade de reestruturação do sistema de produção atingido por problemas internos ou externos (CREVOISIER, 2003).

No âmbito temporal, o meio permite a memorização das aquisições conservando as estruturas e experiências passadas. Isto contribui para o acúmulo de conhecimento (know-how) coletivo e, por conseguinte, do progresso técnico. De outra forma, pode-se dizer que as condições do meio em relação à inovação recaem sobre sua cultura industrial, a qual pode ser entendida como a representação e explicação de fenômenos técnico-produtivos, bem como soluções encontradas para o desenvolvimento das firmas e seu ambiente (TABARIÉS, 2005).

Assim, os meios são sistemas de comunicações interpessoais e interorganizacionais que ultrapassam as fronteiras das estruturas econômicas locais, estabelecendo relações entre economia privada e pública, entre sistemas industrial e urbano-regional. Contudo, essas estruturas são componentes do meio e, ao mesmo tempo, integradas por ele.

Para Castells (1999),

[...] meio de inovação é um conjunto específico de relações de produção e gerenciamento com base em uma organização social que, de modo geral, compartilha uma cultura de trabalho e metas instrumentais, visando gerar novos conhecimentos, novos processos e novos produtos (p. 414).


Todavia, segundo Tabariés (2005), são dois os fenômenos que acionam o meio: a lógica de interação e a dinâmica de aprendizagem. A lógica de interação é representada pela cooperação para a inovação, para a criação de externalidades específicas. Neste sentido, no âmbito da cooperação de natureza territorial, o uso dos recursos em comum é viabilizado a partir da formação de redes entre empresas locais, interação entre empresas e instituições de pesquisa e fomento bem como instituições políticas locais, entre outros.

No que se refere à dinâmica de aprendizagem, esta corresponde à capacidade dos atores locais de se adaptarem às mudanças geradas ao longo do tempo. Essas adaptações variam desde pequenas melhorias em processos ou produtos realizadas a partir de adaptações sucessivas, até inovações mais radicais como a criação de produtos que impõem novas condições de concorrência no mercado.

Em suma, a partir das idéias de Philippe Aydalot, construiu-se um corpo conceitual em torno da noção de meio inovador que busca explicar porque certas regiões são mais dinâmicas do que outras. Apesar de ainda não se constituir numa teoria definitiva e formalizada, a abordagem dos meios inovadores identifica três eixos, ou melhor, paradigmas (Figura 1), particularmente importantes nas transformações econômicas atuais:


    • Paradigma tecnológico: concorrência pela inovação, não pelos custos de produção;

    • Paradigma organizacional: organização do sistema produtivo em redes e não sobre mecanismos de mercado ou hierárquicos;

    • Paradigma territorial: concorrência entre territórios e não entre empresas.

Esses três paradigmas são considerados simultaneamente como três lados indissociáveis da realidade. Isto porque, à medida que novos "savoir-faire" (paradigma tecnológico) são facilitados por meio da cooperação (paradigma organizacional) entre os agentes localizados na mesma região (paradigma territorial), o processo de inovação é potencializado. Desse modo, ao servirem como instrumento um para o outro, não existe hierarquia entre os três paradigmas.
1.1.2 Paradigma tecnológico: inovação

O funcionamento do sistema capitalista induz à diferenciação diante da concorrência; essa diferenciação constitui-se numa inovação. Contudo, a inovação não pode ser reduzida a


Redes e sistemas de produção

Inovação

Regras de concorrência e cooperação



"Savoir-faire"

Paradigma organizacional



Paradigma tecnológico

Meio inovador (coletivo de atores)




Paradigma territorial



Proximidade / distância

Concorrência dos territórios

Figura 1 – Os Paradigmas dos Meios Inovadores

Fonte: Crevoisier (2003), p. 17.
um simples investimento em pesquisa e desenvolvimento ou pedido de patente. Ela deve ser entendida como resultado de um processo que envolve o conjunto das funções de produção. Assim, do encadeamento da mobilização dos diferentes recursos e competências poderá emergir um sucesso econômico.

Rolim (2000) afirma que a inovação vai além de novas descobertas de atividades e produtos na fronteira do progresso tecnológico. Ela também refere-se às alterações na fabricação de produtos menos elaborados, nos comportamentos e na própria mudança de hábitos e valores culturais. Tecnicamente, a inovação é resultante da articulação da empresa com o ambiente, isto é, inclui tanto suas relações de encadeamento para trás e para frente, como a dinâmica geral do setor, ou o aparecimento de novas técnicas em outros setores, ou ainda as relações com outros atores regionais ou de fora da região.

O processo de geração da inovação envolve o desenvolvimento de conhecimentos, a sua difusão e disponibilidade, de modo que surgem processos de aprendizagem e de constituição de novos saberes (savoir-faire). Em termos de aprendizado, Rolim (2000), distingue dois níveis. O primeiro seria aquele que fornece a competência (competence) enquanto habilidade para realizar uma tarefa específica, e o segundo aquele que traz a capacitação (capability) como compreensão dos mecanismos subjacentes à solução do problema envolvido na tarefa.

Com relação aos novos saberes, Crevoisier (2003) afirma que o amadurecimento de novos produtos e técnicas, ao se repetir ao longo do tempo, provoca uma diferenciação progressiva dos saberes e da cultura técnica do meio diante do seu ambiente. Assim, as mudanças têm que ocorrer de forma sistêmica, por meio de interações contínuas entre os atores, e ao longo do processo de geração da inovação. Diante disto, esses relacionamentos exigem determinado grau de abertura e confiança, ainda que com algumas restrições quando se tratar de informações confidenciais.

Portanto, a partir da definição de inovação, a próxima questão a ser discutida é a capacidade de inovação de uma região, ou seja, como ela estabelece as conexões com parceiros, saberes, troca de informações, etc..
1.1.3 Paradigma organizacional: sistemas de inovação

O paradigma organizacional diz respeito aos mecanismos de coordenação entre os atores de um meio. Ou seja, uma micro empresa, por exemplo, é apenas um elemento inserido num sistema de produção e num sistema territorial. Todavia, esta inserção implica no estabelecimento de relações com as outras empresas de seu ambiente, tanto com as fornecedoras de insumos como com aquelas que compram seus produtos e serviços. Deste modo, a micro empresa integra o sistema de produção regional, estando sujeita às regras de cooperação e concorrência deste ambiente.

Segundo Scatolin et al. (1998), o conceito de sistema de inovação faz referência (i) às interações entre diversos agentes (públicos e privados) na produção e difusão de tecnologia no sistema econômico; (ii) à idéia de que essas interações são organizadas e canalizadas por acordos que vão além do sistema de preços, e (iii) à diversidade dos arranjos institucionais e produtivos que servem de base ao processo de aprendizado.

Para Metcalfe (1995, apud ROLIM, 2000),

Um sistema nacional de inovação é aquele conjunto de diferentes instituições que, em conjunto e individualmente, contribuem para o desenvolvimento e difusão de novas tecnologias e que fornecem a estrutura dentro da qual elaboram e implementam políticas para influenciar o processo de inovação. Como tal é um sistema de instituições interligadas para criar, armazenar e transferir o conhecimento, habilidade e artefatos que definem novas tecnologias (p. 45).

Aprofundando o conceito de sistemas de inovação, Rolim (2000) resgata a idéia de processo de aprendizado ao afirmar que as interações entre universidades, institutos de pesquisa, agências de treinamento vocacional, transferência de tecnologia, bancos, parques tecnológicos, assim como com as empresas em geral, tendem a se transformar em um sistema regional de inovação. Isto porque, conforme o autor, o aprendizado é o ponto de partida para a inovação. Dessa forma, a constituição de um sistema de inovação pode envolver subsistemas correlatos como o de aprendizado, o relacionado com a cultura produtiva e o financeiro.

Com relação aos mecanismos de coordenação presentes no interior de um sistema de inovação, Crevoisier (2003) defende que estes articulam aspectos funcionais e territoriais. Os funcionais se referem às regras locais de concorrência e cooperação enunciando a divisão do trabalho. Em essência, a articulação local dos agentes contribui para a manutenção e reprodução da fronteira entre o meio e o exterior, no sentido de definir tanto os atores que fazem parte do sistema de coordenação local, como aqueles que não fazem. No que se refere aos aspectos territoriais, a capacidade de coordenação também é essencial do ponto de vista da concorrência com outros sistemas de produção.

Ainda de acordo com o mesmo autor, além das capacidades de coordenação, o funcionamento do sistema de inovação gera, ao longo do tempo, interdependências não mercantis. Neste sentido, a cooperação não é permanente, porém constitui-se na formação de um capital relacional, permitindo que os atores locais identifiquem e tenham acesso a diversas modalidades de recursos particulares. Todavia, a tomada de decisão dos atores articulados obedece um conjunto de regras formais ou informais, ou seja, um determinado tipo de governança1.


1.1.4 Paradigma territorial: território

É consenso que a inovação não aparece de modo uniforme no espaço. Assim sendo, o paradigma territorial ressalta a importância do território, enquanto organização provedora de recursos (saberes, competências, capital, etc) e atores (empresas, empreendedores, instituições de suporte, etc) necessários à inovação.

Para Campeão e Lambert (2001), o surgimento do território enquanto ator do desenvolvimento econômico justifica-se à medida que é reconhecido como portador de uma história, de formas institucionais e de objetivos que o diferencia das firmas, porém não é independente dessas. Para as autoras, o território é o ponto de encontro entre os atores do desenvolvimento; é o lugar onde se organizam as formas de cooperação entre empresas; onde se decide a divisão social do trabalho; ele é, enfim, o ponto de encontro entre as formas de mercado e as formas de regulação social. Nas novas considerações, o território deixa de ser visto apenas como um território habitado para passar a ser entendido como um espaço social construído a partir da interação da sociedade com o meio natural.

Contudo, a abordagem dos meios inovadores dá especial importância à diferença entre proximidade e distância. De acordo com esta abordagem, "o que está próximo (no meio) é diferente (savoir-faire específicos) e se mobiliza diferentemente (concorrência/cooperação e capital relacional) do que está distante" (CREVOISIER, 2003, p. 19).

Assim, ao longo do tempo, o território é alternativamente a matriz, na qual se desenvolvem os sistemas de inovação, e a marca deixada por esses sistemas sobre os recursos do meio. Logo, tanto as empresas locais como o território estão relacionados com a regeneração dos recursos específicos, num processo dinâmico que acentua as diferenças entre uma região e outra. A concorrência entre territórios faz-se pela inovação, ou seja, pela mobilização dos recursos constituídos no passado, adaptados às novas técnicas e aos novos mercados e incorporados aos novos produtos. Este é o processo definido como Ruptura/Filiação, representado pela Figura 2.


Interação (concorrência/cooperação); aprendizagem (inovação). Território empresa 2



Interação (concorrência/cooperação); aprendizagem (inovação). Território empresa 1

Rede de inovação


Meio inovador


Ruptura/filiação



Território matriz 2

Savoir-faire específicos; capital relacional; coletivo de atores (fatores)

Território matriz 1

Savoir-faire específicos: capital relacional; coletivo de atores

Figura 2 – O processo de Ruptura/Filiação

Fonte: Crevoisier (2003), p.20.
Em resumo, a abordagem dos meios inovadores propõe uma visão geral do desenvolvimento econômico territorializado. Este seria fruto do funcionamento anterior do sistema dotado de recursos específicos, regras de funcionamento, território e cultura técnica próprios além de interdependências. Na dinâmica deste sistema, se reforçam hierarquias e surgem novos arranjos produtivos. Nesse aspecto, a abordagem dos meios inovadores orienta para estudos sobre arranjos produtivos, tais como, distritos industriais, tecnópoles, redes de empresas, etc. Assim sendo, a sessão seguinte analisa o Programa Redes de Cooperação, cujo alicerce é o trabalho integrado entre universidade, governo e redes de empresas.



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