8ª sessão solene



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386ª SESSÃO SOLENE
15/08/2011


O SR. PRESIDENTE (Francisco Chagas - PT) - Senhoras e senhores, autoridades presentes, está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão solene destina-se à entrega do Título de Cidadão Paulistano ao Sr. Virgílio Gomes da Silva - in memoriam, nos termos do Decreto Legislativo nº 12, de 19 de abril de 2011, de iniciativa deste Vereador, que contou com a aprovação unânime dos Srs. Vereadores desta Casa.

Passo a palavra à Sra. Cecilia de Arruda, Chefe do Cerimonial do Palácio Anchieta, para a condução dos trabalhos.
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Senhoras e senhores, autoridades presentes, muito boa noite. Sejam todos bem-vindos à Câmara Municipal de São Paulo.

Damos início à sessão solene de entrega do Título de Cidadão Paulistano ao Sr. Virgílio Gomes da Silva - in memoriam -, de iniciativa do nobre Vereador Francisco Chagas.

Compõem a Mesa as seguintes autoridades e personalidades: Ministro Paulo Vannuchi; Vereador Jamil Murad, Líder da bancada do PC do B e Presidente da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo; sempre Deputado Ricardo Zarattini; Rose Nogueira, Presidente da ONG Tortura Nunca Mais; Clara Charf; Antonio Carlos Fon, jornalista; Nilmario Miranda, Presidente da Associação Perseu Abramo; Aton Fon Filho, representando neste ato o setor de Direitos Humanos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST; Lourival Batista Pereira, Diretor do Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo. (Palmas)

Convidamos todos para, de pé, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro.


- Execução do Hino Nacional Brasileiro.
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Registramos e agradecemos a presença das seguintes personalidades: o sempre Vereador Laurindo; Luiz Gonzaga Dantas, Ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo; Leandro Lago, representando neste ato o Teatro Studio 184 - Dulce Muniz; Elza Lobo, representando a Associação Ação Madre Cristina; Marinho, Presidente da Sociedade Amigos Jardim Alto Alegre - São Mateus, São Paulo; Henrique, Presidente da Associação dos Veteranos Sport Club Comunitário Cidade Tiradentes; Anelize Moreira, repórter da Rádio Brasil Atual; Adílio Roque e José Meziano, ambos da ANAP - Anistia; Chico Bezerra, Coordenador do Fórum Sindical dos Trabalhadores; José Eduardo de Souza, Dirigente Sindical do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo; Criméia Almeida, representando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Pedro Ribeiro Araújo, Líder da Juventude do Fórum em Defesa da Vida e Cidadania da zona Noroeste; Maria Amélia de Almeida Telles, representando a União de Mulheres do Município de São Paulo; Rildo Marques de Oliveira, Coordenador Geral do Movimento Nacional dos Direitos Humanos do Conselho Estadual da Defesa da Pessoa Humana - Condep; Valdeluce Aparecida Maia, Diretora do Sindicado dos Psicólogos do Estado de São Paulo; Júlio César Fernandez Neves, representando a Comissão de Justiça e Paz; André Luzzi, Coordenador Geral da Ação da Cidadania contra a Fome, Miséria e pela Vida; André Freire, Secretário Geral do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo; Marina Inácia, representando neste ato a Associação Educacional e Cultural Padre Luiz Sutter; Carlos Kópcak, representando neste ato o Centro de Educação Estudos e Pesquisas - CEEP/SP; Pedro Antonio Lourenço, representando a Comunidade Catinguá, de Santo André; Amaury Teixeira, representando neste ato o nobre Vereador José Ferreira dos Santos - Zelão; Francisco da Silva, Vice-Presidente da Associação Unidos São Jorge, do Parque das Flores; Sebastião da Silva, Presidente do Conselho Comunitário de Segurança - Conseg 72/Vila Penteado; Alexandre Maciel, Diretor do Grupo Tortura Nunca Mais; Eufraldízio Modesto, Supervisor de Cultura, representando neste ato o Prefeito de Várzea Paulista, Eduardo Pereira; Edmar Pipoca, Presidente, do Diretório Zonal de Perus do PT; Delmar Mattes, representando a Associação Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes e Coletivo Curupira; Augusto Portugal, representando a Associação dos Metalúrgicos Anistiados do ABC; Raquel Oliveira de Brito, Militante do PCR - Partido Comunista Revolucionário; Lúcia Rodrigues, Repórter da revista Caros Amigos e pauteira da Rádio Brasil Atual; Elisabeth dos Santos, representando neste ato o Deputado Estadual Luiz Moura; Domingos Martiniano da Silva, Diretor da Associação dos Moradores da Vila Nova Esperança; Lúcio França, representando neste ato a Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP; Domingos Galantte, ex-Presidente do Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo; Osmar Soares dos Santos, Conselheiro Diretor de Saúde da Unidade de Saúde do Jardim Ana Maria, de Santo André.

Acusamos o recebimento de mensagens cumprimentando-nos pelo evento, dos Srs.: José Eduardo Martins Cardoso, Ministro da Justiça; Maria do Rosário, Ministra Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo; Gilberto Kassab, Prefeito da Cidade de São Paulo; Oswaldo B. Duarte Filho, Prefeito de São Carlos; Valdemiro Brito Gouvea, Prefeito do Município de Américo Brasiliense; Chico Brito, Prefeito de Embu das Artes; Alda Marco Antonio, Vice-Prefeita da Cidade de São Paulo e Secretária Municipal de Assistência Social; Barros Munhoz, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; José Police Neto, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo; Sidney Beraldo, Secretário Chefe da Casa Civil; Rodrigo Garcia, Secretário de Estado de Desenvolvimento Social; Davi Zaia, Secretário do Emprego e Relações do Trabalho; Linamara Rizzo Batistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência; Giovanni Guido Cerri, Secretário de Estado da Saúde; Edson Giriboni, Secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos; Paulo Alexandre Barbosa, Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia; Rui Falcão, Deputado Estadual e Presidente Nacional do PT; José Cândido, Deputado Estadual; Newton Lima, Deputado Federal; Cláudio Lembo, Secretário Municipal dos Negócios Jurídicos; Alexandre Alves Schneider, Secretário Municipal da Educação; Marcos Cintra, Secretário Municipal do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho; Edson Ortega Marques, Secretário Municipal de Segurança Urbana; Marcos Belizário, Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida; Roberto Haddad, Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região; Edson Simões, Conselheiro Presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo; Antonio Carlos Caruso, Conselheiro Vice-Presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo; Coronel PM Álvaro Batista Camilo, Comandante Geral da Polícia Militar;.João Grandino Rodas, Reitor da Universidade de São Paulo; Ivan Seixas; Padre Chicão; José Augusto Camargo, Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo; e dos nobres Vereadores: Adolfo Quintas, Alfredinho, Goulart, Attila Russomanno, Claudio Prado, Claudinho de Souza, Domingos Dissei, Edir Sales, Floriano Pesaro, Natalini, Gilson Barreto, Juscelino Gadelha, Milton Ferreira, Milton Leite, Netinho de Paula, Paulo Frange, Toninho Paiva e Ushitaro Kamia. (Palmas)

Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Nilmario Miranda.
O SR. NILMARIO MIRANDA - Boa noite.

Parabenizo o nobre Vereador Francisco Chagas por esta iniciativa. É um fato histórico devolver esta Cidade ao Virgílio Gomes da Silva, imigrante nordestino.

Foi nesta Cidade - que o matou barbaramente - que ele passou a participar da luta por seus ideais e da resistência à ditadura. A Câmara Municipal de São Paulo, neste momento e de forma magnífica, lhe devolve a condição que era sua quando aqui chegou: de paulistano adotado pela Cidade. Esta homenagem é do Virgílio e de sua família, mas é também de todos.

Parabéns ao Vereador. Parabéns à Câmara. Parabéns à cidade de São Paulo. (Aplausos)


A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento a Sra. Rose Nogueira.
A SRA. ROSE NOGUEIRA - Boa noite.

Virgílio adotou a Cidade muito antes. Ouvi da mãe dele, Sra. Isabel, uma linda história. Virgílio gostava muito de orquídeas e ele as cultivava em uma treliça, no fundo do quintal. Um dia D. Isabel achou que era melhor plantar chuchu.

Nosso homenageado andava pela Serra do Mar a fim de procurar orquídeas. Naquela época as pessoas nem sabiam muito bem o que eram orquídeas, então ele trazia várias espécies para casa. Dona Isabel pediu para que Virgílio tirasse as orquídeas e ele as tirou. Junto com o irmão mais novo, Chiquinho, foram ao Viveiro Manequinho Lopes, no Parque do Ibirapuera, e entregaram todas as orquídeas para a Cidade. Portanto peço a quem for ao Ibirapuera que dê um passeio pelo Viveiro Manequinho Lopes e olhe as orquídeas que são netas, bisnetas e tataranetas das originais.

Ilda - viúva de Virgílio - e eu fomos companheiras de prisão, de cela. Somos amigas e nunca deixamos de estar perto uma da outra. Várias vezes fui visitá-la em Cuba. Enfim, nunca consegui me separar dela. Nunca consegui. No dia em que saí da prisão - um pouco antes dela - prometi a ela que até o fim continuaríamos procurando Virgílio. É isso que estamos fazendo. Por isso exigimos que a Comissão da Verdade e Justiça, que será instalada, saiba e apresente quem matou nosso companheiro Jonas e o modo como foi morto, e que a Justiça seja feita.

Muito obrigada. (Aplausos)
A SRA. CECÍLIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento a Sra. Clara Charf, viúva de Marighella e Presidente da Associação do Movimento de Mulheres pela Paz.
A SRA. CLARA CHARF - Boa noite a todas e a todos.

Esta solenidade nos comove muito - e por vários motivos. Vemos todas essas figuras que estiveram e que estão na luta, conheceram pessoas que estiveram na luta, e o que une todas essas pessoas - o carinho e o afeto - demonstra a importância de uma solenidade como essa.

Esta Câmara vai resgatar cada vez mais a sua história, porque já concedeu vários títulos a revolucionários que foram atacados, enxovalhados. A Cidade deve se orgulhar por esta homenagem a fim de resgatar a verdadeira história de Virgílio.

Além desta atitude da Câmara, as pessoas hoje ouvem falar da Comissão da Verdade. É uma necessidade absoluta que a Comissão da Verdade resgate e conte ao povo tudo o que aconteceu em nosso país e tudo o que aconteceu com esses homens, que são heróis da pátria. (Aplausos) É muito importante que isso seja feito, porque a informação que a juventude recebe é quase nenhuma.

A experiência que tivemos como família de Marighella foi muito importante porque, depois que a Câmara deu a ele o Título de Cidadão Paulistano, resgatou para a própria Cidade um valor, porque se dizia que a Câmara não apresentava nada, só discutia, não fazia projetos úteis, ou muito poucos. Portanto, ao resgatar a figura desses homens, ela resgata sua própria história. Acredito que a Câmara se orgulhará da atitude: de dar a Marighella, a Virgílio e a outros companheiros esse título, esse resgate verdadeiro.

Quero fazer uma homenagem especial à viúva, companheira, mãe e revolucionária: Ilda Martins da Silva. (Aplausos) Isso porque, ao contarmos a história dos companheiros que recebem o Título de Cidadão Paulistano, às vezes não nos damos conta - talvez, por falta de conhecimento - do papel que tiveram essas famílias.

O caso da Ilda daria um livro, ou muitos livros, para contar todo o valor que ela teve desde o dia em que foi presa; depois que foi solta; quando foi para o exílio. Estivemos juntas em Cuba. Enfim, o papel que teve, a dignidade, a firmeza e valentia de enfrentar todas as dificuldades. Inclusive, quando os exilados começaram a retornar ao Brasil, algumas companheiras que tinham filhos estudando em Cuba ficaram em dúvida se voltavam ou não. Lembro-me que Ilda e eu conversamos muito a respeito. Dizia: “Ilda, você vai ficar mesmo? Você não quer voltar para o Brasil?” E ela respondeu: “Não. Vou ficar, porque aqui poderei educar meus filhos”. E assim ela fez. Portanto devemos a ela a dignidade, atitude e coragem.

Devemos à Cuba, também, um grande agradecimento. Esta homenagem é um resgate do papel que Cuba teve na história da democracia. (Aplausos) Muitos de nós receberam de Cuba todo o apoio, carinho, possibilidade de estudo e trabalho.

Quando for instalada definitivamente, a Comissão da Verdade terá um trabalho muito importante. Não só o de contar a história de cada um dos companheiros e companheiras perseguidos, torturados e mortos, mas também a história dessas famílias. O papel que essas famílias tiveram de enfrentar a ditadura, não frontalmente, mas por trás, para proteger e fazer com que as pessoas continuassem vivendo e lutando para que um dia conquistássemos a democracia.

Deixo um abraço carinhoso ao nobre Vereador que teve essa iniciativa. Isso faz parte da história democrática de nosso país.

Muito obrigada. (Aplausos)
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para uma apresentação musical o Coral Martin Luther King, regido pelo Maestro Martinho Lutero.
- Apresentação musical.
O SR. MARTINHO LUTERO - O Coral Luther King tem a honra de estar presente nesta cerimônia por vários motivos.

O Sindicato dos Químicos há vinte anos é a nossa casa, local em que ensaiamos e preparamos nossas peças musicais.

O outro motivo - e principal - é esta homenagem concedida ao companheiro Virgílio.

O canto que fizemos de entrada é africano. É o hino contra o racismo e as injustiças da África. É um hino internacionalista e talvez um dos mais importantes do mundo. É cantado em toda a situação de luta contra as injustiças no mundo inteiro.

A segunda canção que cantaremos é uma canção revolucionária italiana, dos partisans, e a escolhemos por uma razão muito particular: ela termina dizendo que esse revolucionário foi simbolicamente enterrado e em sua tumba nasceu uma flor. Essa flor simboliza aqueles que caíram pela liberdade. Vamos cantar essa música em homenagem ao companheiro Virgílio, amante das flores.

E a última música é uma homenagem à origem de Virgílio, ao seu Nordeste querido.

Muito obrigado. (Aplausos)
- Apresentação musical.
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - A Câmara Municipal de São Paulo agradece ao Coral Martin Luther King e ao Maestro Martinho Lutero.

Convidamos para seu pronunciamento o jornalista Antonio Carlos Fon.


O SR. ANTONIO CARLOS FON - Estou muito feliz hoje com essa homenagem que a Câmara Municipal de São Paulo presta ao companheiro, comandante Jonas Virgílio Gomes da Silva.

O Brasil tem uma longa tradição de esquecer por muito tempo esses heróis. Zumbi precisou de 200 anos para ser reconhecido e Tiradentes, 100 anos. Virgílio, nosso comandante Jonas, 42 anos depois está sendo lembrado. E ele, que era um cidadão do mundo, recebe hoje o Título de Cidadão Paulistano.

Este é um momento importante para esta homenagem. Um momento extremamente importante porque a outra tradição brasileira é a de esconder, varrer para baixo do tapete os crimes das tiranias. Queimamos os arquivos da escravatura. Deixamos passar impunes os crimes do Estado Novo. E agora temos finalmente a possibilidade de romper essa tradição por meio de uma Comissão da Verdade, que apurará os crimes cometidos contra o povo brasileiro, a fim de que haja punição. Parafraseando o lema do grupo Tortura Nunca Mais: “Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça”. O companheiro Virgílio tem hoje uma importância extremamente grande, até em função desse momento.

Parabenizo o nobre Vereador Francisco Chagas, pela iniciativa; a Câmara, pela homenagem, mas acredito que a Cidade de São Paulo é que fica engrandecida pelo reconhecimento de nosso herói. (Aplausos)


A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Lourival Batista Pereira.
O SR. LOURIVAL BATISTA PEREIRA - Boa noite a todos e a todas.

Parabenizo os companheiros da mesa, o companheiro Francisco Chagas, pela iniciativa do projeto.

Todos ficamos muito emocionados com os depoimentos dos companheiros - e tenho motivos de sobra para ficar emocionados. Virgílio militou e organizou meu Sindicato.

Ao andarmos pela região de São Miguel ainda encontramos poucos militantes daquela época. A grande maioria já está de bengala. Mas todos sempre relatam a coragem e a lealdade de Virgílio, nosso comandante Jonas. E os jovens também começaram a se interessar pela história de Virgílio.

Um dia um companheiro, na inauguração de nosso clube de campo, perguntou quais as lutas mais importantes do Virgílio, e eu respondi: “Todas, mas só vou lembrar de uma. Ele dirigiu a primeira greve na conquista do 13º salário - benefício que se perpetua ao longo das gerações”.

Parabéns, Vereador. Parabéns, companheiros da mesa.

Um abraço à dona Ilda, grande companheira que dá seguimento a toda a luta iniciada por Virgílio.

Muito obrigado. (Aplausos)


A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Ricardo Zarattini.
O SR. RICARDO ZARATTINI - Cumprimento a família de nosso querido Jonas, esse mesmo Jonas que foi o grande líder da luta pela conquista do 13º. Portanto reitero meus cumprimentos à companheira Ilda, aos filhos, à Cleuza - irmã de Virgílio e velha companheira. (Aplausos)

Não podemos também nos esquecer da iniciativa brilhante de um outro operário - operário químico - nosso querido Vereador Francisco Chagas, que demonstrou seu espírito de trabalhador, seu espírito de lutador ao fazer esta brilhante homenagem a um companheiro que hoje faria 78 anos.

Mas nosso querido companheiro Jonas não morreu, não. Ele permanece e permanecerá na memória de todos nós. Nossa memória é a luta da classe dos trabalhadores, a memória do conjunto de companheiros que foram as principais vítimas do golpe de 1964. A memória está nas conquistas - 13º salário, Estatuto do Trabalhador Rural - que foram revogadas na ditadura. Mas a classe trabalhadora estava disposta a lutar contra a ditadura.

Imaginem o número de dirigentes sindicais que foram perseguidos. Comprovamos isso ao vermos as primeiras listas de cassação. Quantos sindicatos sofreram intervenção. Estava em Pernambuco e lá constatei que 28 sindicatos rurais sofreram intervenção. E os interventores eram tenentes e capitães do Exército. Mas vimos vários grupos - não só de trabalhadores - de estudantes, de intelectuais confrontarem a ditadura.

Naquele momento surgiu a figura de Jonas; aí surgiu nosso grande companheiro Carlos Marighella - aqui muito bem representado por Clara. (Aplausos) Nesse momento é que vimos surgir a figura de Jonas, grande combatente operário.

Essa luta prosseguiu. Tivemos momentos importantes, com participação da classe operária, dos trabalhadores, dos estudantes, como foram as grandes greves de 1968. Hoje essa tradição perdura porque, no momento mais agudo da repressão, Geisel não vacilou em dizer que a tortura era uma necessidade, frase que não sai de nossa memória, como não saiu da memória de muitos companheiros.

Em 6 de maio de 1978 eclodiu a primeira grande greve do ABC. Metalúrgicos foram à luta e fizeram surgir um partido novo, um novo sindicalismo, novas lideranças. Para nossa felicidade e para o engrandecimento deste país, surgiu uma nova liderança: Luis Inácio Lula da Silva, nosso companheiro. (Aplausos) Naquele instante nossas organizações de resistência armada sofriam uma terrível perseguição. Mas foi exatamente o Jonas, os “novos Jonas” que surgiram. Por isso digo que Jonas não morreu. Ele viverá para sempre na consciência de nossos companheiros, passando de geração a geração, mas sempre com espírito de luta. E esse espírito de luta é que fez derrotar a ditadura.

Mas não a derrotou completamente, companheiros. Avançamos e tivemos novas conquistas. Conseguimos a vigência plena da liberdade democrática. Estão aí as grandes centrais, proibidas no período militar. Portanto, companheiros, a luta não terminou porque conseguimos levantar a bandeira da Comissão da Verdade.

Jonas é um desaparecido. Onde está Jonas? Para termos essa resposta iremos até o fim. Vamos querer resgatar a verdade. (Aplausos) Essa verdade surgirá mais dia, menos dia. Mas essa verdade depende de nós, da mobilização dos trabalhadores, depende de termos na Câmara Municipal representantes, não só como o Ítalo Cardoso, o Alfredinho, o Francisco Chagas; temos de ter mais representação. Depende de todos vocês alcançarmos a verdade histórica.

Mais que isso: precisamos punir aqueles que cometeram crimes contra o povo; punir aqueles que torturaram barbaramente, que assassinaram. Isso vamos conquistar porque, como dizem nossos companheiros argentinos: nem esquecimento, nem perdão.

Obrigado, companheiros! (Aplausos)
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento o nobre Vereador Jamil Murad.
O SR. JAMIL MURAD (PC do B) - Companheiros, em primeiro lugar cumprimento o nobre Vereador Francisco Chagas que, com a homenagem ao revolucionário Virgílio Gomes da Silva, já justificou o apoio e a confiança que o povo de São Paulo deu a S.Exa. Esta atitude transcende as avaliações das necessidades cotidianas de nosso povo; tem um significado superior na política e na visão da sociedade de progresso que todos desejamos.

Vannuchi e Nilmario foram Ministros no Governo de um grande Presidente: Lula. Como Ministros de Direitos Humanos fizeram de tudo para resgatar nossa história, ir atrás dos desaparecidos. Fizeram de tudo para atingir esse esclarecimento.

Nosso companheiro Virgílio, que iniciou sua militância política no Partido Comunista, em São Miguel Paulista, como operário da Nitroquímica, foi assassinado. Mataram seu corpo, mas não as suas ideias. Sua luta continuou. Aqueles que o mataram perderam, foram derrotados.

Com certeza, ele ficaria muito feliz ao ver um operário ser eleito Presidente da República e tentar resgatar a Justiça para seu povo. Mais que isso, Virgílio vive na vitória de uma ex-guerrilheira também, que hoje é Presidenta da República. Quando nosso companheiro Virgílio poderia imaginar que uma guerrilheira do tempo dele fosse Presidenta da República Federativa do Brasil? É uma vitória extraordinária! (Aplausos)

Portanto, companheiros, o sacrifício de Virgílio não foi em vão. Seu sangue derramado frutificou em vitórias para nosso povo. Se não fossem os revolucionários determinados, decididos a enfrentar a ditadura, não sabemos onde estaríamos hoje. Foi enfrentando a ditadura, às custas da perda da própria vida, da liberdade, às custas do sofrimento, que chegamos a essa etapa de desenvolvimento de nosso país.

Enfim, morreu o corpo de nosso companheiro Virgílio, mas não só ele vive nas ideias, como está militando. Vejam quantas pessoas ele mobilizou para a Câmara Municipal. E ele estaria muito feliz com isso. Temos de prosseguir.

Quem imaginava que um terrorista da Noruega mexeria com o povo brasileiro? Ele disse que o povo brasileiro não tem futuro porque é um povo misturado, porque a produtividade deixa a desejar. Ele é um covarde em toda a linha.

Essa ideia de construir uma sociedade nova, uma sociedade pela qual Virgílio morreu, e que é o socialismo, é uma necessidade. Todos vocês que vieram aqui, que estão na mesa, e nosso companheiro Francisco Chagas - mui digno Vereador - enfim, todos queremos isso.

O nobre Vereador Francisco Chagas é um dos primeiros em qualidade como homem público, como representante do povo. (Aplausos)

Companheiros, temos de prosseguir nessa luta. Temos tudo para nos animar: nosso companheiro Virgílio está sendo homenageado no Centro de São Paulo. Um instrumental que eles usavam para oprimir nosso povo agora está homenageando nossos heróis.

Cumprimento todos os combatentes. Presto uma homenagem eterna a todos os combatentes que perderam a vida na luta pela democracia. Como bem disse o companheiro Zarattini, vamos atrás de todos os companheiros desaparecidos. Isso não depende da vontade instantânea de um ou outro. É um processo que está em andamento. Esses dois Ministros têm dignidade. Fizeram o esforço deles. Deram um passo a frente. Mas a conquista do resgate ainda não era possível. Mas o povo brasileiro está conseguindo isso.

Companheiros, temos de continuar apoiando nossa Presidenta - até para reforçar esta homenagem prestada ao Virgílio - para S.Exa. ir mais fundo e mais longe nas transformações do Brasil, a favor de nosso povo, como desejava nosso companheiro Virgílio.

Muito obrigado. (Aplausos)
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento o sempre Ministro Paulo Vannuchi.
O SR. PAULO VANNUCHI - É uma grande honra fazer parte desta mesa composta por lutadores e lutadoras. É uma alegria ver tantos rostos amigos.

Aqui, filhos, filha, netos e irmã de Virgílio. Nosso homenageado também gostaria que um pedacinho desta homenagem fosse deslocada para dona Isabel, para Chiquinho - Francisco Gomes. (Aplausos)

Não tive a honra de conhecer pessoalmente o Virgílio, mas quando cheguei na cadeia, nos cinco anos em que estive preso, senti Virgílio muito vivo por causa do depoimento dos companheiros Aton, Celso Horta e outros. Os companheiros contavam - e já nos traziam - uma primeira ideia desse sentimento que temos hoje, aqui, de celebrar um Virgílio Gomes da Silva vencedor, vitorioso em sua morte, lutando pela liberdade.

Ele já era um vencedor porque era um dos raros casos que havia derrotado inapelavelmente os seus próprios torturadores. É uma das situações que sempre recordamos: sendo massacrado em poucas horas, nessas versões que nunca registramos bem. Mas quero lembrar o que ficou muito marcado na memória: num certo momento, Virgílio gritando para seus algozes: “Vocês estão matando um brasileiro”. Essa frase, neste Brasil que começamos agora a avistar como uma luz que pode ser alcançada, de uma nação justa, livre, democrática, de igualdade.

Quero registrar um pouco mais do que já feito, alguns dos significados maiores deste evento. O primeiro é a celebração da vitória de Virgílio. As lágrimas são inevitáveis, mas o momento é de liberar nosso riso, de ver o País nascendo - ainda em passos lentos, com contradições difíceis de suportar, resistências inesperadas. Mas o País começa a ser visto, a mostrar o rosto possível, de uma Nação justa e democrática pela qual Virgílio doou sua vida.

O significado de a Câmara Municipal de São Paulo, poder público, tornar eventos como este uma espécie de rotina, uma sequência - aqui já se homenagearam Marighella, Câmara Ferreira e tantos outros; sexta-feira que vem será a vez de Clarice Herzog - e a necessidade de transformar, de fato, isso em uma rotina.

O nobre Vereador Chagas simbolizando tão bem este momento do Brasil, em que a classe trabalhadora elege o Presidente da República, mas elege também parlamentares, prefeitos, dirigentes para o exercício direto do poder político em disputa dentro dos governos, dos parlamentos; e o Sindicato dos Químicos sendo uma importante vanguarda nesta iniciativa.

Vendo aqui tantos amigos e lembrando que trabalhei 21 anos nesta Casa, como funcionário, quantas vezes, nos últimos 20, 30 anos, tentamos promover eventos como este, e teríamos dificuldades enormes; a Casa nunca lotada desta maneira.

Eu mesmo, que trabalho há 26 anos no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, digo que só há dois anos conseguimos fazer um memorial de homenagem permanente aos irmãos Carvalho - Devanir, Joel, Jairo e Daniel - e a Aderval Alves Coqueiro. Eles tinham sido metalúrgicos daquela base. Este é um significado do momento também.

Essa luta finalmente, foi desbloqueada. O resultado dela é incerto: depende muito da condução que soubermos dar. O que menos importa são nossas eventuais divergências sobre como deve ser a Comissão da Verdade - o nome, o processo.

As divergências que separavam militantes como Marighella, Virgílio, Câmara Ferreira e Vladimir Herzog, ou David Capistrano, Luís Inácio Maranhão não eram menores que as divergências que nos unem hoje, que nos separam hoje. Então vamos aprender com a história e manter a indispensável unidade em nossa diversidade de concepções, os mecanismos de decisão - com as regras da maioria - sobre o que fazer.

Mas a Comissão da Verdade está claramente ao alcance da mão. Ainda hoje à tarde, no evento que formalizou a criação do Instituto Lula, o discurso do Presidente, que raramente aborda esse tema, mencionou a Comissão da Verdade. A Carta Capital desta semana tem uma entrevista com a Presidenta Dilma reafirmando seu compromisso de honra com a aprovação. E a Comissão da Verdade é o passo, ao alcance da mão, para promover mudança profunda na percepção que o Brasil tem do tema.

Estamos em dinâmica. Há 30 anos, não tinha se iniciado esse processo de reconhecimento do resgate. Os familiares organizados, vítimas, ex-presos, representaram sempre o papel de principal dínamo, obrigando os poderes públicos. A democracia começou a dar passos e os poderes públicos começaram a aceitar, divididos - o novo e o velho juntos, misturados.

Mas a chance está dada de não repetir o que houve em outros processos históricos. Antonio Carlos Fon já lembrou que demorou mais tempo para que Tiradentes, Frei Caneca, Zumbi fossem reconhecidos como heróis nacionais, como hoje Virgílio é reconhecido.

Começo a acreditar com mais força - e não acreditava há 20 anos - que teremos em alguns anos livros escolares contando sobre a vida de Virgílio, para que os jovens saibam que o País que temos, o país que construímos nasceu porque uma parcela deste povo resistiu, lutou, não aceitou a ditadura

E não resistiu de maneira unificada. Houve unidade durante alguns anos. Na derrota da ditadura e em outros períodos nós - Virgílio, eu, muitos de nós - recorremos à resistência armada porque considerávamos que aquele regime brutal tinha fechado as portas para qualquer outro tipo de resistência eficiente. Já disse: onde a ditadura é um fato, a rebelião e a revolução tornam-se um dever. Mas muitos, movidos pela mesma convicção de verdade que nos movia, entendiam que não era adequado recorrer à resistência armada; e juntos fomos massacrados pelo aparelho de tortura.

Onde estão hoje os membros desse aparelho de tortura? Escondidos em suas tocas, mentindo. Meu tio José Oliveira Leme fez 90 anos, sábado. Fui a Sorocaba para festejar seu aniversário e em certo momento ele me perguntou: “Paulinho, esse Ustra vai morrer sem ser punido?” Só para lembrar um dos crimes: pai de Alexandre Vannuchi Leme morto sob torturas em março de 1973, no DOI-CODI comandado por Ustra. Eu falei: “Tio, a luta é essa. Estamos no meio do caminho”.

Mas uma coisa quero dizer: é a primeira vez, na vida de Ustra, que ele perdeu a certeza de que não seria punido. Essa certeza já acabou. Quando a certeza da impunidade morre o País começa a mudar, porque o torturador de hoje, o assassino de hoje começa a sentir que o País está mudando e de que é hora de começar a compreender os direitos inalienáveis da pessoa humana.

Nesse sentido, parabéns à família - Ilda, filhos, irmã, netos - por essa saga resistente, em Cuba e no Brasil. Parabéns ao Vereador Francisco Chagas, à Câmara. E o compromisso reafirmado, de todos nós, de seguirmos ampliando essa luta a cada semana, a cada mês, porque o desfecho agora começa a estar ao alcance das mãos.

Muito obrigado. (Aplausos)


A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Com a palavra o Presidente proponente desta sessão, nobre Vereador Francisco Chagas.
O SR. PRESIDENTE (Francisco Chagas - PT) - Muito boa noite a todas e a todos.

Inicio cumprimentando os companheiros: nobre Vereador Jamil Murad, companheiro de luta, de tribuna da Câmara Municipal, mas especialmente da luta social; Paulo Vannuchi, não só pela presença, mas pela brilhante exposição e compreensão da realidade brasileira, que de fato mudou e faremos mudar mais ainda; Nilmario Miranda, Presidente da Fundação e também organizador da história, da luta do povo brasileiro; Rose Nogueira, Presidenta da ONG Tortura Nunca Mais em São Paulo, também conhecida de todos; sempre Deputado, militante Ricardo Zarattini, um batalhador das causas sociais populares do Brasil e uma referência para todos nós; Clara Charf, pela presença, disposição e capacidade de trazer para todos nós a vida e a memória de nossos lutadores; Antonio Carlos Fon, jornalista, militante e também participante dessa luta duríssima que todos tivemos de enfrentar; Ilda Martins da Silva, viúva de nosso homenageado. (Aplausos)

Na pessoa da Ilda cumprimento todos os seus filhos, netos, parentes que vieram prestar esta justa homenagem que a Câmara Municipal de São Paulo oferece ao nosso Virgílio.

Como bem disseram Jamil e Paulinho, de fato Virgílio tem capacidade de mobilização muito forte. Vejo aqui pessoas que há muito tempo não via: Carlinhos Kópcak, Toshio, Neto, Raimundinho, nosso operário da oposição metalúrgica, nossos companheiros da Diretoria, Lourival e, na figura dele, todos os diretores e a categoria dos companheiros químicos e plásticos.

Cumprimento também José Cecílio, irmão, Presidente da Associação dos Trabalhadores Químicos em São Miguel Paulista; na pessoa dele, cumprimento todos os demais membros da Associação que também são o resgate histórico da memória de luta dessa categoria. Aliás, Cecílio, sempre que nos encontrávamos na Assembleia e eu danava a falar, o Lima dizia: “Esse menino é muito enxerido. Ele nem sabe que, no dia em que ele estava nascendo, eu estava fazendo a greve mais importante da Nitroquímica”. Em memória, também uma salva de palmas ao companheiro Lima. (Aplausos)

Dona Ilda confirmou aquilo que Lima dizia: em 21 de novembro de 1956 a Nitroquímica estava em greve, na luta por melhores condições de trabalho e de vida para os trabalhadores. E ali estava essa guerreira, essa militante, essa operária também da Nitroquímica. (Aplausos) A companheira Ilda simboliza hoje a continuidade da memória tão importante de nosso herói.

Costumamos, como já foi dito aqui, negligenciar, esquecer ou menosprezar a memória de nossos heróis. E Virgílio Gomes da Silva simboliza a luta do povo brasileiro - daqueles que vieram do Nordeste a fim de lutar por melhores condições de vida, trabalho e dignidade na cidade de São Paulo. Portanto São Paulo o acolheu e um grupo restrito da sociedade brasileira o baniu. Baniu seu corpo, mas não sua memória. Sua memória está viva aqui neste momento.

Na homenagem que o Sindicato dos Químicos fez, no Clube de Campo, oferecendo o nome e uma homenagem ao Virgílio - e estávamos discutindo a preparação deste evento - pensamos qual data seria mais adequada para isso. Ali surgiu a ideia: nada mais, nada menos que a data de seu aniversário - hoje. Parabéns ao Virgílio! (Aplausos)

Conversando com a companheira Ilda, ela dizia que tão jovem foi retirada sua vida, sob tortura, na pior situação que um ser humano poderia viver: na resistência à opressão, lutando pela liberdade, pela justiça social.

Se Virgílio estivesse vivo, com aquela capacidade, com aquela garra, com aquele comprometimento que sempre teve com a justiça, mais que cidadão paulistano, ele seria cidadão do mundo, porque sempre olhou para a humanidade com um olhar muito carinhoso e especial, daquele que se indigna com cada resto de injustiça que tivermos.

Mesmo não tendo oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, Virgílio me passa essa ideia. Vocês me transmitiram essa ideia. Por isso é importante contar a história para as novas gerações, para que transmitam às futuras gerações nossa memória, nossa história e principalmente essa história que está omitida enquanto não resgatarmos o corpo de nosso companheiro.

Essa história está presente por nossa insistência para que a verdade seja revelada. E a verdade será revelada, sim, porque, como se dizia antigamente na Nicarágua: “Aqui ninguém se rende”. Essa que é a verdade. (Aplausos) E não iremos nos render a nenhuma resistência para que a memória de um lutador, de um verdadeiro herói da luta dos brasileiros por liberdade, por justiça social, seja reavivada. A luta de Virgílio, como disse Jamil, permitiu à nossa geração fazer muita coisa bacana. Mas não existe geração presente sem a geração que plantou a luta pela liberdade.

Estão presentes os companheiros Ricardo, Ilda, Jamil, Clara, Fon, Rose, aqueles que não fazem parte da Mesa, mas estão nos assistindo, sendo testemunhas deste momento histórico que serve para devolver não só a dignidade, mas a cidadania de Virgílio, que foi tolhida por um período que não precisamos nunca mais repetir.

Para não se repetir, este momento precisa ficar presente em nossa memória, na memória do povo brasileiro, na memória da geração que passou, na memória da geração que continuou, da geração que elegeu o companheiro, também nordestino, operário, metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva que em dois mandatos já mudou a história deste Brasil. Isso, sim, é o legado de Virgílio; é o legado desses lutadores que - como também disseram os companheiros que me antecederam - permitiu que uma lutadora, uma mulher também fosse sua sucessora.

Quem imaginaria que um operário, metalúrgico, nordestino vindo pra cá em pau-de-arara e, depois, uma mulher, lutadora, guerrilheira, resistente, que nunca parou de lutar pela melhoria das condições de vida, de trabalho, de dignidade, de justiça, se tornariam Presidentes da República?

E quem viu a matéria da Carta Capital desta semana verificou que a companheira disse de forma muito clara e transparente: “A Comissão da Verdade vai acontecer”. Isso está escrito na Carta Capital, não é um anúncio aleatório. Foi uma entrevista que a companheira Dilma, que a nossa Presidenta deu e em que colocou toda a sua autoridade de Chefe da Nação brasileira na perspectiva de que todos os crimes sejam revelados e que principalmente nossa memória seja recuperada, para fortalecer uma história digna do povo brasileiro.

Recuperar a memória daqueles que atravessaram esse grande turbilhão de dificuldades, de iniquidades, de injustiça é cumprir nossa missão histórica de transformar a sociedade brasileira em uma sociedade justa na pluralidade, no reconhecimento da diferença, que é essa nossa característica maior e disso não desistiremos.

Portanto, companheiro Virgílio, parabéns pelos seus 78 anos de vida que, muito embora em algum momento tenha sido calada, mas nunca esquecida, estamos aqui para relembrar. Virgílio está presente.

Muito obrigado. (Aplausos)
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Solicitamos ao Vereador Francisco Chagas e aos representantes do homenageado desta noite - a viúva, Sra. Ilda Martins da Silva; os filhos Vlademir, Virgílio, Gregório e Isabel; os netos Gabriel, Ivani, Helena, Camila e Amanda e a irmã Creusa - que se encaminhem à frente e ao centro do salão. (Pausa)

Neste momento o Vereador Francisco Chagas fará a entrega do Título de Cidadão Paulistano ao Sr. Virgílio Gomes da Silva, in memoriam, na pessoa da Sra. Ilda Martins da Silva.


“Município de São Paulo, Título de Cidadão Paulistano. A Câmara Municipal de São Paulo, atendendo ao que dispõe o Decreto Legislativo 12, de 19 de abril de 2011, concede ao Sr. Virgílio Gomes da Silva, in memoriam, o Título de Cidadão Paulistano. Palácio Anchieta, 15 de agosto de 2011. José Police Neto, Presidente; Netinho de Paula, 1º Secretário; Francisco Chagas, Proponente; Raimundo Batista, Secretário Geral Administrativo; Adela Duarte Alvarez, Secretária Geral Parlamentar.”
- Entrega do Título de Cidadão Paulistano ao Sr. Virgílio Gomes da Silva, in memoriam, sob aplausos.
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Das mãos da Sra. Libania, esposa do Vereador Francisco Chagas, a Sra. Ilda Martins da Silva e a Sra. Isabel Gomes da Silva receberão nossas homenagem, por meio de flores.
- Entrega de flores às Sras. Ilda e Isabel, sob aplausos.
A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Convidamos para o seu pronunciamento a Sra. Ilda Martins da Silva e o filho Gregório Gomes da Silva.
A SRA. ILDA MARTINS DA SILVA - Boa noite a todos.

Agradeço a presença de todos e à Mesa. Esta homenagem jamais será esquecida.

Vocês me desculpem, mas estou um pouco nervosa.

Agradeço ao Vereador Francisco Chagas por esta iniciativa e a todos os companheiros que falaram. Estou muito orgulhosa e honrada com toda esta homenagem. O merecimento é dele, não meu.

Trouxe uma camisa representando o Virgílio nesta homenagem, de entrega de Título de Cidadão Paulistano. Ele se sentiria muito orgulhoso, porque gostava muito de São Paulo e lutava muito pelos trabalhadores.

Como bem disse o Vereador Chagas a respeito da greve, foi Virgílio que mobilizou e foi a maior greve da história da Nitroquímica.

Virgílio fazia tudo pela união do povo, mas infelizmente cortaram essa ideia dele muito cedo. Hoje ele estaria fazendo 78 anos. É mais tempo de morto que de vivo, porque ele morreu com 26 anos.

Não sou muito de falar. Estou muito nervosa. Agradeço a presença de todos e passo a palavra para meu filho.

Muito obrigada a todos. (Aplausos)
O SR. GREGÓRIO GOMES DA SILVA - Boa noite.

Meus joelhos ainda estão tremendo. Não sabia que iria falar. Estou menos nervoso que minha mãe.

Hoje, dia 15 de agosto, seria aniversário de meu pai. Ontem foi o Dia dos Pais. Não me lembro de ter passado um Dia dos Pais com o meu, mas hoje estou sentindo que estou com ele nesta homenagem.

O local de nascimento de uma pessoa é algo que foge à vontade de quem nasce. Meu pai decidiu vir para São Paulo e fez de São Paulo sua cidade. Fez da luta o seu ideal também. Por isso, como consequência, foi torturado e morto.

Hoje ele está renascendo em São Paulo. Nasceu em Sítio Novo, Santa Cruz, em 1933. Em 2011 ele renasce em São Paulo graças à iniciativa da Câmara Municipal, do Sindicato dos Químicos, do Vereador Francisco Chagas.

Muito obrigado pela presença de todos os companheiros e amigos. (Aplausos)


A SRA. CECILIA DE ARRUDA - Para o encerramento oficial, anunciamos as palavras do Vereador Francisco Chagas.
O SR. PRESIDENTE (Francisco Chagas - PT) - Para encerrar a nossa homenagem ao companheiro Virgílio, quero estender o nosso agradecimento a todas e a todos os presentes, e a toda militância que veio de várias regiões de São Paulo a fim de prestar essa homenagem.

Agradeço imensamente a presença de todos, especialmente à família de D. Ilda, companheira Ilda; ao cerimonial desta Casa pelo trabalho; à minha assessoria, ao pessoal que trabalhou bastante para que a organização pudesse acontecer.

Produzimos um CD, que será dado a todos, com registro de depoimentos de vários companheiros. É importante que cada um retransmita o conhecimento por meio desses depoimentos. Essa é uma maneira de fortalecer e alargar nossa memória, nossa história, para fazermos jus a esse grande cidadão brasileiro, a esse lutador, guerreiro, Virgílio Gomes da Silva.

Muito obrigado a todos. (Aplausos)



Está encerrada a sessão.


ELABORADO PELA

SECRETARIA DE REGISTRO PARLAMENTAR E REVISÃO - SGP-4

PUBLICADA NO D.O.C. DE 12/04/12






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SGP-4

386ª S. S.







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