ØØ7 – Escada Para o Paraíso By Jåµë§ ßønd. Capítulo 1 – ‘New York, New York’



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ØØ7 – Escada Para o Paraíso

By Jåµë§ ßønd.

Capítulo 1 – ‘New York, New York’
Nova York

Central Park

11:45 AM
Em Picadilly, na velha Londres, um turista quase pode sentir que o tempo não passou para aquela parte da cidade e ao mesmo tempo captar no ar um cheiro de sofisticação e nobreza inerente àquele povo que se tornava praticamente irresistível e ficaria gravado para sempre em qualquer turista ou andarilho perdido.
Com Nova York era diferente.

Tudo naquela cidade quer forçar ao visitante que o centro do universo fica na ilha de Manhattan. A moda, as gírias e as pessoas que moravam nela tinham o poder de exportar sua cultura para além mar mesmo que para grande parte de sua população o resto do mundo - na prática - inexista.


Para outros, a Big Apple era nada mais que um trampolim, uma alfândega, uma sala de check-in para se chegar a outros lugares. Para eles, tudo passa por Nova York e tudo sai por suas pontes e túneis. Um escritor disse que nenhum homem é uma ilha, mas se fosse, Jåµë§ ßønd nunca seria Manhattan.
Já estava há pelo menos meia hora sentado em um banco de madeira antigo à beira de um pequeno lago, observando crianças brincando com barcos e pick-up's de controle remoto, esportistas de fim de semana suando em ridículas roupas atléticas coloridas e casais apaixonados que aproveitavam o fim de semana de verão com cestas de piquenique e juras de amor tediosamente repetidas.
Seu contato estava atrasado, entretanto, já estava no Serviço Secreto há tempo demais pra saber que eles SEMPRE estão. Brincou com a idéia de que isso devia ser ensinado em algum manual de informantes: "Sempre se atrase para criar expectativa". Verificou discretamente sua Walter P99 pela última vez e o microfone direcional acoplado à sua gravata. Não era o atraso que o incomodava, era a cidade. Nunca conseguira gostar de Nova York. Talvez porque todas as vezes em que esteve na cidade só conseguira arranjar problemas.
Dessa vez - pensava - tudo ia correr como M gostava : Chegar, pegar a informação e sair.

Vestia um sóbrio costume cinza escuro, uma gravata listrada de seda modificada com uma escuta e sapatos pretos.

À primeira vista confundia-se com um típico banqueiro americano em horário de almoço carregando uma maleta de couro marrom cujo conteúdo definitivamente não pertencia ao rol de utilitários de nenhum corretor de Wall Street.
Com sorte, terminaria esta pequena missão e estaria de volta ao hotel a tempo de encontrar com a belíssima aeromoça que conhecera no hall do Waldorf-Astoria. O hotel poderia não ser mais o mesmo - com sua horda de novos-ricos - mas ainda era um dos melhores lugares da região para ser bem atendido ... e conhecer mulheres interessantes.
Ao olhar para a direita teve que se recompor. Era hora de trabalhar.

Uma mulher loira vestida com um tailer preto acenara como combinado. Era o seu contato.


" É realmente meu dia de sorte. " - pensava ßønd.
Era belíssima. Cabelos longos corretamente tingidos, aproximadamente 1,65m, aparentava uns 25 anos. Usava óculos de lentes ligeiramente grossas mas que não escondiam o brilho do seu olhar, que agora apontava para ßønd.
Ele se levantou, caminhou pela pequena estradinha do parque e recostou-se perto dela fingindo apreciar a paisagem.
" Deus Salve a Rainha ... " - balbuciou o início da frase código previamente combinada.
" ... e o Diabo Leve os Inimigos dos EUA. " - era a essa a resposta correta. Sua voz era firme mas doce.

ßønd sorriu para ela mas ela não retribuiu.


" Meu nome é Monique Darkhölme, Comandante. Sou operativa da NSA e seu contato no assunto em questão. Não sei porque a Inglaterra tinha que se envolver nisso. Nós podemos resolver nossos próprios problemas. "
Ela tinha que estragar tudo demonstrando antipatia por ingleses. ØØ7 resolveu que o melhor era ser profissional e ir direto ao assunto.
" O que você tem para mim ? " - disse seriamente. Ela hesitou por um instante e depois disse bem devagar, quase se desculpando.
" Nada concreto, eu receio. Como deve bem saber, fatos novos diretamente ligados à Guerra do Iraque estão sendo revelados de fontes que não conseguimos detectar. Informações de cunho sensível estão sendo distribuídas sem o menor cuidado a governos não autorizados e criando tensões pouco saudáveis para políticos de altos escalões. "
" Tivemos nossos própria experiência com isso, eu posso garantir. " - ßønd pensara no recente assassinato envolvendo informações contraditórias sobre armas químicas e afetando a credibilidade do Parlamento Britânico.
O olhar de Monique Darkhölme indicava que ela também pensava o mesmo.
" Continue " - disse ØØ7.
" .... certo.... bom... com certeza o senhor conhece este pequeno apetrecho. "
Ela pegou uma pequena placa de circuitos integrados e entregou a ßønd.

Ele a segurou olhando com bastante atenção. Havia algo naquele circuito que não lhe era estranho, um antigo relatório talvez, não tinha certeza. Darkhölme se irritou levemente com a demora do agente em responder e começou :


" Clipper Chip, Comandante. Isso lhe diz algo agora ? "
Jåµë§ ßønd olhou rapidamente para ela.

O Clipper Chip. Uma placa de circuitos que permitiria ao governo americano - e quem exportasse a tecnologia - quebrar a privacidade telefônica e de qualquer aparelho de comunicação de usuários e saber para quem a vítima ligava, quanto tempo e que ligações recebia sem precisar consultar qualquer operadora. Tudo isso sob o controle da NSA ( Agência Nacional de Informações ). Mas ØØ7 sabia o que o povo não sabia. Esse chip permitiria mais do que isso se fosse aprovado.


" O chip existe e um exemplar dele está aqui agora. Algum namorado seu o colocou no seu telefone ? " - replicou com ironia.
" Na verdade, ESTE não é o Clipper Chip Comandante. Ele nunca chegou a ser totalmente completado. "
" O que é isto, então ? " - ßønd detestava jogos de espiões.
" É uma versão do chip infinitamente mais avançada. Tecnologia não patenteada e conhecida. Criptografia de 1024 bits não permitida a aparelhos desta formação " - parou antes de continuar, as próximas palavras pareciam parar na sua garganta - " e... não sabemos como veio parar em um de nossos servidores computacionais. Foi achada quase sem querer por um de nossos técnicos numa revisão de rotina."
ØØ7 sorriu de lado, imaginando o quão difícil para uma agente tão xenófoba ter que contar este tipo engano vindo de uma das maiores agências de tecnologia de espionagem do mundo. A NSA é conhecida pela sua rixa com a CIA desde a Guerra Fria.
" E o que a Grã-Bretanha tem a ver com isso ? " - falou rapidamente logo em seguida.
A loira agora estava quase que na defensiva.
" Meu chefe e M são velhos amigos. Pediu a ela que investigasse essa pista antes de divulgar o incidente. Se a comunidade internacional chegar a descobrir isto a credibilidade da NSA estará em xeque. E - na visão do meu diretor - não podemos nos dar a esse luxo, considerando-se toda a trapalhada em que a CIA tem se metido. Se a NSA for humilhada pode abalar consideravelmente o futuro dos planos americanos e britânicos em novas investidas contra o terror. M prometeu ser discreta e cuidar deste assunto para ele. Simplesmente não podemos nos envolver diretamente. "
Agora ßønd entendia. Tudo que tinha que fazer era levar este chip para casa e coloca-lo nas mãos do Departamento Q.

Colocou o pequeno dispositivo no bolso e voltou-se novamente para ela ao ouvir um leve assobio zunindo.


Os olhos dela abriram-se como que assustados. Em uma fração de segundo perderam o brilho e logo estavam completamente imóveis e opacos. ØØ7 avistou em sua fronte uma pequena cavidade que não estava lá e dela surgiu um pequeno filete de sangue que correu no mesmo instante em que seu corpo frágil caía na direção de ßønd.
Ela estava morta.
Fim do Capítulo 1

Capítulo 2 -
Nova York

Central Park

12:03 AM
Sua mente treinada já entendera a situação.

Fuzil Sniper de média distância. Silenciador ultra-sônico. Um leve ruído no ar e ela estava morta.

Continuou segurando seu corpo usando-o como proteção.
" Estamos num parque. Muitas árvores. O atirador tem que estar perto ou num campo de visão privilegiado para conseguir acertar um disparo dese jeito. " - sua mente calculava possibilidades como um computador - " e se eu não sair daqui serei o próximo "
Jåµë§ ßønd já usara este tipo de armamento antes e sabia que o assassino levaria alguns segundos para absorver o coice da arama, engatilhar, apontar e mirar novamente. Tinha que aproveitar de qualquer maneira.
Com esforço, levou o corpo de Monique abraçando-o como se dançassem pelo parque, o que lhe dava proteção contra um possível disparo e lhe permitia perscrutar todos os pontos possíveis.
" Lá está ele." - avistou um homem branco, possivelmente um europeu escondido não muito longe com a arma camuflada com folhas e jornais. Puxou a Walter P99 e com a mão por baixo do braço inerte de Monique fez repetidos disparos na direção do assassino.
BAM! BAM! BAM! BAM!

O homem correu ao quase ser atingido pelos projéteis e largou o fuzil ao lado da árvore.

ØØ7 deixou o corpo da mulher cair livrando-se do peso extra.
" No fim é sempre assim. Elas caem aos meus pés. " - sussurrou entre os dentes.
Correu como o vento atrás do homem redobrando o cuidado pois tinha certeza de que ele não viera até aqui sem equipe de apoio. E logo percebeu que tinha razão ao ver que um dos casais de namorados que observara no início sumira de repente e o "namorado" avançava pela grama paralelamente a ele na direção do homem. O pânico no parque havia se instalado com pessoas correndo na direção contrária e só o "namorado" seguia nesta direção sem a "namorada".
Escondeu-se por instantes atrás da árvore onde tinha avistado o assassino e viu que o "namorado" fizera o mesmo movimento ao longe. Olhou para baixo e decidira surpreender o romântico agente.
O homem puxou uma Desert Eagle quase do tamanho do seu braço com silenciador e contou os segundos. Quando achou que estava pronto saltou para o lado da árvore em que se encontrava e mirou na direção em que ßønd estava. Foi seu último movimento.

A última coisa que ouviu foi o som de vários assobios zunindo repetidamente e logo seu corpo expelia sangue vindo de todas as partes de seu tórax. Tombou na grama úmida do Central Park já morto.


ßønd usara o Fuzil do assassino que ele havia jogado fora para não chamar a atenção.
" O importante realmente não é o tamanho da arma, é o prazer que ela proporciona " - pensou em voz alta.
" Livre-se da arma. Lentamente. Dê-me o dispositivo ou diga onde o escondeu. "

Uma voz de mulher ordenou friamente. A "namorada" estava atrás dele.

ØØ7 virou-se devagar. Jogou o fuzil longe, olhou para a "namorada" e disse :
" Quem são vocês ? "
A mulher nada disse. Apenas levantou a sua Desert Eagle, engatilhou uma bala para a agulha e olhou para ele nos olhos como se repetisse a ordem. ßønd não teve alternativa a não ser pegar o chip do bolso e estender para ela. No momento em que ela esticou o braço e pegou o chip ambos ouviram um grito.
" PARADOS. JOGUE A ARMA FORA, SENHORA, E LEVANTE AS MÃOS. "
A polícia chegara. Era apenas um policial mas ainda assim melhor do que nada.

A mulher ficou indecisa por uns segundos mas agiu rapidamente. Jogou-se no chão quase esvaziando sua arma no peito do policial que foi pego de surpresa pelo movimento. Quando voltou-se para ßønd este já tinha sumido por trás das árvores procurando proteção. Levantou-se correndo estrada abaixo do parque.


Jåµë§ estava no chão, atrás de um arbusto quando puxou novamente sua Walter escondida no coldre. A mulher era rápida demais e já estava na borda do lago. Tentou alguns disparos mas não conseguiu acerta-la daquela distância e o risco de alvejar algum inocente era grande. Aproximou-se do policial, verificou que ele ainda estava vivo graças a seu colete, ligou o walkie-talkie da polícia e pediu ajuda. Um movimento que custou preciosos segundos. Logo, ele a perderia de vista.
A solução logo se apresentara.

Uma criança havia deixado sua pick-up de controle remoto jogada ali ao lado, provavelmente assustada demais para carregar seu brinquedo.


Jåµë§ ßønd destravou seu relógio, apertou o botão que ligava o explosivo plástico criado para abrir pequenos cofres - cortesia do Departamento Q - e grudou-o à boleia da pequena pick-up.
Com o controle nas mãos, ligou o brinquedo e acelerou a toda na direção da "namorada". Ela ainda estava em campo aberto na direção da saída que daria para a via principal da ala oeste onde poderia desaparecer para sempre. O carrinho de controle remoto velozmente foi se aproximando, se aproximando, se aproximando. Quase virou ao passar por um buraco e desviou brevemente do curso. Foi quando a "namorada" olhou pela primeira vez para trás para averiguar sua situação.

Ao ver o carrinho na sua direção, a surpresa a fez diminuir a marcha a poucos metros da saída. Só quando olhou para a boléia da pequena pick-up entendeu que era tarde demais. Seus olhos frios se voltaram para onde deixara ØØ7 e praguejou para ele.


Jåµë§ ßønd sorriu, acenando de longe, verificando se ninguém estava perto da fugitiva armada e pressionou um botão do relógio, sussurrando : " Crianças, não tentem isso em casa. "
Click. KABUM!

A pequena explosão jogou a "namorada" longe, chamuscando todo seu corpo. Mais gritos de pânico e horror foram ouvidos. Depois, ficou só um som ao longe de sirenes policiais.


ØØ7 chegou logo ao corpo da assassina, vasculhou seus bolsos e encontrou o chip meio avariado
mais inteiro. A policia nova-iorquina estava a caminho e muitas explicações teriam que ser dadas.

M não consideraria isso " discreto " o suficiente e iria lhe gerar no mínimo uma suspensão. De novo.


Ergueu o braço esquerdo, onde a caixa de ponteiros ainda funcionava e olhou para a hora.
Praguejou baixinho.

Como se tudo o mais não bastasse, não iria chegar a tempo para o encontro com a aeromoça.


Fim do Capítulo 2

Capítulo 3 – ‘Somewere Over The Rainbow’
Vôo 342 da British Airlines

Em algum lugar do atlântico norte

Muitas horas depois
O mar visto de 4.000 pés de altura sempre dera a Jåµë§ ßønd a impressão de uma enorme pele azul e verde cobrindo o grande corpo planetário. Era um pensamento um tanto bizarro mas mesmo assim uma bela metáfora para o planetinha azul que ele tanto percorria de cá pra lá, de lá pra cá. Às vezes se perguntava se não era hora de adquirir um cartão de milhagem de uma vez por todas, mas pensando melhor, uma vez que quase nunca usava sua verdadeira identidade em passaportes isso não seria possível.
Resignou-se virando a cabeça para o corredor onde uma bonita comissária atendia um casal recém-casado com uma garrafa de champagne. Não era um Bollinger R.D. mas nessa altitude e com tantas horas de vôo a cumprir viria bem a calhar.
Seus pensamentos retrocederam no tempo até o momento em que comunicara-se com M no Waldorf-Astoria logo após ela ordenar sua soltura da delegacia de polícia nova-iorquina. A voz de M ainda retumbava e lhe dava dores de cabeça :

" Isto é intolerável, ØØ7. Graças a sua tendência ao caos e à catástrofe tive que usar do resto da minha pouca influência para tira-lo de lá, convencer as autoridades de que você apenas cooperava com assuntos internos americanos e AINDA tive que pedir a Félix Leiter que intercedesse por você e mentisse dizendo que cumpria ordens suas... DE NOVO. QUAL O SEU PROBLEMA COM NOVA YORK ? "


" Eles não servem chá às cinco em qualquer lugar. Tenho que pedir expressamente sempre. " - respondeu o agente.
A linha emudeceu por alguns segundos. Depois M voltou a falar :
" Apresente-se assim que chegar, ØØ7. Eu disse ASSIM QUE CHEGAR. " - e desligou o telefone.
ßønd já estava acostumado.

M iria lhe aplicar um sermão em tom professoral, lembraria a ele que isto não é um jogo e que sua sorte cedo ou tarde iria acabar. Como se precisasse lembra-lo. Era justamente por isso que encarava seu trabalho desta maneira. Sabia que a única diferença entre estar vivo e não estar era apenas uma bala que finalmente acertasse o alvo.


ØØ7 sempre soube lidar com isso. Não tinha medo de morrer por seu país. Às vezes até ansiava por uma morte honrada em combate. Mas sempre seria por SUAS regras e elas incluíam ser hedonista um pouquinho.

Quando deu por si o dia já se recolhera e as estrelas saudavam a aeronave no límpido céu do atlântico.

Adormeceu ainda com a mente povoada por seus devaneios e teorias.
*******
Vale do Loire, França

Uma Sala de Controle Computacional

Algumas horas antes.
"... Isto é intolerável, ØØ7.... graças a sua tendência ao caos ... tive que pedir a Félix Leiter ... QUAL O SEU PROBLEMA COM NOVA YORK ... "
As palavras surgiam no monitor de um pequeno subnotebook acoplado a rede wireless na pequena saleta forrada de monitores os quais pareciam ser a única luz presente no recinto. Em frente ao mínimo computador, um homem envolto nas sombras formadas sorria nervosamente ao ler o resultado daquele telefonema impresso em sua tela.
O homem levantou-se de sua cadeira, pegou um pequeno controle remoto e desligou todos os monitores deixando o cômodo quase todo às escuras.
O plano havia sido exposto. Não havia informação suficiente para que se chegasse até ele mas todo o resto da operação estava em risco, algo que ele não poderia tolerar. Tudo estava indo tão bem e não iria deixar um mero peão de Sua Majestade estragar anos e anos de cuidadoso planejamento e investimento incalculável.
Era preciso fazer um sacrifício.

Mesmo sendo ele um conterrâneo era necessário calar sua voz e minimizar o estrago. Tentou se concentrar sempre nisso e não fraquejar na ordem que iria dar ao seu pessoal. A morte de um agente do Serviço Real iria provocar retaliações e investigações então tudo tinha que ser planejado para que os fiéis Terriers do MI-6 fossem conduzidos na direção errada por uns tempos. Tinha que confundi-los e manipula-los. Por sorte, possuía os meios para isso à sua disposição.


Voltou para sua cadeira e ligou novamente os equipamentos. Desligou o subnotebook, guardando-o em sua maleta, se dirigiu para fora da sala de controle e pegou gentilmente seu celular.
" Senhor ? O que posso fazer para servi-lo ? " - um som afetado e com ares de nobreza vinha do outro lado da linha.
" O que houve em Nova York ? " - perguntou o homem.
" Um breve interlúdio, Senhor. Nada que nosso empregado não possa resolver. Afinal, ele já conhece o alvo e com nossos recursos podemos localiza-lo facilmente. Mas o Senhor tem ciência de que quanto mais usarmos nosso .... trunfo .... maior a chance de sermos descobertos."
" Não me diga o óbvio. Apenas faça o que deve ser feito. E dessa vez garanta que ele não falhe. "
" Certamente, Senhor. Irei tratar dos preparativos. "
A ligação foi finalmente interrompida e o homem nas sombras chegara até a saída de seu castelo.
O motorista abriu a porta do seu luxuoso carro e perguntou o seu destino.
" Na direção da estrela mais brilhante à esquerda. E sempre em frente. " - respondeu.
Fim do Capítulo 3

Capítulo 4 – ‘London, London’
Escritório do MI-6

Londres, 10:35 PM
ßønd finalmente estava animado pela volta pra casa. Não que quisesse ir correndo até a sala de M para ser admoestado mas sim por poder pegar em breve seu novo Bentley V12 personalizado que acabara de adquirir. Foi lamentável ter que se desfazer do velho V8 mas até ele sabia quando era hora de deixar o passado de lado e encarar o futuro. E seu futuro era quebrar algumas leis de trânsito assim que saísse dali.
Ao sair do elevador encontrou-se com Robinson, o operador de campo, que o cumprimentou cordialmente :
" Bom dia, ØØ7. Como foi a missão em Nova York ? "
" Bom dia, Robinson. Vamos dizer que foi como passear no parque. "
Robinson sorriu de volta, e continuou em seu caminho.
Alguns passos adiante e atravessou a ante-sala, onde a Srta. Moneypenny estava absorta em seu trabalho.

Jogou seu casaco sobre sua mesa o que causou um momentâneo susto na secretária particular de M.


Ela o olhou sisudamente. O olhar do homem era terno e um sorriso brotou em sua face.
" Sabe, Jåµë§, eu gostaria de ser ... arrebatada ... por você mas não desta maneira improdutiva. "
" Ora, Moneypenny, por que nunca me disse isso antes ? "
" Eu já disse, já insinuei, já desisti, já voltei a insistir mas, de alguma forma, desconfio que ainda não notou."
" Temos que fazer alguma coisa a respeito, não ? " - os olhos de Jåµë§ faiscavam de leve.
A voz levemente alterada de M saiu do intercomunicador na mesa de Moneypenny :
" Faça alguma a coisa a respeito, ØØ7, ENTRE IMEDIATAMENTE."
Jåµë§ olhou para ela, desconcertado, e se despediu.

Moneypenny só teve tempo de dizer :

" Pense rápido, Jåµë§ ! "
Quando ßønd se virou quase não conseguiu segurar o casaco arremessado em sua direção.

Sorriu... disse " obrigado " ... e quando abriu a porta do escritório, soltou :


" Lembrarei de ser tão rápido na pegada assim, quando sua vez chegar. "
Moneypenny agora estava sozinha na sala, enrubescida.
*****
M estava em pé em seu grande escritório analisando algo em suas mãos. Do ponto de vista de ßønd não se via exatamente o objeto só que a Chefe do MI-6 estava muito entretida verificando suas particularidades. O cômodo sempre sofri mudanças pois a tecnologia o invadia. Onde antes o velho M tinha apenas uma mesa, decoração vitoriana e alguns quadros de valor duvidoso agora existiam telões de observação espacial na grande parede oeste, um computador de última geração acoplado aos principais bancos de dados da Inglaterra e no exterior e pouca decoração pessoal. Uma coisa nunca mudava é claro : o bar sempre recheado de licores e conhaques caros.
Durante alguns minutos M nada disse, acenando para ßønd para se sentar e servir-se do que quisesse.
Quando - finalmente - ela o encarou não fez com irritação como se esperava e sim com certa condescendência.
" Diga-me ØØ7 " - iniciou - " onde está o pequeno dispositivo que trouxe dos Estados Unidos ? "
" Aqui mesmo. " - respondeu ele retirando do bolso do paletó uma pequena bolsa plástica com o chip dentro.
M tinhas agora as duas pequenas placas em suas mãos.
" Clipper Chip. " - soltou ele.
Os olhos dela crisparam-se ao ouvir as duas palavras.
" Não, ØØ7. Não é o Clipper Chip. É mais avançado. Nanotecnologia. Cara. "
" Isto é bom. " - disse ele - " significa que rastrear este material não será difícil "
" Aí é que você se engana, ØØ7. Quanto mais se sacode a poeira dos poderosos mais difícil é limpa-la e com certeza você sabe disso. Essas empresas de tecnologia estão envolvidas demais em processos legais que envolvem quebra de código-fonte de software, subsidiárias mil espalhadas pelo globo e outros artifícios fazendo com que se leve meses ou anos para se achar o efetivo culpado por isto aqui. "
" E você parece ter dois iguais agora ? " - sinalizando para outro aparelho.
" Sim e não. "
Vendo a expressão de desdém pelo suspense, ela disse :
" Segundo nossos engenheiros disponíveis - que receberam suas fotos por FTP - este que está comigo é ainda mais avançado que o seu. O que indica uma contínua produção. Ou seja : isto está acontecendo há tempos. "
" E onde isso começa ? "
" Em nenhum lugar específico. Nenhuma pista a não ser a prova que temos em mãos. "
" Isto estava num servidor da NSA. Eu não vou nem perguntar ONDE o seu estava. "
M fez um muxoxo de resignação para ßønd achando até bom que ele não perguntasse.
" De qualquer forma, temos que começar de algum lugar. Quem tem contratos de serviços de telecomunicações com as agências de espionagem ? Isto é serviço interno pois sabemos que não iria parar aí à toa. "
" Medidas que investiguem isso estão sendo tomadas, ØØ7. Você está exposto. Um atirador o marcou e sabe quem é você. Vou mandar ØØ8 assumir de onde você parou. Definitivamente ele levará este nosso problema com mais discrição do que foi apresentado até agora. "
" O caso é MEU, M. Ele matou uma agente sem motivo algum."
M olhou para ele indicando que seu tom de voz não a agradava.
" Este caso não é mais de sua alçada a partir deste momento, ØØ7. Estou lhe dando uma semana de dispensa. Vou precisar de todas as informações sobre sua missão de Nova York no meu e-mail seguro pela manhã. "
" Mas, is..." - ele começou mas parou.
Ela pôs o dedo em riste como uma professora rígida o que fez ßønd desistir de argumentar.

De nada adiantaria. Pensou que era hora de se redimir com a aeromoça que conhecera e perguntar a ela se Londres era um destino viável em seu caminho.


" Muito bem, M. Uma semana em casa pode me fazer bem. Mais alguma coisa ? "
Ela sorriu para ele.
" Sim. Não esqueça seu casaco aqui. "
*****
O motor do V12 novamente roncava através das avenidas.

Jåµë§ ßønd estava pelo menos no controle de seu próprio carro e pensava no que havia se passado no Serviço.


Não entendia as atitudes M às vezes. Sempre o colocava fora de certas situações com medo de agitar o tabuleiro da espionagem internacional quando justamente isto é o que faz ela rodar. O inesperado. A surpresa que desarma.

Ao invés disso, colocava entre suas obrigações adular e prestar satisfações sobre o movimento de seus agentes o que às vezes limitava as ações do MI-6 ao sabor da opinião pública.


Desanuviou a cabeça ao avistar a janela de seu apartamento na pequena rua secundária que dava vista para o Tamisa. Este era um assunto encerrado e ele teria pela frente muito trabalho ( O de arrancar com destreza aquele coque e o uniforme da British Airways da aeromoça por exemplo ), o que pretendia executar com a maior atenção que lhe fosse possível.
Estacionou o Bentley do lado de fora e subiu as escadas do prédio pois o elevador apresentara defeitos mecânicos e abria as portas sem realmente ter chegado ao andar - motivo de reclamação de todos os inquilinos ( " Alguém ainda vai morrer neste poço do elevador e vocês serão os culpados " - diziam ao responsável pelo prédio ).
Só quando já estava no apartamento é que reparou quão tarde era e que não conseguiria falar com mais ninguém a essa hora. Praguejou um pouco e ligou a grande TV que comprara recentemente. Jåµë§ ßønd não era fã de televisão mas era fã de golfe e gravar os campeonatos ingleses para assistir era muito mais agradável numa televisão de polegadas suficientes.
" Sex and The City ... não. South Park¿ não. National Geographic¿ hum¿ não. " - nada o satisfazia. Ligou o aparelho de som ao mesmo tempo e colocou o CD do Wasis Diop que ganhara de ØØ6 ( antes de mata-lo ) e ficou ouvindo a cacofonia de sons.
A caixa de charutos porto-riquenhos estava na sua mesa de centro ( provavelmente deixada por May, sua governanta ) e ele apanhou um.

Sentou-se na sua confortável cadeira e acendeu um dos saborosos charutos feitos sob encomenda para ele.


A fumaça que soltava para cima dançava e formava pequenas obras de arte surrealistas.
" hum.... essa parece um gato.... " .... sua mente tentava se apegar a isso para desacelerar e descansar antes de decidir o que iria fazer nos próximos dias.
A próxima baforada foi em direção à janela.

Foi quando viu - graças à fumaça - o rastro vermelho de alça de mira laser subindo pelo seu peito.




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