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Propaganda ideológica no documentário “O Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl
Talita Rebouças de FREITAS,

graduada Comunicação Social – Publicidade e

Propaganda pela Faculdade Evolutivo – FACE, em Fortaleza – CE.

Meu trabalho buscou discutir a função do documentário “O Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl como veículo de propaganda ideológica no governo nazista de Hitler. Através de uma análise detalhada do filme procurei mostrar que imagem de Hitler e do nazismo são apresentadas neste documentário, mas antes de iniciar está análise fílmica, apresento uma contextualização do meu objeto de estudo onde mostro a situação da Alemanha na década de 30, demonstrando em que ambiente a ação do filme se desenrola. Também demonstro a situação do cinema Alemão nos anos 30, tornando perceptível à importância das produções cinematográficas alemã no cenário mundial. Este trabalho também trás um breve relato da polemica historia da diretora Leni Riefenstahl, destacando seu perfil de trabalho e as causas e conseqüências da sua escolha de usar o nazismo como tema de seus filmes. Um dos pontos fortes deste trabalho é a discussão que se abre a respeito das teorias de John B.Thompsom sobre a relação entre ideologia e poder, mostrando como acontecem na prática os modos de operação da ideologia como instrumento de dominação.


Autor: Talita Rebouças de FREITAS, graduada Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Faculdade Evolutivo – FACE, em Fortaleza – CE.

E-mail: tatarebo@yahoo.com.br

GT: Historia da Mídia Audiovisual

Palavras-chave: Cinema /Nazismo/ O Triunfo da Vontade


Propaganda ideológica no documentário “O Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl

1 – Alemanha Nazista.

É impressionante o poder que os governos autoritários tem de dominar as pessoas, e isso não acontece somente através das leis que esses governos criam, porque não se pode pensar que uma meia dúzia de pessoas conduza uma sociedade inteira apenas com normas é preciso convencer a maioria de que as regras criadas lhes trarão benefícios.

Para convencer o mundo de que o nazismo era a forma de vida ideal, os nazistas precisaram criar todo um cenário que fizesse com que as pessoas pensassem no autoritarismo como sendo a melhor solução para a crise em que viviam.

Edward Burns (1989) relata em seu livro História da civilização que a Alemanha ficou em uma situação difícil após a primeira guerra mundial eles tiveram que pagar uma espécie de indenização aos outros países como forma de amenizar os destroços da guerra. Eles também foram proibidos de possuir exércitos e fabricas bélicas, e ainda sofreram com uma situação econômica instável. Toda essa situação faz crescer nas classes operárias idéias socialistas que incomodavam as elites. Assim tornou-se necessária à criação de um governo mais centralizado e controlador que impedisse uma revolução socialista.

... A Alemanha sucumbiu ao totalitarismo depois da Itália. Durante um breve período, após a I Guerra Mundial, os acontecimentos pareceram estar levando o país para a esquerda. A maioria dos políticos que integravam o governo instalado logo após o armistício eram socialistas, membros do partido Social-Democrático. Suas políticas reformistas, que antes da guerra haviam parecido demasiado radicais, afiguravam-se agora excessivamente brandas a um grupo de marxistas extremados... (BURNS, pg 701 e 702, 1989).

Neste contexto, segundo relata Paula Diehl (1996) que surgiu o Partido Nacional Socialista (NSDAP) a elite é claro aceitou de cara o novo partido, mas era preciso convencer o restante da população. Criar leis mais rígidas não seria suficiente para convencer o público.

Paula Diehl (1996) explica que os nazistas usaram todos os recursos que estavam a sua disposição, para manipular as massas. Livros, bandeiras tudo servia para convencer o povo. Símbolos, hinos e saudações foram criadas para aumentarem a auto-estima dos alemães, que estava em baixa desde o fim da primeira guerra, e também para gerar um sentimento de submissão e respeito diante de Hitler.

... A propaganda desempenha um papel central no nacional-socialismo, sem ela é impossível se pensar o mundo totalitário. Para o NSDAP, a propaganda é a principal base do partido, sendo responsável tanto pela convenção dos simpatizantes como pela manutenção da ordem artificial criada por ele. É necessário frisar que, no caso, a propaganda não se restringe apenas aos meios de comunicação de massa, mas tende a abranger todas as atividades sociais... (DIEHL, p.81, 1996).

Foi nesse momento que os meios de comunicação se revelaram com poderosas maquinas de manipulação. O rádio e o cinema foram usados de forma intensa como veículos de propaganda nazista.

Os nazistas viam o cinema como um bom veículo de propaganda por isso tentou convencer vários intelectuais a produzirem filmes que valorizassem a raça ariana, poucos toparam o desafio ou por serem contra o regime ou por preferirem se manter distante dos assuntos políticos.


2 – Cinema Alemão nos anos 30.

De acordo com Ari Leite (entrevista 2005) o cinema Alemão esteve muito presente nas salas de exibição brasileira nos anos 30, era o segundo maior produtor, estando atrás apenas dos EUA. A UFA, maior produtora da Alemanha estava entre as maiores produtoras do mundo.Grandes empresas cinematográficas americanas abriram subsidiárias na Alemanha, e atores Alemães partiram para os EUA para participar de filmes americanos.

Conforme Ari Leite (entrevista 2005) o cinema dos anos 30 ainda não utiliza o recurso das cores, mas já possui som. Os temas dos filmes Alemães eram os mais diversos: Comédia, musicais, natureza e principalmente de temática nazista. Este veículo já tinha muita importância na opinião pública, por isso o partido nazista o usou como instrumento de propaganda. Os filmes de argumento nazista começaram a se tornar comum no ano de 1934 e não eram exibidos somente na Alemanha, Ari Leite possui registros de que filmes nazistas foram exibidos aqui no ceará, um exemplo é o filme Mocidade Heróica (Hittlerjunge Quex) produzido pela UFA em 1933. Essa obra foi exibida no Ceará no dia 20 de fevereiro de 1936, no cinema Moderno, um dos principais cinemas da época.

Ari Leite (entrevista 2005) conta que muitos cineastas produziram filmes de temáticas nazistas, alguns por opção outros a pedido de Hitler e Goebbels. Mas muitos também fugiram para os EUA, ou por serem judeus ou por serem contra o regime nazista.


3 - Biografia de Leni Riefenstahl.

A cineasta Helene Amália Bertha Riefenstahl nasceu na cidade de Berlim em 22 agosto de 1902.Começou sua carreira no cinema como atriz nos anos 20, após ter sofrido uma lesão no joelho interrompendo a promissora carreira de bailarina-solo. Como atriz trabalhou em filmes de montanha, onde segundo Ari Leite era necessário ter disciplina e dedicação já que os filmes exigiam grande esforço físico, podendo resultar em acidentes. (Disponível em: : Acesso em: 09 out. 2005)



...um gênero extremamente popular no período, onde se glorificavam o vigor físico na pratica de montanhismo e a beleza do corpo e da natureza, símbolos intensamente apropriados pelo ideário nazista na produção do nacionalismo. (_________: Disponível: : Acesso em: 10 out. 2005)
Ari Leite acredita que o estilo adotado pela diretora Leni Riefenstahl era resultado do que aprendeu como atriz, já que os filmes em que atuava priorizavam as grandes paisagens filmadas em grandes ângulos contrapondo os pequenos detalhes filmados em pequenos ângulos, Ari Leite destaca a sua forma de montagem como sendo sua maior qualidade. Sabe-se que Leni se consagrou porque desenvolveu uma nova estética em seu filme, com novos ângulos e enquadramento, trazendo uma nova forma de filmar movimentos de massa e nus.(Disponível em: , Acesso em 09 out. 2005). Cristiano Câmara (entrevista 2005) discorda dessa afirmação e diz que Leni usa a técnica da escola expressionista Alemã dos anos 20, que se caracterizava pelos jogos de claros e escuros e pelo uso contra-plogê (câmera filmando de baixo para cima) para filmar autoridades.É dessa forma que Lotte H.Eisher (1985) descreve o trabalho de Leni, para ele o Triunfo da Vontade esta “carregando de elementos proveniente da antiga escola Alemã”.(EISHER,Lotte.H: 1985: p-230). Cristiano Câmara (entrevista 2005) diz que o mérito da diretora foi usar os recursos técnicos com muita inteligência, principalmente na montagem.

Em 1932, Leni Riefenstahl dirigiu seu primeiro filme “A Luz Azul”. A forma como dirigiu o filme chamou a atenção de Hitler. Leni conheceu Hitler durante um de seus discursos, bastante impressionada com o carisma e o poder de persuasão do ditador acabou cedendo ao convite dele de produzir um documentário sobre os encontros do NSDAP (Partido Nacional-Socialista). Há quem diga que ela mesma teria se oferecido para fazer o filme, mas a diretora nega. Disponível em: , Acesso em 09 out. 2005). Helena Gouveia (2002) reproduziu um trecho da autobiografia de Leni onde ela conta como foi feito o convite para dirigir o documentário “O Triunfo da Vontade” :

Temo, meu Führer, não estar à altura déb fazer esse filme.’ ‘E porque não estaria à altura de fazer?’, interroga Hitler.’O conteúdo é-me totalmente estranho, nem sequer sei distinguir os SA dos SS...’, respondeu Riefenstahl. ‘ Está bem assim...’, replicou-lhe o Führer, ‘desse modo não verá senão o essencial. Não quero um filme monótono sobre o congresso. Quero um documentário artístico.’ (GOVEIA, Helena: 2002: Disponível em: , Acesso em 10 out.2005)
Leni produziu alguns filmes que foram usados pelo governo para fazer propaganda nazista, mas mesmo assim ela não aceitou o titulo que lhe foi dado de “Leni a nazista”. Dentre eles destacam-se “Triunfo da Vontade” e “Olimpíadas”. No filme “Olimpíadas” Leni documenta as olimpíadas de 1936 em Berlim. A cineasta procura mostrar a vitalidade, a beleza e superioridade da raça ariana pura, mas o seu objetivo não foi totalmente alcançado, pois o vencedor não foi um ariano e sim um negro americano . Como se tratava de um documentário esse fato não poderia ser excluído da obra, mas Hitler se retirou do evento antes da entrega das medalhas para não ser obrigado a apertar a mão do negro Jack Owens. (Disponível: : Acesso em: 10 out. 2005)

Com a derrota de Hitler muitos daqueles que o apoiaram passaram ser perseguidos e condenados, com Leni Riefenstahl não foi diferente, ela foi acusada de usar ciganos prisioneiros de um campo de concentração em seu filme “Tieflande” e a fim das gravações manda-los de volta para os campos para serem mortos. Leni defendeu-se dessas acusações com o argumento de que todos os ciganos que participaram do filme sobreviveram. Em 2002 o caso foi arquivado por conta da idade avançada de Leni e de uma declaração assinada por ela desmentindo todas as acusações.(Disponível em: , Acesso em 09 out. 2005)

Mesmo não sendo punida judicialmente sofreu a conseqüência dos seus atos, com a punição do preconceito. Segundo Helena Gouveia (2002) após o fim do regime Leni Riefenstahl ficou impedida de fazer novos filmes, mesmo que esses fossem de produção própria. Entretanto o único filme que fez foi boicotado pelo público. A parti daí passou a se dedicar a carreira de fotografa, onde registrou a tribo Nuba do Sudão, em uma de suas viagens para o Sudão sofreu um grave acidente, mas sobreviveu. Já perto dos oitenta anos a cineasta mentiu sobre sua idade para conseguir autorização para mergulhar e tirar fotos aquáticas. Morreu dormindo em sua casa na Alemanha já com mais de cem anos.

Leni tem uma historia muito polemica, ela afirma ter sido politicamente inocente quando apoiou Hitler, diz que não tinha conhecimentos das atrocidades do regime nazista e seu empenho em fazer os filmes com qualidade é uma característica comum a tudo que faz. Cristiano Câmara (entrevista 2005) acredita ser impossível a cineasta não saber o que se passava no seu país naquele momento. De acordo com ele todo o mundo sabia, mas fechava os olhos, porém Cristiano Câmara (entrevista 2005) também condena a perseguição feita a Leni, pois de acordo com ele não se pode isolar Leni do contexto social. Ela errou, mas não foi só ela, Leni não foi a única a compactuar com o regime, foi uma sociedade inteira.


4 - O Documentário “Triunfo da Vontade”.

O primeiro longa metragem, dirigido por Leni Riefenstahl, a trazer ideais nazistas foi o “Triunfo da Vontade”. Esse filme foi produzido na Alemanha em 1934, com 36 câmeras, levou 2 anos para ser montado e em 1936 foi exibido com a duração de 110 min. O documentário tem como tema o 6º Congresso do Partido Nazista no ano de 1934 em Nuremberg. É um dos filmes de propaganda política mais conhecidos. Ele mostra os eventos de abertura e encerramento do congresso, encontro de Hitler com os jovens e com os trabalhadores, desfile das SS e SA e cerimônia de benção da bandeira. Sabe-se que o Partido Nacional – Socialista usou o filme para divulgar suas idéias. Desse modo fica evidente a utilização desse filme como propaganda ideológica do nazismo.

Em toda a obra a diretora usou principalmente o Plano Geral, onde uma grande parte do ambiente é mostrado e o close-up, onde pequenos detalhes são mostrados bem de perto. Os planos mais abertos como o Plano Geral foram usados para mostrar principalmente o grande número de pessoas presente nos eventos e a forma como estão dispostos organizadamente, como se fossem parte da arquitetura do local, uma clara demonstração de força, aceitação e organização. Os planos fechados como o close-up mostram pequenos detalhes, como a expressão de felicidade no rosto do público, os pés das crianças que se esticam para ver Hitler. Tudo dando uma idéia de que aquela multidão está presente por vontade própria, e não por obrigação. Essas imagens também são passadas nos decursos de Hitler, na cerimônia de encerramento, por exemplo, ele proferiu as seguintes palavras: “200 mil homens estão reunidos aqui apenas atendendo ao apelo do coração”. Observa-se que os apelos ideológicos procuravam integrar símbolos, imagens e palavras que reforçam a idéia central de legitimação do nazismo.

Todo o congresso acontece em forma de espetáculo, com um certo misticismo, os ambientes estão preparados com símbolos como a águia, a suástica e as bandeiras, também há flores e a noite tochas e luz eram utilizadas. Os símbolos que são descritos por Thompsom (1995) como um elemento unificador tem destaque no filme “Triunfo da Vontade”, eles aparecem muitas vezes em close-up nos intervelos entre os discursos, ganhando beleza e causando mais impacto no público.

A primeira imagem a aparecer é a da águia símbolo do nazismo em seguida se segue a data “5 de setembro de 1934” e os letreiros: “20 anos após o início da 1ª Guerra Mundial”, “16 anos após o início de nosso sofrimento”. Esses letreiros retomam os sentimentos de revolta presente na Alemanha devastada pela guerra e humilhada com o tratado de Versalhes, mas o letreiro seguinte faz parecer que tudo mudou: “19 meses após o início do renascimento Alemão”. Logo após aparece a imagem do céu vista de dentro da cabine do avião, é a chegada de Hitler a cidade de Nuremberg vindo do céu como um Deus. O documentário que deveria iniciar-se com a abertura do congresso inicia com a chegada de Hitler, fazendo parecer que o encontro do partido só se inicia com a chegada do Führer, isso é uma clara demonstração do papel central de Hitler no governo nazista. Sua imagem é um dos principais símbolos nesse processo ideológico.

Durante a chegada, Nuremberg foi filmada de cima está repleta de bandeiras, as pessoas ocupam as ruas a espera do Führer. Quando o avião pousa uma multidão o recebe aos gritos, seus rostos filmados em planos fechados demonstram a ansiedade da espera por alguém que para eles era tão importante. Hitler desfila em carro aberto, em direção ao hotel, em um plano aberto a multidão aparece se empurrando para ver Hitler passar, ele as acena e as pessoas respondem com gritos e acenos, seus rostos filmados de perto demonstram alegria e êxtase. A multidão tenta se aproximar, mas os soldados não deixam, essa cena é mostarda em muito dos eventos, sempre deixando claro a vontade e ansiedade de está presente no evento .No documentário a chegada de Hitler faz parte do congresso. Durante o trajeto para o hotel, Hitler mantém o corpo ereto, demonstrando força e firmeza, mas cumprimenta o público com um sorriso paternal. É essa a imagem que Hitler transmite em todo o filme, de um pai rigoroso, mas que ama seus filhos.

A noite, na frente do hotel a multidão mais uma vez aparece se empurrando para ver Hitler, uma banda militar toca e membros da SA controlam os presentes para que eles não se aproximem do hotel. Mesmo Hitler não aparecendo na janela, as pessoas continuam a espera-lo. Na janela do seu quarto a um letreiro: “Hiel Hitler”. No dia seguinte a chegada de Hitler, dia da abertura do congresso, Leni mostra o amanhecer da cidade acontecendo lentamente mais o ritmo do filme vai ganhando velocidade, como se a cidade fosse despertando lentamente com o sol e com a abertura do evento, em seguida aparece um enorme acampamento onde jovens homens estão acampados. Todo o ambiente está descontraído, os homens sem camisa brincam e trabalham com muita energia, os corpos saldáveis e as feições de alegria ganham destaque na filmagem, mostrando o vigor e beleza da raça ariana pura.

Em seguida Hitler presencia o desfile dos camponeses em tarjes típicos, carregando alguns instrumentos de trabalho e alimentos coletados. Em diversas partes do filme a uma tentativa de valorizar o trabalho no campo, porém essa valorização é simbólica, a massa não participa das decisões políticas.

Na cerimônia de abertura do congresso, vários membros do partido discursam. No início e no fim de cada evento os membros da SA e da SS desfilam, ao som de uma banda militar. Durante os decursos na maioria das vezes a câmera fica fixa no orador dando mais importância ao que ele fala, somente quando há um intervalo na fala do orador é que o a reação do público aparece, se o orador ainda está discursando o público filmado bem de perto demonstra atenção e contemplação, mas se o orador já encerrou sua fala ou deu uma pausa o público aparece filmado em ângulo aberto gritando e fazendo saudações, com sons de tambores ao fundo, o que aumenta a sensação de aprovação sobre aquilo que está sendo dito. Em todo o filme são exibidas cenas de confirmação e excitação as idéias e lideres nazistas.

Os decursos refletem claramente a ideologia nazista. A historia do partido é lembrada por Rosenberg sempre mencionada como uma demonstração de heroísmo, despertando nas pessoas um sentimento de orgulho do nacional-socialismo, nesse momento os jovens são convocados a darem continuidade a ela. Os jovens são considerados pelo NSDAP o futuro do movimento. Dies usa eufemismo para falar de censura: “A verdade é fundação na qual a imprensa se apóia e cai. Nossa única exigência é a imprensa... é que ela fale a verdade sobre a Alemanha”.E a verdade a qual ele se refere é a proposta pelo nacional-socialismo. Outros dois membros do partido falam da construção de obras públicas e de como elas estão empregando pessoas, um terceiro membro fala da atividade industrial, todos sugerindo que a crise econômica e a onda de desemprego que assombrava a Alemanha desde o fim da guerra, estava chegando ao fim.

Darré e Ley discursam sobre o trabalhador e algo comum ao discurso deles e de Hitler é a valorização do trabalho, principalmente a valorização do trabalhador rural, também se fala na educação desses trabalhadores e em aumentar o orgulho deles. Ao contrário do que os discursos tentam passar, o NSDAP não valorizou o trabalhador a ponto de inclui-lo na política, a valorização dada ao trabalhador é ilusória, trata-se de uma estratégia para mantê-los a favor do governo.

Goebbels, Ministro da cultura e da propaganda, ressalta a importância da propaganda política para o governo: “Pode ser que o poder baseado nas armas dê certo, entretanto é melhor e mais gratificante vencer o coração da nação e mantê-lo”. Já Frank homenageia Hitler falando de seu senso de justiça. Outros oradores que aparecem no decorrer do filme também buscam atribuir qualidades a Hitler como a de ser o salvador da nação, o menos egoísta, o líder da juventude. As palavras de Hitler são percebidas como uma ordem. Os membros do partido por várias vezes dizem está esperando a ordem do Fuhrer. As juras de lealdade também se repetem no decorrer do filme. Nota -se uma preocupação em demonstrar fidelidade a Hitler e ele mesmo cobra isso em seus discursos.

O segundo evento é um encontro com os trabalhadores, estes se parecem mais com soldados, do que meros trabalhadores. Todos estão fardados, distribuídos em fileiras, suas pás são apresentadas como armas. Eles falam e se comportam como soldados, seu líder dá a ordem: “Apresentar pás” fazendo alusão ao comando dado a soldados para apresentar suas armas. Trata-se de uma estratégia chamada por Thompsom (1995) de deslocamento, onde os atributos do soldado são passados para o trabalhador de forma subliminar.

As palavras proferidas pelos trabalhadores a por seu líder são fortes demonstram acreditar que seu trabalho é uma prova de fidelidade a Hitler e a Alemanha. O líder dos trabalhadores diz que: “Quem não for para as trincheiras nem ficar sobre o fogo das granadas não pode ser considerado soldado” Ou seja, o homem alemão tinha duas escolhas servir ao Reich trabalhador ou como soldado, mesmo sendo funções diferentes recebem nesse discurso uma mesma denominação, que é a de soldado do Reich. O líder também fala que eles precisam ser fortes e enfrentar até a morte, pois ela não existirá para eles que sempre estarão vivos na Alemanha.

Hitler procura salientar em seu discurso que tudo que é feito no seu governo é para o beneficio de todos, e por isso todos têm que colaborar com o governo, pois assim estariam trabalhando em beneficio próprio. Ou seja, o governo nazista faz uso da estratégia de universalização descrita por Thompsom (1995) onde os interesses dos dominados são apresentados como interesses gerais.

O líder dos trabalhadores se dirige a eles com o uso do termo “camaradas”, o uso deste termo é comum entre os membros do partido, seu significado está relacionado a amizade, chamar centenas de desconhecidos de camaradas, como se eles fossem grandes amigos, quase irmãos, tramite a sensação de proximidade. Expressões como “camaradas”, “Hiel Hitler” e “fuhrer” tem a função de agrupar os pertencentes ao regime, pois estes sempre que pronunciam estes termos sentem-se fazendo parte de um grupo seleto.

Outro evento mostrado no documentário é o encontro com os jovens.Hitler ao discursar para os jovens fala que não deve haver entre eles classes e é dever dos jovens educar a sociedade para que nela não haja classes.Mas isso é contraditório com o que se percebe em outros momentos do documentário, onde se evidencia uma divisão, uma segmentação de jovens, outra de trabalhadores e uma terceira de membros do partido. Até mesmo no discurso final de Hitler ele afirma que no futuro todos serão nacional-socialistas, mas somente alguns merecedores farão parte do NSDAP, o que sugere uma hierarquia. Essa contradição acontece por que Hitler quer fazer com que o povo haja em favor do grupo acreditando que ele está falsamente unido em um só ideal, quando na verdade ele está fragmentado e impedido de se rebelar devido a essa fragmentação.

No encontro com os jovens Hitler também fala sobre a importância desses jovens serem fortes diante das privações, Hitler defende a necessidade de uma nação forte e corajosa para alcançar a paz, suas palavras falam em paz quando na verdade querem a guerra, pois a paz para ele só será possível quando o mundo aceitar seus princípios. Por isso ele fala que os jovens precisam endurecer, para tornar a nação forte para enfrentar a luta armada. Nesses e em outros discursos os jovens são visto como o futuro do movimento, e por isso sua educação é voltada para aceitar os mandamentos nazistas.

Um dos eventos mais chocante é a Benção da Bandeira de Sangue, essa cerimônia que a principio era restrita apenas aos membros do partido, no congresso de 1934 contou com a presença da população. A câmera filma de cima, de algum lugar mais alto, de longe se enxerga a grande quantidade de pessoas presentes no evento, elas organizadas em blocos, de cima se percebe a beleza e a ordem da forma como as pessoas dispostas no ambiente. Mesmo de longe Hitler ganha destaque já que o público permanece parado e apenas ele acompanhado de dois homens de movimentam, os três personagens caminham até uma espécie de palanque para por alguns minutos em frete a ele, como se parassem diante de um altar, depois seguem para subir no palanque.

Após a entrada de Hitler os soldados da SA e da SS entram com as novas bandeiras, pouco a pouco tomam conta dos espaços livres de maneira assustadora após discursar, Hitler caminha entres os soldados acompanhado de um homem que segura a antiga bandeira suja com o sangue de soldados mortos na batalha em Munique, Hitler encosta a bandeira nova com a bandeira suja de sangue em quanto um tiro de canhão é disparado, depois ele cumprimenta o soldado portador da bandeira e segue a diante com o ritual.

No discurso Hitler tenta desmentir a notícia da tentativa de golpe organizada pelo líder da SA durante a tomada do poder, tentativa está que resultou na criação das SS, mas Hitler afirma que tudo se trata de boato, mas de forma indireta ameaça: “Se alguém se colocar contra a minha SA seu desejo não romperá a SA apenas destruirá a si mesmo”.

O filme mostra um desfile da cavalaria e da artilharia, uma demonstração de que a Alemanha está preparada para guerra o que é mais uma prova de que o NSDAP não quer a paz como diz em seus discursos.

Na cerimônia de encerramento do congresso Hitler discursa longamente e resume em suas palavras tudo que foi tentado passar em todo o congresso. A cada pausa de sua fala, as pessoas aplaudem e gritam “Hiel Hitler”. Durante esse e outros momentos em que Hitler aparece no documentário, a câmera está posicionada abaixo dele, filmando-o de baixo para cima, este recurso é comumente usado no cinema para atribuir autoridade ao personagem, o público tem a sensação de está olhando para alguém que está acima dele. Hitler, assim como os outros membros do partido que discursam no filme, falam com muita empolgação quase a gritar, também faz muitos movimentos com o braço. Durante as falas de Hitler a câmera costuma mostrá-lo do busto para cima, dando ênfase as suas expressões faciais, em alguns momentos a câmera abre um pouco mais o seu campo de visão mostrando Hitler da cintura para cima, ou da coxa para cima dando maior destaque aos seus gestos.

Hitler inicia sua ultima fala no congresso tentado desmentir a idéia de que o encontro do partido é uma demonstração de poder político e mais uma vez tenta mostrar que todos os presentes ali estão por vontade própria. Hitler remete ao passado heróico do partido, apelando para a nostalgia que esse tipo de argumento desperta nas pessoas.Ele coloca os interesses do partido como sendo geral, usa a estratégia chamada por Thompsom (1995) de reificação onde uma situação historicamente transitória é colocada como permanente, quando ele diz: “O povo Alemão está feliz por saber que a constante mudança de liderança agora foi finalmente substituída pela força da instabilidade”. Nesse trecho de sua fala, Hitler tenta mostrar que a liderança escolhida democraticamente nunca mais acontecerá, mas suaviza este fato transformando em algo bom e que tem sua eternidade garantida porque é do interesse de todos. Hitler promete um futuro maravilhoso, mas que para ser conquistado precisa da adesão e fidelidade ao nacional socialismo.

Após o discurso de Hitler um membro do partido tenta falar mais é impedido pelos presentes que gritam sem parar: “Hiel Hitler”. A imagem vai subindo e para no símbolo da suástica em cima do palanque, através de uma fusão de imagens os homens aparecem marchando para partirem e assim termina o filme “Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl.

O filme “O Triunfo da Vontade” é um instrumento relevante para analisarmos a importância do cerimonial, dos símbolos e das expressões no período nazista. A legitimação o poder de Hitler e do nazismo usaram uma interação de elementos que remetiam a autoridade, a força das armas, mas recorreram a dimensão do simbólico e da adoração de uma líder, de um partido como formas persuasivas para legitimar o nazismo.

Um elemento fundamental na propaganda Nazista foi a multidão. A multidão aparece venerando o líder alemão e aclamando suas palavras. Esse sujeito inexistia antes do século XIX, apesar de atuar na cena política, somente após esse período passou a ser valorizado pelos governos, não como opinantes na política, mas como parte dela. Deste modo a multidão é fundamental para esse espetáculo, que foi muito bem retratada na obra de Leni riefenstahl.
Referencias Bibliográfica:
AQUINO, Rubim; FRANCO, Denize; LOPES, Oscar. História das sociedades. Rio de Janeiro: Livro Técnico, 1980.
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DIEHL, Paula. Propaganda e persuasão na Alemanha Nazista. São Paulo:

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EISNER, Lotter H. Tela Demoníaca: as influencias de Max Reinhardt e do expressionismo. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1985.
FISCHI, Bruno. Leni Riefenstahl. São Paulo: Instituto Goethe. 2002. Disponível em: : Acesso em: 10 out. 2005.
THOMPSOM, John B. Ideologia e Cultura Moderna. Petrópolis: Vozes,1995.
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