40 Anos das missões Apollo e o Homem na Lua



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40 Anos das missões Apollo e o Homem na Lua
Provavelmente a façanha tecnológica de mais forte lembrança na historia sejam as primeiras viagens de seres humanos à Lua. O Século XX foi um século revolucionário. Nunca num período tão curto aconteceram tantas mudanças que alteraram o destino da Humanidade. Alguns opinam que nos últimos 100 anos houve mais avanços que nos 1000 anos anteriores.

Foi no Século XX que aprendemos a voar. Em 1927 Lindberg voou de Nova York a Paris sem paradas e sozinho. Em 1947 Chuck Yeager quebrou a barreira do som com o X-1 e para a década de sessenta milhões de pessoas voavam de um continente a outro em grandes aviões de passageiros impulsionados a jato.

No Século XX se desenvolveu a eletrônica, que mudou o nosso dia a dia. Em 1901 Marconi inventou o rádio. Depois vieram a televisão, os transistores os computadores eletrônicos, os micro chips, e as transmissões via satélite. Foi também nesse século que a engenharia atingiu um nível em que deixou definitivamente de ser um ofício de artesãos e se converteu em parte central da sociedade moderna. O uso do método científico, de matemática avançada e de novas e revolucionárias técnicas de administração possibilitaram a construção de obras sem precedentes. Assim nasceram maravilhas como o Canal de Panamá, sistemas de rodovias, pontes quilométricas, os arranha céus e até cidades inteiras, como Brasília, com investimentos bilionários, milhares de operários e anos de esforço.

Mas tudo este avanço tecnológico, por causa de uma característica dos seres humanos, também foi utilizado para destruir. Começamos com a baioneta até chegar à bomba atômica. Em 100 anos, morreram mais pessoas em guerras do que nos 1000 anos anteriores.

Para metade do século, duas grandes superpotências, como nenhuma vista antes na história, dividiam o Mundo: Os Estados Unidos e a União Soviética. Separadas em culturas diferentes, sistemas econômicos e de governos opostos, e em continentes diferentes, elas disputavam a chamada Guerra Fria. Para 1957 a situação era tão tensa que ambas se ameaçavam mutuamente com milhares de bombas atômicas. E naquele ano, os soviéticos mostravam ao mundo sua mais nova arma: o míssil balístico intercontinental. E o faziam de maneira espetacular: colocando em órbita, em 4 de outubro de 1957, o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik 1. Este artefato de metal do tamanho de uma bola de basquete e 86 kg de peso dava uma volta ao redor do mundo em 1 hora e meia, passando por cima das principais nações da Terra, inclusive os Estados Unidos. Um mês depois a imaginação das pessoas subia ainda mais com o lançamento do Sputnik 2, que levava um ser vivo ao espaço: a cadela Laika.

Muitos já começavam a falar que o dia do próprio ser humano se aventurar no espaço não estava longe. Mas para os americanos, o que estava claro era que se os soviéticos o quisessem, eles poderiam utilizar esse mesmo míssil para lançar armas atômicas até o coração dos Estados Unidos, e não haveria maneira de impedir isso. Por isso começaram uma frenética corrida de alcançar e superar os soviéticos na área de mísseis militares e na própria utilização do espaço para "os fins nacionais".

Em 1958 o presidente Eisenhower cria a Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, a NASA. Uma de suas obrigações é a de cuidar dos interesses americanos no espaço e desenvolver a tecnologia e os programas para conseguir isto. Como primeira medida, foi anunciado o projeto mais ambicioso do momento: um homem no espaço, conhecido como projeto Mercury. Mas em 12 de abril de 1961, mais uma vez os soviéticos surpreendem o mundo. Yuri Gagarin da uma volta à Terra em 108 minutos, na cápsula Vostok 1.

Para os americanos a situação era crítica. O fato era, sem dúvida, histórico. Um grande triunfo do ser humano, mas também demonstrava que os mísseis soviéticos eram mais poderosos e confiáveis que os mísseis americanos. E ainda mais: a União Soviética sempre foi considerada um país de camponeses, atrasado, com um sistema político e econômico que não poderia dar certo. O premier Nikita Khruschev fez propaganda intensa acima de três pontos: primeiro que agora a ciência e a tecnologia soviéticas eram as mais avançadas do mundo. Segundo, que o comunismo produzia melhores resultados que o capitalismo e a democracia. E terceiro, em vista disto todos os países do mundo, especialmente os do Terceiro Mundo, eram convidados a seguir o caminho do comunismo sob a liderança política, econômica e militar da União Soviética.

Para 1961 os Estados Unidos tinham uma outra administração. John F. Kennedy (para muitos historiadores um dos melhores presidentes na história desse país) percebeu imediatamente qual era a situação. Não era apenas uma questão de imagem e propaganda, mas muito mais. Ele falou de uma nova fronteira que estava se abrindo ao ser humano, um novo oceano: o espaço exterior. Advertiu acerca do perigo do domínio soviético desse novo oceano, de que seja utilizado com fins militares para ataques ao território americano para os quais não haveria defesa; do perigo de os Estados Unidos perderem a liderança para a União Soviética, naquela turbulenta década de 60, caracterizada pela expansão do comunismo no Terceiro Mundo; e da necessidade de manter a competência científica e tecnológica dos Estados Unidos. Ele disse que em qualquer lugar que os seres humanos devam ir, homens livres também devem estar lá. Por isso, propôs um compromisso extremamente audacioso: "pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta para a Terra com segurança". Propôs ainda fazê-lo antes do final da década, numa época em que apenas um americano tinha ido ao espaço, por quase 5 horas. Recebeu um apoio quase unânime, e assim surgiu o maior projeto de engenharia da história: o projeto Apollo.

Finalmente, chegou a hora de passar da ficção à realidade: Como ir para a Lua? Pior ainda: Como ir para a Lua e voltar? Para ir era necessário um foguete, mas para voltar era preciso mais um outro que deveria ser levado até a superfície lunar. E como pousá-lo? Pois na Lua não era possível usar para quedas, como nas naves Mercury, porque a Lua não tem atmosfera. Os melhores especialistas ocidentais pensaram em três métodos.

A mais óbvia, uma viagem direta, onde um gigantesco foguete levaria uma grande nave, que desceria usando motores para lutar contra a gravidade da Lua, freando até um pouso suave, e cuja parte superior seria lançada de novo para fazer o caminho inverso, escapando da Lua e voltando para a Terra. O grande problema seria todo aquele combustível que seria usado para a descida e depois a partida da superfície lunar. Como se sabe, num foguete até 95% da massa é combustível, e fazendo as contas para uma nave de três astronautas (equipe ideal para uma perigosa viajem de uma semana que exige alerta constante) a massa total da nave seria de assustadoras 100 toneladas. O foguete lançador que seria necessário estava além da capacidade da época, ou pelo menos não seria possível fazê-lo funcionar antes do final da década.

O segundo método era aparentemente mais fácil e razoável. A nave de 100 toneladas seria montada e abastecida em órbita ao redor da Terra, que é 2/3 do caminho andado até a Lua, não em termos de distância mas em termos de esforço. Posteriormente esta receberia o impulso de 1/3 que falta para chegar à Lua. Dois grandes foguetes seriam utilizados, porém menores que o gigantesco foguete (batizado de "Nova") do método anterior. O problema era que o segundo dos dois foguetes devia decolar apenas horas depois do primeiro, encontrar-se com este, acoplar-se e reabastece-lo. Tudo isto era tecnicamente muito complicado, e se pensava que as dificuldades não poderiam ser resolvidas antes do final da década.

O terceiro método, chamado de encontro em órbita lunar, era mais audacioso ainda. Implicava descer e sair da Lua usando "degraus". Descer uma nave até uma órbita ao redor da Lua e depois sair dela era apenas um terço do esforço. Os outros dois terços poderiam ser realizados por outra nave, pequena, um "módulo lunar", projetado apenas para levar os astronautas até o solo por algumas horas. Ela não conseguiria voltar até a Terra, apenas subir um "degrau" até uma órbita ao redor da Lua, onde a nave-mãe, ou "módulo de comando", estaria esperando. As duas naves somadas pesariam apenas metade da grande nave dos outros métodos. O problema, porém, continuava a ser o encontro e acoplamento de duas naves em órbita, no qual, para acontecerem, as órbitas devem ser exatamente iguais, necessitando de cálculos dificílimos em tempo real, pois as naves estão em movimento e a grande velocidade. Mas não era preciso nenhum reabastecimento de combustíveis. Em 1962 esse último método foi o escolhido.

Já com a configuração e massa das naves definida, agora era preciso projetar um veículo de lançamento: 50 toneladas em órbita lunar era muito diferente de 1,5 toneladas em órbita terrestre, que era o que os americanos estavam fazendo naquela época com o projeto Mercury. O gigantesco Saturno V (como foi chamado) foi o maior, mais pesado e mais poderoso foguete construído até hoje.

Projetado no Centro Espacial Marshall, em Huntsville, Alabama, sob a direção de Werhner von Braun (projetou as V2 dos nazistas e fez o lançador do primeiro satélite americano) tinha 111 metros de altura, pesava 3.000 toneladas e tinha uma potência de 180 milhões de cavalos (mais de 100 bilhões de watts). O último de seus 3 estágios era capaz de atingir 40.000 km/h.

Antes dos seres humanos pousarem na Lua, era preciso saber se era possível fazer isto em primeiro lugar. A Lua é um mundo estranho, diferente da Terra, e se existiam as mínimas condições de pousar uma nave tripulada de várias toneladas, tudo era um mistério. Para esclarecer isto, a NASA, junto com o Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia, enviou várias sondas robô entre 1965 e 1968 à superfície lunar.



A primeira série foram as Ranger, que depois de vários fracassos, conseguiram atingir a Lua filmando a queda com várias câmeras. Estas imagens mostraram detalhes nunca antes vistos pelos seres humanos, pois nem com os melhores telescópios era possível distinguir crateras ou montanhas de menos de 750 m. O seguinte passo foi pousar pequenas naves suavemente, para testar as técnicas e fazer uma avaliação da consistência do terreno, suas propriedades térmicas e químicas; isto foi feito pelas Surveyor. Finalmente, o terceiro passo era fazer mapas detalhados da superfície lunar, procurando os melhores locais para pousos tripulados; a missão foi entregue às naves Lunar Orbiter. Todas elas mostraram que o pouso das Apollos era possível, se bem que não seria brincadeira de crianças.

Para desenvolver e testar a tecnologia e os métodos que seriam usados pelas Apollos, especialmente o encontro em órbita, a habilidade dos astronautas de trabalhar fora das naves e a resistência em viagens de até duas semanas no espaço, foi montado um projeto intermediário: o projeto Gemini. Lançados em duplas em naves derivadas das Mercury, em 10 missões tripuladas os astronautas quebraram uma série de recordes e pela primeira vez os Estados Unidos passaram na frente da União Soviética. Agora sim chegava a hora das Apollos.

Para 1967 estavam terminadas e prontas para os testes de vôo duas das máquinas voadoras mais complicadas que se têm construído. Projetado pelo Centro Espacial Johnson e construído pela North American Aviation- Rockwell, o Módulo de Comando e Serviço da Apollo foram definidos pelo astronauta Buzz Aldrin como "um submarino nuclear enfiado dentro de um Fusca". A nave de 28 toneladas na verdade se dividia em duas partes; a primeira, a cápsula: um cone com espaço para os 3 astronautas e os computadores digitais e outros sistemas, estava equipada com um pesado escudo térmico e grandes para quedas, pois seria o módulo de reentrada à Terra. A segunda, acoplada à base da cápsula, um grande cilindro, o Módulo de Serviço, levava os tanques com o combustível e o grande motor para descer até a órbita lunar e sair dela na hora de voltar para a Terra, além de geradores de eletricidade e sistemas de comunicação.

A outra nave, o Módulo Lunar, também projetado pelo Centro Espacial Johnson, construída pela Grumman, era uma estranha nave em forma de aranha, de 14 toneladas, também com duas partes: o estágio de descida, com as pernas, um motor de empuxo regulável e toneladas de combustível para frear a descida até a superfície lunar; e o estágio superior, com computadores, sistemas de manutenção de vida para os dois astronautas e um motor para devolvê-los à órbita lunar (o único motor sem outro de reserva na missão toda).

Enquanto essas naves eram construídas na Califórnia e em Long Island, respectivamente, em Louisiana eram testados os três estágios do Saturno V. O primeiro, chamado de S-I, foi construído pela Boeing e tinha 45 m de altura por 10 m de diâmetro. Os cinco motores F-1 construídos pela Rocketdyne em Califórnia queimavam 15 toneladas de querosene e oxigênio líquido por segundo. O segundo estágio, S-II, tinha 18 m de altura, foi construído pela North American Aviation-Rockwell e os cinco motores Rocketdyne J-2 queimavam hidrogênio e oxigênio líquidos criogênicos. O terceiro e menor estágio, S-IVB, foi construído pela McDonnell-Douglas em California e seu único motor J-2 queimava também hidrogênio e oxigênio líquidos criogênicos, a mistura combustível mais poderosa conhecida. Acima do S-IVB de seis metros de diâmetro, e separadas por um anel que continha os 24 computadores IBM para controlar o gigante, se colocariam o Módulo Lunar e acima o Módulo de Comando e Serviço. Com os astronautas no topo, seriam lançados a 11,2 m/s em direção à Lua. Logo depois do lançamento as duas naves se acoplariam e continuariam a viagem como uma só.

As missões seriam controladas de um novo centro construído pelo preço de meio bilhão de dólares em Houston, Texas. Nesse centro, inaugurado em 1966 e chamado depois de Centro Espacial Johnson, além de tomar conta do projeto das naves, também seriam treinados os astronautas e seriam analisadas, sob estrita quarentena, as amostras lunares por eles trazidas. Contava com sistemas de comunicação via antenas parabólicas ao redor do mundo e sofisticados computadores para guiar as naves. Na Flórida, no entanto, era construída a base de lançamento, um porto para começar a viagem. No novo Centro Espacial Kennedy estaria o maior prédio do mundo em volume, 50 andares de altura com uma área de base de quatro quarteirões, onde os estágios do Saturno V, vindos de navio, seriam montados um acima do outro, interconectados elétrica, hidráulica e pneumaticamente entre eles e com as naves Apollo. Agora o veículo completo seria testado intensamente. Três rampas de lançamento foram construídas na beira da praia, a 5 km de distância do prédio de montagem e das salas de controle. Para levar os Saturno V/Apollo montados até lá, gigantescos veículos com lagartas foram especialmente desenvolvidos.



Em janeiro de 1967 começariam os vôos de teste. Apollo 1 com Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee, devia testar o Módulo de Comando e Serviço em órbita ao redor da Terra. Num teste no solo semanas antes do vôo, no topo de um foguete Saturno 1B, a cápsula pegou fogo. Os 3 morreram. Foi uma tragédia para os americanos: os primeiros astronautas a morrer numa missão, e pior, antes dela começar. O programa Apollo sofreu um sério atraso: um ano e meio para estudar o problema e modificar as naves.

Para essa época o programa espacial soviético também estava em sérias dificuldades. A decisão (secreta) de ir para a Lua se tomou tarde, em 1965. Os primeiros testes da nave lunar, a Soyuz foram feitos às presas, e os resultados foram tão desastrados que acabaram em tragédia: na Soyuz 1, o veterano Vladimir Komarov se matou quando até os para quedas falharam. O método de pouso dos soviéticos era similar ao americano, com um encontro em órbita lunar entre um módulo lunar e a Soyuz. O veículo de lançamento, o N1 era um pouco menor que o Saturno V: as naves eram menores e menos sofisticadas que as Apollos (aliás, eram só dois cosmonautas: apenas um deles deveria pisar na Lua). O N1 foi testado quatro vezes. Explodiu nas 4 vezes. Em 1976, no meio de intensas brigas internas e mais fracassos, o programa foi abandonado, tão secretamente como começou.

Em 1968 as Apollos finalmente levantavam vôo. Walt Cunningam, Wally Schirra e Don Eisele testaram durante 11 dias os sistemas do Módulo de Comando e Serviço. Para ter mais sorte a missão foi chamada Apollo 7. Depois, para o Natal de 68, com o prazo de Kennedy estourando (e a CIA ouvindo rumores acerca do N1) veio uma jogada ousada: teste tripulado do Saturno V, direto para a Lua. Frank Borman, Jim Lovell e Bill Anders se converteram nos primeiros seres humanos em ver ao vivo a face oculta da Lua e a Terra como nunca antes, "uma grande bola de gude azul".

Depois de vinte alucinantes órbitas a 100 km de altura começavam o regresso à Terra. Três dias depois, a cápsula se chocava a 40 000 km/h contra a atmosfera, com eles dentro. Como calculado, o escudo térmico os protegeu. Em Apollo 9, em março de 1969, James McDivitt e Russell Schweichart testaram pela primeira vez o módulo lunar (batizado de "Spider") enquanto David Scott permanecia no Módulo de Comando e Serviço "Gumdrop". Dois meses depois o Saturno V, funcionando em toda a sua capacidade, lançou a Apollo 10 para a Lua: era o ensaio geral. Tom Stafford e Gene Cernan desceram no Módulo Lunar "Snoopy" até apenas 14 km da superfície lunar, enquanto John Young aguardava no Módulo de Comando e Serviço "Charlie Brown". Tudo estava pronto, o caminho estava feito. Os últimos 14 km seriam para a Apollo 11.

Escolher o primeiro ser humano que pisara num outro mundo não é um assunto trivial . Mas conseguir ser um dos escolhidos para voar em qualquer uma das missões Apollo também não era trivial. Os três tinham 39 anos e tinham mulher e filhos. O comandante Neil Armstrong, um civil, era um engenheiro aeronáutico e piloto de testes que ajudou a desenvolver o avião X-15 da NASA, até hoje o avião que voou mais rápido e mais alto no mundo. Era um veterano da Gemini 8, missão do primeiro acoplamento entre naves, onde teve que fazer um pouso de emergência devido a defeitos com os controles. Segundo Deke Slayton, o chefe dos astronautas, sairia primeiro do Módulo Lunar "Eagle" basicamente porque a porta estava no lado dele. O seguiria imediatamente o piloto do módulo lunar, o coronel da Força Aérea Buzz Aldrin, piloto de testes e engenheiro com um Ph.D. em Astronáutica pelo M.I.T., onde desenvolveu o método matemático que seria usado nos computadores para garantir o acoplamento orbital. Era o astronauta com mais experiência em atividades extra-veiculares: 5 horas durante a missão Gemini 12. O piloto do Módulo de Comando e Serviço Michael Collins, engenheiro aeronáutico e piloto de testes da Força Aérea também era um veterano das Gemini. E a tripulação da missão Apollo 11 já estava escolhida antes de se saber que esta seria a missão que entraria para a história.

Na manhã de 16 de julho de 1969 começou a viagem mais fantástica na história da Humanidade. Um milhão de pessoas assistiram a decolagem do gigantesco Saturno V de Cabo Canaveral. Três dias depois estavam chegando em praias estranhas. Armstrong e Aldrin entraram no módulo lunar e começaram a descida e Collins ficou atrás no "Módulo Columbia". Segundo os especialistas, o pouso no Mar da Tranquilidade era a parte mais perigosa da missão. Depois de problemas menores com uma antena de comunicação e alarmes de sobrecarga de computador, já a poucos metros do solo veio o mais temido. O local escolhido para o pouso na verdade estava cheio de pedras. Se Armstrong não conseguisse achar em 2 minutos um lugar adequado para pousar o combustível do estágio de descida se acabaria e deveriam abortar a missão ou morrer na queda. Com o nível nos tanques em 30 segundos pousaram suavemente. Armstrong enviou a frase esperada: "Houston, aqui Base Tranquilidade… o Eagle pousou". Estava feito!



Horas depois, na noite de 20 de julho, metade da população mundial assistia ao vivo pela televisão quando Neil Armstrong desceu pela escada, pisou na Lua e falou as palavras imortais: "Este é um pequeno passo para um homem, um gigantesco salto para a humanidade". Depois de recolher rapidamente algumas amostras e passá-las para Aldrin, este desceu também. Juntos exploraram esse mundo de luzes e sombras estranhas, sem som, onde o peso das coisas e os movimentos são diferentes e o céu é por sempre preto. Realizaram experimentos, recolheram amostras, e se maravilharam com a paisagem. Duas horas e meia depois já deviam partir.

Quando chegaram à Terra foram colocados imediatamente, ainda no porta-aviões Hornet, num container especial para cumprir a estrita quarentena. Ninguém podia descartar a possibilidade de algum tipo de contaminação por microorganismos lunares.

Três semanas depois saíram, e viram que nada tinha sido sonho. Eram heróis, não só nacionais, mas mundiais. Fizeram um giro por 25 países e em todo lugar as pessoas queriam vê-los, queriam tocá-los. Os três são personagens da história para sempre.

A Apollo 12, em novembro, já poderia ficar mais tempo na Lua do que a pioneira. Pete Conrad e Alan Bean pousaram o módulo lunar "Intrepid" a escassos metros de uma Surveyor, que chegou no Oceanus Procellarum anos antes deles. Recolheram algumas peças expostas à intempérie e uma boa quantidade de amostras lunares, enquanto o companheiro Richard Gordon esperava no "Yankee Clipper".



A Apollo 13, abril de 1970, foi a do azar. Um tanque de oxigênio explodiu no módulo de serviço, os deixando sem eletricidade. A descida na Lua foi cancelada, e pouco depois era evidente que até a volta a Terra de Jim Lovell, Fred Haise e James L. Swiggert estava comprometida. Ajudados por um exército de engenheiros e cientistas na Terra, utilizaram o módulo lunar "Aquarius" como barco salva vidas e como rebocador do inerte módulo de comando "Odyssey" e seu vital escudo térmico. Depois de passar 4 terríveis dias de frio e sede e de um desgaste psicológico tremendo, os para quedas se abriram brilhantemente no céu do Oceano Pacífico. Isto lembrou a todos que apesar dos espetaculares triunfos da Apollo cada viagem espacial era coisa difícil, séria e perigosa e não nenhuma rotina.

Quando o programa voltou a estar operacional, um ano depois, Apollo 14 completou a missão da Apollo13 às montanhas de Fra Mauro. Alan Shepard, o primeiro americano no espaço, e Ed Mitchell utilizaram um carrinho de mão para levar instrumentos científicos e explorar áreas maiores. Depois, Stuart Roosa com a nave de comando "Kitty Hawk" recolheu aos tripulantes do módulo "Antares" para trazê-los para casa.

Na Apollo 15, em julho e agosto de 1971, o conceito do carrinho de mão se converteu num carro lunar para David Scott e James Irwin. Com ele se afastaram muitos quilômetros do módulo "Falcon" e exploraram a região de Hadley-Apeninos. Acima Alfred Worden utilizava um pacote de sensores a bordo da nave de comando "Endeavour" e até soltava um subsatélite.

Na Apollo 16 com as naves "Orion" e "Casper" John Young, Charles Duke e Ken Mattingly estudaram a região da cratera Descartes em abril de 1972. Young e Duke também utilizaram um carro lunar nas suas explorações. A quantidade de amostras lunares trazidas era cada vez maior.

Finalmente, em dezembro de 1972 meio milhão de pessoas assistiram a decolagem noturna da última viagem de astronautas à Lua. Novidade na missão Apollo 17 era que junto com Gene Cernan e Ronald Evans viajava um cientista, o geólogo Harrison "Jack" Schmitt. Até ali só tinham viajado pilotos, com diploma de engenharia ou equivalente. O primeiro cientista na Lua também seria o último homem a caminhar lá. Mas a 17 também foi uma das missões mais produtivas. Nos 3 dias que passaram na superfície lunar em Taurus-Littrow, Cernan e Schmitt recolheram mais de 100 kg de rochas e solo, alguns bem estranhos, e realizaram boa quantidade de experimentos. Finalmente depois de que Cernan fechou a escotilha do módulo "Challenger" para reunir-se com o "América", nenhuma outra pegada humana foi estampada na Lua até hoje.

Apollo confirmou, especialmente com seu tesouro de quase 400 kg de material da Lua, que esta é um mundo muito antigo, tanto quanto a Terra (aliás, com esses dados foi possível calcular a idade de nosso planeta e até do Sistema Solar, de 4,6 a 4,9 bilhões de anos) e morto. Talvez, no passado ela foi parte da Terra, arrancada por alguma violenta colisão. A maior parte do que sabemos hoje acerca da Lua é devido as Apollos. A Apollo até cumpriu com os objetivos políticos, os militares, os econômicos, os científicos e os tecnológicos idealizados por Kennedy. Mas como disse Neil Armstrong no 30 Aniversário do começo da viagem Apollo 11 "a conquista mais importante da Apollo foi demonstrar que a Humanidade não esta para sempre presa a este planeta, e que nossas metas vão mais além do que isso, e que nossas oportunidades não tem limites."



http://www.workingonthemoon.com/WOTM-IntroAcknow.html - legado da Apollo
http://www.nasm.si.edu/collections/imagery/apollo/spacecraftcm.htm - bem legal

NASA History Office.


 http://history.nasa.gov/ap11ann

Johnson Space Center.

 http://spaceflight.nasa.gov/history/apollo

Kennedy Space Center.

 http://www-pao.ksc.nasa.gov/kscpao/history/apollo/apollo.htm

Tom Alexander, Homem à Lua. O projeto Apollo.Cultrix. São Paulo, 1966.

Eugene Morlock Emme, A history of space flight. Holt, Rinehart and Winston. New York, 1965.


Aviation Week & Space Technology, Editora McGraw-Hill, Abril, Maio, Junho de 1961. Dezembro de 1968. Janeiro, Junho, Julho, Agosto de 1969
Políticas de utilização de imagens da NASA:


 http://www.nasa.gov/gallery/photo/guideline.html



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