4 a importância da Perceção de Aceitação-Rejeição no Envolvimento com a Escola e no Rendimento Académico



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Índice
3 Editorial

4 A Importância da Perceção de Aceitação-Rejeição no Envolvimento com a Escola e no Rendimento Académico

12 Os Pais e os Problemas de Comportamento da Criança

16 A Leitura de Histórias: Qualidade das Interações entre Pais e Filhos

20 Coaching Parental: Uma Prática Partilhada

23 As Competências Parentais e as Emoções das Crianças

27 Práticas Parentais: Uma Condicionante das Rotinas Educativas

32 Testemunho

33 Espaço

36 Legislação

37 Espaço TIC

38 Livros

39 Notícias
Ficha Técnica
Diretor: João Manuel Almeida Estanqueiro

Redação: Serviços da Direção Regional de Educação e Colaboradores Externos

Revisão: Divisão de Apoio Técnico

Morada: Rua D. João n.º 57

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Grafismo e Paginação: Divisão de Apoio Técnico

ISSN: 1646-1819

Distribuição: Gratuita

Fotos: Direção Regional de Educação / Ashley Campbell / Clube Naval do Funchal / Family Coaching / hoyasmeg / Isabel Cruz & Margarida Pocinho / Juvelina Pita / Mel-and-Jym / Rebeca Cygnus / o5com / Simão João / USAG-Humphreys

Editorial
O nosso código escrito é pródigo em palavras e expressões que têm, muitas das vezes, o mesmo sentido, apesar da diversidade dos vocábulos utilizados.

O sentido varia de acordo com os interlocutores, com o contexto em que são proferidas, com a intenção comunicativa e com uma série de variáveis, nem sempre identificáveis, quer pela complexidade, quer pela variabilidade.

Ao longo deste número da revista Diversidades encontramos vários artigos que nos remetem para uma multiplicidade de assuntos, todos eles com algo em comum: a tríade criança - pais - escola. Cada um deles envolve termos que se entrelaçam, completam e entreajudam na procura de um sentido, de uma explicação, de uma resposta... Tais expressões sucedem-se e todos nós, enquanto comunidade educativa, as reconhecemos, nomeadamente o rendimento académico, o sucesso escolar, a importância dos docentes na vida escolar dos alunos, a indisciplina, a perda de autoridade da figura do professor, o ambiente familiar e estilo educativo, a capacitação dos pais para se tornarem elementos ativos e conscientes da relevância do seu papel, a motivação para a aprendizagem, entre muitos outros.

Poderíamos continuar ad aeternum. A que conclusões chegaríamos? Chegaríamos mesmo a alguma conclusão? Palavras, expressões?... Sim, temos muitas para todas as situações. Mas onde nos levam elas? À ação? À resolução dos problemas?

Como pais, encarregados de educação e docentes indagamo-nos sobre o que é que contribui para o sucesso escolar dos nossos alunos. E é na procura incessante por esta informação que nos deparamos com o tal código linguístico, que por vezes nos confunde. Ainda assim, é com ele que nos expressamos, que debatemos, que nos questionamos. Podemos e devemos fazê-lo!

Enquanto comunidade educativa, usemos a nossa arte da eloquência, a nossa capacidade oratória para, tal como sugere Florence Scovel, fazermos uso das palavras da forma como nos aconselha, “Aquele que conhece o poder da palavra presta muita atenção à sua conversação. Vigia as reações causadas pelas suas palavras, pois sabe que elas não retornarão ao mesmo ponto sem terem causado um efeito”.


Ana Paula Vieito

Subdiretora Regional de Educação

A Importância da Perceção de Aceitação-Rejeição no Envolvimento com a Escola e no Rendimento Académico

Inês Grilo, Francisco Machado e Márcia Machado - Instituto Superior da Maia


Introdução

Numa sociedade cada vez mais escolarizada é importante que todos os alunos sintam que pertencem à escola e que têm bons motivos para colher todas as experiências educativas que ela lhes pode proporcionar. Só dessa forma é possível que a escola cumpra todas as funções psicossociais e educacionais que lhe são atribuídas. Nos últimos anos, o insucesso escolar e a falta de envolvimento com a escola têm sido largamente debatidos quer nos meios de comunicação social, quer nos meios políticos e educativos, retratando a relevância do tema e a crescente preocupação da sociedade em relação ao sistema educativo. A indisciplina por parte dos alunos, as queixas acerca da perda de autoridade da figura do professor e a sua consequente insatisfação são frequentes nos últimos anos, tornando o caráter relacional da escola um fator a explorar.

Surge assim o interesse pela relação professor-aluno, particularmente no que diz respeito às perceções e sentimentos do aluno acerca desta díade que, segundo vários autores, influencia em grande medida fatores como o seu ajustamento psicológico, a sua integração social, o desenvolvimento de competências sociais, o envolvimento do estudante com a escola e a qualidade do seu desempenho académico (Patrick, Ryan, & Kaplan, 2007). Por outro lado, sendo a relação com os pais ou cuidadores e o ambiente familiar fundamentais para o ajustamento psicológico de qualquer indivíduo, presume-se que estes sejam fatores importantes para a adaptação do aluno à escola, para o seu envolvimento e integração no contexto escolar e, consequentemente, para o sucesso nos seus resultados académicos.

Será que ambos os relacionamentos contribuem de igual forma para a vida escolar dos adolescentes de hoje, tendo a mesma expressão no seu envolvimento escolar e no seu rendimento académico?

No estudo aqui apresentado, pretendeu-se perceber, em primeiro lugar, em que medida é que a perceção do aluno de que pais e professores o aceitam ou rejeitam está associada ao seu envolvimento com a escola e ao seu rendimento escolar.

Um segundo objetivo do mesmo foi verificar se o conjunto das perceções de aceitação-rejeição parental tem tendência a refletir-se no relacionamento com os professores e na perceção do aluno acerca da aceitação-rejeição por parte dos mesmos, confirmando a correlação entre as referidas variáveis.

Neste artigo apresentaremos uma versão resumida desta investigação, começando por um enquadramento teórico das variáveis, descrevendo a amostra utilizada, os instrumentos de medida usados e apresentando, por fim, uma discussão dos resultados encontrados e as conclusões retiradas através dos mesmos.
Sucesso escolar e rendimento académico

Os conceitos de sucesso e insucesso escolar, embora largamente debatidos ao longo das últimas décadas mantêm-se difíceis de definir devido às inúmeras variáveis que a eles são associadas.

Nos países da União Europeia as definições geralmente utilizadas prendem-se fundamentalmente com a capacidade ou incapacidade do aluno atingir os objetivos globais compreendidos em cada ciclo de estudos (Eurydice, 1995; Pérez, 2009). O êxito no alcance destes objetivos traduz-se normalmente em classificações positivas e, sendo assim, a ideia de sucesso escolar designa também o sucesso do estabelecimento escolar remetendo para as listas de classificação de escolas, nas quais se distinguem aquelas que em termos globais apresentam melhores resultados que outras equiparadas. Por outro lado, o insucesso escolar, segundo a literatura, pode corresponder a diversas situações, entre elas, o número de reprovações, as classificações negativas a cada disciplina, dificuldades de aprendizagem e o abandono de um ciclo de estudos (Pérez, 2009).

Assim, apesar de sabermos que o rendimento escolar não é o único indicador de sucesso ou insucesso, constituindo-se como um critério muito redutor, não podemos negar a importância das classificações escolares. Desta forma, optamos por considerar como variável para o estudo, o rendimento escolar (classificações finais de três períodos letivos), por representarem a forma mais acessível de avaliar o sucesso ou insucesso no desempenho geral de um aluno no seu percurso escolar, determinando a maior parte das vezes a continuação ou o abandono precoce do mesmo.


Envolvimento Escolar

O envolvimento escolar pode ser descrito, de forma muito sucinta, como a tendência do aluno para estar emocional, cognitiva e comportamentalmente envolvido nas diferentes atividades académicas e na vida escolar, que são fatores indissociáveis de um alto rendimento académico e de uma vivência escolar positiva e bem-sucedida (Thijs & Verkuyten, 2009). A importância deste constructo é reconhecida principalmente por educadores e professores por se observar que há um número excessivo de estudantes aborrecidos, desmotivados e “desconectados” com os aspetos académicos e sociais do quotidiano escolar. Assim, a promoção do envolvimento académico é tratada em vários estudos como um possível antídoto para esta situação que, ao manter-se, significa o comprometimento do futuro sucesso dos atuais adolescentes, particularmente no que diz respeito à integração e adaptação no mercado de trabalho.

Nas revisões da literatura acerca do tema podemos encontrar vários modelos de envolvimento escolar. O que optamos considerar para esta investigação foi elaborado por Appleton, Christenson e Furlong (2008), que descrevem três componentes ou subtipos essenciais para o envolvimento escolar: comportamental, cognitivo e psicológico.

Segundo os seus trabalhos, o envolvimento comportamental remete para a tendência do aluno em participar nas atividades académicas (na sala de aula e em contextos extra aula), nas atividades sociais e extracurriculares propostas pela escola. O envolvimento cognitivo traduz-se na ideia de investimento e empenho nas tarefas e na elaboração de estratégias (mecanismos de coping) para o alcance de objetivos escolares e para a compreensão de que estas duas competências são necessárias para gerir eventuais dificuldades académicas e alcançar o sucesso. Daí ser possível a correlação entre envolvimento académico e rendimento académico. Por sua vez, o envolvimento emocional ou psicológico, que inclui as relações com professores, colegas e funcionários, relaciona-se com as ligações afetivas que se criam, a perceção de apoio por parte dos professores e pais em relação à aprendizagem, o sentimento de pertença à escola e orgulho nesta e a motivação intrínseca e extrínseca para o cumprimento das tarefas (Moreira et al., 2009). A perceção de apoio por parte dos pais e dos professores serve como indicador da qualidade afetiva dos relacionamentos nas díades referidas, pelo que este fator estará tendencialmente relacionado com as perceções de aceitação-rejeição também utilizadas como variáveis na presente investigação.


Teoria de aceitação e rejeição parental (PART)

Como já foi referido, duas das variáveis utilizadas dizem respeito a perceções de aceitação-rejeição interpessoal retiradas do quadro conceptual da teoria da aceitação e rejeição parental, comummente representada pela sigla PARTheory (parental acceptance-rejection theory), de Ronald Rohner.

Esta é uma teoria de socialização que apresenta como principais objetivos prever e explicar as maiores causas, consequências e outras contingências da perceção de aceitação ou rejeição parental internacionalmente (Rohner, 1986, 2010; Rohner & Khaleque, 2010). Um dos postulados fundamentais da teoria de aceitação-rejeição parental, que é de particular relevância para a presente investigação, é o princípio de que o ajustamento psicológico, comportamental e cognitivo das crianças e adolescentes por todo o mundo é afetado pela perceção de serem aceites ou rejeitados pelos seus pais e/ou outras figuras de vinculação. Importa também explicar que a teoria PART assume a perceção de aceitação-rejeição como um contínuo no qual todas as pessoas poderão ser colocadas, visto que no conjunto dos nossos relacionamentos, todos nós já experienciamos mais ou menos apoio, carinho ou amor. No extremo deste contínuo que respeita à de aceitação percebida, incluem-se perceções de carinho/afeto, apoio, cuidado e nutrição manifestadas verbal ou não verbalmente pelas figuras parentais. Já o polo oposto do mesmo remete para a perceção de ausência destes sentimentos e comportamentos positivos e para a presença de uma variedade de comportamentos lesivos física, psicológica e simbolicamente (Rohner, 1986, 2010; Rohner, Cournoyer, & Khaleque, 2009).

Os resultados da investigação internacional apontam para quatro formas fundamentais de rejeição percebida: frieza e falta de afeto, hostilidade e agressividade, indiferença e negligência e, por último, rejeição indiferenciada. Quando alguém experiencia a perceção de rejeição indiferenciada, sente que não é efetivamente alvo do carinho, afeto ou amor do outro significativo mas não encontra necessariamente razões para justificar este sentimento.

É também fundamental ter em conta que a teoria PART se integra numa perspetiva fenomenológica segundo a qual, o comportamento e desenvolvimento humanos são afetados mais pela perceção do indivíduo do que pelos acontecimentos em si. Só assim podemos justificar o facto de muitas crianças serem negligenciadas e não se sentirem rejeitadas enquanto outras experienciam o sentimento de rejeição apesar de serem alvo de carinho, afeto e preocupação por parte dos pais ou principais cuidadores (Rohner, 1986).

Os estudos de Rohner e outros investigadores têm permitido constatar que por todo o mundo, as consequências da rejeição parental ao nível do desenvolvimento e comportamento das crianças são as mesmas e que o que varia culturalmente são os comportamentos considerados rejeitantes (Rohner, 2000).


Importância dos pais e professores na vida escolar do adolescente

A investigação tem demonstrado de forma consistente a importância e influência dos pais ou cuidadores principais no desenvolvimento do adolescente, correlacionando-a com variáveis mediadoras do desempenho escolar, como é o caso da autoestima ou perceção de autoeficácia que impulsionam de forma positiva o cumprimento dos objetivos escolares e consequentemente o sucesso académico dos alunos (Duchesne & Ratelle, 2010; Frank, Plunkett, & Otten, 2010; Stoltz, Barber, Olsen, Erikson, Bradford, Maughan, & Ward, 2004).

Segundo Duchesne e Ratelle, num estudo publicado em 2010, pais envolvidos, ou seja, que expressam através dos seus comportamentos e atitudes, aceitação, apoio, assistência e responsabilidade perante o filho, nomeadamente no que toca à sua vida escolar ou académica promovem uma boa autoestima e perceção de autoeficácia e motivação, que quando orientadas para o percurso escolar são fatores preditores de boas classificações, mestria na gestão dos objetivos escolares e, por consequência, experiências de sucesso.

Por outro lado, as práticas educativas num estilo autoritário, em que os pais recorrem frequentemente a punições e altos níveis de controlo do comportamento e afeto insuficiente, demonstraram agir em detrimento da autoconfiança, motivação e rendimento académico dos filhos adolescentes. Encontraram--se ainda, no mesmo estudo, correlações entre o fraco envolvimento parental e o estilo autoritário e sintomatologia ansiosa e depressiva nos alunos, que condiciona necessariamente o seu ajustamento psicológico e social e também os seus recursos para uma aprendizagem bem-sucedida.

Há ainda outros estudos que referem que quando este relacionamento entre pais e filhos é positivo, afetuoso e apoiante tem como produto jovens competentes do ponto de vista socioemocional, sendo essa característica pessoal que lhes permite uma boa adaptação ao contexto social da escola, aos desafios que este apresenta e uma boa relação com professores e pares (dimensões do envolvimento psicológico com a escola), que por sua vez se correlaciona positivamente com o alto rendimento académico (Sapienza, Aznar-Farias, & Silvares, 2009; Wentzel, 1999).

Os professores são indiscutivelmente figuras detentoras de uma grande influência no ajustamento psicológico e no desempenho e envolvimento escolar das crianças e adolescentes. Determinadas características, tanto pessoais como do seu método de ensino (e.g. paciência, dedicação, atitude democrática no ensino) facilitam a aprendizagem e promovem o gosto pelo contexto escolar e o sentimento de pertença à escola. Além disso, uma boa relação entre alunos e professores promove uma perceção positiva do aluno em relação a si mesmo, motivação escolar, melhor adaptação ao contexto social da escola e, consequentemente, melhor aproveitamento (Hallinan, 2008; Lee, 2007). No entanto, no que diz respeito à exploração das causas e consequências de uma relação menos positiva entre os dois, o volume de investigação existente é menor (Khan, Haynes, Armstrong, & Rohner, 2010). A exploração dos efeitos que a perceção subjetiva de rejeição poderá ter na vida escolar e pessoal do aluno é um campo de interesse para a investigação atual e que tem merecido uma crescente atenção. Segundo o estudo de Gregory e Ripski, realizado em 2008, os alunos que se sentem rejeitados pelos professores são os que apresentam menor envolvimento com a escola e são também os que têm tendência a evitá-la, faltando às atividades escolares.


Objetivos e problemas de investigação

A teoria de aceitação-rejeição interpessoal apresenta evidências de que o ajustamento psicológico e comportamental das crianças e adolescentes é influenciado significativamente pelas suas perceções de aceitação ou rejeição por parte das figuras significativas, nomeadamente pais e professores. Desta forma, vários estudos que utilizam as perceções de aceitação-rejeição parental e do professor correlacionam-nas com o rendimento e envolvimento escolar. Encontrar associações positivas entre estas variáveis foi um dos objetivos da presente investigação. Um segundo objetivo foi testar as associações entre as duas últimas variáveis, rendimento escolar e envolvimento escolar. Ainda relativamente às perceções sobre a qualidade dos relacionamentos entre os adolescentes e as figuras significativas, pretendemos verificar se as perceções de aceitação-rejeição parental estão associadas às perceções de aceitação-rejeição do professor. Este terceiro objetivo baseia-se no pressuposto de que a aceitação ou rejeição experienciada no seio familiar molda em determinado grau os relacionamentos com pessoas pertencentes a outros contextos, como os professores.


Amostra

Os participantes deste estudo fazem parte de quatro turmas do 3.º ciclo que frequentavam na data da recolha de dados uma escola pública no distrito do Porto. O grupo de 95 sujeitos foi constituído por adolescentes, na sua maioria, de nacionalidade portuguesa (93.7%), dos quais 46 são do sexo feminino e 49 do sexo masculino. As suas idades variam entre os 13 e os 17 anos, verificando-se que o valor modal corresponde aos 14 anos de idade (42.1%). O valor modal das classificações é de 2.75 e a média é de 3.20, o que indica que, de modo geral, as classificações dos alunos da amostra são média-baixas. Quanto à constituição do agregado familiar dos adolescentes, a maioria reside com o pai ou padrasto, mãe ou madrasta e irmãos (72.2%).


Instrumentos utilizados

Questionário de Aceitação-Rejeição Parental (PARQ)

O Questionário de Aceitação-Rejeição Parental é um instrumento de autorrelato construído de forma a avaliar a perceção dos adolescentes acerca da aceitação e rejeição de cada uma das figuras parentais (Tulviste & Rohner, 2010). No seu enunciado, é pedido aos sujeitos que reflitam sobre a forma como são tratados pelos pais ou outros cuidadores principais.

O conjunto de itens está formulado de forma a medir as 5 dimensões de perceção de aceitação-rejeição parental, tais como, carinho, hostilidade, indiferença/negligência e rejeição indiferenciada.


Questionário de Aceitação-Rejeição do Professor (TARQ)

O Questionário de Aceitação-Rejeição do Professor tem uma estrutura análoga ao PARQ (versão para crianças/adolescentes), mas os seus itens são afirmações relativas à perceção dos alunos acerca da aceitação-rejeição e do controlo dos comportamentos que experienciam por parte do professor. É constituído por 29 itens distribuídos pelas mesmas cinco subescalas referidas na descrição do instrumento anterior, sendo que estas avaliam as perceções dos alunos acerca do carinho/afeto do professor. O TARQ apresenta um coeficiente Alfa de 0.84, sendo assim parametricamente válido (Rohner, Parmar, & Ibrahim, 2010).


Escala de Avaliação do Envolvimento Escolar (EAEE)

A escala de envolvimento escolar utilizada neste trabalho de investigação é a versão portuguesa do Student Engagement Instrument (SEI) adaptada e validada para a população portuguesa por Moreira, Machado, Dias e Petracchi, em 2009. Foi construída de forma a avaliar o envolvimento escolar, nas dimensões psicológica e cognitiva, de adolescentes. Os itens distribuem-se por duas escalas, a escala de envolvimento cognitivo e a escala de envolvimento psicológico. A primeira escala corresponde a indicadores internos do envolvimento escolar como a autorregulação da aprendizagem, a relevância atribuída ao trabalho escolar e as aprendizagens no sentido da realização de objetivos presentes e futuros. A segunda diz respeito a aspetos como o sentimento de pertença à escola, o orgulho na instituição e aos relacionamentos com colegas, professores e outros indivíduos que integram o contexto escolar. Cada uma das escalas descritas divide-se por três subescalas. À escala de envolvimento cognitivo correspondem as subescalas: controlo e relevância do trabalho escolar, objetivos e expectativas de futuro e motivação extrínseca. À escala de envolvimento psicológico, por sua vez, correspondem as subescalas: relacionamento professor-aluno, apoio familiar em relação à aprendizagem e apoio dos pares na aprendizagem (Moreira et al., 2009).


Apresentação e discussão de resultados

Segundo os modelos ecológicos, o sucesso escolar é influenciado por uma rede complexa de processos proximais que incluem tanto relações sociais, como a participação em várias atividades e contextos como o lar, a escola, a vizinhança ou comunidade. A investigação precedente confirma que a presença de adultos atentos, apoiantes e afetuosos nos sistemas mais próximos dos indivíduos representa um fator promotor e muitas vezes explicativo das variáveis do sucesso escolar (e.g. Wooley & Bowen, 2007).

Os resultados deste estudo vão ao encontro do que é sugerido pela literatura, salientando o papel dos pais e professores no envolvimento escolar e no rendimento escolar dos adolescentes. A investigação aqui representada fornece evidências de que o carinho parental percebido está efetivamente associado ao aumento do envolvimento escolar.

É importante relembrar que o envolvimento escolar é um constructo abrangente que inclui desde aspetos de caráter cognitivo, como o controlo e a relevância atribuídos ao trabalho escolar, até fatores emocionais e psicológicos como o relacionamento com os colegas. Efetivamente, estudos recentes referem que relacionamentos parentais caracterizados pelo carinho e aceitação, confiança mútua e apoio são mais frequentemente associados ao envolvimento escolar psicológico, à boa integração dos adolescentes no grupo de pares, melhores relacionamentos com os professores e a uma adaptação favorável ao contexto escolar, em comparação com relacionamentos parentais caracterizados pela hostilidade ou simplesmente pela negligência afetiva. A qualidade do relacionamento afetivo entre pais e filhos reflete-se no ajustamento psicológico da criança ou adolescente, potenciando ou inibindo as suas competências sociais, a sua autoestima e as suas crenças de autoeficácia (e.g. Falkenstain, 2010; Sheeber, Davis, Leve, Hops, & Tildesley, 2007). Assim, quando o relacionamento entre pais e filhos é saudável e caracterizado pela aceitação os adolescentes terão melhores condições para a sua integração no contexto escolar e para a participação e envolvimento nas tarefas que a escola propõe, o que contribuirá para um bom desempenho académico.

Ainda no que concerne a este problema de investigação é de destacar que as variáveis, envolvimento escolar e perceções de aceitação- -rejeição do professor, também revelaram uma associação positiva, beneficiando esta de um caráter causal. Em termos estatísticos podemos dizer que 16% da variância do envolvimento escolar dos participantes pode ser explicada pela perceção de aceitação ou rejeição por parte dos seus professores. É possível considerar que neste grupo de alunos a perceção de aceitação por parte do professor influencia positivamente o envolvimento escolar, potenciando-o e que a perceção de rejeição por parte do professor o influencia negativamente.



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