13ª Mostra da Produção Universitária



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


A ALEGORIA COMO PERSPECTIVA DE ABORDAGEM NA

OBRA DE MOACYR SCLIAR
BORBA, Ellem Rudijane Moraes de.

AMARAL, Raíssa Cardoso.

MARCHEZINI, Thamires de Carvalho. (Autores)

SPAREMBERGER, Alfeu. (Orientador)

ellemsdjb@gmail.com
Evento: Congresso de Iniciação Científica

Área do conhecimento: Linguística, Letras e Artes
Palavras-chave: Literatura Brasileira; Moacyr Scliar; Alegoria.
1 INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo analisar a obra O Centauro no Jardim (2011), do escritor Moacyr Scliar, utilizando a alegoria como estratégia de abordagem. Pode-se caracterizar a alegoria como algo capaz de representar a consumação de uma reconstrução, que fundamenta e transcreve o vivido, o individual e o imaginado, segundo os aspectos da tradição do judaísmo. Essa abordagem é baseada no livro de Gilda Salem Szklo, intitulado de O Bom Fim do Shtetl: Moacyr Scliar (1990), pois a autora faz um estudo profundo do mundo fantasioso e lúdico retratado nas produções de Scliar.

Para utilizar a alegoria como técnica de abordagem, Gilda Szklo se inspira nos ensaios de Walter Benjamin sobre a modernidade, em que o narrador se apresenta como estranho em uma sociedade de massificação, situação próxima à vivida pelo judeu na sua condição de estrangeiro, forasteiro, carregando todos os problemas de adaptação em um mundo que não é o seu.
2 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)

A perspectiva metodológica adotada é bibliográfica. O presente trabalho é resultado parcial de uma pesquisa em fase de desenvolvimento que visa produzir um estudo aprofundado da obra de Moacyr Scliar, a partir do suporte teórico centrado na noção de alegoria, além de outras leituras que serão oportunizadas posteriormente.
3 RESULTADOS e DISCUSSÃO

A situação de inadaptação e alienação ao meio faz-se perceber logo no início do romance, com o nascimento de Guedali, um lindo bebê, robusto, corado, uma criança perfeita, da cintura para cima; da cintura para baixo, um cavalo. De acordo com Gilda, a alegoria é mitológica, já que:


“(...) retoma antigas tradições, elementos míticos e guarda, na memória a plenitude existencial de um Paraíso original (...) a imagem contraditória de uma realidade desfavorável (...) existe nela resquícios de simbolismo” (SZKLO, 1990, p.26).
Scliar utiliza em sua obra o elemento mitológico, representado no centauro para se referir à problemática judaica, justamente pela figura do centauro ser capaz de ilustrar a divisão étnica e religiosa, a dualidade entre a modernidade e a tradição, ou seja, a dificuldade de se integrar ao grupo de origem e seus valores, ou a assimilação de uma nova cultura, representando um corte em relação ao passado. Essa é uma situação de conflito para os filhos dos imigrantes judeus, pois assim como Guedali, precisam realizar uma escolha: perder suas marcas culturais e religiosas e romper com os laços de ligação com o povo judeu ou assimilar uma nova cultura e adaptar-se ao mundo ocidental, apagando os sinais que os ligam às tradições dos seus antepassados e a uma etnia nem sempre festejada.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para uma alegoria produzir sentido, ela deve ser compreendida perfeitamente pelo leitor, ou seja, precisa ser decodificada. Nesse romance, o sentido alegórico mostra-se claro ao trazer como elemento central o centauro Guedali que é em primeiro lugar, alguém em busca da sua identidade como homem ou centauro, como judeu ou brasileiro, como descendente de imigrante que assimila a cultura ocidental ou permanece fiel às tradições do povo judeu. Justamente esse sentido de incompletude dá o tom alegórico ao romance, embora seja importante admitir que essa não é a única leitura possível da obra.

Porém, na presente análise, considera-se que a duplicidade na condição de homem/cavalo aparece como representação de uma outra realidade: a natureza verdadeira do judeu como ser em permanente exílio, desterrado e carregado de solidão.
REFERÊNCIAS

SZKLO, Gilda Salem. O bom fim do shtetl: Moacyr Scliar. São Paulo: Perspectiva, 1990.


SCLIAR, Moacyr. O centauro no jardim. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
ZILBERMANN, Regina. Moacyr Scliar: a vida é a obra. In A Guerra no Bom Fim. Porto Alegre: LPM, 2014, pp. 7 a 16.






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