1001 provérbios em contrastes



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1001-Provérbios em contraste.

Martha Steinberg

Duas palavras para segunda edição

Alfredo Bosi

Mil e um provérbios em contraste de Martha Steinberg é desses livros que não envelhecem.Publicado há quase vinte anos, a sua primeira esgotou-se rapidamente. O que é fácil de entende.amadores da sabedoria arcaico-popular européia e brasileira; estudiosos da língua e da cultura inglesa; e, sobretudo, interessados de Paremiologia comparada logo se deram conta de que o trabalho de Martha Steinberg representava uma contribuição nova e original às suas respectivas áreas de pesquisas.

Pela primeira vez fazia-se não só um inventário de dizeres populares em língua inglesa, mas também se efetuava um trabalho árduo de tradução desse corpus para a nossa língua; e, o que era inédito, buscavam-se as equivalências e os contrastes com os adágios luso-brasileiros correspondentes.

Aqueles que conhecem o empenho e o escrúpulos com que Martha leva a termo tudo quanto empreende sabem que o seu lema implícito no provérbio “What is worth doing is worth doing well”.

Para boa fortuna deste livro também contribuiu um fenômeno de ordem editorial digno da atenção: o aparecimento, a partir dos anos 80, de numerosos traduções de originais ingleses e norte americano nas áreas de Letras e Ciências Humanas. Para verter idoneamente um texto de qualquer língua torna-se indispensável o conhecimento de suas expressões idiomáticas e de suas eventuais equivalência na língua de destino. Provérbios nada mais são do que expressões idiomáticas consagradas pela memória popular, e que já se incorporam à língua culta e, particularmente, à linguagem rica e variada das obras de ficção.



Last but not least, a leitura destes mil e um provérbios em contraste não traz só a vantagem da utilidade, o que de resto, não seria pouco.Traz também o consolo de conhecer ou reconhecer ecos de uma sabedoria antiga a amena, que faz bem aos nossos ouvidos ensurdecidos pelas estridências de que é pródiga a pós-modernidade.

Universidade de São Paulo, setembro de 2001



Os trabalhos de Martha

Alfred Bosi

Martha Steinberg é uma pesquisadora de fôlego.

A sua carreira universitária foi batizada por árduos, alguns ainda inéditos, mas que por certo hão de encontrar maiôs de vir a lume.

Partindo da sua larga experiência no campo de Lingüística anglo-americana, conquistada principalmente em viagens de estudo aos Estados Unidos, Martha Steinberg vem-se dedicando não só as análises imanentes de Fonologia como também a uma leitura original de obras literárias. A paixão por Eugene O’Neill levou-a a examinar, nas falas do seu teatro, marcas dialetais, irlandesas e populares. Mais recentemente (1983), Martha defendeu uma tese de livre-docência decididamente inovadora em torno dos elementos extralingüísticos da literatura dramática. Aqui a fonóloga impecável aventurou-se por aquele móvel universo de expressão que supre tantas vezes a importância dos sons; e sondou a linguagem do gesto, que é, ao mesmo tempo, espontânea e profundamente social.

E entrando in medias res, o que siginificam os adágios, motivo destes livro, se não um gesto comunitário da fala?

Quem percorre os 1001 provérbios em contraste talvez não se de conta, à primeira leitura, do exaustivo labor que se acumula por trás de sua esquematização tão clara e didática. Como apresentador , cabe-me erguer ao menos a ponta do véu, que é a forma externa da obra, para desvendar ao leitor a riqueza da sua matéria-prima e os cuidados da sua mão-de-obra, certo de que, ao fim e ao cabo, saíra plenamente confirmada a bela sentença do poeta Ovídio: “Materiam superabet opus”.

Em primeiro ligar, atente o leitor para o exercício da tradução literal.

Cada máxima inglesa foi vertida para o vernáculo com toda a fidelidade possível.

A literalidade, no caso, é de rigor, pois através dela pode-se cotejar a frase, assim transposta, com o provérbio correspondente em nossa língua. Na comparação ressaltam os torneios peculiares a cada idioma e reponta aquele não sei quê chamado com sal e propriedade pelos velhos filólogos de “ gênio da língua”.

Onde, por exemplo, o inglês diz “The beaten road is the safest” (ao pé da letra; o caminho batido é o mais seguro), o português cadencia: “Estrada batida, estrada sabida”. Ou a grave ponderação filosófica “Beauty is the eye of the beholder” (a beleza está os olhos do contemplador) vira o nosso ardido e balanceado: “Quem ama o feio bonito lhe parece”.

Retomo, adiante, assunto.

Uma segunda etapa, que a Autora cumpriu com particular empenho, foi a procura das equivalências. A busca lançou-a neste rio sem margens que é o adagiário luso-brasileiro. Martha, exímia nadadora, saiu-se bem mais está prova.

Finda a pesquisa, o que temos agora em mãos e colete singular que vem enriquecer a Paremiologia em língua portuguesa, tão via mas tão dispersa em obras antigas ou difícil acesso.

São raros hoje exemplares de rifonários idôneos. Os poucos que pude consultar diretamente valem muito como elencos, embora padecem de vacilações ou demasiado empirismo em termos de conceito e ordenação do material.

Um dos mais vetustos, o do padre Antonio Delicado, data do século XVII. O seu corpus, de cepa arcaica, afunda raízes na cultura medieval de cunho acentuadamente rural; e nesta viria a enxertar-se, por obra da Renascença internacional, toda uma memória grega e latina de sententiae e de exempla, cujo filtro provável terá sido o livro de adágios, do grande humanista Erasmo. A abertura literária dos Quinhentos e a sôfrega erudição barroca do século seguinte alargariam enormemente o repertorio literário de frases feitas e citações: Shakespeare e Cervantes, para só lembras os cimos, são mestres na arte de fundir metais cultos e populares.

Para as letras, duas fontes de águas vivas são a Comedia eufrosina, de Jorge Ferreira de Vasconcelos (1555) e a mordente Feira de anexins, de um dos mais hábeis forjadores de língua, D. Francisco Manuel de Melo (o texto saiu póstumo mais de dois séculos após a sua redação). Cito, agora no extremo oposto da prosa moral e ascética, os aforismos espalhados na obras do padre Manuel Bernardes: a Nova floresta (ou Silva de vários apoftegmas e ditos sentenciosos, espirituais e morais, com reflexões em que o útil da doutrina se alia com o vario da erudição assim divina como humana,1708-28) e luz e calor, viveiros ambos de visões que, confesso, estiveram entre meus livros de cabeceira na primeira adolescência.

Outro texto precioso e a Historia geral dos adágios portugueses, de Ladislau Batalha, que pude conhecer graças a solicitude amiga de um mestre de Filologia portuguesa, Segismundo Spino. Saiu em Lisboa dos prelos de Aillaud & Bertrand no ano de 1924. não se trata, como o do padre Delicado, de um rol de anexins. Sua ambição e maior: rastrear – a luz do passado português e, as vezes, de outros povos europeus - a origem e o sentido de alguns provérbios e locuções antigas. Em apêndice traz 347 expressões coloquiais, assinalando, quando possível, a sua provável datação.

Um sem-numero de esclarecimentos úteis sobre modos de dizer correntes deu-nos Jose Leite de Vasconcelos nas Traduções populares de Portugal e nos seus opúsculos de variada filologia e etnografia.Nem seria justo esquecer um dos patriarcas dos estúdios folclóricos portugueses, Teófilo Braga, discutível nas doutrinas filosóficas que inseria nos seus ensaios, mas copiosíssimo na coleta e na transcrição dos dados: fundamental, O povo português nos seus costumes, crenças e tradições, em dois volumes publicados em 1985.

Infelimente não logrei por os olhos num acervo muito gabado: Adágios, provérbios, rifaos e anexins da língua portuguesa por F.R.I.L.E.L.,supostas inicias de Francisco Rolland Impressor Livreiro em Lisboa, que data de 1780. Continuarei procurando.

No Brasil, os estudos de Paremiologia ( do grego paroimia, provérbio) devem quase tudo a autodidatas zelosos do nosso folclore. Entre tantos, e dever citar João Ribeiro, pioneiro em muitas direções, e também nesta, ao pesquisar e comentar com picardia frases feitas em livro homônimo, Amadeu Amaral e Amadeu de Queiroz, que deixavam contribuições ainda hoje insuperadas para o conhecimento da fala caipira paulista e mineira; Victor Russomano, respigador da fala gaúcha; e, no Ceara, Leonardo Mota, cujo vasto Adagiário brasileiro, com mais de 5 000 dizeres padeceu fortuna acidentada: já pronto em 1935, desapareceu misteriosamente (dizem que furtado) após a morte do Autor em 1948, tendo sido refeito graças a diligencia de seus filhos, a partir de anotações em cadernos, e só recentemente fio editado pela Jose Olimpio em convenio com a Universidade do Ceara (1982). Recomendo a leitura do prefacio que para o adagiário escreveu um scholar consumado Paulo Rónai.

Segundo afirmações do próprio Leonardo, os provérbios transcritos foram quase todos, ouvidos “da boca do povo”, constituindo-se, portando,final testemunho da nossa cultura oral. O interesse antropólogo do corpus em sim me parece inegável, acrescido pelo fato de o estudioso cearense haver indicado, para muitos refrães, equivalentes em outras línguas: o latim, o francês , o italiano, o inglês. O mesmo fez outro valente minerador da vida popular brasileira, Ático Vilas Boas da Mota, nos seus Provérbios em Goiás, que a Oriente de Goiânia publicou em 1974. “Em Goiás”, e não “de Goiás”, pois nada mais custoso de identificar que uma sentença corrente em uma só religião do Brasil. Chamo a atenção dos estudiosos para a bibliografia apensa a esse livro, que e soberba.

A leitura dos refraneiros faz supor um caráter altamente difuso nos provérbios, que – a semelhança dos fabulários e cancioneiros – apresentam formas análogas, ou pequenas variantes, reproduzidas ao longo dos séculos entre os povos do Mediterrâneo, Europa Ocidental e, a partir dos séculos XVI e XVII, nas colônias latino e anglo-americano. Os quadros comparativos traçados por Martha Steinberg reforçam a hipótese de uma comunidade básica do saber tradicional, que se articularia em estruturas semânticas profundas.Muito do que se diz no interior de Minas ou na Beira Alta dize-se, mutais mutandis, nos condados de Kem ou de Gloucestershire, sem que se possa cogitar de influencias ou de nexos históricos direitos. O Termo justo para interpretar o fenômeno seria ‘afinidade”, a qual se gastou mais de mil anos de cultura rústica ou semi-rústica, deste a implantação do sistema feudal ate o triunfo do capitalismo no século XIX. Essa cultura foi o bastante estável para deixar marcas indeléveis na linguagem cotidiana.

Nesse fundo comum produziram-se modos constantes de perceber o ambiente natural.

(Still waters run deep / A água silenciosa e a mais perigosa),

de prever o tempo:

(céu pedrento, chuva ou vento);

de marcar os ritmos das tarifas no campo:

(São Jose planta milho para a São João);

de observar o comportamento dos animais:



(Cavalo de cocheiro não quer vaqueiro) (Leonardo Mota registra 76 provérbios

que se abrem com a palavra "cavalo );


de aferir o valor dos homens:

(Men are not to be measured in inches / Tamanho não é documento);


ou das mulheres:

(Men make houses, women make homes / A fêmea équ efaz o ninho);


de refletir sobre os vaivens do acaso e a força do destino:

(When God wills all winds bring rain / Quando Deus quer, com todos os ven­tos



chove).
E de toda experiência o povo acabou extraindo o sumo de uma sabedoria ora

prudente, ora confiante, aqui e ali contraditória, como a vida:



Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga.

No entanto:



Madruga e verás, trabalha e terás.

Ou então:



Tempo leva e tempo traz.

Mas:


O tempo vai e não volta / Time once past never returns.

A propósito, a Autora reservou um capítulo só para os provérbios ingleses que se contradizem. Já o primeiro par dá o que pensar:

Absence makes the heart grow fonder / Out of sight, out of mind. O que soa no Brasil assim:

Longe dos olhos, perto do coração / Longe dos olhos, longe do coração.
Um outro modo de ler com proveito os 1001 provérbios em contraste é estudar as formas pelas quais bases semânticas semelhantes podem atualizar-se em variados giros sintáticos e escolhas lexicais diferentes:

Listeners hear no good of themselves diz-se, em português, Quem escuta



de si ouve. . .

Little and often filIs the purse traduz-se por De grão em grão a galinha enche a papo.

E mais este par que junto à seara de Martha:

King's requests are commands I Rogo de rico mandamento é.


Quando há diferenças de construção ou de vocabulário mais sensíveis, im­pressiona ver ou entrever aquela afinidade constante entre as estrutUras de significa­ção. Assim, nos exemplos a seguir, colhidos em fontes diversas, a forma vernácula molda-se em dísticos apostos, em geral rimados (ou toantes), em contraste com os períodos ingleses, mais soltos. Nestes, a simetria, menos marcada, se compensa, às vezes, por discretas aliterações I:

Better bend than break / Melhor vergar do que quebrar.

Constant dripping wears away stones / Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Death keeps no calendar / A hora é incerta, mas a morte é certa.

Age cools the passions / Com o tempo, vem o tento.

Hard with hard makes not the stone wall / Duro com duro não faz bom mu­


ro.
Drop by drop, the sea is drained / De gota em gota o mar se esgota. Marriage and hanging go by destiny / Casamento e mortalho no céu se talha.
Os comentaristas da poesia bíblica, ao estudar as figuras do Cântico dos Cân­ticos, falam da existência de uma "rima de pensamento", que supriria a rima dos sons. Talvez a expressão se aplique com justeza a mais de um provérbio inglês.

Uma palavra final merece o número dos adágios. Todos sabem que 1001 fo­ram as noites de Scherazade. O número nos veio do Oriente, e do Oriente trouxe o seu encanto narrativo e sapiencial. 3 000 eram os dizeres atribuídos a Salomão pelo autor do Primeiro Livro dos Reis:

"Ele pronunciou três mil provérbios e os seus cânticos foram em número de mil e cinco" (I Reiç; 5,12).

Na verdade, a série batizada de "salomônica" do Livro dos Provérbios não reú­ne mais de 503 m imas, das quais, ensinam os exegetas, nenhuma foi escrita pelo mais sábio dos reis...

Martha, chegando aos 1001, trabalhou com afinco. Agora é a vez dos seus leitores, isto é, n6s, que, imitando prazerosamente a Maria dos Evangelhos, preferi­mos o deleitoso da contemplação às tarefas rudes do cotidiano. Maria, diz o texto sagrado, "escolheu a melhor parte". Mas poderá Maria descansar sem que Martha trabalhe?

Vamos aos 1001 provérbios em contraste colhidos, apresentados, grupados e vertidos por Martha Steinberg.


Cotia, abril de 1984.
1 Sobre os ritmos dos ditados há observações certeiras em André Jolles, Formos Simples, trad. de Álvaro Cabral, São Paulo, Cultrix, 1976.

Para a aliteração, ver o trabalho exaustivo de Paolo Valesio, StrottuT1! dell'ollitterazione (Bologna, Zanichelli, 1967), que opera com vasto material de língua inglesa, popular e literá­ria, confrontando-o com exemplos tomados principalmente ao italiano.


Introdução
A Paremiologia engloba coletâneas de provérbios, máximas, ditados, frases feitas. Os sinônimos são muitos: adágios, afarismos, axiomas, estribilhos, princípios, para citar os mais correntes. Estes termos todos são, em geral, empregados uns pelos outros, quando na verdade existem diferenças entre todos eles, diferenças que são sutis e difíceis de ser determinadas.

O provérbio propriamente dito tem características que o distinguem e que são de cunho estrutural e semântico.

Quanto à estrutura, o provérbio se caracteriza pelos mecanismos empregados, na sua maioria os mesmos utilizados em linguagem poética, tais como a rima, a assonância, alite­ração, o equilíbrio, a conciSão, o paralelismo (fonético, morfológico, sintático), a elipse, aparanomásia, numa estrutura binária (simples, dupla ou tripla) de sintagmas correlatos. Amadeu Amaral (1948) lembra que o provérbio "quando não é puro verso-é parente próxi­mo deste, pelo ritmo e, mIlitas vezes, também pela rima". Mostra também que qualquer li­nha divisória entre o provérbio e outras formas de "dizeres" tradicionais do povo é meramen­te aproximativa, pois o próprio termo "paremiologia", que se origina do grego paroimia = "restrito ", é contraditório, pois em lugar de restringir justamente engloba todas as variantes.

Quanto às características semânticas, o provérbio deve encerrar uma mensagem ad­moestadora ou conselho, e deve ser empregado metaforicamente. "Chorar pela lua" é uma

frase bastante popular, tem cunho metafórico, mas !tão encerra conselho ou admoestação. No momento em que passarmos a dizer algo como "Não adianta chorar pela lua" ou "Não chore pela lua", teremos um provérbio. No âmbito da tradução verifica-se um fenômeno interes­sante relacionado com este aspecto do provérbio: certos provérbios da língua de partida en­contram seu equivalente na língua de chegada na forma de um ditado ou máxima. Outras vezes, a tradução literal é frase corrente na língua de chegada mas não é ainda empregada metaforicamente, como é o caso de "Don't speak to the man at the wheef', que coffesponde ao nosso "Não fale com o motorista" ou "É proibido falar com o motorista ", mas entre nós ainda não é provérbio por não ser empregada metaforicamente. Se muitos provérbios tiveram sua origem na experiência cotidiana, como "Muitas cozinheiras entornam o caldo", outros se ori­ginaram da literatura, como é o caso de "Gather ye rosebuds while you may" (Colha botões de rosa enquanto você pode), que equivale ao nosso "Aproveite a mocidade" ou "Mocidade é lima só" e se originou de um poema de Robert Herrick. No caso de provérbios literários, mui­tas vezes é difícil dizer se o autor criou o provérbio, que passou para o domínio popular, ou se apenas o popularizou, isto é, tomou uma forma já empregada pelo povo.
A origem dos provérbios de empréstimo de outras línguas também é duvidosa, pois, como já apontamos, a sabedoria popular pode ser comum a muitos povos e é quase impossí­vel saber onde um determinado provérbio surgiu primeiro. Além disso, pode-se dar o caso de um mesmo provérbio surgir simultaneamente entre vários povos. Dentre os emprestados que não iferecem dúvida quanto à sua origem estão aqueles que são empregados na língua de ori­gem. É o caso de "Cherchez Ia femme", provérbio francês empregado nesta forma tanto em inglês como em português. Os provérbios de origem latina são raramente traduzidos. "Per aspera ad astro" é comum a vários povos que o tomaram de empréstimo e o adotaram man­tendo sua forma de origem. Dentre os traduzidos para os vários idiomas, os mais comuns são de origem bíblica. A Bíblia é um vasto repositório de provérbios, sendo que o maior número deles se encontra em Os cânticos de Salomão. Se nos lembrarmos de que a Bíblia original

foi escrita em hebraico (Velho Testamento), aramaico e grego (Novo Testamento), precisa­mos considerar (JS seus provérbios como emprestados do povo hebraico.

Há também os provérbios parodiados, cujo tessitura se presta a trocadilhos: "O Bra­

sil espera que cada um cumpra o seu dever" = "O Brasil espera que cada um compre o seu dever"; "Depois do temporal vem a bonança" = "Depois do temporal vem o lamaçal".

Os provérbios deram origem a formas estereotipados de introdução. Ao empregá-los,

freqüentemente os precedemos de frases como "É como se diz ", "Como já diziam os antigos", "É como diz o ditado", "Minha mãe já dizia".

No processo tradutório, as equivalências adquirem formas às vezes completamente di­

ferentes, e muitas vezes elas não existem. Grande parte dos provérbios que parecem não ter um equivalente é de origem literária. No caso dos provérbios ingleses, a maior fonte literária encontra-se nas obras de Shakespeare, seguidas das de Pope, Gray, Keats, para citar os mais conhecidos. Na literatura espanhola, Cervantes é a fonte mais rica, com provérbios

proferidos pelo seu imortal personagem Sancho Pança. Entre nós, cultivaram o uso do pro­vérbio Machado de Assis, Artur de Azevedo, Simão Lopes Neto, João Guimarães Rosa. Re­trocedendo na História, a literatura latina nos iferece os provérbios de Plauto. Os romanos fo­ram cultores de sabedoria através de provérbios, como nos mostram as coleções paremiológi­cas de Zenóbio e Diogenânio. Na Grécia antiga era costume escreverem-se provérbios nas paredes das casas. Pitá goras, Platão, Hesíodo, Aristótelesfizeram uso de provérbios em suas obras. Na França já se coletavam expressões proverbiais no século XII. O próprio termo provérbio, de origem erudita, começou a ser empregado na França no século XIII, por in­fluência dos latinos. Aliás, a Paremiologia moderna teve suas origens na França, com o Li­vre de proverbes français em 1859 (cf. Amaral, Amadeu, 1948).

Nos tempos modernos, a sociedade industrial levou à criação de muitos provérbios na

Inglaterra, e muitos deles são também empregados entre nós: "No man is indispensable" = "Ninguém é indispensável", por exemplo.

A expressão de uma mesma idéia pode assumir formas diferentes, daí as várias ver­sões de um mesmo provérbio. Nem sempre todas as versões têm equivalente na língua de che­gada. Ou, ainda, como "cada cabeça é uma sentença", as opiniões ou experiências sobre de­terminado assunto podem ser divergentes, donde os provérbios que se contradizem. Sendo re­positórios da sabedoria popular, as equivalências entre duas línguas diferentes se fazem às vezes na forma e conteúdo, às vezes apenas no conteúdo, pois cada povo expressa suas expe­riências de acordo com seu ambiente cultural e geográfico. Assim sendo, o provérbio pode ser
considerado umo unidode de culturo e, como foi, ossume formos, signiftCodos e distribuição diferentes, não só entre os vários povos, mos dentro de umo mesmo sociedode.

A multiplicidode de enfoques poro seu estudo levo-nos o poder consideror o provérbio como reflexo do comportomento de um povo, fomílio ou indivíduo. Suo importâncio poderá obronger o Histório, o Filologio, o Foklore. &u emprego se dá no literoturo, no orte dro­mático, no educoção e, especiolmente, no estudo de línguos estrongeiros. Erto pequeno cole­tâneo que oqui opresento, de provérbios ingleses e seus equivolentes brosileiros, nosceu do de­sejo de mostror o emprego do provérbio como um exercício trodutório de umo unidode semân­tico, que é um pequeno discurso, e cujos possibilidodes de equivolêncio levom o formos com­

pletomente diferentes.

No primeiro porte do obro, opresento os 1001 provérbios, suo trodução e o equivo­

lente brosileiro.

No segundo porte, achei oportuno acrescentor um apêndice com algumas informações

que poderão ser de interesse poro o leitor. Esse apêndice constitui-se dos seguintes portes: . provérbios ingleses que se controdizem;

. provérbios ingleses semonticomente semelhontes;

. provérbios ingleses de origem bíblico.

Cumpre observor que todos os provérbios desto porte encontrom-se orrolodos entre os 1001 provérbios.

Atenção

A Organização dos 1001 provérbios ,arrolados em ordem alfabética ,obedece ao modelo abaixo:



  • 


  • O poderá observar que:

  • O provérbio inglês aparece em negrito-Absence make the heart grow fonder;

  • A tradução tão liberal quanto possível vem em grifo – A ausência torna o coração mais afetuoso;

  • O equivalente brasileiro aparece em corpo de letra redondo-Longe dos olhos ,perto do coração. Cumpre notar que esse equivalente nem sempre foi encontrado seja devido a sua existência,seja pela dificuldade desta autora em localiza-lo.

Quanto a letra colocada abaixo do numero dos provérbios,trata-se da sua classificação ,observados os seguintes critérios:

  • Provérbios ingleses e brasileiros iguais-I- Neste caso, a equivalência se da por tradução literal. Ex:Better late than never=Antes tarde do que nunca;

  • Provérbios ingleses e brasileiros semelhantes- S- Aqui, o provérbio brasileiro apresenta uma semelhança dos componentes. Ex.: Adams ale is the best brew (Tradução literal: A cerveja de Adão e a melhor bebida) = Água e a melhor bebida;

  • Provérbios ingleses sem equivalentes brasileiros - D – caso, o provérbio tem um equivalente totalmente diferente. Ex.: The apples on the other side of the wall are the sweetest ( traduçao literal: As maças do outro lado do muro sao mais doces) = A galinha do vizinho e mais gorda;

  • Provérbios ingleses sem brasileiro - SE – Neste caso, dei só uma tradução tão literal quanto possível do provérbio, dada a inexistência de um equivalente brasileiro.

Ex.: Better lost than found ( traduçao literal: Melhor perdido que encontrado )


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