1; Vicente de P. R. da Silva



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Cada árvore monitorada nos períodos estudados respondeu naturalmente de uma forma diferente. O exemplar situado na parcela de referência (A237) transportou para a atmosfera cerca de 250 kg de água dia-1, dia 06/12/2000 (Figura v). E como não sofreu carência hídrica, em janeiro de 2003 continuou a evapotranspirar na mesma intensidade. Em alguns dias analisados alcança até 270 kg de água dia-1, (Figura x).




v
)


x
)


Figura (v) representa o período de 03 a 17 de dezembro de 2000. Figura (x) representa o período de 12 a 25 de janeiro de 2003. O exemplar está na parcela de referência (A), sem efeitos de estresse hídrico. Os fluxos diários integrados (kg de seiva árvore-1 dia-1) são medidos em exemplares da espécie: Eschweilera Coriacea.

O exemplar B381 submetido ao estresse hídrico forçado pela cobertura plástica na parcela B sofreu uma variação acentuada na quantidade de água circulando na planta. Os valores de fluxos integrados diariamente foram consideravelmente superiores no período de dezembro de 2000, anterior à cobertura. Variando freqüentemente acima dos 200 kg de seiva árvore-1 dia-1, e atingindo até mais de 300 kg de seiva árvore-1 dia-1 no dia 03 (Figura y). Posteriormente, em janeiro de 2003, após mais de um ano submetido às restrições de disponibilidade de água, a planta transportou em torno de 110 kg de seiva árvore-1 dia-1. Com um máximo de 120 kg de seiva dia-1 em 24 de janeiro (Figura w).




y
)


w
)


Figura (y) representa o período de 03 a 17 de dezembro de 2000. Figura (w) representa o período de 12 a 25 de janeiro de 2003. O exemplar está na parcela (B) sob efeitos de estresse hídrico forçado. Os fluxos diários integrados (kg de seiva árvore-1 dia-1) são medidos em exemplares da espécie: Eschweilera Coriacea.

A evapotranspiração média de cada exemplar monitorado foi para a A237 de 0,83 mm m-2 dia-1 em dezembro de 2000 e de 1,24 mm m-2 dia-1 em janeiro de 2003, com os máximos de 1,33 e 1,44 mm m-2 dia-1 em 2000 e 2003 respectivamente. Para a árvore B381 as médias foram de 1,91 e 0,89 mm m-2 dia-1, com máximos de 2,47 e 0,98 mm m-2 dia-1 em 2000 e 2003 respectivamente. As taxas de evapotranspiração para florestas tropicais são em torno de 4 mm m-2 dia-1, porém nestes casos são considerados todos os fatores como superposição de camadas foliares e contribuição da superfície. A evapotranspiração da floresta na região Amazônica tem sido objeto de vários estudos (Villa Nova et al., 1976, Marques et al., 1980, Shuttleworth et al., 1987, entre outros), principalmente em casos da evapotranspiração potencial. As estimativas são de que a evapotranspiração potencial média seja de 4,0 mm.dia-1, com variações sazonais decorrentes da existência ou não de chuvas (Fisch et al. 1998).



No ciclo médio diário analisado (Figuras (z) e (aa)), enquanto a radiação fotossinteticamente ativa e os fluxos de seiva na planta A237 (parcela A) se mantêm na mesma ordem de grandeza, os fluxos no exemplar B381 (parcela B) sofrem intensa redução nos valores registrados.


z
)

a
a)

Figura (z) e (aa). Ciclos diários de radiação fotossinteticamente ativa (PAR na figura) e dos fluxos de seiva nos exemplares A237 e b381 da espécie Eschweilera Coriacea, (z) em Janeiro de 2000 e (aa) em Dezembro 2003.

Correlação entre os fluxos de seiva e as radiações de ondas curtas e fotossinteticamente ativa apresentaram bons coeficientes (Tabela 2). Os valores, como esperado, diminuíram nos cálculos realizados para o período de janeiro de 2003 em relação ao período de dezembro de 2000.




TABEL 2. Coeficientes de determinação (R2) das correlações entre os Fluxos de seiva e Radiação solar.




Dezembro de 2000

Janeiro de 2003

Radiação

A 237

B 381

A 237

B 381

Fotossintética (média)

0.71

0.75

0.77

0.60

Ondas curtas (média)

0.71

0.76

0.75

0.56

Fotossintética (horária)

0.84

0.84

0.91

0.73

Ondas curtas (horária)

0.82

0.81

0.88

0.68


CONCLUSÃO:

Os resultados caracterizaram que a floresta talvez seja realmente frágil à exposição de eventos de seca prolongados. O exemplar submetido ao estresse hídrico forçado sofreu alterações nas quantidades de água transportadas entre o solo e a atmosfera. Neste caso, a redução no transporte de água pela planta (B381) foi de cerca de 47% em média. Estas mudanças poderão tornar a vegetação vulnerável ao fogo, natural ou provocado. A diminuição da água disponível no solo para as plantas altera os mecanismos de transporte de nutrientes para o vegetal, provocando diferentes reações nos espécimes, como a derrubada atípica e acelerada das folhas, mesmo em árvores não decíduas.


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1 UFCG/ DCA, Universidade Federal de Campina Grande.- Av. Aprígio Veloso, 822, Bodocongó, CEP 58.109-970, Campina Grande, Paraíba, Brasil. Contatos: rfcostampeg@bol.com.br

2 IERM/UEdin, Institute of Ecology and Resource Management, University of Edinburgh, Edinburgh EH9 3JU, Scotland, UK.


3 UFPA/ DM Universidade Federal do Pará, Avenida Augusto Corrêa, 01, Guamá, CEP 66075-110, Belém, Pará, Brasil.




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