1; Vicente de P. R. da Silva



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VEGETAÇÃO

A FLONA de Caxiuanã agrega ecossistemas riquíssimos em espécies vegetais, o que a caracteriza como uma zona que abrange vários ambientes, dentre eles a floresta densa de terra-firme e igapó (Almeida et al. 1993).

A floresta de terra-firme ocupa cerca de 85% da área onde foi implantada a ECFPn. Apresenta relevo relativamente plano que sustenta um latossolo amarelo, profundo e de origem terciária, tendo como características marcantes a acidez, solos argilo-arenosos e bastantes vulneráveis à erosão laminar. Apresentam arquitetura florestal constituída de árvores emergentes (40 a 50m), dossel (30 a 35m), sub-dossel (20 a 25m) e piso (5m). A diversidade está entre 150 a 160 espécies por hectare, e a densidade de indivíduos variando de 450 a 550 árvores por hectare. As espécies mais abundantes na mata de terra-firme são: Eschweilera coriacea (Ap. Dec.) Mart. Ex Berg (Lecythidaceae), Voucapoua americana Aubl (Caesalpiniaceae) e Protium pallidum Cuatrec. (Burseraceae), (Viana, et al., 2003).

Esta floresta tropical úmida de terra-firme apresenta um dossel bastante fechado, permitindo pouca penetração dos raios solares que quase nunca atingem ao solo.

Até o momento foram registradas para a ECFPn 1.054 espécies pertencentes a 393 gêneros e 102 famílias. As espécies arbóreas são predominantes na ECFP com 663 spp (62,9%), (Silva, et al., 2003).
CLIMA

As informações micrometeorológicas são obtidas por estações automáticas instaladas no topo da torre de alumínio com 52 m de altura instalada a cerca de 2 km de distância ao norte do experimento de exclusão da água da chuva (ESECAFLOR).



A área de Caxiuanã apresenta uma média anual de 1920 mm de chuva (Figura f), com o mês de Março sendo o mais chuvoso, registrando média de 337 mm, enquanto que o mês mais seco é Novembro, com chuva de 62 mm em média. Aproximadamente 74% das chuvas ocorrem no primeiro semestre, entre Janeiro e Junho (1443mm), enquanto que entre Julho e Dezembro chove 26%, em média 512 mm (Ferreira da Costa, et al., 2004).






Figura, f). Precipitação pluviométrica (mm) para Caxiuanã, Pará.

Cerca de 74% das chuvas ocorrem no primeiro semestre do ano.


A floresta funciona normalmente como um controlador das variações aerotérmicas, não permitindo uma oscilação acentuada durante o dia todo.

A vegetação densa reflete grande parte da radiação solar que chega ao topo do dossel, reemitindo-a para a atmosfera. Outra parte da energia disponível é utilizada nos processos de fotossíntese realizados pelas plantas, deixando somente uma pequena parte da luz solar penetrar entre as diversas camadas de folhagem e atingir o solo. Porém, após aquecer a superfície, esta energia fica em grande parte armazenada na camada de ar compreendida entre o solo e a parte inferior do dossel, propiciando um aquecimento constante e regular.

A temperatura média do ar (Figura g) oscila em torno de 26,7oC, enquanto que o número de horas de brilho de luz solar alcança mais de 2100 horas ano-1.



A temperatura do ar alcança valores máximos normalmente acima dos 31 oC, em geral em torno das 13 horas, principalmente nos meses de menor pluviosidade (Julho a Dezembro). Já as temperaturas mínimas ocorrem logo ao amanhecer, alcançando valores de até 20 oc durante todo o correr do ano. Principalmente após longos períodos de chuva, em geral no primeiro semestre. Ou mesmo, na seqüência de uma noite de céu extremamente claro, sem nebulosidade que retenha a energia liberada para a atmosfera, como é comum nas noites de Outubro e Novembro (Ferreira da Costa, et al., 2004).





Figura, g). Temperatura média do Ar (oC) para Caxiuanã, Pará.

A temperatura média do ar oscila em torno de 26,7oC



FLUXOS DE SEIVA

Para estas medições está sendo utilizado o sistema Sap flow meter P4.1 (IEF/Universidade de Agricultura, Brno, República Checa) utilizado em estudos de ecofisiologia em vários países. Este método foi idealizado para medidas de fluxos em árvores de médio a grande porte, como o caso das florestas tropicais (Kucera, 1998). O Fluxo de Seiva (Q) no tecido vegetal pode ser determinado pelo balanço de calor no ponto de medida na planta, (Equação 1).


P = Q.dT.cw + dT.z (1).
Sendo: P= Energia para o aquecimento (W). Q= Fluxo de Seiva (kg s-1). dT= Diferença de temperatura no ponto de medida. cw= Calor especifico da água (4186.8 J kg-1 oC-1). z= Coeficiente de dissipação do calor no ponto de medida. (W oC-1).
No ponto de medida são inseridos 5 eletrodos metálicos que atingem o xilema e são aquecidos por uma corrente elétrica (Figura h). A quantidade de água que passa no ponto de medida no tronco da arvore é calculada usando o valor da temperatura no xilema e a energia aplicada no aquecimento.

h)


i)


Figura, h) Detalhe dos eletrodos inseridos no tronco. Figura, i) Sensor de fluxo protegido por alumínio e plástico.

A escolha do ponto de medida no tronco é fundamental para a qualidade das informações. A homogeneidade do tronco e a ausência de injúrias ajudam no bom funcionamento das medidas. A ocorrência de nós ou cortes poderia prejudicar o transporte da água no xilema, alterando as medidas. A altura a ser instalados os eletrodos também é importante, pois, um maior gradiente térmico ocorre próximo à superfície do solo, o que pode interferir nas medições. Normalmente escolhe-se uma altura entre 1,3m (altura do peito) e 3 ou 4 metros acima do solo, quando os troncos apresentam irregularidades no formato próximo a superfície (Ferreira da Costa, et al., 2003b). Os sensores são protegidos da ação do clima com a utilização de capas de alumínio flexível e plástico (Figura i).

Foram monitorados dois exemplares deEschweilera coriacea (Matá-matá preto) localizados nas duas parcelas experimentais. No período de 03 a 12 de dezembro de 2000, antes do fechamento da cobertura plástica na parcela B e também entre 12 e 26 de janeiro de 2003, já com um grande período de exclusão da chuva.
Tabela 1. Dimensões dos exemplares deEschweilera coriacea monitorados no ESECAFLOR.


Parcela (Número da Árvore)

CPM (cm)

DAP (cm)

Altura (m)

Área da copa (m-2)

A (237)

106

33,7

27

187

B (381)

99

31,5

33

123

CPM, circunferência no ponto de medida. DAP, diâmetro a altura do peito.



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