1. Primeiros Jornalistas



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1. Primeiros Jornalistas

O aparecimento dos jornais não se seguiu imediatamente, como poderia facilmente supôr-se, à invenção da imprensa com caracteres móveis (séc. XV).
Durante quase dois séculos, em vários países europeus, foram impressas apenas folhas volantes, que em Portugal se chamavam Relações de Novas Gerais.
Estes papéis eram impressos sem regularidade, ao sabor dos acontecimentos, limitando-se a relatá-los com grandes pormenores, mas nem sempre com muita verdade.
Em Portugal o início da imprensa tem sido relacionado com o aparecimento das relações de Severim de Faria, a primeira das quais apareceu em 1625.No entanto, só em 1641, com a publicação da Gazeta em que se relatam as novas todas que houve nesta corte e que vieram de várias partes no mês de Novembro de 1641, se pode considerar que teve início o jornalismo com carácter periódico em Portugal.
As Gazetas, redigidas por Manuel Galhegos, tinham periodicidade e foram publicadas, mensalmente, entre 1641 e 1647.


Manuel Severim de Faria
1582(?) - 1655
Diplomado em filosofia e teologia pela Universidade de Évora, foi cónego e chantre da Sé Eborense.
Poeta na juventude, foi depois investigador de história política e económica e de numismática.
É autor da primeira monografia biográfica sobre Camões. É considerado o percursor do jornalismo em Portugal por ter sido ele o autor das Relações.


António de Sousa Macedo
1606 - 1682
Nasceu no Porto e faleceu em Lisboa. Era de famíla nobre, entroncada nos Bragança. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Depois da Restauração foi secretário de estado na embaixada que
D. João IV enviou à corte de Carlos I na Inglaterra, foi também embaixador na Holanda. Foi director de um dos primeiros jornais portugueses, Mercúrio Português, publicado mensalmente em Lisboa (1663-1666). É considerado o primeiro jornalista português pela versatilidade da sua cultura e pelo seu estiloconciso e directo.

2. Jornalistas do Romantismo

Após a revolução de 1820 a actividade jornalística em Portugal levou um forte impulso.


A imprensa de opinião aparece em força. O jornal mais lido nesse período é o Astro da Lusitânia (1820-1823), que se distinguia pela oposição ultraliberal ao governo constitucional, entretanto criado.
Os partidários do regime absolutista também faziam ouvir a sua voz em jornais como “A Besta Esfolada” (1828), redigido pelo padre José Agostinho de Macedo.
A Vedeta da Liberdade, publicado no Porto em 1835, foi o jornal onde António Rodrigues Sampaio fez a sua estreia jornalística e onde defendeu os princípios que iriam ser implantados pela revolução de Setembro. O jornal de maior projecção nacional na primeira metade do século XIX e um dos mais importantes da história da imprensa portuguesa foi “A Revolução de Setembro” (1840). Fundado por José Estevão, Manuel José Mendes e Joaquim da Fonseca Silva Castro, também nele veio a trabalhar António Rodrigues Sampaio, um dos maiores jornalistas da nossa história que, na época, encarnou o próprio ideal romântico da imprensa.


António Rodrigues Sampaio
1806 - 1882
De formação humanística e teológica, cedo se iniciou na política e no jornalismo.
Situando-se na ala esquerda do liberalismo, entrou para o jornal a Revolução de Setembro em 1640,passando a director em 1642 cargo que manteve até à morte.
É considerado um dos jornalistas mais importantes da sua época tendo travado acessos combates contra o cabralismo.


3. Jornalistas das primeiras rotativas

A partir de 1851, Portugal entra numa era de modernização. Em 1865 pode já falar-se de uma imprensa de informação em Portugal, com o aparecimento do Diário de Notícias, fundado por Eduardo Coelho. Em 1885 o DN tinha uma tiragem média de 26 mil exemplares, o que obrigou o jornal a comprar uma rotativa e a abandonar o trabalho tipográfico manual.


A partir de 1869, depois do triunfo da Revolução da Gloriosa em Espanha, muitos intelectuais portugueses foram contagiados pelo movimento republicano, que rapidamente promoveu uma autêntica actividade jornalística de propaganda republicana.
O verdadeiro órgão do Partido Republicano foi O Século, fundado em 1881 sob a direcção de Magalhães Lima, chegou a ser o segundo maior jornal português, a seguir ao DN.
Depois da implantação da República, a nova lei de Imprensa que proibiu a censura permitiu a criação de muitos jornais, entre eles A República,fundado em 1911 por António José Almeida.

Eduardo Coelho
1835 - 1889
Ficou órfão aos 13 anos e começou a sua vida profissional muito cedo como marçano. Foi caixeiro numa loja de ferragens e compositor na Imprensa Nacional.
A paixão pelas letras levou-o à colaboração com vários jornais, tendo começado essa actividade como correspondente do Nacional (Porto). Fundou o Diário de Notícias em 1864.

António França Borges
1871 - 1915
Jornalista republicano, funcionário da fazenda, a actividade política e a imprensa acabaram por absorvê-lo inteiramente levando-o algumas vezes à prisão.
Trabalhou na redacção do Vanguarda, e fundou o jornal O Mundo em 1900, em cuja direcção permaneceu até à morte.
A sua agressividade fez do jornal uma das principais forças demolidoras do regime monárquico.

António José de Almeida
1866 - 1929
Formou-se em Medicina e preparava-se para ser professor na Universidade quando a política o desviou para uma carreira que o levaria a presidente da República.
Foi eleito deputado em 1906 e tomou parte na conspiração contra a ditadura de João Franco o que lhe valeu a prisão em 1908. Proclamada a República foi escolhido para a pasta do Interior do Governo Provisório. Fundou o jornal República onde combateu, com veemência, os processo políticos contrários à sua maneira de sentir.
Depois da Revolução de Sidónio Pais, foi eleito para a Presidência da República em 1919, cargo que ocupou até 1923.


4. Jornalistas do tempo de censura

A instauração da censura prévia na sequência do movimento militar de 28 de Maio de 1926, marcou a vida jornalística portuguesa até ao 25 de Abril de 1974. Durante 50 anos todos os artigos publicados nos jornais e revistas eram previamente censurados.


Apesar disso algumas revistas culturais constituíram, nessa época, verdadeiros laboratórios de ideias, é o caso da Revista Presença (1927-1940?), da revista Vértice e da Seara Nova.
No início da guerra civil em Espanha, os três jornais mais importantes eram os matutinos de Lisboa, Diário de Notícias e O Século e O Primeiro de Janeiro do Porto.
O Comércio do Porto e Diário de Lisboa ofereciam uma informação mais independente, tendo o Comércio alcançado grande prestígio graças ao trabalho do seu director Bento Carqueja.
Alguns jornalistas portugueses foram enviados para Espanha como correspondentes de guerra, é o caso de Adelino Mendes correspondente d'O Século, Tomé Vieira e Armando Boaventura do Diário de Notícias, Artur Portela e Mário Neves do Diário de Lisboa.

Jaime Cortesão


Nasceu em Ançã, Cantanhede, em 29 de Abril de 1884 e morreu em Lisboa em 14 de Agosto de 1960.Formou-se em Medicina em 1909 e foi professor no Porto de 1911 a 1915. Com Leonardo Coimbra e outros intelectuais, fundou em 1907 a revista Nova Silva. Em 1910, com Teixeira de Pascoaes, colaborou na fundação da revista A Águia, e em 1912 dá início à Renascença Portuguesa, que publicava o boletim A Vida Portuguesa.  Em 1921, separando-se da Renascença Portuguesa, é um dos fundadores da revista Seara Nova.

Mário Neves Nasceu em 1912 em Lisboa. Formado em Direito, iniciou-se no jornalismo em 1929 no jornal O Século. Foi director adjunto do Diário de Lisboa e director do jornal A Capital, o qual fundou em colaboração estreita com outro grande jornalista, Norberto Lopes.

Bento Carqueja
1860 - 1935
Formado em Ciências Físico-Naturais, foi professor na Escola Normal do Porto e mais tarde na Faculdade Técnica da Universidade do Porto.
Desenvolveu importantes obras sociais, promovendo a construção de bairros operários e creches.
Começou a colaborar com o Comércio do Porto em 1880 tendo chegado a director do mesmo jornal.

Artur Portela
1901 - 1959
Foi repórter de guerra e jornalista no Diário de Lisboa durante mais de 30 anos. Republicano sem filiações, celebrizaram-no entrevistas polémicas como as que fez a Churchill e Unamuno.
Dominando todos os géneros jornalísticos, com grande à vontade, da reportagem à crónica passando pela entrevista, Artur Portela ficou também conhecido pelas polémicas críticas teatrais e dirigiu a secção de artes plásticas e a página de literatura do Diário de Lisboa.


5. Jornalistas depois de Abril

A compra, pela banca, de alguns dos principais títulos da imprensa diária marca o início dos anos setenta e dá início ao aparecimento de sólidas iniciativas empresariais. O aparecimento de uma nova geração de jornalistas, saídos das lutas académicas da dédacda de 60, revitaliza o panorama jornalístico nacional que entra numa nova fase marcada pela fundação do jornal semanário Expresso em 1973.


Após o 25 de Abril,travaram-se duras batalhas pela independência da informação, nas redacções de todos osjornais.O jornal fundado em 1911 por António José de Almeida , foi protagonista de uma acessa luta política,que acabou por valer a raul Rego a Pena D'Ouro, uma distinção atribuída pela Federação Internacional dos Jornalistas.
Raul Rego, director do República entre 1971 e 1975 foi contestado em movimentos que chegariam à rua, originando manifestações onde foi necessária a intervenção policial

Raul Rego
Nasceu em Morais, do concelho de Macedo de Cavaleiros, em 15 de Abril de 1913.
Completou o curso de Teologia no Seminário do Espírito Santo. Depois da revolução de Abril, foi deputado à Assembleia da República em várias legislaturas e grão-mestre da Maçonaria Portuguesa (1988).Ascendeu também a ministro da Comunicação Social no primeiro governo provisório. Fundou e dirigiu o Jornal "A Luta" e foi director do República entre 1971 e 1974.

Nuno Teixeira Neves
Nasceu em 1922 em Mirandela. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas enveredou pela carreira do ensino, no entanto, em consequência das suas actividades políticas foi impedido de leccionar chegando mesmo a ser preso pela PIDE.
Optou então pelo jornalismo ingressando no Jornal de Notícias em 1957 onde trabalhou até 1987. Foi repórter e cronista deste diário, onde, depois do 25 de Abril, passou a assinar uma coluna de pedagogia cívica e política intitulada “Ser Cidadão”.


6. Jornalistas de Hoje

A segunda metade dos anos setenta ficou marcada pelo aparecimento do semanário oO Jornal.


O Jornal, surgiu de uma ideia de Joaquim Silva Pinto e Manuela Beça Múrias. Ao projecto juntaram-se nomes conhecidos do jornalismo contemporâneo como Cáceres Monteiro (actual director da Visão), Joaquim Letria e José Carlos Vasconcelos (actual director do jornal de Letras).
O semanário Independente, fundado em 1988, desenvolveu a vertente do jornalismo político de investigação e publicou as crónicas de um dos mais intrépidos comentadores políticos da actualidade, Vasco Pulido Valente.
Em 1989, o aparecimento do Jornal Público revolucionou a imprensa diária portuguesa. Dirigido por Vicente Jorge Silva o projecto contou desde o início com os nomes mais consagrados do jornalismo português e fez a diferença apresentando um grafismo inovador, novos conteúdos e duas edições regionais publicadas em Lisboa e no Porto.

Pinto Balsemão
Foi jornalista no Diário Popular. Fundou o Expresso em 1973 e foi seu director até 1979.
Foi deputado na assembleia nacional, durante o período marcelista, integrando a Ala Liberal. Em conjunto com Sá Carneiro apresentou um projecto de lei de imprensa que não foi aprovado. Foi um dos fundadores do PSD e Primeiro Ministro dos VII e VIII governos constitucionais. Actualmente é presidente de um dos maiores grupos portugueses de comunicação social, a Abril Control Jornal.

Vicente Jorge Silva
Começou a sua carreira no Comércio do Funchal, um jornal de cariz político. Fez parte da equipa do Expresso, tendo sido director da revista deste semanário.
Foi um dos fundadores do jornal Público e seu director até 1997.







 



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