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A INFLUÊNCIA DA DITADURA MILITAR NA POLITICA COLATINENSE

ALVES, Solange Lopes¹

CIPRIANO, Maria Clara1

MARTINS, Rafael Alexandre¹

NASCIMENTO, Isabelli¹

RODRIGUES, Gisele¹

MOREIRA,Maria Gislaine Vieira2

¹Alunos do curso de História da faculdade Castelo Branco, Colatina-ES, solangeallves@hotmail.com, mariaciprijaques@outlook.com, isabelli1995@hotmail.com



2. Professora da Faculdade Castelo Branco, Colatina

RESUMO

Esse trabalho foi desenvolvido com objetivo explorar a Ditadura Militar, enfatizando o município de Colatina-ES, esta que é uma expressão que atualmente é tão falada e estudada, nas escolas e no meio universitário, pois foi um marco negativo na história brasileira deixando muitas sequelas pelo caminho do Brasil. Uma época de desaparecimentos, sequestros, cassações, exílios políticos, uma imprensa de mãos atadas, sem poder expressar os acontecimentos do país em uma aparente ordem, mas que por trás dos bastidores, estava sendo travado um Bipolarismo entre ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). A Ditadura Militar atingiu não só as capitais, cidades com importância econômica, porém também chegou a todos os cantos com repressão e também movimentos contrários ao golpe. E um desses lugares ganha destaque nesse trabalho, precisamente em Colatina, município localizado no noroeste do Espírito Santo. Assim o estudo possui um caráter bibliográfico, com base em fontes primárias e secundárias, partindo de análises de resultados obtidos através de pensamentos de diversos autores.



Palavra-Chave: DITADURA MILITAR, ARENA, MDB, POLITICA, ESPIRITO SANTO, COLATINA

ABSTRACT

This work was aimed to explore the military dictatorship, emphasizing the city of Colatina-ES, this is an expression that is now so spoken and studied in schools and in the university environment, because it was a negative milestone in Brazilian history leaving many sequels by way of Brazil. A time of disappearances, abductions, cassafoes, political exiles, a press hands tied, unable to express the country's events in an apparent order, but behind the scenes, was being catching a bipolarity between ARENA (National Renovating Alliance) and MDB (Brazilian Democratic Movement). The Military Dictatorship reached not only the capitals, cities with economic importance, but also reached all corners with repression and also moves against the coup. And one of those places is highlighted in this work precisely in Colatina, municipality located in the northwest of the Holy Spirit. Thus the study has a bibliographic character, based on primary and secondary sources, from analyzes of results obtained by various authors thoughts.



KEYWORDS

MILITARY DICTATORSHIP, ARENA, MDB, POLITICS, THE HOLY SPIRIT, COLATINA



INTRODUÇÃO

A Política na época da ditadura era muito divida, pois havia muitas disputas entre o PDS (ex-ARENA) e o PMDB representados pelos candidatos de grande peso: José Sarney (ex-governador de São Paulo) e Paulo Maluf, um ex-militar. Tanto esses quanto outros partidos políticos recentes, viviam á sombra dos militares e seus quartéis, e assim quando precisassem de ajuda em protestos ou até mesmo daqueles que eram contra os ideais e formas de governo, rapidamente seriam calados pelos civis.

Tudo começou não foi somente por uma crise política interna, mas o mundo ao nosso redor naquela época, anos 60, passava, por grandes mudanças e transformações necessárias para seu desenvolvimento ou mesmo o próprio retrocesso. Lembrando que esses acontecimentos não só atingiram o Brasil, mas o estado do Espírito Santo, e de preferência a cidade de Colatina também tiveram seus envolvimentos com a ditadura que logo veremos a seguir.

REVISÃO BIBLIOGRAFICA

Assuntos abordados a esse tema estão presentes em livros que abordam a ditadura no Brasil, que citam o contexto da influência partidária, por exemplo “O estado do Espírito Santo e a ditadura”, porém não é encontrado arquivos com maiores fontes historiográficas publicados referentes a influência partidária no município Colatina.

Foram utilizados as seguintes bibliografias: O futuro da democracia, de N. Bobbio;

A Experiência Eleitoral Da Arena (Aliança Renovadora Nacional) No Estado Do Espírito Santo Nas Eleições De 1974: Os Casos Dos Municípios De Vitória, Cachoeiro De Itapemirim e Colatina. Espírito Santo, de Bruno Sobroza Duarte; O estado do espírito santo e a ditadura (1964-1985); Espírito Santo: Gm, de Pedro Ernesto Fagundes; História Contemporânea Da América Latina: 1960-190, de Cesar Augusto Barcellos Guazzelli; Fundamentos De Metodologia Científica, de Marconi, Marina De Andrade; Lakatos, Eva Maria; Introdução À História Dos Partidos Políticos Brasileiros, de Rodrigo Patto Sá Motta; História do Regime Militar Brasileiro, de Marcos Napolitano; Elementos Do Terro De Estado Implementado Pelas Ditaduras De Segurança Nacional, de Enrique Serra Padrós; e no site da Prefeitura Municipal De Colatina na Galeria De Ex Prefeitos.


MATERIAL E MÉTODOS

Sabe-se que a metodologia descreve os métodos utilizados para alcançar o conhecimento de determinado assunto, ou questionamento, assim “entende-se por metodologia cientifica, o conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para solucionar problemas de aquisição objetiva do conhecimento, de uma maneira sistemática” (MARCONI e LAKATOS, 2007).

A pesquisa desenvolvida neste estudo foi de caráter descritivo e exploratório, pois o objetivo central foi descrever e aperfeiçoar ideias sobre o tema, tendo como base a metodologia bibliográfica extraindo as informações mais relevantes no que diz respeito a Ditadura Militar, baseando-se em livros, bem como buscas na internet através de artigos já publicados, o que possibilita a utilização de diversos referenciais teóricos na premissa de fazer uma abordagem mais geral sobre o tema.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A ditadura é uma forma de governo cujo poder do ESTADO fica na mão de um indivíduo, grupo, assembleia, partido ou classe, sendo este, um regime antidemocrático onde não existe a participação da população.

BOBBIO (2000) define,

Ditadura moderna, não é autorizada por regras constitucionais: se instaura de fato ou em todo o caso, subverte a ordem política preexistente. A extensão de seu poder não está predeterminada pela constituição: seu poder não sofre limites jurídicos. E, embora algumas ditaduras modernas tendam ainda a se auto-apresentar como ‘temporárias’ sua duração não está antecipadamente fixada: a sua permanência como a de qualquer outro regime político (p. 368-369).

BOBBIO (2000) ressalta que os primeiros indícios de ditadura, surgiram na Roma antiga, onde chamavam um ditador3 com o objetivo de colocar ordem no governo.

1 DITADURA MILITAR
A ditadura militar é um tipo de ditadura, cujo poder político é controlado por militares, que por sua vez chega ao poder através de um Golpe de Estado, este é caracterizado pela liderança de militares que derrubam o governo legítimo com o apoio das forças de segurança, armada e exército.

1.2. Ditadura Militar no mundo


As principais regiões governadas por ditaduras militares foram América Latina, África e Oriente Médio.

Após a 2ª Guerra Mundial, a Europa estava com sua economia abalada e perdendo sua importância política e econômica, em contrapartida, Estados Unidos e União Soviética ganharam apresso saindo do conflito como grandes potências, fazendo com que a política mundial se distinguisse em capitalismo e comunismo.

Segundo Vicentini (2005), as divisões políticas e ideológicas além das desconfianças entre os dois países, eram grandes, surgindo assim diversas formas e estratégias para cada um concretizar sua hegemonia política e econômica, surgindo a Guerra Fria, através de diversos acontecimentos entre eles a divisão da Alemanha.

Durante a Guerra Fria, grandes transformações e mudanças de ordem política e mundial ocorrem, e umas delas foram sentidas de forma militar através das Ditaduras Militares.

Com o capitalismo e o comunismo, cada país (Estados Unidos e União Soviética) lançava mão de estratégias para firmar superioridade. O imperialismo norte-americano englobou então toda a América Latina, através de treinamentos militares, implementando então, ajuda técnica e material para as Forças Armadas.

Para GUAZZELLI (2004), o resultado de todas as precauções pelos Estados Unidos, foi uma sucessão de Golpes de Estado que destituíram o poder dos governos estabelecidos, transformando-os em governos totalitários como forma de acompanhar a política capitalista norte-americana, e a não ascensão do comunismo.

Autores como GUAZZELLI (2004), WASSERMAN (2004), PADRÓS (2006), CHAFFE (2009) afirmam que os países onde ocorreram os golpes foram caracterizados por estados totalitários, com supressão de partidos apoiados por oligarquias fundiárias, burguesia, toda a classe mais favorecida, além de grupos relacionados ao imperialismo norte-americano, estes que por sua vez, sofreram fortes repressões políticas (censura à imprensa, prisões, torturas, assassinatos, perseguições entre outros).
1.3 Ditadura Militar no Brasil

A ditadura militar no Brasil foi uma forma de governo controlada pelos militares, sob autoridade deste grupo, não democrático. Este período de militarismo foi até a eleição de Tancredo Neves (1985).

O Golpe Militar se deu no ano de 1964, derrubando o então presidente João Goulart, também conhecido como Jango, que havia sido de forma democrática, eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sua presidência foi marcada pelo crescimento de lutas populares na cidade e no campo, entre estudantes e artistas, na classe média, por uma Reforma Agrária,

WASSERMAN (2004) afirma, “a despeito de ter sido desfechado em nome da segurança nacional e da promessa de defesa e respeito às normas democráticas, o golpe militar de 1964 inaugurou um período de insegurança e arbítrio”.

Logo após o Golpe Militar, foi estabelecido os Atos Institucionais (AI-1), com 11 artigos, que dava ao governo militar o poder de modificar a constituição, anular mandatos legislativos, interromper direitos políticos por 10 anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que fosse contra a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública, além de determinar eleições indiretas para a presidência da República.

O objetivo do Golpe era evitar a ameaça comunista, uma vez que Goulart possuía um estilo populista e de esquerda, a exemplo de seu governo com a abertura de organizações sociais, fazendo com que algumas classes ganhassem espaço deixando empresários, banqueiros, a maioria da classe conservadora e os Estados Unidos preocupados.

NAPOLITANO (2014) afirma que o Golpe, foi o resultado de uma profunda divisão na sociedade brasileira, oriundas da Guerra Fria, incrementando os conflitos internos na sociedade, alimentando velhas posições conservadoras com as novas bandeiras do anticomunismo.

Para REZENDE (2013, p.2),

A ditadura construiu uma ampla estratégia nas diversas esferas da vida social visando alcançar adesão para a sua forma de construção, organização e condução de uma determinada ordem social. Desta forma, é preciso que fique plenamente esclarecido que se partiu do pressuposto de que existe um percurso entre a pretensão de legitimidade e a própria legitimidade.

Segundo NAPOLITANO (2014), o que seguiu ao golpe militar foi a afirmação de um modelo político, ou seja, a modernização socioeconômica do país e a construção de uma democracia plebiscitária, comandada pelos militares, em nome do “partido da ordem”, enfatizando a democracia para poucos, liberdade dentro da lei, hierarquia sociais e estáveis, ou seja, ocorreu fortalecimento do poder central caracterizando um regime de exceção onde o Alto Comando das Forças Armadas passou a controlar a sucessão presidencial, indicando um candidato militar que era referendado pelo Congresso Nacional.

O regime militar foi marcado ainda pelas restrições aos direitos e garantias individuais e pelo uso excessivo da violência aos seus opositores, deixando de herança inúmero problemas que perduram até os dias atuais.

a) o atraso no desenvolvimento das instituições democráticas; b) o agravamento das desigualdades sociais decorrente do modelo de desenvolvimento posto em prática pela ditadura, fundado no arrocho salarial e na repressão, em geral, aos movimentos populares reivindicatórios; c) a postergação do encaminhamento da solução dos problemas sociais básicos; d) a colossal e aparentemente impagável dívida externa do país e a contrapartida desta, ou seja, a elevada dívida pública interna; e e) duas "décadas perdidas" para o desenvolvimento da economia nacional, como resultado, em grande medida, desse endividamento (SOARES, 2004, p. 33).

O tempo em que se perdurou a Ditadura Militar no país, o comando foi revezado por generais, nomeados militarmente. SILVA (1985) destaca que em todo o período militar, os comandos foram executados pelas doutrinas que os seguiam, “houve a limpeza da área” como a cassação de mandatos e dissolução de partidos.

A ditadura orientou, no entanto, sua busca de legitimidade através de uma hipotética pretensão democrática que se constituiu numa espécie de fio condutor presente em todos os governos militares. A construção de um suposto ideário de democracia enquanto um sistema que sedimentasse determinados interesses e valores sociais foi, sem nenhuma dúvida, uma das grandes prioridades daquele período o que remete à necessidade de investigar ao mesmo tempo quais eram os elementos subjetivos e objetivos definidores daquele processo (REZENDE 2013, p.2).

Assim destacam-se os seguintes presidentes:

Humberto de Alencar Castello Branco (1964 – 1967): general militar, autoritário, dissolveu partidos, cassou mandatos, dissolveu poderes políticos e constitucionais, estabeleceu eleições indiretas para presidente, autorizando o funcionamento dos partidos Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Aliança Renovadora Nacional (Arena).

Arthur da Costa e Silva (1967-1969): general formava um governo marcado por protestos e manifestações sociais, decretando-se o Ato Constitucional nº 5. No ano de 1969 Costa e Silva devido a uma doença foi substituído pela Junta Militar, formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).

Emílio Garrastazu Médici (1969-1974): como escolha da Junta Militar, teve um governo considerado o mais duro de toda a ditadura, com repressões a lutas armadas, política de censura. Já na área econômica houve um forte crescimento do país deixando o período conhecido como Milagre Econômico.

Ernesto Geisel (1974-1979): teve um governo onde se inicia um processo lento rumo a democracia, inicia coincidindo com o fim do milagre econômico e com a insatisfação. A oposição política começa a ganhar espaço, e no final de seu mandato acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.

João Batista Figueiredo (1979-1985): com a vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização, assim decreta-se a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Porém neste governo a inflação acelera. Enquanto isso os militares continuaram com a repressão. A crise econômica se aprofunda e começa a campanha das Direitas já. O congresso foi a favor do movimento pelas direitas e o PMDB indica Tancredo Neves para concorrer e este vence Pulo Maluf, da ARENA, começando então, uma corrida partidária dentro do território nacional.

Durante os vinte e um anos de duração do Regime Militar, sucederam-se períodos de maior ou menor racionalidade no trato das questões políticas. Foram duas décadas de avanços e recuos, de aberturas e endurecimentos. Para Gaspari, de 1964 a 1967, o presidente Castelo Branco tentou exercer uma ditadura temporária, de 1967 a 1968, o general Costa e Silva tentou governar dento de um sistema constitucional, e, de 1968 a 1974, o país esteve sob um regime escancaradamente ditatorial. De 1974 a 1979, debaixo da mesma ditadura, dela começou a sair. (GASPARI 2002 apud DUARTE 2014, p 55).

2. DITADURA MILITAR E A POLÍTICA DO BIPARTIDARISMO
Após o Golpe Militar o Brasil entrou em um regime militar que durou vinte e um anos, esse regime teve uma série de reforma e medidas autoritárias com o intuito de construir uma forte base para organizações políticas e administrativas no país.

A partir dos Atos Institucionais, no Brasil criou-se um agravamento na situação política, uma vez que o governo militar empreendeu uma série afastamento de pessoas por não aceitavam as doutrinas políticas, além de medidas autoritárias e intervenções no sistema eleitoral.

Segundo GRINBERG (2009), a história dos partidos políticos no Brasil é uma história de sucessivas intervenções por parte de governos autoritários de vários tipos, estas intervenções veem deste a colocação de Getúlio Vargas no poder, até o Ato Intituicional n°5.

As mudanças foram ocorrendo gradativamente, e cada vez mais, eram aprofundadas, no sentido de reduzir as participações populares. Logo nos primeiros dias pós-revolução, um dos principais temas em debate no Congresso Nacional era os das cassações. É interessante perceber que este Congresso era formado por políticos civis, eleitos democraticamente, e vai ser com este Congresso que o novo Governo, agora militar e “revolucionário” ou autoritário, pretendia governar, pois necessitava de apoio para suas reformas, mas devido à cassação do ex – presidente da República Juscelino Kubitschek, na ocasião, senador pelo estado de Goiás pelo PSD, houve um rompimento de alguns políticos deste partido, diminuindo assim a base governista no Congresso. (GRINBERG 2009 apud DUARTE 2014, p.56)

Dessa forma a partir do ano de 1965, com a Lei Orgânica do Partido dos Políticos, e o Ato Complementar n°4, inicia-se uma movimentação com os novos movimentos partidários, implementando assim o Bipartidarismo com novas agremiações partidárias, ARENA e MDB, extinguindo-se então as antigas siglas.

O principal objetivo da reforma política, além de destruir as antigas identidades partidárias, era montar um forte partido de apoio ao governo comprometido com os ideais do movimento de 1964. Acreditavam que destruindo a velha estrutura partidária seria mais fácil para o governo controlar o processo eleitoral. Daí surgiu a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), formada a partir da reunião dos deputados governistas espalhados pelos antigos partidos e o MDB que foi formado pelo restante dos deputados que quase não conseguiram se organizar devido ao número reduzido exigido por lei (MOTA 2008).


2.1. A Ditadura Militar e o Bipartidarismo no Espírito Santo

Em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro aconteceu um importante Comício da Central do Brasil, com aproximadamente 150 mil pessoas, que atraiu a camada social popular, ali estavam estudantes, sindicalistas, trabalhadores rurais, entre outros, protestando os graves problemas econômicos, com a saída do presidente Jânio Quadros a inflação quase chegou a 80%, e Jango assumiu em 1961 e implanta a reforma agrária conquistando muitos opositores, principalmente a alta classe social e os militares. Entre o movimento social a favor da reforma estava uma caravana do Espírito Santo, estavam em torno de 50 pessoas que foram de ônibus para o Rio de Janeiro, por meio da FMP (Frente de Mobilização Popular).

O mais aguardado discurso era o de Jango pelos espírito-santenses, seu opositor o então governador Carlos Lacerda convocou 2,5 mil homens do exército pra a segurança do comício com medo de ataques dos progressistas. Uns dos jovens que estavam ligados ao movimento estudantil e sindical, Élio Ramires Garcia, foi perseguido pelo regime por ter seu nome envolvido em movimentos para o avanço do país, teve que trocar seu nome por várias vezes e se deslocar por várias regiões, mesmo assim foi preso e interrogado. Hoje ele é um historiador, reside em Colatina, estuda e é palestrante sobre o período em que viveu na ditadura.

Perly Cipriano, outro ex-preso político que estava na caravana capixaba, atualmente é o subsecretário estadual de Direitos Humanos, relatou para A GAZETA que presenciou em 1964, o aclame popular para as reformas de base, lembrou-se do risco que correu em meio à multidão, com uma faixa pegando fogo que levou a 140 feridos, segundo os jornais da época, porém voltou motivado por João Goulart a ajudar na implementação das reformas de base no ES.

No Espirito Santo o apoio ao golpe foi evidente pela população e militares, em 25 de abril após o golpe para comemorarem, em frente ao Palácio Anchieta foi noticiado pela A GAZETA na época como “maior concentração que se tem notícia no Espírito Santo”, só algum tempo depois a igreja Católica no ES, com influência do Concílio Vaticano II, vai lutar pela volta da democracia no país.

A ditadura militar teve grande influência na maioria dos estados brasileiros. No Espírito Santo, o momento do Golpe de 1964, vivia-se o auge de uma polarização político partidária, iniciada em 1947, entre o PSD e a Coligação Democrática, que reunia diversos partidos políticos, entre eles o PTB, a UDN e o PSP, devido a essa polarização no estado não se encontrou grande resistência ao Golpe.

Entre as lideranças de peso que apoiaram o Golpe de 1964 no ES podemos destacar os nomes de : Carlos Lindenberg (PSD), Jones dos Santos Neves (PSD), João Calmon (PSD), João Parente Frota (PSD), Christiano Dias Lopes Filho (PSD), Raul Gilberti (PSP), Asdrúbal Soares (PSP), Eurico Rezende (UDN), os irmãos Floriano e Isaac Rubin (PTB) entre outros (DUARTE 2014, p. 62).

Segundo BRUNO (2014), logo após a edição do Ato Institucional de nº 2, a classe política capixaba, seguindo os arranjos nacionais, também tiveram que se reorganizarem para adentrarem nas novas agremiações partidárias, ARENA e MDB, sendo que em relação à ARENA, tomaram a dianteira no processo de formação, elementos oriundos tanto do PSD, quanto da Coligação Democrática, que era composta por diversos partidos, inclusive a UDN, o PTB e o PSD, uma vez que os deputados capixabas assim como as demais regiões do Brasil, não queriam que surgissem outros partidos.

Dessa forma o ministro da justiça Jurandi Juracy Magalhães com a intenção de organizar uma política sólida aonde não existissem mudanças de partido e muito menos que surgissem outros, estabeleceu novos critérios para que as armações partidárias fossem mais organizadas, com número de deputados e senadores determinados entre outras mudanças.

Ressalta-se, que os deputados não queriam apenas que não houvesse um multipartidarismo, mas queriam uma limpeza das siglas políticas, pois criou uma maior preocupação com a sigla do PTB que era coligada ao PSD, ou seja, eles queriam que existisse apenas uma sigla, neste momento surge a partida ARENA, pois se iniciam movimentos para se criarem novas agremiações partidárias.

Nos anos de 1945 – 1964, tanto a sociedade brasileira quanto a sociedade capixaba havia se tornado mais complexas e hierarquizadas e que após a redemocratização foram sendo criadas diversas regras visando diminuir as falcatruas eleitorais. A política estava começando a girar em torno dos partidos políticos, processo este interrompido, segundo Lavareda (1991), pelo golpe de 1964. No caso do estado do Espírito Santo, Oliveira afirma que as transformações porque passava o estado impactaram sua face político – social em duplo sentido, de um lado, ampliou a composição dos grupos políticos pré-existentes permitindo que as tendências divergentes, que por décadas estavam agrupadas em um mesmo organismo partidário, ocupassem espaços partidários distintos, de outro, surgiram novas forças políticas oriundas das pequenas produções rurais e urbana, que passaram a reivindicar espaços nas esferas de decisões (DUARTE, 2014, p. 47).

No Espírito Santo o bipartidarismo foi implantado no ano de 1965, onde existiram dois partidos sendo eles ARENA e MDB. Dessa forma, começam a surgir boatos de um novo Ato Institucionais embora muitos membros do governo federal negassem essa tal possibilidade.

Segundo BRUNO (2014), o partido da ARENA no estado, surge através de rivalidades internas, mas em comum interesse econômico atuando politicamente tal como no sistema multipartidário, levando assim a ARENA para o interior do Estado. Já o partido MDB, não encontrou as facilidades de seu partido oposto, devido, em sua maior parte, por elementos egressos do PTB, seja da ala mais conservadora representada pelo Deputado Federal Argilano Dario como da ala progressista representada pelo Dep. Estadual Mário Gurgel, assim como por petebistas mais moderados como Saturnino Rangel Mauro e Adalberto Simão Nader.

No Estado do ES, o bipartidarismo causou diversas consequências, pois como só existiam dois partidos, as pessoas que faziam parte da política queriam se manter garantindo ainda mais o poder para as mesmas.
2.3 A DITADURA MILITAR NA POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE COLATINA-ES
Em Colatina, região noroeste do estado do Espírito Santo, como em vários outros municípios, também sofreu influência da ditadura militar na política e no âmbito social, como por exemplo, pessoas e políticos ligados ao comunismo e reformas progressistas foram cassados e perseguidos.

No golpe de 64, dentre os políticos cassados estava o deputado federal Dr. Ramon de Oliveira Neto, colatinense e cogitado a governar o estado, perseguido por militares por ser considerado ligado às ideias comunistas, teve uma infância humilde no RJ, conquistou estabilidade financeira com muito esforço e dedicação aos estudos se formou em medicina e veio para Colatina devido a uma enfermidade de seu sobrinho, acabou gostando da cidade e passou na cidade. Não era cristão, para época isto era mal visto, mas era um excelente médico e atendia a todos, por isso sua fama era boa pela comunidade colatinense.

Devido a sua reputação de “curandeiro” por ter êxito em suas cirurgias por toda região, Moacir Brotas que era dirigente do partido PTB e prefeito de Colatina, fez uma proposta para Dr. Ramon ser candidato federal. Após o convite aceito distribuiu “santinhos” com propostas a frente de sua época, como a de reforma agrária. Obteve dois mandatos de deputado federal, em sete anos como deputado federal, devido ao golpe militar teve uma lista de 13° com seu nome cassado, cansado desta vigilância exagerada e opressora, até mesmo por uma simples aglomeração de pessoas em frente seu consultório, foi embora de Colatina.

O prefeito Moacir Brotas, prefeito em duas gestões (1959-1963 e 1967-1969), no seu segundo mandato foi cassado sem motivo aparente, ficou muito triste veio adoecer e faleceu, três anos após sua saída da prefeitura.

A influência e a repercussão do golpe militar no Brasil se estenderam a todo o país até nas regiões do interior da época com poucos habitantes, essa influência percutiu principalmente na política e movimentos estudantis por terem mais acesso a informações dos acontecimentos da época, pois jornais a nível geral do país e acesso a mídia eram poucos que tinham, era combatido e censurado pelo regime toda ideia em oposição à ditadura militar.

Porém com a ascensão do general Geisel, em 1974 na presidência, marcou um novo início do governo militar como ponto de partida para a democracia, em destaque as eleições de 1974 em condições mais livres onde o partido da oposição MDB teve um grande desempenho eleitoral, uma vez que este foi criado para ser parceiro do partido da ARENA.

O desempenho da ARENA ocorreu na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa onde obteve uma maior votação no município, devido à presença marcante de políticos deste partido, como Gérson Camata, Moacyr Dalla e Oswaldo Zanello. Já no Senado esta, não teve o mesmo sucesso, ou seja, o MDB saiu em vantagem.

Segundo OLIVEIRA (2013), a ARENA de Colatina estava dividida territorialmente em virtude das eleições municipais de 1972 e em resposta, como forma de protesto, o grupo arenista, liderado por Raul Gilberti, apoiou a candidatura do emedebista Dirceu Cardoso. Assim, constata-se que, a eleição de Dirceu Cardoso para o Senado em 1974, foi mais fruto da fragmentação interna da ARENA do que um protesto da população capixaba contra o Regime Militar. Ressalta-se que a democratização brasileira seguiu seu curso nos cenários subsequentes.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

As pesquisas realizadas no aspecto geral e específico da ditadura militar (1964- 1985), dando enfoque para o estado do Espírito Santo e para seu munícipio de Colatina. Estas pesquisas foram feitas no âmbito político, partidos que ganhou destaque durante a ditadura militar, MDB e Arena, políticos envolvidos e cassados. Nesse período houve movimentações populares, como o comício da Central do Brasil no RJ e a comemoração do golpe no ES em frente o palácio Anchieta. Embora poucas informações encontradas, devido à falta de interesse de histórico no município, pressupõem através desse resumo expandido abrir mais caminhos para estudos da influência da ditadura em Colatina.



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Alunos do curso de História da Faculdade Castelo Branco, Colatina-ES

2 Professora.

3 AURÉLIO (2010) explica que ditador é o magistrado romano que era investido pelo Senado do poder de ditar leis e as fazer cumprir por um período de seis meses se, por algum motivo, as instituições nacionais estivessem em perigo.




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