À Vida: construindo um futuro possível



Baixar 36,63 Kb.
Encontro11.07.2018
Tamanho36,63 Kb.

"À Vida: construindo um futuro possível".
Danielle Grynszpan
Instituto Oswaldo Cruz/ Fiocruz

Co-Chair – woman do II WEEC





A - Desafios da Educação Ambiental no Mundo Contemporâneo: o II WEEC no Rio de Janeiro

 

No período de 15 a 18 de setembro deste ano de 2004 ocorreu, no Rio de Janeiro, a segunda edição do Congresso Mundial de Educação Ambiental, evento que reuniu a comunidade científica internacional para intercâmbio de pesquisas e experiências. Também participaram profissionais ligados à organizações ambientalistas e empresas, além de estudantes de graduação e pós-graduação, todos envolvidos em debates sobre questões atuais relativas à área.   

O I Congresso Mundial ocorreu em 2003 na cidade de Espinho, em Portugal. A esta primeira iniciativa, capitaneada pelo Prof. Ulisses Azeiteiro, compareceram cerca de 350 pessoas de várias partes do mundo.  Este segundo congresso, beneficiando-se da experiência anterior, envolveu um número mais expressivo de participantes, chegando a 1500 inscritos pagantes, afora todo um contingente de participantes isentos.

O II WEEC, o segundo Congresso Mundial de Educação Ambiental, teve o tema “Desafios da Educação Ambiental no Mundo Contemporâneo: construindo um futuro possível" e contou com a apresentação de muitos trabalhos de qualidade acompanhados de sérias discussões em uma perspectiva de pensamento global e ação local. O eixo-guia da programação 2004 foi um misto entre a questão da cidadania e do humanismo. Foram palestras e mesas-redonda, oficinas e grupos de trabalho, além das atividades culturais, que procuraram trazer à baila as múltiplas abordagens da educação ambiental. No total, foram apresentados  349 pôsteres, 464 trabalhos de pesquisa  e 102 oficinas no espaço  "Educação em ação ". O fato do evento se dar no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, favoreceu também o encontro com uma realidade múltipla e diversificada do ponto de vista sócio-ambiental, convidando os visitantes a atividades científico-culturais  que foram realizadas em cinco lugares da cidade, com o aval da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Nestes locais foi oferecida uma programação paralela e, assim, foi também alcançado o objetivo adicional de envolver a população  em estreita ligação com a comunidade acadêmica e ativistas ligados à educação ambiental. A participação de ONGs tradicionais, como o grupo Terra Azul, bem como de grupos provenientes do interior do Brasil, fez abrilhantar o evento, com a apresentação de belíssimos trabalhos artísticos desenvolvidos junto a populações carentes, de dança e música.

O sucesso do II WEEC também aconteceu graças à realização coletiva, embora este não seja um empreendimento fácil de ser levado a cabo. Cumpre assinalar que a organização do II WEEC aconteceu em interação com um outro evento internacional que o precedeu na mesma semana, o Bio Ed 2004, também dedicado a questões ambientais, cujo tema foi " Educação Biológica, Desenvolvimento Sustentável, Ética e Cidadania", uma iniciativa do comitê de educação da União Internacional de Ciências Biológicas, da UNESCO, da União Internacional de Nutrição e da Universidade de Genebra, à qual nos agregamos.

Vale lembrar um pouco da história, já que vivemos, em setembro passado, no Rio de Janeiro, a culminância de um processo, que começou a se concretizar quando M. Talal Younès, da União Internacional de Ciências Biológicas, esteve aqui no Rio de Janeiro, em reunião que agendamos com duas Vice-Presidentes da Fundação Oswaldo Cruz, a de Ensino e a de Pesquisa, Dra. Tânia Celeste e Dra. Euzenir Sarno, para apresentar a idéia de realizar um colóquio com duas orientações fundamentais: por um lado, a preocupação com uma maior aproximação entre a pesquisa e a educação, que pudesse concorrer para o fortalecimento de uma perspectiva mais ética e cidadã do desenvolvimento das ciências da vida, retomando com força a importância dos valores humanos e dos limites da pesquisa; e, por outro, a ênfase na necessidade de uma formação mais humanista no mundo contemporâneo, que pudesse apontar para uma orientação mais social ( e menos economicista) do debate em torno do desenvolvimento sustentável, especialmente agora, quando as Nações Unidas declararam adotar o período 2005 – 2015 como a década da Educação para a Sustentabilidade. Ao mesmo tempo, o Vice -Presidente de Meio Ambiente da Fundação Oswaldo, Dr. Ary Miranda, endossou, com uma carta institucional, a proposta de realização do II Congresso Mundial de Educação Ambiental no Brasil, que foi aclamada em Portugal no primeiro colóquio realizado em Espinho.
Muito bem recebida institucionalmente, esta proposta contou com o apoio de nosso Presidente, o Dr. Paulo Buss, e do Diretor do Instituto Oswaldo Cruz, Dr. Renato Balão Cordeiro, e é preciso salientar uma qualidade que nossa instituição apresenta: se por um lado guarda a tradição de uma instituição secular, por outro é muito aberta à inovação, acolhendo, por intermédio de seus representantes, idéias revolucionárias que buscam, essencialmente, diminuir a distância entre a cultura científica e a cultura popular. Desta forma, unindo todas as energias, intra e interinstitucionais, bem como nacionais e internacionais, chegamos a uma participação intensa de pessoas representando 22 países, de todos os continentes,  e 20 estados brasileiros. Além disso, o II Congresso Mundial foi prestigiado com a presença de dois representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ( UNEP), Akpezi Ogbuigwe e Svein Tveitdal, que lançaram uma publicação na ocasião, e apresentaram perspectivas para trabalhos futuros.

Estiveram presentes, no II WEEC, personalidades de diversas partes do planeta, do Brasil e de todo o mundo, que falavam diferentes dialetos e línguas, com diversas culturas, mas com alguns propósitos comuns:




  • Explorar as relações entre as ciências da vida, o meio ambiente, a sociedade e a noção de sustentabilidade;

  • Promover o alfabetismo científico, um processo contínuo de busca de conhecimento, especialmente em torno da educação ambiental, visando sempre a melhoria da qualidade de vida.

Acreditamos que há muito ainda o que fazer, mas o II WEEC, com certeza, já em sua concepção, contribuiu para caminharmos nesta direção. Não poderíamos deixar de citar a colaboração da Dra. Fátima Cristina, presidente do Conselho Regional de Biologia., companheira da comissão de educação, que imediatamente lançou a idéia de realizar o XIII EnBio, o encontro anual regional de biólogos, de forma conjugada, a fim de potencializar recursos humanos e materiais.


Também nos unimos à Academia Brasileira de Ciências, cujo Presidente, o Dr. Krieger, desde o ano de 2000 vem investindo mais intensamente na área da educação em ciência, valorizando muitíssimo nosso esforços em prol da melhoria do ensino bem como da educação não formal. Tivemos a honra de contar com a presença do Dr. Hernan Chaimovich, presidente da rede interamericana de Academias de Ciência que, vale ressaltar, está elegendo apenas dois pontos como essenciais para enfocar em um primeiro esforço no ano de 2005: a questão da água e o problema da educação.
Um último parceiro veio se agregar a nós, mas seu aporte foi essencial. Trata-se do IBAMA – um instituto brasileiro voltado para as questões ambientais, presidido pelo Dr. Marcus Barros, antigo colega da Fiocruz da Amazônia. Ele foi representado, no II WEEC, pelo Dr. José Quintas, profissional competente que trabalha na gestão ambiental com uma perspectiva social.
Assim, durante todo o tempo em que trabalhamos por condições de concretização do II WEEC, o Prof. Paulo de Góes representou a Academia Brasileira de Ciências, a Prof. Fátima Cristina Inácio de Araújo assegurou a presença do Conselho de Biologia e a Fiocruz capitaneou o evento, cuja responsabilidade institucionalmente assumi. O IBAMA, órgão do governo federal brasileiro foi um importante parceiro, além de várias universidades e a própria ANPED, Associação de Pesquisa e Pós-graduação em Educação, na qual militam os professores brasileiros que integraram nosso comitê científico: Julieta Calazans ( Universidade do Rio de Janeiro), Hedy Vasconcellos ( PUC/ RJ) e Marcos Reigota (Universidade de Sorocaba / SP). Contamos sempre, ainda, com o apoio - chave de Mario Salomone e Silvia Zaccaria, do comitê organizador do III WEEC, a realizar-se em 2005 em Turim, cujo incentivo foi essencial em todo o processo.

A programação acadêmica foi aberta com a sessão “ Environmental Education facing contemporary challenges” e englobou 15 mesas-redondas em torno de assuntos que relacionam ciência e sociedade. Foram debatidos desde o tema da relação ciência-religião, com um debate do qual participou Jay Labov, enviado pela Academia Americana de Ciências, até o binômio “pobreza sustentada – desenvolvimento sustentável”, passando pelas questões ligadas ao patrimônio biológico, social e cultural , além de discussões sobre a relação entre a educação ambiental e a promoção da saúde.  A qualidade das mesas foi muito elogiada,  que contaram também com a participação de representantes de quatro diferentes ministérios do governo brasileiro ligados às questões do meio ambiente, autoridades científicas como  o Dr. Diógenes Campos, do Museu Nacional e Diretor da Academia Brasileira de Ciências, do Dr. Ênnio Candotti , Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, doDr. Lizt Vieira, Presidente do Jardim Botânico, do Dr. André Giordan, da Universidade de Genebra e do Dr. Talal Younès,  da União Internacional de Ciências Biológicas , entre outros notáveis. A Diretoria da Associação Nacional de Pesquisa em Educação  se fez representar por intermédio do Dr. Gaudêncio Frigotto,  e também contamos com as presenças de destacados pesquisadores brasileiros  como a Prof. Maria Beltrão e a Prof. Nilda Alves. O Dr.Robert Jickling, editor de revista  Canadian Journal of Environmental Education também representou este segmento importante na área . Profissionais reconhecidos da comunicação, como André Trigueiro ( Globo News) e René Capriles (Eco 21), assim como Mario Salomone (Eco, L'educazione Sostenibile), especialistas em meio ambiente , também colaboraram para o brilhantismo do II WEEC. 


  B - Sustainable Environmental Education for Sustainable Development: what we need to emphasize?


Before entering into a debate on what needs to be emphasized, we firstly need to reiterate that since the 1970s environmental education has been acknowledged as having an essential role to play in fostering environmental interrelations and promoting sustainable societies. The theoretical and practical debates within environmental education are, however, ongoing, one of which has been to define these interrelations. Reformist tendencies, for example, have understood them to be based on relationships between humans and nature, the result being the promotion of environmental studies and environmental awareness programs, to teach ecological concepts, to transform people’s attitudes and behaviors. On the other hand, socio-critical theorists consider that the environment should be understood as a complex web of interrelations and interdependencies between nature, society and humans, which need to be understood and taken into account in order to foster a sustainable society. To foster such an understanding is difficult in our global society, due to the historical influence of the positivist anthropocentric paradigm. Although contemporary theorists have questioned this paradigm, it is still remains and continues to promote a hierarchical chain of relations, in which humans are at the top and all other living and non-living forms are to be used for the benefit of humans in descending order. To deconstruct such a dominant world paradigm is a great challenge for environmental education.
The question of development and the positivist notion of “progress” also remains. In this way, although environmental education can be seen as a component for education for sustainable development, firstly we need to question what “development” is. We have worked extensively on the interrelation between environmental education and health education, and would like to state that we continue to find that many paradoxical focuses are still in use. Such focuses can be found in either the educational methodology or curricula, even though the quality of life maybe the central theme of them both. It is very common to find, educational mediators (teachers or other knowledge facilitators) who categorize beings as useful and harmful, even though the concept of the food chain, widely used, does not accept this kind of categorization any more. These are then paradoxical approaches, which although refuted, continue to survive in the educational field: for example, health education advises the eradication of harmful species, while environmental education promotes the protection of all species and rejects dichotomies, such as, useful/harmful.
This leads me on to a research project carried out in 1999. The objective of this research was to discuss the representations of health and illness and environmental ideology of school teachers in the city of Rio de Janeiro, Brazil. Data was collected with a diverse sample of 381 teachers from different districts in the city. The results showed the recurrence of certain historical scientific concepts, which today thought of as outdated by the scientific world. These, however, were being used along with other concepts that are currently acceptable, creating paradoxical situations that were not perceived by the teachers. The food chain appeared as a notion “plastered on”, as the classical dichotomized categorization of “useful/prejudicial”, was maintained. These results, were further confirmed during research with primary school teachers from other states in Brazil, capital cities and rural areas near Atlantic Forest Reserves. These results lead us to suggest that such research is important in formulating future strategies for the environmental education (formal and non-formal).
Another question is: can “development” be universal for all? This question needs to be asked, as development is a socially constructed concept and part of a process, which should work towards a healthy society. It has been acknowledged that the basis on which to build a healthy society is to empower the population to participate in the continuous construction and re-construction of this society and a principal component for this participation is education. As such, environmental education needs to be considered as a life long learning process, as written in the draft, and requires the use of different participatory approaches in the teaching-learning process or in others educational loci. Education should not be the transfer of information or the giving answers to problems that we are aware of, rather the ability to experience an investigative process - which is much more than pointing out answers or directions to reach these expected answers - as it enables teachers and the learners to construct questions about different realities. This is an essential point because reality is in constant movement, which occurs with an every increasing velocity, as does sustainable development. This means that future generations need to think for themselves and construct their own concepts for a sustainable society. Educators need to approach these difficulties using material and knowledge based research results. This relationship between research and development of strategies is fundamental.
Another fundamental point that needs to be emphasized is the importance of diversity - biological, ethnic, cultural, religious, social, etc. Conservation of diversity is important for the survival of our planet and should be indicted as a key theme to be approached in schools and other informal or formal educational spaces. The acceptance of difference is central for environmental education, as it implies not only the eradication of radical “isms”, but can also promote the capacity to listen to others and accept divergent opinions, opening not only our minds but also our feelings. This is important as life needs to be given greater value on this planet, if not, we will continue to see wars. A reality not unfamiliar to many who live in local wars (which can have their roots in economic and can be, in turn, related to development), that more recently has show aggressive and inhuman faces. This indicates that scientific development is not sufficient to build healthy and sustainable societies - environmental education is a key in our world, to open the doors that will foster an awareness that values exist, and decisions can be taken according to scientific-technological criteria, but also in relationship to given ethical priorities.


C ) Propostas do 2 WEEC para o futuro próximo
C. 1 – Partnerships and support
It is necessary to point out governance structures and financing for environmental education remain unstable and often ineffective. It is clear that attempts to make public agencies aware is important. At least in South America, we need to be less susceptible to the inconstancies that occur due to changes in political power, which happen periodically and even when the substitution is of the same party as the government.. For the 2nd World Environmental Education Congress, a round table was organized and representatives of four Brazil ministries linked to environmental issues - Ministry of the Environment, Ministry of Health, Ministry of Education and Ministry of Science and Technology - were invited. All of which participated in the debate on the environmental administration. However, it is necessary to state that a stronger international partnership can be established with UNEP support. UNEP and other Unions, like IUBS ( International Union of Biological Sciences) and IUNS ( Nutrition) , could be able to assist in strengthening mechanisms, which facilitate networking and partnerships in the name of environmental education.
B. 2) The creation of an International Association
A resolution that emerged during the Rio de Janeiro 2nd World Environmental Education Congress: the creation of an International Association. This would count on international support for the maintenance of the site WEEC, in order to maintain an intermediary, through virtual communication, to publicize all the future events (considering that there were 22 countries and more than 1500 participants, taking into account those 1433 who were subscribed and those who were exempt). Therefore, we could maintain the dissemination of news, circulate publications and create exchanges between professionals, which would be a key investment during the intermediate stages of the World Environmental Education Congresses.
B. 3) Important and necessary actions:
- Strengthening of professional groups with the capacity to multiply through programs that promote empowerment and reflection, and respond to local contexts
- Cooperate to promote the establishment of new institutional programs in economically deprived areas, which have the potential to create links and networks with other institutions and civil organizations and others.
- Encourage innovation, to support the production of original educational materials, which are produced by participants of the programs, in partnership with scientists and educators, and relative to the context in question - always based on the investigative process previously emphasized.
- Motivate evaluative process from the beginning of new programs, which would facilitate the production of information about social inclusion or mitigation strategies linked to finding solutions to other questions linked to environmental education.
D – À guisa de conclusão: à vida!

O I Congresso Mundial de Educação Ambiental teve o mérito de relançar encontros internacionais na área, o que já não ocorria há alguns anos. A proposta de realização deste II Congresso visou, portanto, dar continuidade a este processo, porém unir outros atores mais. Neste sentido, um evento de porte internacional, como o do Rio de Janeiro, ensejou o intercâmbio de experiências, a reflexão e o aprofundamento do trabalho nesta área, possibilitando o enriquecimento das práticas de Educação Ambiental (EA). Acreditamos que o momento foi propício para agregar esforços em torno do evento, e sua realização vem, por sua vez, somar esforços para o fortalecimento do campo da EA em nosso país. Recentemente, inclusive, a educação ambiental passou a constituir um Grupo de Trabalho na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação no Brasil.


Nossa instituição, a Fiocruz tem, nos últimos anos, investido fortemente nas questões de saúde e meio ambiente, temática na qual a educação desempenha um papel-chave. Possui em sua estrutura, inclusive, uma Vice – Presidência especialmente voltada para as questões relacionadas à qualidade de vida. A realização das conferências nacionais sobre “Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” ilustram a valorização do campo na instituição, que também vem promovendo as “Olimpíadas da Saúde e Meio Ambiente” em âmbito nacional, projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) em dois editais consecutivos. Por todo o investimento institucional na melhoria da qualidade de vida, resolvemos dedicar a realização do II WEEC à memória de um cientista da Fiocruz, um humanista preocupado com as questões da cidadania e do humanismo, o Dr. Haity Moussaché - um formador, não exatamente um educador como profissional, mas que primou por ensinar o que é mais valioso nesta vida - ser gente – e com quem muitos de nós aprendemos a brindar – à vida!






©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal