É Nome: Graça Penha Nascimento Rossetto



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4. CONCLUSÕES PROVISÓRIAS

Este levantamento do estado da arte dos estudos sobre TV por assinatura no Brasil contemplou todos os anos em que foram encontrados trabalhos até o ano de 2003. Fica claro que pode ter havido falhas, mas a pesquisa científica nunca é pensada como conclusiva, e este estudo pode muito bem ser completado com o passar dos anos. Não é possível afirmar que todas as fontes de pesquisa foram esgotadas, já que elas também estão em contínuo aparecimento e crescimento. O que foi feito então foi uma busca aprofundada nas fontes acessíveis, credíveis e mais conhecidas.

Apesar de os primeiros sinais do que seria uma televisão por assinatura no Brasil datarem do ano de 1958 e seu longo processo de regulamentação só se concretizar em meados dos anos 90, essa “nova” televisão, pelo que foi observado, vem sendo estudada no país desde 1982. Talvez mais rápido do que o mercado, os pesquisadores brasileiros enxergaram as possibilidades daquela tecnologia que surgia e assim trataram de encaixar o tema na lista de assuntos estudados pela Comunicação. Neste momento é importante ressaltar que por ser um tema transversal a TV paga pode estar em diversas áreas do conhecimento, como a Engenharia, a Economia e até a Administração, no entanto, o foco desta pesquisa foi os estudos no campo da Comunicação Social.

Os primeiros trabalhos que traziam em suas entrelinhas a televisão por assinatura tratavam em especial das novas tecnologias da comunicação e de suas possibilidades gerais.

Nos anos de experiências, tentativas de regulamentação e implantação do sistema os trabalhos acadêmicos caminhavam tão vagarosamente quanto esse mercado, foi só em meados da década de 90, com a regulamentação do sistema de TV a cabo, que os estudos começaram a aumentar e ganhar repercussão. Sobretudo em artigos de revistas científicas, talvez porque por meio desse suporte as pesquisas possam ser difundidas com mais imediastismo, os trabalhos foram ganhando espaço. A ênfase política devido à forma singular de regulamentação do sistema motivou muitos trabalhos durante os primeiros anos da TV paga.

Examinando o material bibliográfico sobre a televisão por assinatura brasileira foi possível constatar que a maioria das publicações encontradas dedica-se às questões políticas do assunto, nessa categoria entram todos os trabalhos que tratam em especial do processo de regulamentação dessa tecnologia, assim como todas as batalhas legais travadas por uma regulamentação mais democrática.

Em seguida, não muito atrás das questões políticas sobre o tema, estão as publicações dedicadas ao conteúdo da TV paga brasileira. Nada mais coerente, já que o grande diferencial dessa nova forma de transmitir e ver televisão está em seu conteúdo.

Apesar das cento e oitenta e sete (187) publicações encontradas até 2003 (além de uma no ano de 2004 mas que não entrou na contagem final) a bibliografia brasileira sobre a TV paga ainda tem algumas lacunas. A principal delas é provavelmente a limitação ao estudo da tecnologia de distribuição de sinais por cabos, isso no que diz respeito aos estudos da área de comunicação, já que este Estado da Arte não recorreu a fontes de outras áreas como engenharia de telecomunicações, por exemplo.

Foi possível ver claramente a grande quantidade de trabalhos sobre essa tecnologia, enquanto poucos se dedicavam ao sistema MMDS e nenhum enfatizava o sistema DTH. Esse detalhe deve-se provavelmente ao fato dos estudiosos da comunicação se dedicarem em especial às questões de conteúdo e políticas de comunicação, deixando abordagens mais técnicas para outras áreas do conhecimento que se interessem pela tecnologia.

Tal fato também pode ser explicado pela facilidade de acesso a esse sistema, por ser o primeiro sistema de distribuição de sinais pagos, por ser a tecnologia de maior penetração nacional etc. O que parece bem coerente à primeira vista tornar-se um paradoxo. Partindo do princípio que, como afirmaram vários autores como Valério Brittos5, Paulo Scarduelli6 e Sérgio Caparelli7, o futuro da televisão por assinatura está na convergência tecnológica e nas inovações advindas da ciência, portanto, seria mais lógico começar a estudar essas possibilidades e não se manter em temáticas já superadas. No entanto, com o fim das discussões legais sobre esse sistema também foram diminuindo as publicações dedicas a ele e conseqüentemente a possibilidade de exploração de novas abordagens.

Isso significa dizer que enquanto mantinham-se os debates mais calorosos pela regulamentação e instalação do sistema o universo da pesquisa acadêmica mantinham-se na mesma temperatura.

Assim como fez Sérgio Mattos para a televisão em um capítulo de A televisão no Brasil: 50 anos de história [1950-2000], esse trabalho buscou um levantamento da pesquisa brasileira em TV por assinatura, tornando-se uma fonte de pesquisas sobre o assunto e um panorama com um leque de possibilidades ainda inexploradas e passíveis de serem pesquisadas pela comunicação.

Do que se esperava no início deste trabalho o Estado da Arte da TV por assinatura brasileira foi além por mais de cem publicações. É interessante observar como um assunto, que às primeiras leituras parecia pouco explorado para um aluno de graduação acabou revelando-se como uma pesquisa tão exigente.

A reunião desses estudos acaba por se configurar num index para a consulta de qualquer telespectador e/ou pesquisador. Essa listagem do que já foi discutido sobre TV por assinatura não interfere diretamente nos futuros caminhos dessa tecnologia, mas serve de ponto de partida para um futuro que para dar certo deve começar olhando e refletindo sobre o que ficou pra trás.



5. Referências bibliográficas


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