É Nome: Graça Penha Nascimento Rossetto



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1.2 O atual mercado brasileiro de TV paga

Depois de uma coleção de fracassos como a expectativa de crescimento de assinantes não concretizada ou as apostas equivocadas da Globo e Abril com sistemas de distribuição pouco utilizados no país, o mercado de TV paga com muita dificuldade vem se firmando no cenário econômico brasileiro. Um longo período de estagnação fez com que as previsões de pelo menos 5 milhões de assinantes no ano 2000 ficassem no passado, demonstrando um número real, sem crescimento, de 3,5 milhões de assinantes durante anos.

As perspectivas, por melhores que podiam parecer, não se convertiam em realidade e o crescimento ficava só no papel por causa das infindáveis crises econômicas.

Atualmente o mercado canarinho da TV paga contabiliza os mesmos 3,5 milhões de domicílios assinantes contados em 2000. As perspectivas das empresas do setor e da própria agência reguladora continuam, como sempre, as melhores possíveis, mas essas mesmas insistem em não se tornar realidade ano após ano.

O que não se pode negar é que desde o advento da TV paga o brasileiro passou a assistir mais televisão e teve seu leque de opções bem ampliado. Assim, as possibilidades continuam enormes, mas o aumento das estatísticas continua à mercê de um mercado que insiste em estabelecer uma tecnologia de primeiro mundo em um país de terceiro.

Hoje são 103 diferentes canais divididos em 17 gêneros, passando por 495 municípios (sem contar os atingidos pelo DTH) atingindo um número aproximado de 12 milhões de espectadores.

Desses 3,5 milhões de lares assinantes 2,3 milhões de domicílios são atendidos pelo cabo e MMDS e 1,2 milhão pela TV por satélite. Todos esses números significam uma penetração de 8,4% nos domicílios, ou seja, a televisão por assinatura atinge 8,4% das casas com aparelho de TV, sendo que 80% dessas casas são pertencentes à classe AB (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TELEVISÃO POR ASSINATURA, 2003/2004).

São ao todo 129 operadoras que atendem a todos esses lares, sendo que a maioria delas, 99, distribui os sinais por cabo. Vinte e uma delas operam em MMDS e apenas 9 em satélite (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TELEVISÃO POR ASSINATURA, 2003/2004).

Todos os números otimistas do mercado rendem ao Brasil a sexta posição no ranking de países com maior índice de penetração domiciliar da tecnologia, atrás somente da China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão. Na frente de grandes potencias como Alemanha (7º) e Reino Unido (9º) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TELEVISÃO POR ASSINATURA, 2003/2004).

Como não podiam deixar de ser as perspectivas são otimistas para o mercado. Do total de outorgas concedidas pela Anatel, 264 estão em funcionamento e 133 em instalação, o que significa que a cobertura geográfica do serviço está sendo ampliada (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TELEVISÃO POR ASSINATURA, 2003/2004).

A esse promissor e atualmente cauteloso mercado só resta esperar e investir, tentando fazer com que a audiência se desprenda da tradição de assistir a TV generalista apostando na melhoria da economia e na disposição do consumidor de também pagar para ver. O crescimento desta indústria está diretamente ligado à gestão de um conteúdo que seja atraente à audiência e a novos investimentos publicitários, procurando enfatizar a produção local e regional para atrair e fidelizar assinantes, buscando recursos para solucionar a grande barreira à produção nacional: os altos investimentos com produção terceirizada e a falta de recursos para o financiamento de projetos de produtores brasileiros.

2. DESCRIÇÃO DA PESQUISA


A TV por assinatura no Brasil e o que está sendo estudado sobre ela é o objeto desta pesquisa. Desde a regulamentação do serviço no país, através da TV a cabo, o inovador serviço de TV por assinatura era um universo ilimitado a ser explorado, tanto do ponto de vista mercadológico como tecnológico.

Foi feito um trabalho de busca sobre o que era mais freqüente no estudo da área. A idéia foi a de traçar um panorama geral dos estudos sobre TV por assinatura no país, capaz de identificar o número de ocorrências, principais enfoques abordados, principais lacunas, etc. Para isso, foi feito um levantamento bibliográfico e avaliação do que é, e como é, estudado esse tema no Brasil.

A necessidade da busca de conhecimento sistematizado sobre os aspectos que envolvem a TV por assinatura no Brasil, ou qualquer outro assunto, é atividade primordial para a realização de um trabalho científico. Neste trabalho foi feito o State of the Art, ou Estado da Arte, que busca um estudo mais aprofundado sobre o que é estudado e como é estudado determinado assunto, verificando quais as principais lacunas e onde estão os principais entraves teóricos e metodológicos, no caso da TV por assinatura no Brasil.

MARCONI E LAKATOS (1996, p.66) citando Abelardo MANZO4 afirmam que:

“a bibliografia pertinente ‘ oferece meios para definir, resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram suficientemente’(...) Dessa forma, a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, mas propicia o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras”.
3. RESULTADOS
Transformando todos os números recolhidos em dados é possível descrever a trajetória dos estudos brasileiros sobre a televisão por assinatura.

Ao todo foram consultadas in loco doze bibliotecas de instituições de ensino superior do país, sendo que a pesquisa teve início pelas bibliotecas das instituições do estado que oferecem o curso de Comunicação Social ou qualquer de suas habilitações. Além disso, outras bibliotecas consideradas referência fora do estado também foram consultadas in loco, sendo elas ECA-USP, Metodista, Cásper Líbero e PUC-SP. O acervo de todas as outras faculdades que oferecem pós-graduação no curso de comunicação foi consultado via internet, totalizando dezenove instituições. Além disso, a pesquisa se estendeu a oito livrarias, seis catálogos de editoras, vinte e duas revistas científicas, cinco magazines específicos que trazem artigos, pappers dos congressos da Intercom, Compós e Sipec e cinco bibliotecas virtuais.

Neste trabalho foi possível encontrar um total de 187 publicações, sendo que a maioria delas está concentrada no ano de 1998 com um total de 33 ocorrências. A primeira referencia a TV paga em texto científico data de 1982.

A categoria mais freqüente desses trabalhos foram os artigos em revistas científicas, com um total de 58 publicações, seguidos por trabalhos completos publicados em anais de eventos (29). Um dado interessante quanto a categoria é a respeito do número de pesquisas científicas mais aprofundadas sobre o tema. Foram encontrados dezenove dissertações e somente duas teses que tratam da TV paga brasileiro, sendo que somente uma dessas teses, fala exclusivamente do assunto.

Dessas 187 publicações a maioria delas, 43, tratam da política da TV paga brasileira, fazendo referência à regulamentação do sistema de TV paga, ao modelo político de implantação da tecnologia, às estratégias adotadas pelo governo para regulamentação e para estruturação legal de forma eficiente do novo serviço. Logo em seguida, com 41 ocorrências, estão os trabalhos que tratam sobretudo do conteúdo da televisão por assinatura. Somente um trabalho trata da própria pesquisa sobre o assunto, uma espécie de metalinguagem. Quando o autor da pesquisa fala da própria situação da pesquisa em TV por assinatura, parecido com o que se faz neste estado da arte.

Por fim, quanto ao tipo de referência ao assunto TV paga, uma modesta maioria dos trabalhos trata do assunto indiretamente. Noventa e cinco textos abordam secundariamente o assunto enquanto 92 têm como tema principal a própria TV paga.






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